A Grande Guerra
9 Transcendendo limites!
Notas iniciais
Diversos golpes foram lançados no ar simultaneamente, num turbilhão extremamente veloz de ataques e defesas instantâneas. A cada golpe defendido havia um poderoso deslocamento de ar, e ambos os guerreiros pareciam ter exatamente a mesma força e velocidade. Os dois saltaram para trás como se tivessem ensaiado a movimentação daquela batalha repetidas vezes saltando um contra o outro tão rapidamente que pareciam nada mais que borrões que se cruzavam no ar, o som das pancadas só sendo ouvido alguns instantes depois graças àquela velocidade impressionante. Eles desapareceram no ar, ressurgindo por uma fração de segundos, punho contra punho, desaparecendo uma vez mais para ressurgir novamente por um breve instante, ambos os joelhos tendo se chocado com extrema força. Mas nenhum deles parecia sentir nenhuma dor, ao contrário: um sorriso desafiador se instalava na face de ambos a cada golpe desferido, como se aquilo fosse o ápice do prazer que duas pessoas pudesse alcançar na vida.
Para Simon, aquilo era algo totalmente inconcebível. Ele sabia que era um poderoso guerreiro, mas mal estava conseguindo acompanhar a luta com seus próprios olhos. Aqueles movimentos eram velozes demais para serem acompanhados, e ele agora tinha certeza de que nunca teria conseguido vencer Himmler em seu nível atual de força. Resignado diante daquela situação, ele crispou ambos os punhos, sentindo-se completamente inútil.
Então esse... esse é o poder de um Krüger do alto escalão e de um Super Saiyajin... não é à toa que mesmo o Mestre Khan, que era tão forte sucumbiu diante do líder dos Krügers... Esses dois são monstros, seus poderes parecem ser de outra dimensão!
Com extrema destreza, Asus conseguiu segurar ambos os punhos de Himmler, acertando ambos os pés com toda sua força no tórax de seu adversário que foi mandado longe como uma boneca de trapos quicando pelo destruído chão da cidade. O Super Saiyajin investiu novamente, envolvido pela sua aura dourada em direção ao adversário acertando-lhe diversos socos no rosto e no peito de Himmler, finalizando sua sequência com um chute na ponta do queixo do Comandante que o mandou para o alto em meio a diversos rodopios. Algumas gotas de sangue púrpura se desprenderam da boca de Himmler, espalhando-se pelo ar, mas logo ele se recompôs do golpe pairando nos céus enquanto Asus já avançava novamente. O Krüger esperou até que Asus estivesse próximo o suficiente para que não pudesse errar o próximo golpe, e desferiu um excelente golpe com a lateral da mão no rosto do Saiyajin. Normalmente, pela força do ataque e a posição em que se encontrava a mão de Himmler, o alvo atingido deveria ser cortado como se fosse atingido por uma afiada lâmina. No entanto, a imagem de Asus simplesmente se desfez no ar, como uma mera réplica holográfica etérea e imaterial, o que pegou o Comandante Krüger completamente de surpresa.
- Mas, como...? Onde ele está?! – perguntava-se Himmler em voz alta.
A resposta veio como um estalado soco no lado direto de sua face, juntamente com a voz de Asus que dizia “Estou aqui!” e o atingia novamente com ambas as mãos entrelaçadas na cabeça, mandando-o diretamente de volta ao chão. Ele concentrou uma esfera de energia azul em uma das mãos, lançando-a contra o Comandante Krüger que, ainda que pego de surpresa pelos golpes, pôde se recuperar rapidamente uma outra vez, não atingindo o chão como fora planejado pelo Super Saiyajin. E quando seu disparo de energia estava para atingir o alvo, Himmler o deteve com ambas as mãos, desviando sua trajetória para o lado. Uma enorme explosão cobriu parte da cidade, deixando nada senão um monte de escombros e poeira onde antes havia um bairro residencial.
- Eu estou surpreso... – disse Himmler, limpando o filete de sangue púrpura que lhe escorria da boca com as costas da mão direita – Parece que eu cometi um grave erro ao subestimar vocês, Super Saiyajins. Acho que o único motivo pelo qual eu derrotei aquele outro garoto sem esforços foi porque ele já estava ferido e cansado por causa da batalha contra Totenkopf... O poder de um Super Saiyajin em seu estado pleno e com o corpo em boas condições é realmente algo impressionante.
- Puxar meu saco não vai me impedir de continuar a luta! – Asus disparou, ácido – Ou você acha mesmo que pode ganhar a minha simpatia só com essa conversa mole?
- Não me entenda mal, Saiyajin. Eu não estou puxando o seu saco. Mas você realmente tem uma força digna de reconhecimento. Vou lhe fazer uma proposta, e espero que você aceite.
- Uma proposta?
- Sim. Diferente desses pacificadores idiotas dos Kelfos ou de seu colega Spark, você não tem escrúpulos durante uma luta. Você é frio, e pelo que pude perceber em suas palavras, não é apegado nem ao menos ao seu próprio povo. Seu único apego é a você mesmo.
- Eu não preciso de um psicólogo para me dizer coisas que eu já sei. Vamos, diga logo onde você quer chegar! – Asus estava impaciente, louco para dar continuidade à luta. Não queria ficar perdendo tempo com diálogos.
- Eu vou lhe oferecer a alternativa de viver e lutar ao nosso lado, se você jurar lealdade e fidelidade ao Lord Schutz Stafell. Reconheça-o como seu Mestre e jure servidão a ele, e juntos poderemos lutar e conquistar diversos Planetas, como na era de ouro dos Saiyajins. Eu não acho que você queira ficar preso neste planeta pacífico, não agora que você tem todo esse poder! Depois que essa Guerra terminar, você não terá mais nenhuma expectativa de grandes batalhas, e sua vida se tornará sem sentido. Una-se a nós, e juntos teremos uma vida de batalhas eterna e gloriosa!
- Então é isso, você quer que eu me junte a vocês?
Asus desceu dos céus, pousando diante de Himmler com uma das mãos no queixo, parecendo pensativo. Observando a situação de longe, Simon entrou em pânico, pois sabia que se Asus se unisse aos Krügers, tudo estaria acabado. Ele observou o desenrolar da conversa, sentindo cada pulsação de seu coração em sua garganta.
- Realmente é uma proposta muito boa – continuou o Saiyajin – Muita coisa que você disse é verdade. Depois que essa Guerra se acabar não haverá mais nenhum adversário à minha altura. Estarei imerso num tédio sem fim, onde nenhuma luta irá me agradar e eu serei forçado a deixar este planeta em busca de adversários poderosos. Mas... não está se esquecendo de nada?
Himmler nem mesmo teve tempo de responder, sendo alvejado por uma poderosíssima onda de ki lançada por ambas as mãos de Asus, que resultou em outra grande explosão. Himmler escapou dela saltando no ar, mas fora pego por mais uma forte pancada desferida com ambas as mãos entrelaçadas do Saiyajin no meio das costas, o lançando com violência para dentro de uma arruinada construção dos Kelfos. O corpo de Himmler atravessou a construção, indo bater com força no chão alguns metros atrás. Asus se aproximou, continuando seu discurso.
- Eu sou um orgulhoso guerreiro Saiyajin, talvez o mais orgulhoso de minha espécie! Embora eu não tenha laços fraternais com a Fortaleza ou com ninguém do meu povo, acha mesmo que eu iria me ajoelhar perante alguém e reconhece-lo como mestre? Acha mesmo que eu, podendo matar todos vocês inclusive seu líder infeliz, irei querer fechar acordos de aliança? Poupe-me de suas tolices, Krüger e volte a lutar antes que eu perca a paciência e o destrua de vez!
Toda a soberba de Asus havia conseguido facilmente ganhar todo o nojo e antipatia de Simon, mas o fato dele ter recusado a oferta de Himmler o deixou mais tranquilo. Ele não gostava do selvagem Saiyajin que estava diante de seus olhos, mas naquele instante ele não tinha nenhuma alternativa senão torcer para que ele derrotasse o Comandante Krüger.
Mas quem havia gostado menos ainda do temperamento e do caráter de Asus fora Himmler, que novamente se levantou após ter sido derrubado pelo Saiyajin. Sua expressão facial denotava raiva e desprezo por Asus. Ele balançou a cabeça num sinal de desaprovação, olhando diretamente nos olhos carregados de egocentrismo do Super Saiyajin.
- Realmente, você me decepcionou garoto. Eu esperava mais de alguém como você. Agora, não terei alternativas senão destruí-lo por completo.
- Me destruir?! Você por acaso ficou louco? As pancadas que eu andei te dando devem ter afetado seu raciocínio lógico, na certa! Você mal consegue me acompanhar, como espera me vencer seu monte de lixo asqueroso?
- Tolo! Acha que se tornou o guerreiro mais forte do Universo, mas você não passa de um iludido. Vou te dizer uma verdade, Saiyajin, e depois te darei uma lição para que nunca se esqueça: com esse nível de poder que você tem, você não conseguiria nem sequer arranhar a pele do Lord Schutz Stafell, quem dirá mata-lo. O Lord Schutz é extremamente poderoso, mesmo eu não posso fazer nada diante de todo o seu poder. Se quer saber, foi ele quem feriu meu olho, sem nem ao menos eu ter chances de revidar. E quero que saiba que eu não estou usando toda a minha força contra você. Preferi testar seus poderes primeiro, para saber se você seria um adversário digno de mim ou apenas mais uma perda de tempo como aquele Kelfo inútil.
Asus sorriu, instigado, elevando ainda mais o próprio poder. Sua aura dourada agitou-se para o alto enquanto Asus olhava diretamente para o adversário à sua frente.
- Pois então pare de me ofender com esta luta medíocre e libere logo todo seu poder de uma vez. Vou adorar lutar contra toda a sua força. Ou será que você está blefando?
- Blefando? Há, há, há... logo você descobrirá, Saiyajin, o terror da morte diante de minhas mãos. Você é de fato um ser poderoso, mas nada que se compare ao meu eu utilizando minha força máxima! Prepare-se para morrer, e arrependa-se por ter recusado a minha proposta!
Himmler travou os punhos, arqueando a própria postura e começou a liberar todo o seu poder em meio a um grito, os pedaços de pedras e escombros ao seu redor se elevando em ressonância com seu poder. O corpo do Comandante Krüger se encontrava envolvido por uma aura similar à do Super Saiyajin com exceção dela ser púrpura. Asus apenas assistia àquilo, eufórico. Logo estaria enfrentando seu adversário em plenos poderes. No entanto, Simon, que após alguns instantes de descanso já conseguia se mover melhor, correu até sua direção!
- Pare! Não permita que ele faça isso, Saiyajin! Ele é poderoso demais!! – ele gritou, exasperado – Você não entende, o Ki dele é muito grande! Se ele alcançar a totalidade de seus poderes logo você não poderá combate-lo!! Por favor, acabe com ele agora!!
- CALE-SE, SEU VERME CRETINO! – Asus disparou uma pequena quantidade de energia aos pés de Simon, errando o disparo propositalmente de forma que ele pudesse apenas se assustar – Eu não entendo o que você quer dizer por Ki, mas se ele vai finalmente se tornar um adversário à minha altura então que ele faça isso! Quanto mais um adversário se mostra poderoso, mais instigado se torna um Saiyajin a lutar!
- Você vai acabar nos matando! Isso não é um jogo, ele poderoso demais! Acabe logo com ele!
- Já disse para você calar a boca! Se está com medo, fuja daqui! Não preciso de um covarde me atrapalhando! Ah, olhe! Até que enfim!
Himmler deixou a postura arqueada, voltando a ficar com o corpo completamente ereto. Havia sofrido algumas mudanças em sua estrutura corporal, estando mais alto e musculoso, além de terem nascido pequenos espinhos nas pontas de seus punhos e em seus joelhos. As unhas negras de suas mãos se tornaram um pouco maiores também.
- Agora sim... iremos lutar à sério!! – Asus regozijou de prazer, liberando sua energia ao máximo.
Ambos assumiram novamente suas posturas de luta, e num rápido movimento, desapareceram no ar, ressurgindo numa poderosíssima disputa de golpes em alta velocidade, espalhando bastante poeira para todos os lados à medida em que lançavam seus ataques. Eles foram subindo rapidamente aos céus como se um cabo de aço invisível os puxasse para cima. Em seguida tomaram distância, apenas para se colidirem novamente. No entanto, a luta não parecia mais tão equilibrada quanto antes.
Asus havia desferido diversos socos que haviam parado nas defesas de Himmler, sendo que o último deles fora evitado com uma belíssima evasiva para o lado, contra atacando com um soco no rosto do Super Saiyajin que o deixou tonto por alguns instantes, tempo suficiente para ele ser atingido novamente com uma poderosa joelhada no estômago e outra cotovelada no rosto. Asus tentou se recompor o mais rápido possível, disparando diversos projéteis de energia contra Himmler que os rebatia para o lado como se fossem meras bolas de papel. Após uma veloz e inesperada investida para frente, Himmler acertou a sola do pé com todas as suas forças no peito de Asus, fazendo não só com que ele cuspisse sangue, como também causado algumas pequenas rachaduras no peito de sua armadura. Asus revidou com mais um poderoso disparo de luz dourada em direção ao adversário, mas este pareceu simplesmente desaparecer em pleno ar, ressurgindo às costas do orgulhoso Super Saiyajin e o acertou com um soco em suas costelas e outro nos rins, o que o fez gemer de dor. Ele afrouxou um pouco a cauda que ficava presa na cintura por causa dos golpes tão fortes e Himmler se aproveitando disso, segurou o Saiyajin por ela e o rodopiou algumas vezes, antes de lança-lo longe. O corpo de Asus parou ao se chocar com um dos pilares da Grande Ponte, onde foi castigado por diversos socos por todo o tronco desferidos pelo Comandante Krüger, que havia chegado lá antes mesmo que Asus pudesse perceber. O Super Saiyajin cuspiu mais sangue a cada golpe que o atingia, mas conseguiu controlar a própria dor por instantes, acertando a barriga de Himmler com o joelho e mandando-o para longe com um chute. Em seguida, voou até o alto da ponte, parando em cima dela para respirar um pouco.
Maldito... ele realmente ficou mais poderoso... mas eu não posso perder, não serei derrotado aqui neste lugar! Eu sou o Saiyajin mais poderoso!
- Oh, então é aqui que você está se escondendo... – disse a voz de Himmler às suas costas.
O Comandante Krüger acertou um estalado telefone em ambos os ouvidos do Saiyajin, dando-lhe um chute com a sola do pé no meio de seu peito, que o fez deslizar por quase toda a extensão restante da ponte, parando apenas a poucos metros do enorme buraco que havia nela. Asus logo se levantou, não queria parecer derrotado aos olhos de Himmler mas era evidente que seu poder estava perecendo cada vez mais. Se Asus não fizesse algo logo, ele seria vencido e disso nem mesmo ele tinha alguma dúvida. Ele aumentou o próprio poder, indo para cima do Comandante Krüger disposto a acertá-lo com um soco no rosto, mas antes que conseguisse chegar até o alvo foi detido pela perna de seu oponente, seu pé o atingindo na garganta. Asus foi bruscamente arremessado para trás, e tossia bastante, sem conseguir respirar direito. Seria aquele seu fim?
Inconformado, ele se reergueu novamente, buscando outro soco com a mão direita no queixo de Himmler, mas outra vez teve seu ataque detido. O Krüger segurou seu punho com firmeza, apertando-o com toda a força que possuía. Os estalos dos ossos da mão de Asus se quebrando eram abafados apenas por seus gritos de dor estridentes. Himmler o olhou diretamente nos olhos, colocando ainda mais pressão na mão do orgulhoso Saiyajin, fazendo-o gritar ainda mais alto.
- E então... já se arrependeu de ter sido tão arrogante, Asus? Este é seu nome, não é? Vocês Saiyajins não passam de macacos soberbos! Te farei sofrer bastante antes de te matar, para que possa aprender a ser humilde diante de quem lhe for superior!
Asus não conseguia fazer nada para livrar sua mão do forte aperto de Himmler. Numa tentativa desesperada de escapar, ele tentou chutar o corpo do Krüger, mas antes de sequer erguer a perna foi atingido no joelho por um contra golpe do Comandante, que havia lhe chutado primeiro com a lateral do pé. A perna de Asus assumiu uma posição totalmente impossível de se chegar dadas as limitações da articulação do joelho, evidentemente quebrada. Agora seu berro de dor conseguiu se ainda mais alto, e ele revirou os olhos tamanho era seu sofrimento.
- E agora, acha que já é uma boa hora para morrer? Responda-me, Saiyajin ordinário! Responda-me!
Himmler castigou o rosto de um indefeso Asus com diversos socos com uma das mãos, enquanto ainda o segurava pelo punho com a outra. A cada golpe recebido, voava um esguicho de sangue graças aos pequenos espinhos nos punhos do Comandante. Ainda assim, Asus não iria se entregar àquela humilhação de implorar pela morte, mantendo-se de uma maneira quase impossível de se imaginar na transformação do Super Saiyajin. Não importava quanta dor estivesse sendo infligida em seu corpo, seu orgulho prevaleceria.
- Pois bem – disse Himmler afinal, dando uma pausa na surra – Acho que agora você aprendeu a sua lição, jovem tolo! Assim que chegar no outro mundo, reflita sobre tudo que se passou em seus últimos momentos! Preparado para morrer?
Asus ainda assim não disse nada. No entanto, outra voz gritou às suas costas, carregada de bravura e coragem
- A única pessoa que vai morrer aqui é você, Himmler! Tire as mãos deste Saiyajin agora mesmo!!
Simon estava no ar, vindo em sua direção com sua enorme espada em riste. A lâmina brilhava dourada como nunca, e todo seu espírito havia sido colocado naquele golpe. E antes que sequer Himmler pudesse responder, ele desferiu o golpe.
Sangue púrpura tocou o chão da Grande Ponte. Sangue Krüger. Sangue de Himmler. No entanto, o que deveria ter sido a grande vitória naquela batalha se tornou um pesadelo sem precedentes: Himmler havia detido o melhor golpe de Simon utilizando apenas o antebraço. Havia agora um enorme corte no mesmo que sangrava bastante, no entanto o corpo de Simon permanecia suspenso no ar, na mesma posição de quando havia desferido a espadada. Mesmo uma arma daquele tamanho não havia sido suficiente para atravessar os ossos daquele terrível inimigo.
- Seu... miserável! Seu verme nojento! Este ataque doeu! DOEU MUITO! MORRA!!
Himmler finalmente soltou o punho esfarelado de Asus, o corpo do guerreiro tombando imediatamente. E então apontou o dedo indicador na direção do peito do Capitão Kelfo, disparando um fino raio de energia vermelho, que atravessou facilmente o corpo de Simon, bem como seu coração. A força do disparo foi suficiente para arremessa-lo para fora da Grande Ponte, seu corpo despencando daquela altura enorme rumo à morte evidente. Em seguida, Himmler voltou sua atenção à Asus uma outra vez, levantando-o pela gola do uniforme.
- Brincar com você me custou uma enorme ferida, Saiyajin. O jogo terminou. Morra!
Ele tocou a barriga do orgulhoso Saiyajin com a palma da mão, disparando uma enorme quantidade de energia que transpassou seu corpo sem problemas. Diante de uma ferida daquelas, nem todo o orgulho de Asus foi suficiente para mantê-lo transformado em Super Saiyajin. Ele deu um último gemido antes de revirar uma última vez os seus olhos, suas pupilas parecendo desaparecer deixando apenas o espaço branco do globo ocular à vista. Sem mais utilidades para o corpo inerte de Asus, Himmler o largou no mesmo lugar na ponte. Asus, que havia se tornado o Super Saiyajin, havia perecido em combate.
Não muito longe da Capital do Império Kelfo, Spark e Mahala perceberam o final trágico da luta. Interromperam por alguns instantes o seu vôo, os dois horrorizados com o que havia acabado de acontecer...
- Spark... você... sentiu isso?
- Asus... o ki de Asus, que estava ardendo forte e poderoso até poucos instantes... desapareceu... Asus... foi assassinado!!
Spark não se conteve mais desta vez, assumindo a forma do Super Saiyajin e disparando na frente, deixando apenas o rastro de sua aura dourada para trás. Mahala liberou todo o seu poder para tentar alcança-lo, mesmo sabendo que desta vez não poderia voar tão rapidamente quanto seu amigo, mas mesmo assim não poderia deixa-lo se distanciar tanto. Se o adversário foi mesmo capaz de matar Asus daquela forma, então ela não poderia deixar que Spark se arriscasse a lutar contra alguém tão forte naquele estado emocional e sem estar com seu corpo devidamente descansado. Seria apenas questão de tempo para que outro Super Saiyajin caísse em meio àquela guerra.
* * *
Estava morto. O corpo estava lá, prostrado e sem vida, com um enorme buraco no peito. O guerreiro Kelfo havia lutado bravamente, mas após ter o coração perfurado e caído do alto da Grande Ponte, ele não havia resistido aos ferimentos. Para Himmler aquilo nada mais era do que uma simples constatação corriqueira. Ele levou o dedo indicador ao ponto que possuía no ouvido, ativando a comunicação entre ele e o líder do seu povo, o poderoso Lord Schutz Stafell.
- Milorde, acabo de derrotar o último foco de resistência Kelfo que poderia ser preocupante para atrasar nossos planos – ele reportou, satisfeito – Ainda de quebra, eliminei um dos Saiyajins mais poderosos. Ao que parece, outro além daquele moleque conseguiu se transformar num Super Saiyajin. Embora tenha vencido ele com uma certa rapidez, recomendo que direcionemos nossas tropas para a morada desses macacos com uma certa urgência. O poder de um Super Saiyajin é mais elevado do que eu imaginava e eles podem nos causar problemas, se unirem suas forças. Prosseguirei a conquista do Palácio agora que os inimigos foram derrotados.
- Fico satisfeito com as notícias, Himmler – disse a voz do líder pelo comunicador de rádio, diretamente no ouvido do Comandante Krüger – mas creio que agora existam assuntos mais importantes para você resolver do que simplesmente tomar um castelo repleto de criaturas indefesas.
- Não compreendo, meu senhor. O que poderia ser mais urgente do que concluir a conquista de Himmel?
- Nossas sondas captaram imagens do outro Super Saiyajin. Ele e uma outra de sua espécie estão indo diretamente em sua direção. Eu não sei como eles conseguem ir diretamente de encontro a você, já que não estão usando nenhum aparelho rastreador aparente, mas o fato é que ambos estão voando em alta velocidade diretamente para a sua posição. Suas ordens são que vá até eles e elimine-os. Depois prossiga diretamente ao Palácio Imperial. Lembre-se que você me prometeu destruí-lo.
- Assim será feito, Lord Schutz. Antes mesmo que ele se dê conta, terá tido o mesmo fim que seus companheiros. Irei de encontro a ele imediatamente. Temos contas a acertar, eu e aquele moleque!
Himmler desligou o rádio, voando até acima do nível do Palácio rapidamente. De lá do alto, era possível ver um pequeno ponto luminoso no céu se aproximando à distância, como uma estrela solitária em meio ao céu da manhã recém-chegada. Ele sorriu maliciosamente, projetando o corpo em direção ao ponto, disparando num vôo extremamente rápido em seguida.
No outro extremo, Spark pôde sentir o ki do Comandante Himmler se deslocando em sua direção. Sabia que de alguma forma, sua presença havia sido notada. Ele supôs que talvez o Krüger estivesse usando algum radar, ou mesmo pudesse ter aprendido a ler o ki de outros seres vivos. Qualquer que fosse a situação, sabia que logo eles dois estariam imersos em uma batalha.
Ele se lamentou outra vez por Asus. Não gostava nem um pouco de seu rival, mas com certeza não queria vê-lo morto. Principalmente naquele momento tão crítico, onde seria necessário o maior número possível de aliados poderosos.
Mas que droga... Asus, porque você foi fazer isso? Espero que esteja tudo bem, e que isso seja apenas um engano da minha parte! Você não merece... mas se estiver vivo, eu vou te salvar!
Rapidamente, o jovem viu que algo vinha se movendo em sua direção, diretamente de onde ficava o Palácio Imperial. O ki que sentia também se aproximava cada vez mais, então não teve dúvidas de que ali era seu adversário. Limitou-se a parar de voar, esperando a chegada de Himmler. A outrora gloriosa capital Kelfo que havia conhecido três anos atrás encontrava-se ainda mais devastada que no dia anterior, sem o menor sinal de vida. Entretanto, aquilo deixava Spark um pouco mais tranquilo, assim poderia lutar despreocupado contra seu inimigo, sem precisar conter seus poderes a fim de não ferir inocentes. Não demorou muito para que Himmler chegasse, parando diante de Spark com um confiante sorriso zombeteiro em seus lábios feridos. Ainda lhe escorria um filete de sangue por ele, além de uma enorme marca de punho no lado direito de seu rosto. Spark deduziu que aqueles ferimentos haviam sido causados por Asus.
- Então nos encontramos de novo, Super Saiyajin – ele disse, não contendo o riso maldoso – Veio aqui para levar outra surra? Saiba que dessa vez não irei parar até que esteja morto.
- Onde está o Asus? O que você fez com ele? – Spark indagou, de punhos travados, sentindo a raiva aumentar dentro de si.
- Asus? Ora, mas porque está preocupado com ele? Pensei que vocês fossem inimigos... – Himmler lançou mais um comentário ácido, deixando Spark espantado por aquela afirmação.
- Mas... como você...?
- Se você quer saber, garoto, Asus está morto. Eu acabei com ele por ter se colocado diante de meu caminho. Uma pena... Ele possuía tanto potencial para se juntar a nós, no entanto seu orgulho que o conduziu à morte.
- Você... você o matou?! – a respiração de Spark ficava cada vez mais pesada a cada segundo. Estava a um passo de perder o controle, mas sabia que deveria se manter frio diante daquela situação.
- Sim, e não foi só ele! O seu amigo Capitão Kelfo também foi morto por minhas mãos. Saiba que eu perfurei seu coração antes de mata-lo, e ele caiu de cima da ponte que dá acesso ao Palácio como uma pedra. Me pergunto, será que ele morreu na hora, ainda agonizou um pouco?
Aquilo era demais para Spark. Agora tudo fazia sentido, pois não somente o ki de Asus havia desaparecido como também outra poderosa energia. Ele imaginou a cena de Simon sendo atingido no coração, perdendo sua vida diante de um sorriso malévolo de Himmler e explodiu em fúria. O jovem guerreiro Saiyajin liberou todo seu poder, alterando diversas veias em seus braços e em sua testa e partiu para o ataque com tudo em direção ao maldoso Krüger, pegando-o totalmente desprevenido com um soco no rosto, sendo seguido por uma sequência de mais dois socos velocíssimos e um chute que o mandou voando para longe. Mesmo assim, Spark ainda achava que aquilo era pouco perto do que Himmler merecia por ter matado Asus e Simon. Ele expandiu ainda mais seu ki, partindo voando numa velocidade absurda de encontro ao corpo do seu oponente, que ainda era projetado para longe graças à sequência anterior e quando finalmente havia feito menção de se recompor, foi recebido com uma cabeçada no meio da testa por Spark, que havia se projetado como uma bala de canhão ao seu encalço. O golpe desestabilizou o Krüger novamente, o deixando de guarda aberta para ser atingido por uma violenta cotovelada no lado esquerdo do rosto e por mais uma sequência de golpes composta por um chute nas costelas direitas, dois socos no rosto e mais um chute com a sola do pé no meio do peito que novamente o mandou à distância. Spark investiu uma vez mais, antecipando o local onde o corpo indefeso de Himmler iria parar, acertando-lhe uma vez mais com o cotovelo, o mandando em direção ao chão.
O Krüger, no entanto, não poderia apanhar para sempre sem nem ao menos reagir. Antes de acertar violentamente ele se recompôs do ataque, bem a tempo de esquivar de mais uma voadora de Spark, que passou direto e derrapou durante uma certa distância pelo chão acidentado das ruas levantando uma densa cortina de poeira. Himmler parecia surpreso com aquilo, sério e atento aos movimentos de Spark. Porque ele parecia ser tão mais forte que durante o último encontro – ou ainda pior, muito mais forte que o último Super Saiyajin que havia enfrentado minutos atrás? Ainda assim, aquilo não importava. Se aquele fosse todo o poder de Spark, então ele e Himmler então teriam mais ou menos o mesmo poder, o que para o Comandante Krüger não era nenhum problema.
Spark avançou novamente, ainda cego pela raiva, dando um poderoso impulso para frente enquanto se deixava evolver por sua aura dourada. Ele ergueu o punho, visando o peito de Himmler naquele golpe, que ao contrário de suas expectativas nunca atingiu o alvo desejado. Himmler embora estivesse surpreso com o nível de poder de seu inimigo, estava com a mente mais focada no combate que Spark, que atacava enlouquecidamente. E para ele não foi difícil evitar aquele soco, afundando o corpo para a lateral oposta à do punho de Spark e conduzindo o golpe ao espaço vazio ao seu lado com sua própria mão. Rapidamente, ele virou o próprio corpo no ar, atingindo o garoto no meio das costas com a sola do pé. O impacto o fez perder o equilíbrio, rolando pelo chão algumas vezes como um boneco feito de pano até se colocar de novo sobre as duas pernas. Estava agachado e respirava pesadamente. Himmler aproveitou-se daquela situação, avançando contra Spark diretamente, o Sayajin instantaneamente levantando-se e preparando uma contramedida. Ele calculou o momento em que o Krüger estaria perto o bastante para ser atingido e desferiu-lhe um pesado soco direto, mas mais uma vez seu ataque não atingiu o inimigo: no momento exato, Himmler desapareceu no ar, em meio à um malicioso sorriso. Antes que sequer pudesse se preparar para algum contragolpe, o jovem foi atingido por um chute na cabeça. Uma poderosa canelada acertou a têmpora do jovem Super Saiyajin, deixando-o desnorteado. O mundo parecia girar dentro de sua cabeça, e aquela terrível e nauseante situação contribuiria para o que estava por vir: Himmler avançou outra vez, agora lançando uma sequência de socos e chutes em alta velocidade, os quais Spark mal conseguia escapar até eventualmente se atingido por um estalado murro no rosto. Os demais golpes a atingiram incessantemente, como uma metralhadora de ataques com aparente munição infinita. Foram diversos socos que atingiram o jovem Saiyajin por seu rosto e seu corpo, sem que ele sequer conseguisse reagir a nada. Ao final daquilo, o Krûger entrelaçou as mãos e acertou furiosamente um golpe na ponta do queixo de Spark, lançando-o longe em meio a um grito de dor. Neste momento, Mahala finalmente chegou aocampo de batalha, bem a tempo de ver o corpo de Spark arrancar um poste da rua graças à força da pancada, indo parar numa grossa pilastra do que parecia ter sido um importante prédio na cidade, aonde permaneceu durante alguns instantes como se estivesse grudado a ela, antes de cair no chão como uma folha de outono.
A guerreira arregalou os olhos diante daquela situação, tensa. Assistiu o amigo tentar se levantar, enquanto seu corpo tremia de dor. O ki do jovem Saiyajin estava um pouco abalado, mas ainda não significava que a luta estava perdida. Ela precisava ter fé em seu companheiro, mas naquele instante jurou a si mesma que se a luta fugisse de seu controle, entraria no combate.
Sim... se preciso for, eu trocarei a minha vida pela do Spark. Não importa o que aconteça, outro Super Saiyajin não pode ser derrotado! Se isso acontecer, estaremos perdidos...
Himmler cruzou os braços, diante de seu adversário que tinha dificuldades em se levantar. Em seguida abriu uma gargalhada, já não parecendo mais tão preocupado. Ao contrário, olhava para Spark com desprezo.
- Então é assim que se comportam os Super Saiyajins em combate? Essa é a raça de guerreiros dita mais poderosa de todo o Universo? É evidente que não passam de primatas superdesenvolvidos, que nem sequer sabem direito como utilizar o poder que tem. Logo irei derrota-lo e levarei a sua cabeça de volta ao Lord Schutz Stafell, como eu prometi!
- Você se acha muito forte, Himmler... – Spark respondeu, após se reestabelecer de pé novamente – E realmente, você tem um poder incrível... perto de você, o outro Krüger que eu derrotei não é nada. Mas, mesmo possuindo tamanho poder, eu não vou deixar que você vença essa luta!
- Ah não? E porque? – o tom de Himmler era debochado e irônico.
- Porque eu carrego em minhas costas toda a esperança de meu povo, e do povo Kelfo também! Os Kelfos acreditam que eu sou algum tipo de herói ou coisa parecida, que vai livrar o planeta das garras dos Krügers... meu povo acredita que eu sou um guerreiro lendário que surge a cada mil anos e que tenho poder ilimitado, por isso depositam toda fé em mim... Já eu... – Spark se permitiu um sorriso – Eu não faço a menor questão de nenhum desses títulos. Não sou nenhum herói lendário, muito menos um messias. Eu apenas luto em nome de todas as pessoas inocentes desse mundo. Em nome das pessoas que vocês mataram sem piedade... e em nome das vidas que vocês ainda querem tirar, mesmo depois de toda essa destruição!!
- Mas eu estou ouvindo direito? Você é um Saiyajin que diz lutar em nome de coisas banais como felicidade e justiça?! Será que a amizade com os Kelfos te deixou igual a eles?
- Pode ter certeza que sim. Foi aqui, nesta mesma cidade que agora é um monte de escombros... que eu pude finalmente aprender o sentido da vida. Aprendi sobre o que vem a ser o verdadeiro balanço do Universo, aprendi sobre valores de bondade, aprendi a amar... aqui, eu fui feliz. E agora, olhando ao redor o que se vê? Apenas morte, destruição, uma guerra sem o menor sentido apenas porque vocês não aceitam terem sido derrotados duas vezes! Tenha certeza, Krüger, que enquanto as centelhas dessa felicidade ainda arderem dentro do meu coração... eu não vou ser vencido por você! Se prepare! Não vou me conter!!
- Eu acho que vou vomitar. Nunca ouvi nada tão meloso em toda minha vida! Pare com este discurso ridículo de amante da vida e venha logo! Vou arrancar seu coração com minhas próprias mãos e em seguida veremos se tem alguma centelha dentro dele, ou se tudo não passa de carne!
Spark elevou mais uma vez seu Ki, a aura dourada se fazendo novamente presente e o deslocamento de ar sendo o suficiente para erguer uma grossa camada de poeira. Então avançou contra Himmler outra vez, tão rápido que se tornou um mero borrão a ser visto. O Comandante Krüger acompanhou aquela tremenda velocidade e os dois pareceram se desfazer no ar. Os sons das pancadas de ambos os lados estouravam no ar como bombas, altos o suficiente para rachar alguns dos cristais azuis que ficavam acima dos postes que ainda estavam de pé. Ambos ressurgiram no ar. Himmler estava diante de Spark e havia imobilizado ambos os braços do jovem Super Saiyajin, fazendo um par de alavancas nas duas articulações de seus cotovelos. Ele fazia pressão, e o garoto gritava de dor, mas mesmo assim não poderia se dar por vencido ali. Ele chegou a cabeça um pouco para trás e em seguida a projetou para frente bruscamente, acertando o nariz do Comandante Krüger que se partiu, escorrendo por ele um grosso filete de sangue púrpura. Spark aproveitou-se daquilo para conter ambos os braços de seu inimigo, invertendo a situação em questão de segundos. Os dois desferiram poderosas joelhadas, o golpe de um parando no golpe do outro, até que ambos se livraram daquele empasse. Tomaram um pouco de distância os dois e investiram novamente, Spark dessa vez evitando os espinhos do punho de Himmler com bastante destreza, acertando o cotovelo no rosto do cruel inimigo sem hesitar. Em seguida socou-lhe o estômago com tanta força que seu punho pareceu querer sair do outro lado do corpo de Himmler, como se ele fosse feito de borracha e finalizou sua sequência acertando a cabeça do inimigo com o próprio calcanhar, mandando-o violentamente de volta ao chão num chute que mais parecia uma martelada. O impacto do corpo do Krüger fez subir mais uma grossa nuvem de poeira.
Himmler se levantou gritando de dor, e com uma das mãos no local onde havia sido atingido. Olhava para Spark de uma forma que normalmente colocaria medo em qualquer um, mas não parecia abalar o jovem Saiyajin de forma nenhuma, que ainda teve tempo para debochar:
- O que está acontecendo, Himmler? Pensei que você fosse arrancar meu coração fora!
- Seu moleque desgraçado! Vou te ensinar a não tirar sarro de mim!!
O Comandante Krüger ergueu ambas as mãos em direção ao garoto, disparando uma poderosíssima onda de energia púrpura, a qual ele teve de desviar na mesma hora, com um rápido movimento com os quadris para a lateral. Entretanto, algo inesperado estava para acontecer graças àquela manobra: o poderoso disparo que antes fora direcionado ao Super Saiyajin, agora ia em direção à Mahala, que não conseguiria esquivar daquilo com a mesma facilidade que Spark.
- Mas que droga! Maldição! – praguejou ele enquanto liberava a sua aura dourada novamente, voando o mais rápido que podia em direção à amiga. Para ela, ele pareceu se materializar em sua frente no momento exato em que a técnica a atingiria.
Colocando mais força do que esperava que Spark atingiu toda a energia disparada por Himmler, desviando-a de seu curso com um tapa com as costas das mãos, como faria com uma bola de praia. A energia seguiu seu rumo, indo explodir ao longe.
- Spark, essa foi bem a tempo... – Mahala disse, agradecida – Um segundo a mais e eu teria sido fulminada por todo este... ei, Spark, você está bem?
O jovem gemia de dor, segurando com força seu braço que agora estava repleto de queimaduras. O tensor de seu antebraço estava bem danificado, e pela forma com Spark o segurava e gritava, ele havia se ferido gravemente naquela manobra. Himmler se aproveitou daquilo, investindo rapidamente e lhe acertando um soco no estômago e um chute nas costas, que o mandou para longe. Estava agora frente à frente com Mahala, olhando-a coberto de malícia.
- Ora, mas veja só o que temos aqui... não tinha visto você junto com o garoto anteriormente. Por acaso chegou agora, boneca?
Mahala liberou instantaneamente seu ki em meio a umgrito, desferindo um poderoso chute na lateral da cabeça do Krüger, que nem ao menos se moveu. Ela havia ficado espantada, mas ainda assim continuou a atingi-lo com diversos socos e chutes por todo o corpo, mas simplesmente não adiantava. Era como se estivesse desferindo golpes numa estátua de pedra. E então, sem que sequer pudesse enxergar, foi atingida pelo pé de Himmler no meio do próprio rosto, mandando-a com violência em direção ao solo. Ela se reergueu com dificuldades, com um enorme sangramento na testa que lhe escorria pelo rosto, mas mesmo assim olhou diretamente para o alto, onde se localizava o maligno Comandante Krüger com ambas as mãos esticadas para frente.
- Este será seu fim, jovenzinha! Receberá seu castigo por ser uma garota tão malcriada! Morra!
Diversos projéteis feitos de luz púrpura se desprenderam de suas mãos, como uma chuva luminosa em direção à jovem guerreira Saiyajin incapaz de se mover. No entanto, uma vez mais o corpo de Spark surgiu entre ela e a morte certa, absorvendo para si todos os impactos explosivos. Ele elevava sua energia ao máximo, a fim de poder suportar melhor as sucessivas explosões em seu corpo, gritando ao ardor de sua pele. Mesmo sendo um Super Saiyajin, aquilo estava doendo bastante. Spark fazia um esforço além do que se podia imaginar, mantendo-se firme no ar que agora já se encontrava repleto de fumaça que cheirava à carne queimada. Por quase um minuto sem parar ele resistiu bravamente a todos aqueles disparos de energia. E então, quando estava prestes a entregar os pontos, Himmler interrompeu seu ataque. Regozijava de prazer e sádica alegria, ao ver aquela cena. Spark fazia muito esforço para conseguir se manter respirando, ainda transformado em Super Saiyajin enquanto flutuava a poucos metros do chão. Sua armadura de combate estava bastante avariada, repleta de fissuras e rachaduras. O uniforme preto que usava por debaixo da mesma estava repleto de rasgos e queimaduras. Parte da coxa direita estava à mostra, bem como o joelho esquerdo. Braços e rosto também estavam cobertos de fuligem e queimaduras, mas mesmo assim o jovem Saiyajin permanecia na frente da amiga, como se esperasse por mais algum ataque.
E então, tombou do alto, caindo no chão imóvel. Se não fosse pelo fato de seus cabelos ainda estarem loiros, Himmler poderia ter tido certeza de que Spark havia finalmente morrido. Ele riu novamente, sua maléfica gargalhada que já lhe era costumeira.
- Então foi para isso que você disse todo aquele discurso? Foi para isso que você me fez escutar toda aquela palhaçada sobre lutar pela esperança alheia? Para você simplesmente se matar por causa dessa fêmea Saiyajin? Por acaso você a escolheu para procriar seus filhotes de macaco?
O corpo de Spark se mexeu, em resposta àquelas provocações, tentando uma vez mais se colocar de pé. Com um enorme esforço ele se levantou, arqueado e trêmulo, para cair novamente de joelhos. Respirava com muita dificuldade e sabia que naquele estado não poderia mais vencer, nem ao menos fugir, e tampouco poderia Mahala, que havia se provado muito inferior ao inimigo. Ele pôs ambas as mãos no solo, fechando-as com força e pegando assim dois punhados de terra, extremamente frustrado.
- Não é justo! – ele se lamentou, com raiva – eu estive perto... se eu tivesse desferido algum golpe poderoso em vez de provocá-lo... isso não é justo! Agora iremos morrer aqui e à toa, mesmo depois de todas essas lutas e depois de toda evolução do meu poder, mas que droga!
- Ora, então já entregou os pontos e aceitou a sua derrota? – perguntou retoricamente o Krüger, saboreando aquele momento ao máximo que podia – Pois saiba que nada me dá mais prazer nesta vida do que assistir essa cena!
- Seu covarde... – rosnou o jovem Saiyajin – Você por acaso percebeu que não poderia me derrotar e por isso utilizou este truque sujo? A luta era entre nós dois, porque você direcionou seus ataques na Mahala, maldito?!
- Porque você é um tolo guerreiro. Exatamente como eu disse da primeira vez quando nos encontramos, você comete erros demais. Você se expôs muito fazendo todo aquele discurso sobre amor à vida e blá, blá, blá... foi naquele instante que você revelou sua maior fraqueza: seu excesso de compaixão! Usar sua amiga contra você foi consequência de um erro seu. Mas agora chega de perder tempo,vou acabar com os dois aqui agora mesmo e prosseguirei ao Palácio. E todos os malditos Kelfos que tiverem sobrevivido irão ser os próximos a irem direto para o inferno! E então, qual dos dois quer morrer primeiro?
- Eu vou. – disse Mahala com firmeza, instantaneamente como se já estivesse esperando por aquela pergunta. Ela caminhou até ficar ao lado de Spark, que a observava de olhos arregalados – Ao contrário de vocês, nós Saiyajins não somos covardes. Nós também não tememos a morte. Lance seu ataque de uma vez e termine com esse jogo, mas não espere que nós abaixemos nossas cabeças ou simplesmente comecemos a implorar por nossas vidas. Antes a morte do que nosso orgulho como guerreiros!
- Você agora falou igual aquele outro verme arrogante e prepotente que eu matei agora a pouco! Pois bem, se quer ser a primeira a morrer, que seja. Não vou poupar sua vida!
Spark não podia acreditar. Novamente alguém iria se sacrificar diante de seus olhos e ele não poderia fazer nada. Mesmo que contra a vontade do próprio corpo, que gritava de dor por toda sua extensão, Spark se levantou outra vez e se colocou diante de Mahala, de punhos fechados.
- Spark, o que pensa que está fazendo? – ela perguntou, séria.
- Essa pergunta é minha... o que você pensa que está fazendo... ?
- Seu idiota! Vou ganhar tempo para que você possa fugir e se recuperar. Lembre-se que um Saiyajin aumenta seus poderes quando supera uma situação de risco de morte. No momento em que ele fizer menção de disparar o golpe final, eu irei voar de encontro a ele. Aproveite o intervalo para fugir.
- Não mesmo... – disse o garoto, segurando-a pelo pulso – Estou farto disso. Estou farto das pessoas se sacrificarem para me proteger. Eu não vou admitir que mais ninguém coloque sua vida como escudo e se sacrifique apenas para que eu possa fugir... é como você acabou de dizer, nós Saiyajins preferimos a morte do que a desonra. Eu nunca fui do tipo orgulhoso como o Asus ou a Mestra Lenia... mas não posso permitir que mais uma pessoa perca sua vida por mim. Se vamos morrer, então que façamos isso juntos!
- Seu imbecil! Só você tem potencial para nos salvar! Você é o Super Saiyajin! O que será de nós se você morrer? – bradou Mahala, exasperada. Já era a segunda vez aquele dia que Spark notava alguma semelhança entre ela e sua antiga instrutora, mas mesmo assim permaneceu irredutível.
- Eu já fui derrotado. Pare de pensar bobagens, acha mesmo que eu posso fugir? Que posso voar? Eu mal me aguento de pé... No entanto eu já me decidi. Se esse é para ser nosso fim... então, será!!
- Vocês Saiyajins são mais dramáticos do que eu pensava! Eu já estou farto de vocês, desapareçam!! – berrou Himmler, erguendo o braço direito e criando assim instantaneamente uma esfera de energia negra que ia ganhando tamanho progressivamente, ficando cada vez mais enorme.
Não era nem preciso sentir o ki – coisa que naquela altura, Spark não conseguia mais fazer – para saber o quão destrutiva era aquela técnica. No entanto, mesmo estando em seu último suspiro de vida, o garoto não estava disposto a entregar os pontos, liberando todo seu ki em meio a um grito final e se deixando envolver por sua aura de Super Saiyajin uma última vez.
Vou colocar todo meu espírito nesse último golpe, o Canhão Supernova. Irei varrer a existência desse monstro deste Universo e o levarei para o mundo dos mortos junto comigo! Sinto muito Mahala, Asus... Mestra. Todos vocês lutaram bravamente e acreditaram com suas almas em mim... lamento desapontá-los! Mas saibam que eu não vou me render e se eu tiver de cair em combate, então o inimigo também cairá!
O Super Saiyajin começou a sentir o poder se acumular nos braços, enquanto assistia a esfera de poder de seu adversário crescer mais e mais. Esperaria o momento certo, e quando o oponente lançasse seu ataque ele lançaria seu próprio e empurraria ambas as energias de volta para o Krüger. Sabia que não sobreviveria depois disso, mas estava tranquilo diante da morte. Enfrentaria seu fim e se sacrificaria por seu povo sem medo da morte, assim como sua Mestra Lenia. Já estava pronto para assumir a postura do Canhão Supernova, com as mãos para trás ao lado do próprio corpo em formato de concha, uma por cima da outra, quando de repente, algo mudou completamente o rumo da batalha. Uma conhecida técnica que rasgou os céus atingindo Himmler no meio das costas desprotegidas.
- Big Bang Attack!
A explosão foi devastadora. Somado ao poder destrutivo do Big Bang Attack estava a enorme esfera de energia formada por Himmler, que também havia explodido bem acima da cabeça do usuário. Houve um imenso clarão que brilhou muito mais forte do que o sol da manhã que envolvia a superfície de Omega-003 e que talvez pudesse ser visto de muito longe do planeta. Spark firmou os pés no chão, protegendo os olhos com o braço direito e permanecendo afrente de Mahala, que também fazia o possível para se manter em pé. Quando finalmente toda a luz se dissipou e os ventos sopraram para longe e enorme e densa cortina de fumaça escura que havia se formado, uma inconfundível figura se fêz presente aos olhos de todos. Parado com uma mão erguida em direção ao inimigo e com o outro punho fechado na cintura estava Asus, transformado em Super Saiyajin e transbordando de poder como nunca em toda sua vida.
* * *
- Asus! – gritou Spark, surpreso não só em vê-lo vivo, mas também por estar feliz por isso.
O Saiyajin não respondeu nada, apenas abandonou a postura em que se encontrava, permanecendo completamente neutro. Ele elevou os olhos para o alto, onde um Himmler coberto de feridas e queimaduras ainda permanecia no ar, agora sem o peitoral da sua armadura Krüger. Ele olhava incrédulo para Asus, tremendo diante da presença do guerreiro.
- Mas como...!? COMO!? Eu te matei!! Eu atravessei uma onda de energia por sua barriga, porque você ainda está de pé, PORQUE!?
Realmente, a armadura de Asus apresentava um enorme buraco na altura do abdômen, por onde se via a barriga do guerreiro, que por sua vez não estava ferida. Não apresentava nenhum sinal de queimadura ou muito menos um único arranhão.
- Você está certo – disse ele enquanto se elevava lentamente aos céus, afim de ficar no mesmo patamar de seu adversário – Você atravessou uma quantidade de energia pelo meu corpo que talvez fosse capaz de aniquilar um planeta inteiro. Sem falar que esfarelou meu punho e quebrou minha perna, além dos muitos murros que me deu na cara enquanto eu estava indefeso. A pior humilhação da minha vida, eu sofri para você. Mas naquela hora, isso era o que eu menos pensava. Naquele momento, eu estive prestes a morrer, muito mais do que nunca estive na minha vida. Eu tive sorte... E é apenas por isso que eu estou aqui agora, por pura sorte. Ouça, Himmler, pois eu vou falar apenas uma única vez: você vai pagar por cada ferida que abriu no meu corpo, e vai pagar em dobro! Vou te contar primeiro como eu sobrevivi antes de acabar com você, afinal você vai morrer de qualquer jeito então que pelo menos tenha uma explicação do porque eu estou aqui... e em seguida, vou lhe ensinar uma lição por ter sido tão displicente e não ter se garantido que eu estava morto!
Notas finais
Terminei este capítulo muito antes do previsto. Achei que no fim de semana estaria postando a atualização, mas parece que eu consegui concluir mais este capítulo poucos dias depois de ter postado o anterior. Fico feliz com isso.
Vou falar um pouco sobre Himmler em sua forma 100%, além do desenvolvimento deste capítulo como um todo.
A começar pelo Comandante dos Krügers, digamos que a ideia dos espinhos em seus punhos vem de Dragon Ball GT. Tenho certeza que vocês devem se lembrar que os punhos do Li Shenlong, o último dragão maligno que luta contra os guerreiros Z tinha espinhos na ponta de seus punhos. Eu particularmente acho que Dragon Ball GT poderia ter sido muito melhor do que foi, não sendo tão fã desse arco da saga de Goku quanto sou dos dois primeiros. Mas eu sempre achei o Li Shenlong um bom vilão, com um traço bacana. Pena que como a maior parte de DBGT, ele é mal aproveitado. Mas serviu de boa inspiração aqui na minha fic.
Quanto ao andamento capítulo em si, bem, ele foi regado a lutas do começo ao fim. Houve mais uma perda, desta vez foi Simon quem se despediu do mundo dos vivos e eu garanto que muita gente se assustou achando que Asus havia ido pelo mesmo caminho! Bom, para o orgulhoso Saiyajin ainda não foi dessa vez... o que levanta a dúvida: como Asus sobreviveu? Estou começando a ficar um pouco esgotado das descrições de combate, por isso que no próximo capítulo vai haver um pouco mais de calma. Lógico que haverá o desfecho final da luta entre Asus e Himmler, mas acho que pelo bem da própria fic vou dar uma pequenina pausa nos combates (só até minha imaginação voltar ao normal, claro!).
E lembrem-se que já estamos chegando na reta final da Grande Guerra. Em breve Schutz Stafell em pessoa irá de encontro aos Saiyajins da trupe de Spark e cia. E eu garanto que Schutz com certeza será um inimigo muito, muito poderoso...
Aproveito para mandar um abraço para meus leitores Vanessa BR e Rutra, que acompanham a saga desde o começo! Foi por causa de vocês que eu resolvi dar continuidade ao projeto! Fiquem ligados que as coisas ainda vão esquentar em Omega-003!
Abraços a todos!
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