A Gueixa - Hiatus.
1 Prologue
Notas iniciais
Magnólia, Fiore.
–Não! Por favor! Minha filha não!- a mulher loira gritou, mantendo-se encolhida contra o futon, tentando, mesmo que inutilmente, estancar o sangramento no tronco que manchava seu kimono, observando o homem agarrar a menina desacordada e jogá-la sobre seu ombro.
–Calada! Você me deve muito dinheiro, Layla...
–Jude... Por favor... Minha filha não...
–Nossa filha você quer dizer. Vou levá-la comigo. Ela será um bom entretenimento quando for mais velha... Ganhará milhões. Quem sabe assim consegue pagar o que a mãe me deve!
–Jude...
–CALADA! Polyushka fará bom uso dela, não se preocupe. Agora, sua meinu* imunda, morra!
O homem sacou o punhal e acertou o golpe de misericórdia em Layla. A mulher sentiu sua força esvair-se lentamente, vendo vagamente Jude se retirar, ainda com a criança nos braços. Tudo o que pôde fazer foi sussurrar uma única palavra antes de desfalecer, jogada no chão como um nada:
–Amaya...*
***
–Deixe-me ver a mercadoria, Heartfilia- a arroxeada sussurrou sem mover o leque da frente do rosto.
Jude mantinha-se parado em frente de uma carruagem ricamente trabalhada, com vários detalhes em dourado e azul. Dentro da mesma, estava uma jovem de cabelos longos e escuros, vestida com um belo e elaborado kimono vermelho. Ele, após matar Layla, havia marcado de se encontrar com ela em um local afastado. Iria deixar a filha aos cuidados da Oki-ya* mais famosa de Magnólia e, quem sabe, reveria uma boa quantidade dos yenes usados para conseguir comprar o mizuage*da mulher que um dia amara.
Empurrou a menina, agora acordada, jogando-a aos pés da mulher. Essa a fitou, puxando-lhe os fios loiros para cima, pondo-a de pé. Examinou os olhos avelãs minuciosamente, assim como o rosto molhado de lágrimas. Desamarrou a fita que prendia as roupas da criança, deixando-a nua. Amaya tapou os seios levemente salientes com os braços, envergonhada.
–Quantos anos ela tem?- a arroxeada desconhecida perguntou.
–Ela é do ano do dragão. Só tem oito.
–Hum... Terá belos seios, menina. Serão grandes e apalpáveis...
A loirinha corou com os dizeres da mulher. Abaixou-se e agarrou os panos no chão, enrolando seu corpo de um jeito qualquer. Fechou os olhos e apertou ainda mais as peças de roupa ao seu redor, pensando na mãe. Logo, quando a imagem imaculada da mais velha lhe veio a mente, lágrimas arderam em seus olhos e a menina fungou.
–Ora... O trato me parece justo, Heartfilia. Mandarei alguém lhe pagar amanhã de manhã em sua casa.
O homem limitou-se a lançar um sorriso de escárnio para a menina, que encolheu-se ainda mais entre suas roupas. Jude curvou-se para a mulher e deu as costas à carruagem.
E assim, a lenda da Estrela se inicia...
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