Notas iniciais
–Por quanto?
A voz desnorteada de Juvia atingiu quatro oitavas acima do costume, os olhos azuis mantinham-se arregalados enquanto Mirajane agitava o papelzinho, risonha.
–Você ouviu perfeitamente. Seu Mizuage foi vendido por quarenta e duas mil moedas. Meus parabéns.
A azulada sorriu, envergonhada. Lucy não pôde deixar de ficar feliz por ela, a venda do mizuage significava muito para uma Maiko. E só Kami-sama sabia o quanto Juvia queria ser uma gueixa completa.
Suspirou, voltando seus olhos à tabela de lances.
–Mira-san... Posso saber para quem ele foi vendido? – a azulada pediu.
A albina espiou o nome do comprador por sobre os ombros de Lucy.
–Foi para um Daimiô... O senhor do feudo de Lotus, Lyon Vastia... Ah, sim, um dos irmãos adotivos de Ultear-san.
A azulada se surpreendeu. Juvia se lembrava bem do senhor de Lotus. Ela o acompanhara algumas vezes enquanto ele ia aos campeonatos de luta do reino. Ele fora muito cordial e adorável, lhe dando um belíssimo kimono de seda dourado ao fim de seus serviços.
Mesmo assim, não esperava que ele se lembrasse dela. Pelo menos, não a ponto de enviar um lance de Lotus para comprar-lhe o mizuage.
–Levy-chan, o seu ainda não foi encerrado. Porém, seus lances também estão altos... Polyushka-san disse que irá vende-lo até o fim da semana, antes do festival. Se prepare.
Levy respirou fundo, assentindo. O receio dela era perceptivo, porém, aquilo era uma coisa pela qual todas precisariam passar.
Que Kami a ajudasse quando a hora finalmente chegasse.
***
–Preste mais atenção, filho! Sua guarda está baixa!
Igneel usou a katana de madeira e a acertou na parte traseira dos joelhos de Natsu, que foi ao chão instantaneamente, batendo a nuca com força no chão.
O mais velho riu, apoiando a arma no ombro esquerdo. Estendeu a mão para o filho, que negou a ajuda, emburrado.
–O que era tão importante para desconcentrá-lo no meio do treino, meu filho? Sua mente estava longe...
–Nada em especial, pai... Eu só...
Natsu suspirou, batendo a poeira da roupa. Não conseguia tirar da cabeça a ideia fixa de que conhecia aquela gueixa de algum lugar, a estranha sensação de completude que sentira durante aquela noite o intrigava ao ponto de atrapalhá-lo em suas atividades diárias.
Igneel notou o conflito no rosto do filho. Natsu estava estranho desde que voltara da saída com Gray e Gajeel. Ambos disseram que deixaram a casa de chá e o levaram ao Bairro dos Prazeres, onde o rosado pagara uma bela Oirã.
Entendia que o filho ainda era muito jovem e que provavelmente queria conhecer os prazeres do mundo e viver aventuras como sua irmã, mas infelizmente perder outro filho para a guerra não era um luxo que Igneel estava disposto a correr. Erza estava na fronteira havia anos, e mandava notícias sobre seu estado apenas algumas vezes no ano.
“Me perdoe, meu querido pai, mas infelizmente as coisas não andam boas por aqui. Jellal e eu estamos enfrentando cada vez mais inimigos, mal tenho tempo de respirar, quem dirá escrever.”, foi o que ela havia dito na última que enviara, quase seis meses antes...
Jellal Fernandes. Sim, um jovem comandante que enlaçara o coração de sua filha mais velha em muito pouco tempo. Erza, ou Titânia como era conhecida, não era uma mulher muito fácil de lidar, então fora uma surpresa para a família toda quando ela informara que estava noiva e que pretendia se casar o mais breve, mas com o desenrolar da guerra, ainda não fora possível.
Voltou a fitar o filho. Havia conseguido uma boa moça para ele, uma jovem princesa de um reino distante. Delicada e doce como uma flor de pêssego, assim era descrita a jovem senhora de Joya, Lisanna Strauss.
Suspirou. Aquele casamento não passava de um acordo político entre Magnólia e Joya. Sentia-se mal por ter que envolver a felicidade do filho naquela situação, porém, não tinha escolha.
–Igneel!
Foi arrancado de seus devaneios quando ouviu a doce voz de sua esposa, Grandine. A bela mulher era muito parecida com Natsu, isso é claro, tirando seus longos e brilhantes cabelos azuis. Os olhos, num castanho escuro divertido, o encararam com certo afobamento.
–Ela chegou.
Natsu suspirou. Tirou o cabelo dos olhos e caminhou apara dentro, deixando a área de treinamento. Que o inferno comece, pensou.
***
Lisanna ajeitou o pente em seus cabelos pela milésima vez naquele minuto. Estava extremamente nervosa para conhecer seu futuro noivo, ouvira muito sobre o quão maravilhoso era o filho do meio do imperador de Fiore.
Viera de muito longe para passar alguns dias no palácio dos Dragneel. Se tudo ocorresse bem, o casamento seria realizado dali uma quinzena, portanto, queria causar uma boa impressão.
A primeira que veio recebe-la foi a senhora Grandine. Ignorando a pose de imperatriz que deveria representar, abraçou a jovem de forma calorosa e maternal, desconcertando a albina por alguns segundos.
–Ah, querida, que bom que finalmente chegou. Seja bem vinda, espero que tudo ocorra bem e que consiga conquistar meu filho.
A Strauss caçula só conseguiu murmurar alguma coisa quando a mulher a soltou. Apesar da fachada delicada, Grandine era extremamente forte!
–É um prazer, majestade. Estou feliz de estar aqui... –disse sorrindo levemente, encabulada com o gesto anterior.
–Meu bem, não precisa de tanta formalidade. Se tudo ocorrer dentro do planejado, você será minha nora em quinze dias!
–Oh, sim! Tomara que Natsu goste de você, não?
Igneel surgiu na sala, já vestido como sua posição lhe pedia. Assustara Lisanna, que dera alguns passos para trás, mas que já começava a se recompor.
–Igneel-sama... Agradeço por me receber em sua casa...
O ruivo sorriu.
–Imagine. É um prazer imenso recebe-la aqui... Diga-me, querida, quantos filhos está disposta a ter? Meu filho não é nada mal e esse palácio é muito grande, quero muito habitá-lo com muitas crianças.
A albina parou de ouvir quando ele terminou a pergunta. Filho? Mas ela mal acabara de chegar!
–Estão assustando a dama... Pare de fazer perguntas estúpidas e inapropriadas, oyaji*...
Natsu vinha descendo a escadaria principal, belamente vestido em um yukata masculino azul. Lisanna não pôde deixar de corar, o príncipe era realmente muito bonito.
–Seja bem vinda, Lisanna-sama. Espero que a quinzena seja boa e que possamos nos conhecer bem.
E então o mundo inteiro pareceu acabar quando ele sorriu.
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