–HÁ! Se não é Jack Frost! Acho que você está um pouco longe de casa não acha, oh grande guardião?

–Cala a boca – disse, dando uma empurradinha no seu corpo de sapo minúsculo – posso ter virado guardião, mas eu continuo o mesmo.

–Ah ta bom! E eu sou o papai Noel, prazer.

Eu ri – Se fosse, eu não estaria tendo essa conversa com você de tão chata que seria. Mas enfim, eu não vim hoje para me divertir Gray, eu vim pedir algumas informações.

–É claro que não veio para se divertir, ninguém se lembra do sapo – resmungou ele. Ele parecia estar falando sério.

“Sapos! São tão melodramáticos!” – pensei. Então eu bufei.

–O.k, eu sinto muito não ter vindo aqui antes, mas é que eu realmente estive ocupado! Agora, você vai me ajudar ou não?

Ele resmungou algo sobre humanos serem arrogantes e então falou:

–Tudo bem, fale logo o que você tem a dizer.

–Certo. Eu não sei se você reparou, mas o Homem na Lua fez alguma coisa recentemente...

–É claro que eu reparei! – exclamou, me interrompendo – só idiotas não teriam visto.

“Eu não percebi até me dizerem naquela reunião” – pensei, envergonhado.

–Hã... enfim, achamos que um ser, igual a nós, possa ter nascido. Eu queria saber se você tem alguma ideia de onde ele possa estar.

–Como eu vou saber? Sou só o cara das plantas. Vocês, guardiões, agem como se as plantas fossem algo inútil na vida...

“Não é possível! Ele deve estar de TPM, só pode!” – pensei, exasperado.

–Você viu algo por aqui ou não??

–NÃO!

–Ta bom, ta bom, to indo embora já. Prometo te trazer umas mosquinhas da próxima vez! — disse, saindo correndo enquanto ele me xingava pelas costas.

“Aqui também não... onde ele está?” – pensei. Este já era o terceiro país que via. Como eu era não só a neve e o gelo mas como também todo o vento frio, eu conseguia viajar numa velocidade extraordinária. Mas isso não mudava o fato de que já estava ficando de saco cheio.

Suspirei. O Coelhão devia estar certo, se o destino quisesse nós acabariamos nos encontrando. Não valia a pena sair a esmo por aí, procurando por algo que nem sabia como é. Nada garantia que esse novo ser não seja um lagarto ou uma abelha. Assim como o Gray e o Coelhão, nem todos os seres nasciam na forma humana. Não sei nem porque eu tive a ideia de sair por aí para procurar. Esse by Browse to Save\">negócio de guardião realmente estava me deixando louco.

Mas só de pensar em voltar para casa e ter de deparar com fadinhas depressivas e bumerangues com lascas, eu desanimei.

Andei por aí e vi umas crianças conversando em francês — o que fazia sentido, considerando que eu estava atualmente na França. Mas, por incrível que pareça, eu entendia tudo o que elas diziam, mesmo nunca ter parado para aprender a língua, assim como todas as outras. No momento que eu nasci eu já devia saber, como um pacote bônus concedido pelo Homem na Lua.

Subi em cima de um telhado e fiquei observando.

–Jura que aconteceu isso? – indagou uma das crianças, com cara de espanto.

–É claro! Ta todo mundo comentando! A Lyn realmente beijou ele! – disse o outro. Olhando bem, o nariz dele era um pouco torto para a esquerda. Bizarro.

–Nojento! – exclamou uma menina.

E todas as outras crianças começaram a rir, deixando a menina vermelha.

Eu ri. “Crianças”– pensei.

–Ei! – gritou uma criança que estava subindo a rua. Era uma menina de cabelo castanho claro e longo, que estava usando um vestido azul escuro com um lacinho vermelho na cabeça. Quando chegou no meio do grupinho ela se abaixou para recuperar o fôlego.

–O-oi Lyn – balbuciou uma das crianças. — O que...

–É verdade que você beijou o Pierre? – perguntou outra, atropelando a fala da primeira criança.

A Lyn corou.

–Mas como vocês...

–Ah, não foi pra isso que você veio aqui falar conosco então? – disse a mesma, corando também.

Lyn fez um sinal negativo com a cabeça bem rápido.

–Não, não! Depois nós falamos disso, vocês tem que vir comigo ver uma coisa!

–Como assim? Fala logo pra gente como foi!

–Esquece isso, vem comigo! – repetiu ela, pegando a mão de uma e puxando de volta pelo caminho que ela veio. As outras crianças seguiram, sem parar de fazer perguntas sobre ela e o tal de Pierre.

Eu não sei por que, mas eu quis seguir. Não tinha nada pra fazer mesmo.

–Rápido, rápido! – Lyn não parava de repetir.

Viramos três ruas – eu logicamente a uma distância segura – e então finalmente chegamos. E, como se fossemos um só ser, eu e todas as outras crianças escancaramos as bocas.

Lyn, parecendo satisfeita com a reação de seus amigos, cruzou os braços e disse:

–Viram só?

“Sim” – eu quis responder – “eu vi”.

E não conseguia parar de ver. Porque o que estava diante de mim era a maior cratera que eu já vi em toda a minha vida. Mas o que mais me deixou boquiaberto foi o fato de ter fragmentos de lava recente nesse buraco. E que nesses fragmentos de lava tinha resquícios de magia.

Uma magia incrivelmente poderosa.

Notas finais
Eu não sei vocês, mas eu estou gostando muito de escrever esta história, e espero que vocês também! É o apoio de vocês que me faz continuar em frente. Então por favor comentem para que eu possa saber se estou indo no caminho certo! Obrigada!