Notas iniciais
Depois de um século... :V

Pela primeira vez na semana eu estava ansioso para voltar ao trabalho. Todo aquele mistério não me deixou dormir.

Desta vez eu estava preparado, estava levando a câmera fotográfica da família: uma Polaroid das antigas. Caso alguém aparecesse por lá, teria provas de que não estava ficando louco.

Bem, entrei na pizzaria e, dessa vez, Frank não estava lá. Me aproximo do caixa e pergunto:

–Com licença, onde Frank está?

–Ele foi procurar uma dedetizadora. Alguns clientes reclamaram de barulhos vindos dos dutos de ventilação. Frank achou que eram ratos e foi atrás de alguém para matá-los. Além disso, as fantasias estão com algum líquido vermelho na região dos pés e Frank foi comprar produtos de limpeza pra remover as manchas

–Wow, parece que foi um dia cheio...

–De fato. Ah, e ainda por cima tem uns policiais dizendo que um maluco vestido de Freddy, de outra filial, foi visto levando crianças para os fundos da Freddy 'n Friends Pizza. Depois disso, as crianças sumiram

Na hora, congelo. Seria esse o cara que levou as roupas até a pizzaria? E se fosse, por que ele havia feito aquilo?

Puxo-me de volta à realidade, agradeço pelas informações e vou até os fundos.

Fico esperando até que fechassem tudo. Havia chegado cedo dessa vez. Cerca de 30 minutos depois, as luzes se apagam. Levo a mão ao bolso do casaco para pegar uma das fitas que Leonard havia deixado, porém, não encontro nada. Então lembro que havia esquecido-as no banco do passageiro.

Atravesso o salão de refeições correndo, na esperança de que a garota do caixa ainda estivesse na porta, mas chego tarde demais. Soco a porta, frustrado, e fico junto a ela, ofegante.

De repente, ouço um miado e rangidos, que cessam atrás de mim. Viro-me e vejo que Keithy estava me encarando, a mão direita estendida, como se estivesse segurando uma bandeja invisível:

–Uff... -Suspiro, aliviado: -É só você
Keithy fica parada, me encarando. Agito os braços na frente de seu rosto para ver se havia algo de errado e percebo que os pelos das laterais inferiores da cabeça da máscara estavam bagunçados, diferente do resto do corpo, com pelo perfeitamente escovado:

–Uou, parece que te pegaram pelo pescoço hoje. -Digo, apreensivo

Embora soubesse que ela era apenas um robô, seu comportamento humano e gentil me cativara, fazendo com que me importasse com ela. Deixando isso de lado, ela surpreendentemente responde, mas com uma voz infantil rouca e dolorosa:

–Me... Ajude... Senhor... A dor... A DOR!

Então, ela tenta me agarrar, mas consigo me esquivar. Corro para a sala nos fundos enquanto o robô gritava:

–SENHOR, NÃO! POR FAVOR, AJUDE-ME!

Ignoro o pedido e continuo correndo. Me jogo dentro da sala, fecho as portas e agarro o tablet bem a tempo de ver Keithy ajoelhada e com as mãos no chão. Pequenos espasmos mostravam que ela estava chorando. Eu queria ajudá-la, mas tinha medo. Leonard me alertou sobre os outros animatronics, sobre o mal que poderiam fazer. Deixo o tablet de lado e me encolho na cadeira.

Nessa hora, percebo que Frank havia deixado um bilhete sobre a escrivaninha. Abro-o e leio:

“Boa noite, Jason. Como você já deve saber, tive de sair mais cedo para tratar de uns negócios. Acho que esqueci de desligar os aparelhos da cozinha, algum incêndio pode acontecer, desligue-os, e não se esqueça da máquina de refrigerantes.”

–Talvez eu possa pegar um copo pra mim! -Imagino:

“Ah, e nem pense em pegar um pouco de graça!”

–Mas que merda... -Suspiro

“Mais uma coisa. Esqueci de pedir que ligassem o gerador hoje, você terá de passar a noite com a reserva que temos, um contador em cima da mesa diz quanto você ainda tem.”

Olho para a escrivaninha e, de fato, havia um contador digital marcando 48%. Espera, 48%?!:

–Cacete! -Exclamo

“Bem, é isso, não pise na bola ou está no olho da rua.”

–Nem uma despedida...

Largo o bilhete na mesa, abro as portas e vejo que não há ninguém por perto. Então, dou passos largos e silenciosos até a cozinha. Lá, vejo um ponto vermelho em meio à escuridão: A luz do fogão. Caminho até ela, tateando o ar à frente para não tropeçar em nada. Apalpo o painel do aparelho e desligo-o. Em seguida, uma luz fraca pisca atrás de mim. Me preparo para o pior e viro-me, mas descubro que era apenas a máquina de refrigerantes. Aliviado, vou até ela e, quando ia apertar o botão para desligá-la, vejo uma pilha de copos descartáveis:

–Frank idiota, qual o problema de um copo de refrigerante à menos? Restrições do caralho...

Volto para a sala e fico encarando a parede, emburrado:

–Só água mineral sem gelo pra beber... Merda...

De repente, uma voz rouca diz bem na porta do escritório:

–Yarr, matey! Venha comigo para praias paradisíacas, cheias de tesouros enterrados!

–Não pode ser...

Acendo a luz e, bem nessa hora, Wuuf agarra minha mão:

–PUTA MERDA!

Começo a chutar o braço dele para me soltar. Por fim, o membro cai, mas outro estava por baixo, um humano:

–Ya-a-a-ar, matey! A dor...

–Santo Deus...!

Fecho a porta e me afasto para trás. Então, braços marrom-claros me abraçam por trás. Grito de susto e vejo que era Dan. Demorou mas finalmente ele veio. Comecei a me debater em seus braços até que ele cambaleou para trás e soltou um fraco:

–Por favor, ajude-nos... Não somos... O que pensa...

Ignorei e fechei a porta. Ambos começaram a bater nas portas e chamar por ajuda. Tampo os ouvidos, temendo que aquelas vozes piedosas me fizessem deixá-los entrar. De repente, ouço barulhos vindos do duto de ar acima de mim. Olho para cima, seguindo a origem do som, até que ele para na saída de ar do escritório. Silêncio. Até mesmo os animatronics do lado de fora calaram-se.

Então, uma lata de Pepsi cai, junto com um papel escrito “Hey, aqui está. Não precisa agradecer. Não se estresse tanto com Frank, ele só quer o bem dos animatronics” em uma letra bem familiar, mas ignoro, afinal, estava morrendo de sede. A bebida espirra um pouco ao abrir pois a queda havia agitado-a um bocado, mas ok.

Olho o relógio: 4 da manhã. Beleza, acho que dessa vez ia terminar a noite em paz. Como não havia verificado as câmeras ainda, pego o tablet e passo-as uma a uma.

Tudo estava bem, mas na câmera da área de refeições vejo uma silhueta humana empurrando os animatronics de volta para a sala de reparos. Imaginando ser algum assaltante ou sei lá o que, abro a porta da esquerda e grito:

–Hey, você ai!

Ele me olha e, desesperado, corre para o lado direito do restaurante. Sigo-o, ignorando os animatronics se contorcendo no chão. O homem pula pra dentro de uma ventilação e eu faço o mesmo, porém fico entalado. Me agito, tentando sair dali, mas não consigo. Então, ouço passos pesados vindo em minha direção. Fico imóvel. Então, a voz de Wuuf diz, em inglês:

–Yarr, what a nice booty, matey!

–Além de gringo é tarado agora?! Grito

Então, meu relógio desperta: 6 da manhã. Ouço Frank abrindo as portas e, imediatamente, Wuuf corre desajeitadamente de volta para a sala de reparos. Frank me chama umas vezes até que caminha em minha direção e, depois de um tempo mudo, diz:

–Er... Jason... O que diabos você está fazendo ai?

Encolho a barriga e consigo sair. Retomo o fôlego e respondo:

–São... Foi... Bem... Os... Os ratos, sabe... Achei que poderia ajudar...

Frank me olha com cara feia e responde:

–Então tá... Bem, descanse, parece que precisa...

Ele me olha de ponta a ponta novamente e vai até seu escritório. Suspiro, vou até os fundos, pego minhas coisas e volto pra casa. Na cama, começo a suspeitar que aquele homem é alguém de quem nem desconfio...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.