A Freddy Fazbear's Pizza subsidiary
3 Noite 2
Notas iniciais
Bem na hora que entro na pizzaria, uma tempestade começa do lado de fora. Sigo o caminho de costume até a sala de segurança quando Frank me chama de sua sala:
–Jason, venha aqui, por favor.
“Parece que fiz alguma merda...”, penso
Entro no escritório e sento-me na cadeira mais à frente, assim como Frank gesticulou para mim. Espero em silêncio enquanto ele acende um cigarro:
–Jason, lembra que pedi que falasse para Leonard me ligar?
–Sim senhor
–Bem, você o fez?
–Não senhor. Na verdade, não o vi mais.
–Bem, ok. Obrigado. Agora, volte ao trabalho, ou está na rua
–Mas por que pergunta?
–Porque ele desapareceu do nada. Ninguém sabe onde ele possa estar, nem seus parentes ou amigos mais próximos.
–Oh, bem, se o vir, avisarei.
–Ok, obrigado.
Desaparecido? Estranho. Será que sua obsessão pelos bonecos tinha algo a ver com isso?
Desatento, esbarro em um funcionário da limpeza:
–Olha por onde anda...
–Desculpe.
–Hey, você é o guarda noturno, não?
–Sim, eu sou.
–Bem, não sei Frank te avisou, mas as fantasias dos animatronics estão na lavanderia devido à reclamações sobre cheiro podre que as roupas exalavam. Frank não teria movido um dedo se não tivessem ameaçado ligar para a vigilância sanitária. Talvez alguém tenha deixado algumas fatias de pizza caírem dentro das fantasias. Enfim, os endoesqueletos estão na sala de manutenção, ao lado do palco. Verifique a sala de vez em quando, só por precaução, afinal, são só robôs.
–Isso é o que você pensa... -Sussurro
–Bem, boa noite e até amanhã de manhã.
–Boa noite, obrigado.
Decido dar uma olhada na sala enquanto o restaurante não havia fechado, por desencargo de consciência e, mais importante, para saber se algum animatronic se moveria novamente.
Abro a porta e vejo que a sala está completamente escura. Não era possível ver nada lá dentro. Apalpo as paredes procurando o interruptor, mas não consigo encontrá-lo. Depois de cruzar a sala, encontro finalmente o botão das luzes. Ao acioná-lo, o ambiente é tomado pela luz da lâmpada tão precária quanto a da sala dos fundos. Quando viro-me, me deparo com os endoesqueletos todos virados em minha direção, alguns com os braços estendidos, outros em posição de caminhada. Me assusto, mas imagino se tratar de alguma brincadeira de mau gosto.
Saio da sala evitando os robôs e fecho a porta vagarosamente, deixando a luz acesa. Bem nesse instante, as luzes restantes se apagam:
–Ah, mas que merda...
Então, passos e rangidos metálicos começam à se aproximar da porta. Desesperado, fecho os olhos o corro velozmente até a sala nos fundos.
Admito que possa ter gritado um pouco, mas nada demais.
Quando chego na sala, fecho ambas as portas e começo à encarar o chão, esperando a respiração voltar ao ritmo normal. Vejo então de relance uma sacola de supermercado embaixo da escrivaninha à frente. Pego-a e vejo que está escrito “Para Jason”. Curioso, abro-a e analiso seu conteúdo: 4 fitas de áudio, cada uma com um número escrito em marcador permanente preto num pedaço de fita crepe.
Pego a fita de número 1 e coloco-a no aparelho de som, cruzando os dedos para que desse certo, e funcionou. No início, nada. Imagino ser algum engano, até que a voz de Leonard sai pelas caixas de som:
–Er... Olá?... Já tá gravando?... Bem, qual é Jason! Como vai? Bem, a essa altura você já deve saber que estou sumido, mas não esquenta, eu estou bem.
Fico aliviado em ouvir aquilo, e lembro do que Frank me disse:
–Mas, antes de tudo, você tem que entender que não pode falar dessas fitas pra ninguém, entendeu? NINGUÉM. Bem, acho que você já viu que os animatronics vagam pelo restaurante durante a noite, mas isso não é problema algum. Quando eu era do turno da noite, Keithy me servia refrigerante todas as noites. Era incrível! Mas os outros animatronics, eles sim são um problema. Bem, na verdade, eles acham que você é um endoesqueleto fora da sua fantasia, e tudo o que eles querem é vestir você. Querem o seu bem.
Começo à ficar apreensivo:
–Está bem que o processo pode provocar uma morte lenta e dolorosa e talvez você ainda esteja vivo quando o endoesqueleto da roupa que você está estiver dançando na frente de todos, mas eles não sabe dessa parte.
“Ok”, penso “Acabou a apreensão”
–Enfim, é isso por hoje. Segura a onda e sei que passará bem. Afinal, as roupas não estão a lavanderia.
–Espera, o que?! -Pergunto
–É, sem as fantasias, os animatronics ficam mais agressivos. O último guarda noturno que passou por isso saiu retalhado. Literalmente, fizeram serpentina dele, acredita? *Risos*
–MAS O QUE?!
–Bem, boa noite, até.
A fita acaba ai. Serpentina? Como assim?!
Nessa hora, ouço um rangido vindo do fundo da área de refeições e um feixe de luz se estende até a minha porta. Vejo uma sombra passar na frente da luz e seguir em direção à porta de entrada. Então, esta é aberta com força. O som dos pingos de chuva se chocando com o carpete da sala de entrada ecoavam pelo salão principal. Abro as portas e estico o pescoço para fora. Do outro lado, vejo silhuetas se movendo na sala de manutenção, como se estivessem lutando entre si.
Verifico a câmera da sala mas esta fica com alente bem na frente da lâmpada, impedindo a visão. Olho o relógio: 3 da manhã. Verifico as outras câmeras e vejo que na área de refeições estava um dos endoesqueletos, provavelmente o de Steve, pois era baixinho. Ouço uma risada infantil assustadoramente lenta e distante.
De repente, as portas da frente se fecham e passos podem ser ouvidos. Novamente olho para a sala de manutenção e vejo a silhueta de um dos animatronics entrar segurando um saco de pano enorme. Estranho isso pois todas as fantasias estavam na lavanderia. Ouço zíperes se fechando e, logo depois, a criatura sai da sala, mas aparentava estar sem a fantasia.
Ele percebe que eu estava observando-o e, curiosamente, acena para mim. Depois, ele vai embora, mas não ouço as portas se fecharem ou abrirem.
Estaria eu ficando louco? Vejo o relógio: 4 da manhã. Impossível, os funcionários estariam ali só depois de 2 horas. Quem era aquele homem? E por que acenou para mim?
Fico me perguntando mil coisas até que ouço passos vindos em minha direção. Verifico as câmeras e vejo que realmente todos os 3 animatronics principais estavam indo para a sala de segurança. Fecho as portas e fico imóvel.
De repente, três batidas na porta. Silêncio. Ouço sussurros dizendo coisas como “Sou eu” e “A dor...”. Fico calado ouvindo essas vozes estranhas até que meu relógio apita: 6 da manhã. Pouco tempo depois, Frank abre as portas me chamando:
–Jason, venha aqui já!
Passos e tropeços cruzam a área de refeições até a sala da manutenção. Abro as portas e vejo que não havia mais ninguém ali. Vou até Frank:
–Me chamou, senhor?
–Claro. Quem te deu permissão de sair no meio do turno para pegar as fantasias na lavanderia?
–Como?
–Agora mesmo eu fui buscar as roupas dos animatronics na lavanderia e me disseram que um tal de “Jason” já havia pego tudo.
–Mas... Eu fiquei aqui a noite toda!
–Ah, Cristo... Esquece, obrigado.
–Então... Ok... Até mais tarde...
–Sim, até.
Sigo até o carro e deixo as fitas que peguei no banco do passageiro. No caminho, olho para elas. O que diabos está acontecendo?
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