Notas iniciais
Fluffy and cute ;3 Happy valentine's day everyone Por favor comentem, é importante ;-;

Então lá estava eu indo pra casa mais cedo por que estava morrendo de cólica. Sério, morrendo. E eu juro que não tinha a ver com o fato de ser o Dia dos Namorados e eu não agüentar mais aquelas pessoas se beijando e parecendo felizes na minha frente enquanto eu estava me sentindo mais sozinha do que nunca. Não tinha nada a ver com todas aquelas rosas estúpidas espalhadas pelo colégio.

Sim, rosas.

Eu não tinha explicado isso?

Esse colégio específico no qual eu estava fazendo intercâmbio tem uma tradição de vender rosas pros alunos comprarem e mandarem entregar pra outros alunos, anonimamente ou não. Legal não é? Não pra quem não tem um namorado. O colégio inteiro ficou, em um piscar de olhos, cheio de garotas animadas carregando rosas por aí, casais ainda mais apaixonados, e é claro as pessoas solteiras e deslocadas que queriam mais que tudo só voltar pro conforto de suas camas.

Eu nunca liguei muito pro dia dos namorados. Juro. Mas hoje isso estava me incomodando muito. Não sei, talvez por que nunca tinha sido uma data muito levada a sério no Brasil, ou por que nos últimos anos, quando o marketing e filmes fizeram 12 de Julho se tornar uma data popular no país, e toda a tradição infernal do dia dos namorados começar, eu passei esses dias com a minha família ou amigos. Acho que a minha raiva com esse dia tem mais a ver com o fato de eu me sentir sozinha do que com ter ou não ter um namorado.

Mas tanto faz. Tanto faz, por que esse não era o motivo pelo qual eu estava voltando pra casa mais cedo nesse 14 de fevereiro. Não. Eu apenas estava morrendo de cólica. Como se não bastasse, assim que cheguei percebi que a internet estava caindo e não tive o que fazer além de ficar passando pelos desinteressantes canais franceses a procura de algo pra ver.

Surpreendente, estava passando uma das séries que eu gostava muito de ver: Dawson’s Creek. Eu via com a minha mãe há alguns anos atrás, e achávamos muito fofo. Mas hoje fiquei vendo e olhando pra personagem da Joey tentando imaginar por que diabos, a Cath dizia que eu era parecida com ela. Não era nada, mesmo, não tinha nada ver exceto talvez o cabelo e a cor de pele e a cor dos olhos... Mas quantas garotas morenas de olhos castanhos existem por aí?

No último dia dos namorados, bem, não no dia 14 de fevereiro, mas no dia 12 de julho. Eu estava na casa da Cath. Nem éramos muito amigas, mas tínhamos combinado com um pessoal de ir pra casa dela e assistir um filme. De última hora todo mundo cancelou e acabamos vendo só nos duas Moulin Rouge, que acredite, nenhuma de nós sabíamos que era um filme trágico. Suspirei olhando pro computador. Não tinha como simplesmente não lembrar dela nessa data.

Eu sabia que tinha, salvo por aí um texto que escrevi sobre ela há um tempo atrás. Veja bem, ano passado foi complicado pra mim por muitos motivos, mais especialmente por que foi a época em que eu pensei estar apaixonada por uma menina. Cath. Até hoje não sei muito bem o que aconteceu, a explicação mais razoável é que eu criei uma história na minha cabeça, e ela também se deixou levar um pouco por isso. Deve ter sido isso mesmo. Parece bem o tipo de coisa que eu faço. Na época ela estava indo pra California para o que pensávamos que seria pra sempre.

“As luzes da cidade se misturavam a minha frente em borrões coloridos conforme o carro andava se dirigindo de volta pra casa depois de um jantar na casa da minha avó. Minha madrasta não parava de falar sobre um assunto aleatório que até pouco tempo eu fingia prestar atenção, mas agora minha mente já estava bem longe dali. Recordava-me daquele primeiro dia em que tinha dito a ela que gostava dela, da caminhada de volta ao colégio e quando encontramos um gatinho de rua. Ela sorriu pra ele, aquele sorrisinho de lado que tanto me encantava e disse " Nós temos os mesmos olhos...".

Ela estava brincando mas era verdade. Ambos possuíam aqueles olhos felinos verde e dourados que pareciam mudar de cor com o sol. Isso havia sido há menos de um mês atrás, mas agora parecia que já haviam se passado uma eternidade. "Não chore" pensei para mim mesma "Isso não é uma despedida. Ainda vamos nos falar" repeti essas palavras mentalmente como o mantra usual pra quando eu sentia como se fosse me despedaçar. -Eu deveria estar lá... — Pensei alto. -Lá aonde, menina? -Minha madrasta me perguntou sem entender nada. -No aeroporto.

Antes que ela pudesse responder qualquer coisa, meu celular começou a tocar. Peguei-o da bolsa achando que deveria ser minha mãe pra saber aonde eu estava. — Hey, Alice, é Cath. -Meu coração deu um pulo ao ouvir a sua voz, batendo aceleradamente contra meu peito como se estivesse desesperado para fugir e encotrá-la. — Oi! -minha voz parecia estranhamente animada no telefone — Pensei que tivesse embarcado... — Eu vou embarcar daqui a pouco. Já passei dos portões, tive que pedir emprestado o telefone do meu pai antes disso... — Ela deu uma pequena pausa antes de prosseguir; — Eu li sua carta...Valeu por me fazer chorar by the way — ela brincou rindo- Eu só preciso te dizer uma coisa antes de ir. Sabe, caso o avião caia ou algo assim... Eu acho que eu te amo.

Não lembro exatamente por quanto tempo fiquei em silêncio, acho que por poucos segundos que na hora pareceram uma eternidade. Eu não sabia como responder, parecia ter esquecido de como falar. -Eu tinha que te fazer chorar pelo menos uma vez antes de você sair do país — Falei finalmente, brincando. — O que? — O aeroporto barulhento do outro lado da linha impediu que ela entendesse qualquer coisa. -Nada, deixa pra lá... — respirei fundo — Eu também... Escuta, depois a gente se fala né? Fala comigo quando chegar na California okay? -Okay -Beijos... Tirei o celular do ouvido a tempo de ver o "call ended" na tela e encarei essas palavras por um breve momento. Aquela seria ser a última vez que eu falava com ela antes dela se mudar pra sempre para outro país. Aquele único pensamento destruiu toda a pequena força que havia reunido até então e meu peito irrompeu em um choro profundo. Enterrei meu rosto nas mãos, lágrimas escorrendo incessantemente. Ela estava indo. Eu a amava e ela estava indo.”

Li isso pensando no quanto tudo tinha mudado desde então. Ela tinha percebido que seria melhor pra ela voltar e terminar os estudos de colégio no Brasil do que ficar lá, e voltou três semanas depois. Muita coisa tinha acontecido, mas uma coisa que não tinha mudado (e eu sorrir ao perceber isso quando li o texto) era que eu ainda amava ela. Não do mesmo jeito é claro, já faz algum tempo que eu caí em mim e também entendi tudo. Mas se isso tudo havia feito alguma coisa, foi no final das contas, nos aproximar ainda mais, e com isso ganhei uma daquelas amizades, que se sabe que é pro resto da vida.

Se eu estiver parecendo muito melosa e enjoada não liguem, é a TPM.

Já que estava com o computador aberto mesmo, tentei a internet de novo. E milagrosamente ela voltou a funcionar. Abri o facebook meio impaciente. Apesar do pequenho flasback e do fato de que a minha internet voltara a funcionar eu ainda estava com cólica e ainda era dia dos namorados e eu estava em outro país então, me desculpem, eu ainda estava mau humorada.

Quer dizer, até ver uma mensagem. Daquelas mensagens bobas mas que você guarda justamente por que te fazem sorrir em uma hora que você não está se sentindo bem.

LUKE:

HAPPY VALENTINE'S DAY!!

Você disse que aí eles davam rosas não é? Essa é pra você...

LUKE: Recebeu muitas rosas hoje?

ALICE: Não. Só uma. Mas sabe o que dizem né? As rosas digitais são as melhores...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.