A Guardiã Do Bem E Do Mal
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O.K, eu exagerei ao dizer “ a maior cratera” , porque realmente existiam crateras muito maiores do que isso.
Mas, ainda assim, como diabos eu não percebi antes?
E não parecia ser recente, porque uma boa parte da lava já havia endurecido – apesar de ainda ter muito nela. Aquele maldito Gray, ele com certeza sabia sobre isso. Estava começando a juntar mais e mais pessoas em volta dela.
“Mas espera um pouco... se a cratera não é recente, então como as pessoas não a notaram antes???” – indaguei. Então caiu a ficha.
A magia. A magia que estava em volta dela não deixava as pessoas se aproximarem. Então, pelo fato das pessoas conseguirem se aproximar agora, significa que a magia está se dissipando. O que significa também que a cratera é mais antiga do que eu pensava, o que explica o fato da lava inteira ainda não ter endurecido também.
–Duvido você entrar lá dentro! — exclamou do nada uma das crianças para um de seus amigos.
–Mas… tem lava! — respondeu a criança desafiada.
–Medroso, medroso, medroso! — cantaram todas as crianças juntas.
–Ta bom, ta bom, eu vou!
Droga!
–Espere, é perigoso! — falei, mas de onde eu estava escondido não me escutaram. A criança continuava a descer naquele terreno íngreme, até que o inevitável aconteceu: ela escorregou.
–NÃO! — gritei, e dessa vez escutaram. Sem me importar mais em ficar escondido, sai voando até o garoto, que estava rolando na direção da lava.
–Segure firme! – exclamei, agarrando as costas de sua camisa fina, e puxando para cima segundos antes de alcançar a lava.
Escutei as pessoas em volta da cratera gritar – primeiro porque tinha um menino rolando na direção da lava, e agora porque esse mesmo menino estava voando.
“Adultos” – pensei e bufei. Pelo fato de não acreditarem em mim, eles não conseguem me enxergar, então preferem acreditar que um menino pode voar.
Levei o menino até as outras crianças, que estavam me olhando até agora boquiabertas. Dei uma piscadinha para elas, e então eu voei em volta da cratera e congelei o resto da lava que sobrava.
Voltei para onde estavam as crianças e então finalmente uma delas teve coragem e perguntou:
–Jack Frost... é você mesmo?
–Não! Sou a Fada do Dente, não vê? – falei, fazendo todas as crianças rirem, inclusive a que me perguntou.
“Legal! Ainda tenho jeito com as crianças!” – comemorei.
–Mas agora falando sério, não se arrisquem mais assim. Não é sempre que eu vou aparecer voando e congelar tudo no meu caminho, por mais legal que seja.
–Aaah, mas por que não? Foi tão legal!
–Eu sei, foi incrível, né? Eu sou demais. Mas ainda assim não pode, estou falando sério agora. Vocês prometem não fazer mais?
–Prometemos – disseram todos.
Os adultos estavam olhando para cá, provavelmente se perguntando com quem as crianças estavam conversando. Hora de ir embora.
–O.k, não se esqueçam o que prometeram! Eu tenho que ir, até mais!
–Não, fica!
–Não vá!
Mas eu só dei outra piscadinha e fui embora.
Por mais legal que eu tenha sido com as crianças, eu estava muito bravo. Logicamente não com elas, mas sim com quem causou aquela cratera. Provavelmente devia ser esse novo ser que nasceu quem a causou.
“Quem ele pensa que é?” – pensei, furioso – “Quase mata uma criança! Eu tenho que dar um basta nisso!”
Estava voando a esmo por aí, vendo se encontrava alguma coisa, quando então me veio um terrível pensamento a cabeça:
“E se esse ser que tiver nascido não for igual a nós, mas sim um ser maligno como o Breu?” – pensei. E então congelei. Não pode ser.
“Eu tenho que contar para os outros guardiões!” – e, pensando nisso, voei o mais rápido que pude de volta para o castelo.
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