A Garota Quase Sem Histórias
1 Outside
Notas iniciais
Então, eu sou nova aqui, e já resolvi começar com uma história original. Primeiro queria explicar que a história toda não vai ser praticamente só reflexões da personagem como é apresentado no primeiro capítulo. Ele é só mesmo um capítulo de introdução pra apresentar alguns dos personagens. Ainda assim acho que o capítulo ficou legal e merece que vocês leiam e comentem por favor.
Eu não posso prometer postar com reguliaridade. Pode ter vezes que eu poste logo no dia seguinte, ou posso acabar postando só duas semanas depois. Mas prometo que de uma forma ou outra eu posto.
- Claire, você vai quebrar a minha mão! – Falei alto e rindo, tentando fazer o meu francês ser compreendido mesmo com a música alta e as pessoas rindo e conversando.
-Eu to com medo de escorregar! – Ela respondeu rindo também, os olhos azul claros lacrimejando, enquanto ela encarava fixamente os próprios patins de gelo como se isso fosse ajudá-la a se manter equilibrada – Meu tornozelo ta doendo... – Ela reclamou, e eu revirei os olhos, guiando-nos para a borda da pista de patinação.
-Quer que eu fale alguma coisa com a professora? Procure alguém pra te ajudar...? – Ofereci, preocupada.
- Não, não precisa não... Acho que eu vou só ficar aqui um pouco. Você pode dar umas duas voltas e depois a gente se encontra aqui de novo.
-Tem certeza?
-Absoluta. Vai logo! – Ela riu.
Revirei os olhos pra ela e recomecei a patinar. Agora que não tinha que guiá-la podia ir muito mais rápido. Coisa que, aliás, era muito estranha, logo a aluna de intercambio brasileira saber patinar no gelo tão melhor que a belga que tem uma prima patinadora profissional. Mas se existe uma certeza na vida é que as coisas não são exatamente como a gente espera que elas sejam.
Há poucos minutos atrás patinávamos junto com duas outras amigas dela que não paravam de falar sobre o dia dos namorados amanhã. Elas me perguntaram se eu tinha algum namorado no Brasil. Respondi que não, mas contei a história com o Luke. Bem, não toda a história, mas uma versão mais curta, mais fofa, e nem por isso menos verdadeira.
Sabe, por mais que nos últimos dias eu estivesse reclamando de casa, e até secretamente sentindo saudade das confusões (talvez por que só sinta saudades quando estou longe delas), estar fora do país por um tempo é até bom no sentindo que dá perspectiva. Tempo pra organizar seus pensamentos e consequentemente sua vida.
Quero dizer, o tanto que os meus pensamentos pudessem ser organizados, o que imagino que não deveria ser muito. O sonho que tive no dia me voltou a mente, e esse tinha sido um dos mais estranhos que eu já tinha tido, juntamente com o sonho do trenzinho com meu primo, um duende e o Peter Pan, o sonho que eu tomava chá no topo de uma empresa com Voldemort, e o sonho bizarro que eu tive semana passada no qual eu estava me casando com a Cath na casa da minha avó (esse último me fizera ter surtos súbitos de risos histéricos por dois dias inteiros).
Pois bem, esse sonho começava comigo presa em uma torre. E eu tava de verdade desesperada pra sair de lá mas não conseguia. Sim, eu sei que parece uma versão idiota de conto de fadas, mas no sonho era bem assustador. E então, não me pergunte como, eu sou uma pessoa que tem sonhos que não fazem sentido algum, eu sinto que tem alguém vindo me tirar de lá, mas eu não sei quem é. Eu começo a chorar, mas quando essa pessoa aparece eu me sinto a pessoa mais segura do mundo, mas quando eu vejo seu rosto... Era o Logan.
Deixe-me explicar. Eu passei basicamente todo meu oitavo, nono e primeiro ano (do ensino médio) tentando fugir da realidade. Se eu já acho que tenho sérios problemas de auto-confiança e segurança, antes então era horrível. E foi então que eu descobri RPG’s. Sim, essa parece a coisa mais nerd e idiota que vocês já ouviram mas pensa bem, era um jeito pra eu criar toda uma nova vida do jeito que eu quisesse, uma nova personalidade, uma nova aparência, eu poderia ser quem eu quisesse ser...
O fato é que com isso eu de fato criei duas vertentes da minha vida, e apesar de que hoje eu posso dizer que tenho amigos e uma vida real, grande parte da minha vida era online e portanto é impossível alguém entender a minha vida sem entender as duas partes. Coisa que eu acho que ninguém sabe por completo. Já tentei explicar pra Cath uma vez, mas eu tinha tanto medo de soar idiota que eu acabei fazendo parecer soar mais idiota ainda, e resolvi deixar pra lá. Afinal, se estava querendo deixar essa parte da minha vida pra lá e construir uma vida real, quem se importa com isso?
Enfim, pra que eu dei essa volta ao mundo mesmo? Ah sim, Logan. Eu conheci ele em um RPG desses. Esse tipo de RPG é de escrever e não estilo MMO então as pessoas acabam se falando muito mais. E ele estava no RPG basicamente pra conhecer meninas bonitas (acredite, tem muitas!), por que ele nunca ligava muito para de fato jogar. E só tem três coisas que vocês precisam saber sobre ele por enquanto. 1 – Ele é meu ex e meu primeiro heartbreak. 2- Essa vocês já devem ter adivinhado, ele é um babaca 3 – Ele virou um dos meus melhores amigos.
Bom, que esse sonho fique arquivado junto com os outros que não fazem sentido nenhum.
Completei a primeira volta na patinação mais rápido do que eu mesma poderia ter previsto. Sorri orgulhosa de mim mesma por até agora não ter caído nem ter feito algum vexame na frente de todo mundo.
Minha mente continuava revisando os acontecimentos recentes, era assim quando eu tava fazendo alguma coisa sozinha, especialmente quando tinha música tocando. Além do sonho bizarro, tinha outra coisa que insistia em me voltar a cabeça como se a pequena janelinha do facebook de CATH RECHISE pudesse pular em minha mente como fazia na tela do computador.
Bom, tratando-se de Cath a única coisa que eu sempre podia esperar dela, é que ela me surpreendesse. Ela é bem esse tipo de pessoa que sempre que você acha que entendeu, você percebe que não podia estar mais errado. Imprevisível. Essa é a palavra certa. Acho que nem eu nem o mundo jamais vamos conhecer alguém tão imprevisível quanto ela.
Da última vez que conversamos sobre algo sério, o que foi ontem, ela veio me falar sobre seu projeto de reconquistar James. Quando ela usou essas palavras (pior que depois disso ficou ausente por uns 10 agonizantes minutos) eu quase tive um ataque cardíaco. Eu simplesmente não via nenhum jeito em que isso poderia funcionar. Primeiro que James era a pessoa da minha idade mais apaixonada que eu conhecia. Ele e Charlie estavam namorando já faziam alguns meses. Depois que ele e Cath tinham uma história complicada da qual ele saiu muito machucado. Então se ela fosse tentar trazer isso tudo de volta eu só via duas opções: 1 – Ele não ia corresponder, ia se afastar mais e ela ia ficar machucada. 2 – Eles iam ficar juntos, caso no qual depois de algum tempo eles provavelmente terminariam de um jeito que ele sairia muito machucado.
Quando Cath voltou, ela explicou, que ela queria somente resgatar a amizade com James, que se afastara dela depois dessa história toda. Respirei aliviada. Não podia culpá-la por querer a amizade de James de volta. Ele era uma das pessoas mais doces e um dos melhores amigos que alguém pode ter.
Ainda assim a história toda era como uma usina nuclear. A fonte de energia mais limpa, não polui, e a probabilidade de algo dar errado é muito pequena. Mas se der algum problema...
-Ahhh! – Deixei escapar um gritinho quando mexi o pé de mal jeito, perdi o equilíbrio e quase caí. Gods, eu realmente era idiota.
-Você ta bem? – Ouvi a voz de Claire me perguntar, e levantei o rosto me deparando com a massa de cabelos loiros que se virava pra buscar novamente o apoio na borda da pista de patinação. Nem tinha percebido mas acabei completando as duas voltas.
- Tudo bem – Respondi, e sorri estendendo a mão — Preparada?
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