A Guerra em outro Mundo.

10 Capítulo 10 - VISÃO DOUGIE


Desde o início da humanidade, ao menos aqui em Rabdash, todos viviam sem ar. Eles conseguiam viver, claro, mas eram fracos. Suas peles eram enrugadas, sem vida, velhas. Em média, eles viviam 30 anos, nem isso. Seus filhos nasciam fracos e raquíticos. Alguns morriam no exato momento em que viam a luz.
Ainda não havia um guardião do ar, apenas da Terra e da Água. O ar e o fogo haviam sido roubados por um monstro maligno que se alimentava de elementos. Vários jovens haviam ido até lá, na caverna onde o monstro morava para resgatar pelo menos um dos elementos, mas o monstro os devorava, sem piedade, um por um.
Nesse tempo, eu não havia nascido ainda. Sei pai, rei Turunen tinha sido coroado A pouco tempo. Alguns anos se passaram, e a mesma força que anos mais tarde gerou Rick me gerou. Eu já nasci com o porte de um garoto de 12 anos. Lottie e Tanya cuidaram de mim até eu completar 16 anos de nascimento. Desse momento em diante, iniciei a minha procura pelo ar, um dos elementos perdidos.
Viajei por muitos lugares, durante muito tempo, procurando conhecer mais sobre a área em que o monstro morava, para saber como derrotá-lo. Felizmente, não eram muitas coisas. Cheguei na caverna onde ele morava. Fedia muito, mas eu conseguia sentir o ar puro que estava preso lá dentro. Avancei e encarei o monstrengo. Não era nada assustador, pelo menos para mim. Tinha uma aparência gigantesca. Era muito sujo, e a sua coloração era vermelha. Tinha quatro chifres na cabeça, dois deles quebrados pela metade. Parecia muito mal. Avançei lentamente na sua direção, com a mão direita estendida. Primeiramente, ele me atacou, mas de algum jeito eu o fiz recuar. Ficou com muito medo, e se encostou na parede da caverna, a medida em que eu me aproximava.
Quando cheguei mais perto, percebi que ele tinha várias espadas e lanças cravadas nas suas patas dianteiras. Deveria ser por isso que ele atacava qualquer um que ele atacava qualquer um que entrava ali, Pois todos queriam matá-lo. Mas ele havia visto algo em mim, ele havia percebido que eu não queria briga, nem nada.
Hesitando, ele me deixou tirar os objetos que o machucavam. Um por vez. A cada um que eu tirava, ele urrava de dor. Demorei muito, mas consegui acabar o serviço. O monstro me olhou dócilmente, com um tanto de piedade no olhar. Eu me afastei um momento. Ele esperou para ver o que eu iria fazer, mas como percebeu que eu não me mexia, apontou com a pata já boa na direção de dois... De dois potes, digamos. Em um deles, havia uma porção de ar. No outro, havia fogo. O animal disse:
–Pegue o elemento que mais achar preciso no seu planeta.

Inicialmente pensei em pegar o fogo. Várias pessoas já haviam me falado sobre ele e seus benefícios. Mas, o fogo é agressivo, e eu não ajo com agressividade. Não na frente das pessoas, pelo menos. Eu gosto de jogos mentais, ainda assim não agressivos. Escolhi o recipiente com o ar. O peguei nas mãos e me afastei um pouco do monstro. Percebi que um dos dois chifres restantes na sua cabeça havia caído no chão. Agora, o objeto me parecia muito familiar. Eu o recolhi ligeiramente e saí da caverna. Olhando para trás, percebi que o monstro estava com uma cara um tanto triste. Por onde eu passava, com aquele reservatório de ar, as flores desabrochavam. O céu ficava mais azul. A terra ganhava mais vida. As pessoas me olhavam, maravilhadas. Algumas até se curvavam. Em uma mão eu carregava o ar, e na outra, o chifre quebrado.
Por muito tempo, andei até quegar aqui, no castelo. O ar estava preso no recipiente, mas mesmo assim, tudo estava com vida, agora. Entrei pelas portas principais até que cheguei na sala do trono, onde o lorde Turunen estava sentado. Tudo ficou silencioso. Todos de olhos arregalados olhavam para mim, apenas um pouco sujo e calmo, com o elemento precioso nas mãos. Quando eu parti, muitos acharam que eu não iria sobreviver, pois o monstro era muito selvagem, e como eu disse antes, matava qualquer um que perto dele chegasse. Eu havia dito:
–Com os cumprimentos do monstro da caverna -mostrei o chifre quebrado- Eu o apresento, lorde Turunen, rei de Rabdash, o elemento Ar.
Ele não cabia em si de tanta felicidade, o seu pai.
–Dougie -disse, enquanto se levantava do trono -A sua bravura e coragem foram enormes. Além da sua calma, não podemos esquecer. O que levou você a procurar o ar?
–Não sei realmente o que me levou a ir até lá. A população estava sofrendo, e muitos morriam na busca desse elemento. E, algo me dizia que eu deveria ir atrás do ar. Eu não tinha um objetivo na vida, até ali. Resolvi ir então, senhor.
–Muitas vezes também, o elemento escolhe quem vai ser seu guardião. Não que o monstro facilitou para Dougie, mas... -Tanya havia dito.
–Muito bem colocado, Tanya. O elemento escolheu o guardião. Dougie, você foi escolhido.
–Desculpe, senhor? -falei.

– O Ar lhe escolheu. Ele quer que você seja o seu guardião.
–Eu não sei se sou a pessoa mais adequada para isso.
–Dougie — falou Lottie gentilmente- Você é a pessoa mais que certa para cuidar desse elemento. Somente você, entre muitos outros, conseguiu resgatá-lo.
–É necessário algo para eu me tornar um guardião oficial?
–Uma pequena cerimôni -Tanya.
–Como ela vai ser?
–Secreta. Apenas alguns privilegiados vão presenciar.
–Quando?
–Quando o Ar desejar.
Seu pai se aproximou, Oddie, e retirou o reservatório da minha mão. Porém, o objeto começou a tremer e ameaçou cair no chão. Eu tomei o ar de volta e de imediato ele parou de se sacudir. Ele queria que fosse agora. Subimos logo para a área aberta da torre mais alta do Castelo, onde me deixaram a sós com o reservatório. Antes, me falaram que era para eu abri-lo apenas quando fizessem. Eu fiz o que eles mandaram.
No exato momento em que eu o abri, fui envolvido pelo elemento. Rodopiei muito, até que parei imóvel, ajoelhado no chão. Olhei para as minhas mãos e braços: estavam ambos mais jovens. O meu rosto também deveria estar. Incrivelmente, eu não estava tonto. Eu conseguia respirar. Fui o primeiro no planeta a fazer isso.
Após alguns segundos, seu pai havia entrado ali. Estava com sua Espada Elementar em mãos. Tocou os meus dois ombros com a lâmina, e me proclamou Guardião do Ar ali no planeta. Após isso, me autorizou a entrar na sala dos Elementos e depositar uma pequena parcela do ar no pilar correto. Obedeci, claro. Eu era imortal, a partir de agora.
Eu estava autorizado a ficar no Castelo o tempo que quisesse. Até para comer e dormir, também. Eu poderia até morar ali, caso precisasse. Decidi passar a maior parte do tempo andando pelo planeta, mas uma parte do dia, eu passaria dentro do castelo. Estava cumprindo bem essa rotina, até que você, Oddie, chegou aqui.
Participamos de muitas batalhas. Alguns anos mais tarde, Rick chegou ao mundo. Ele mais saudável do que muitos outros. Ele resgatou o fogo com apenas 12 anos de nascimento. Após mil e poucos anos, seu pai, rei Turunen, Oddie, foi morto. O planeta, que era perfeito e saudável, ficou triste e sem vida.
Bem... Isso... Até que você chegou aqui.