EU ESTAVA VAGANDO POR AÍ, perdida e confusa. Não me lembrava de nada do que aconteceu antes – apenas o meu nome e um rosto de uma criança. E, por mais que estivesse desesperada para conseguir me lembrar de meu passado, o que eu queria mesmo era poder rever essa garotinha que não some da minha cabeça.

Uma pessoa passou pelo meu lado e por instinto eu desviei. Suspirei. Eu sempre me esquecia de que eu não precisava desviar, pois o meu corpo simplesmente o atravessava.

Continuei andando pelas ruas. Mesmo estando descalça, eu não sentia frio, o que não devia ser normal; ainda mais porque estava nevando. Olhei para trás – as minhas pegadas derreteu toda a neve, fazendo com que eu enxergasse a grama.

E, mesmo assim, as pessoas pareciam não notar.

Continuei andando. Não sabia para onde estava indo, só queria poder encontrar alguém que me contasse o que estava acontecendo. Estava com medo de que passasse o resto de minha vida sozinha. Eu simplesmente tinha acordado um dia, no meio das chamas, perdida como nunca estive antes. E então a coisa mais bizarra aconteceu comigo: a Lua falou.

Não exatamente falou, mas eu tenho certeza que foi ela quem me contou o meu nome e falou o que eu sou. Um ser mágico nascido com um destino pela frente.

Bufei. “Belo destino estou tendo agora! Vagando sem rumo algum por aí.” – pensei.

Eu avistei algumas crianças brincando com uma bola. Parei para observar – elas não iriam me ver mesmo, então nem precisava me esconder.

–Passa a bola! – gritou uma das crianças. A criança com a bola a ignorou e chutou pro gol. Ou pelo menos tentou, porque não foi nem perto. Ao contrário, ela foi rolando até perto de onde eu estava observando.

–Ótimo! Isso que dá ser mesquinho!

–Ah, nem vem, você não ia conseguir também! Você, que é mais cego que uma toupeira!

–O que você disse??!? Ta querendo brigar??

–Nooossa, que medo de você! – e, escutando isso, a outra criança se jogou em cima dessa, fazendo todos gritarem “briga, briga,briga!”

–O que está acontecendo aqui?? –perguntou um homem. Devia ser o pai de um dos garotos.

–Ele que começou!

–Não importa quem começou, a brincadeira acabou. Vamos, todos para a casa!

–Aaah – ecoou todas as crianças.

–Peraí, deixa só eu buscar a bola então. – resmungou uma criança, indo procurar a bola.

Eu olhei para a bola que estava a minha frente; e, não sei até agora o porque, mas eu peguei ela.

E então aconteceu – ela explodiu.

–Ah, o que foi isso?? – gritou uma das crianças assustada.

–Acho que foi a bola! – então a criança veio aqui, tirou a luva (provavelmente para a bola não escorregar de suas mãos) e pegou-a no chão. Ou tentou pegar; quando encostou na bola, ele gritou de dor.

–ELA ME QUEIMOU!

–O que te queimou?

–A bola! Buááá!

–Calma, calma – falou o homem, que olhou a mão dele – foi só uma queimadurinha de leve. Eu te levo até a sua casa e então a sua mãe ou o seu pai cuida disso, certo?

–Snif... certo.

–O resto de vocês vão para a suas casas! E não encostem naquela bola!

Eu fiquei olhando a cena sem acreditar no que eu via.

Eu havia machucado uma criança.

EU HAVIA MACHUCADO UMA CRIANÇA!

Olhei para as minhas mãos e comecei a tremer; minha visão ficou embaçada e percebi que estava chorando. Cai de joelhos e comecei a soluçar.

–Por que... por que tem que ser assim??? – exclamei.

–Mas não precisa ser assim minha querida. – disse alguém que estava parado na minha frente.

Olhei para cima; era um homem alto, com a pele acinzentada, e com olhos de um amarelo penetrante. Usava roupas pretas e tinha um cabelo espetado para cima. Eu não sei porque, mas a presença dele era um pouco perturbadora.

-Qual é o seu nome?

–É-é... Clare... mas o que... quem é você? – balbuciei.

–Oh, eu ainda não me apresentei, não é mesmo? Prazer, eu me chamo Breu.

Notas finais
Vai, por essa vocês não esperavam! Gente, eu conto MUITO com o apoio de vocês, para que eu possa crescer cada vez mais! Então comente e diga o que achou! Além de me dar uma noção se a história está ficando boa ou não, isso também me deixaria muito feliz! Obrigada!