A Garota Das Vestes Brancas
2 Capítulo 1 - I Found You
Notas iniciais
Enjoy u.u
E desculpem a demora para postar ^^
Andava para lugar nenhum, fitando o chão liso pintado com um cinza caótico, pensando na bailarina de vestimenta alva. Me lembrava de seus olhos cor de canela denunciando com sinceridade o abatimento que continha. E da breve troca de olhares.
Naquela noite fria pude sentir as ondas elétricas se formando por ambos os corpos cada vez que ficava na ponta dos pés. Ah!, se eu pudesse tocar naqueles pés...
O impacto meio sombrio que a luz brilhante da lua formava sobre nós era quase imperceptível, uma vez que, eu só tinha olhos para ela. Não pararia de admira-la, nem por um segundo, até ela virar as costas e ir embora.
E como agora ando tendo alucinações com o seu doce transparecer (que tento a qualquer custo, imaginar como seria), imaginando a sua suave voz nas conversas que poderíamos ter. Queria tanto eu, um dia poder ouvi-la...
Ainda que pudesse ousar em me perder nos seus lábios avermelhados em um beijo escondido, ainda que pudesse tocá-la, sentir o maravilhoso calor de seu corpo. Ela era, realmente, uma ilusão? Um sonho de consumo, talvez?
Perpetuada estava a perfeita sincronia de seus passos, esta bela moça que domina meus pensamentos seria apenas uma criação minha?
Pois a mesma marcou em mim a cicatriz desse amor que em tão pouco tempo se tornou forte o bastante para me abalar de alguma forma. O estrondo de um trovão ao cair na terra lembrava-me da vez em que você caiu, uma pluma que escorregara no chão duro e maciço, mas somente levantou e continuou a dançar.
Seria eu a ter me perdido em seu adorável bailado, ou ela a ter jogado um feitiço a partir dessa encantadora apreensão?
Pensando nisso, cheguei à faculdade. Fairy Tail é seu nome; exótico, assim como as pessoas que nela estudam. Eu sinto um aperto no coração ao voltar a lembrar de ti.
Por que me assombras assim?
Entrei na grande estrutura arborizada e direcionei-me a sala de aula. Sentei na penúltima cadeira que sobrara, e desandei a escrever poemas no caderno. Sim, eu gosto de escrever, mas ninguém sabe. Somente eu.
Aguardava o professor baixinho e carrancudo que entraria dali a cinco minutos, o barulho estava terrível e eu não estava conseguindo me concentrar.
Quando ouvi o barulho da porta se abrindo, sem querer eu sorri. Não pelo fato do zumbido ter acabado, ou pelo professor ter adentrado a sala. Mas por quem estava com ele.
Era uma réplica exata da moçoila que vira naquela noite de junho.
Mas algo me dizia que era ela. Talvez pelo olhar triste, pelas olheiras ou pelo simples fato dela ter o mesmo tom marrom dos olhos daquela garota.
Seus cabelos dourados caindo macios sobre os ombros me chamaram a atenção, presos em um meio rabo de cavalo de lado. Com um lacinho branco.
Branco...
Tão linda...
E só o fato de pensar que ela poderia ser a garota que procuro desde anteontem me deixa agitado. E se realmente for ela? O que farei depois?
Pedirei-a em namoro? Admirarei-a em silêncio?
"Oi, te vi dançar tão belamente que me apaixonei por você".
Não foi somente isso, eu sinto que não foi. É como se eu já a conhecesse a muito tempo.
Ela me lembrava levemente de uma ex-colega de escola, e o jeito ao qual ela me encarou quando entrou na sala, me fez lembrar dela. Era o mesmo jeitinho de princesa. Eram as mesmas covinhas de boneca.
Sorri de novo, ela fixou seu olhar no chão, envergonhada. Quase podia sentir o sangue subindo-lhe as bochechas, que por pouco não ficaram da cor de uma pimenta dedo-de-moça.
— Apresente-se à turma, querida. Eles não mordem! — brincou o professor, que percebeu a timidez da menina.
— Er.. Meu nome é Lucy, prazer em conhecer vocês. — ela gaguejou, ainda com o olhar baixo.
— Agora vou dar a aula, se importaria de sentar naquela cadeira? Ao lado do rapaz loiro.
A encantadora donzela assentiu com a cabeça e andou até a carteira solicitada, arrumando a saia curta que usava, chamando a minha atenção para as roliças e bem delineadas coxas.
Acho que ela percebeu, pois agora sim, ficou da cor de um pimentão! Precisava me conter e disfarçar o quanto antes.
E ao se sentar e pôr os delicados pés que outrora pisaram no chão frio de uma rua deserta para mostrar-me o incrível esplendor de sua dança, pude ver pequenas feridas espelhadas por baixo de sua longa meia, o que teria acontecido com a minha musa?
— Com licença — chamei-a — O que houve com a sua perna?
Ela pareceu me ignorar, tirando lentamente os livros de dentro de sua bolsa, mas quando ia perguntar de novo, ela respondeu:
— Eu caí.
Somente isso. Sem olhar pra mim, somente para seus livros e cadernos coloridos.
O professor começou o seu discurso sobre qualquer coisa (não prestei atenção), enquanto eu escrevia, lia e apagava o que colocava no papel, em um círculo vicioso. Estava pensando no que falar para ela, mas como a lição já havia começado, ficaria meio difícil conversar sem levar bronca do educador.
Fui surpreendido por um mini avião de papel, que pousou em minha mesa, sorrateiro; cujos dizeres eram: "Qual o seu nome?".
Sorri de novo.
Merda!
Eu a fiz ficar vermelha novamente. Será que ela está pensando que sou um tarado? Que tenho segundas intenções? Que vou abusá-la depois da aula ou algo assim?
Virei a estrutura voadora e escrevi meu nome, Laxus, enviando-a para ela, porém caiu em sua cabeça, bagunçando seus cabelos. Ela riu baixinho. Um riso inocente, que deixava aparentes os brancos dentes.
Era como eu imaginava. Simplesmente sedutor.
Recebi-o mais uma vez, juntamente com a folha amassada.
"Laxus? Bonito nome".
Gelei. Ela acha meu nome bonito?
Dessa vez, foi a minha vez de corar, e como sempre, ela percebeu. Daria tudo para poder olhar outra vez para seus olhos, mas era meio impossível no momento. Fiquei sem reação, encarando o escrito com uma letra extremamente elegante.
O sinal bateu, tanto tempo havia passado? Ela arrumava suas coisas, ainda com uns fios de cabelo incertos, e com a face rosada. Deslumbrante. Um dia descobriria o segredo dela para ser tão encantadora.
As pessoas foram embora, uma por uma, sobrando somente nós dois.
Ela não tinha percebido que estava atrás, observando sua postura e o que fazia, atento às ágeis mãos que teimavam em guardar todo o material rapidamente.
Quando eu ia sair de perto dela, vi uma foto.
E nela, duas pessoas se beijando.
Lucy e algum homem de cabelos (estranhamente) cor-de-rosa.
Quase tomei a foto de suas adoráveis mãos e a rasguei em mil pedacinhos. Se olhar matasse, aquela imagem aterrorizante estaria desintegrada, destruída.
Ela guardou rapidamente a fotografia, pude perceber que comprimiu os olhos, além de suspirar. Ela começou a soluçar e de repente, vi que estava chorando. Aquelas gotas de água pura eram absorvidas pela pele provavelmente quente, assim como seus olhos, agora vermelhos.
Olhou para mim, me assustando.
— Promete que não conta da foto para ninguém? — pediu, ignorando a minha cara surpresa. Ela provavelmente sabia que eu estava atrás.
— C-Claro...
— Ótimo — concluiu, enxugando as lágrimas e pondo o cabelo para trás de uma forma familiar.
Aquele jeito de ajeitar a franja...
— Ahn, Lucy...
— Sim? — correspondeu ao chamado, mas sentada na cadeira, fitando sua mochila.
— Seu pai é... o prefeito da cidade?
— Ele é meu padrasto.
— Sua mãe se chamava Layla?
— Sim, Layla Heartfilia.
Heartfilia...
Era ela, então? Minha ex-colega de escola? Passaram-se tantos anos desde então... Lucy... Meu primeiro, atual e último amor.
E pensar que todo esse tempo eu sabia quem ela era, e que já convivi com ela, que já toquei seus cabelos e até seus pés, mas tanto tempo se passou, que sua presença passou despercebida, que saudades de você...
No entanto ela me empurrou no chão, com a cabeça erguida, o que muitos poderiam dizer é coisa de garotas metidas, sem amor, mas pra mim? Mostrava independência, sensualidade. Ela segurava minha camisa com força mostrando toda a sua capacidade e beleza.
Logo depois puxando-me para ela, eu estava de olhos arregalados, o que ela iria fazer? Como era bom senti-la.
Ela chegou um pouco mais perto encostando seus macios lábios em meu ouvido e sussurrando:
— Ah Laxus, se soubesse quão perda de tempo eu sou... Dançarei para você mais uma noite, e irá prometer que me esquecerás.
— Lucy...
— O que?
— Isso é impossível.
Notas finais
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