–Bom, primeiro dia. Segura a onda -Reflito

Olho ao redor. Leonard me inseriu tão rápido na sala de segurança que nem tive tempo de ver como era o lugar. A sala era pequena, duas portas à direita e à esquerda e uma janela do lado de cada uma. Na minha frente estava uma escrivaninha com um ventilador, um aparelho de som do tempo do "guaraná de rolha", uns papéis amassados e um telefone. Tentei discar o número de casa para testar o aparelho, mas não havia linha. Na parede, um cartaz padrão da pizzaria com os dizeres "Vamos celebrar!" e todos os 3 animatronics principais sorrindo.

No teto, uma lâmpada do tipo incandescente segurava-se num fio elétrico que vinha de um buraco no teto. Ao lado, estava a grade do duto de ventilação, o qual se estendia por toda a instalação.

Tudo estava calmo. Vez ou outra dava uma olhada nas câmeras de segurança e tinha a impressão de que a mão ou a cabeça de algum deles estava numa posição diferente, mas ignorava.

Às 4:30 da manhã, a bateria do meu MP3 acabou e comecei a ficar entediado. Percebi então que havia 1 hora que não verificava as câmeras. Comecei a passar as câmeras uma por uma.

Quando cheguei na câmera da entrada dos banheiros, vi que Keithy estava lá, parada, de frente para a porta do quarto. Meus olhos se estreitaram e comecei à aproximar vagarosamente a cabeça do tablet. Quando estava à uns 5 centímetros da tela, uma voz assustadoramente grave ecoa por ambos os corredores laterais:

–S-s-s-senhor, precisa d-d-d-de algo?

Fico em silêncio. Sinto o suor frio escorrer pela minha nuca, eriçando os pelos desta à medida que deslizavam pela pele. Minha mente girava em torno de uma única pergunta: O que diabos estava acontecendo?

Antes que pudesse pensar em outra coisa, a mesma voz diz:

–Aí está v-v-você...

Depois disso, posso ouvir panelas caindo e tropeços vindos da cozinha. Tento identificar a fonte do barulho pelas câmeras, mas estas estavam com o vídeo desabilitado, transmitindo apenas o som.

De repente, meu relógio de pulso apita. Verifico-o e vejo o visor: 6 da manhã.

Chaves se agitam na porta da pizzaria. Imediatamente o vídeo volta e os animatronics retornam para seus exatos lugares. Frank entra assoviando Carmen — Overture, o tema do restaurante, acompanhado pelo pessoal da recreação:

–Bom dia, preciosos! Jason cuidou bem de vocês? -Pergunta Frank

–Senhor! -Chamo: -Acho que tem alguma coisa errada com as máquinas. Parece que Keithy andou pela pizzaria esta noite.

–Bom, Jason, se tivesse lido os papéis que te entreguei, saberia que, pelo tempo de uso dos animatronics nessa filial, temos de deixá-los ligados durante a noite para que os circuitos permaneçam "aquecidos" para o dia seguinte. Aparentemente desligá-los poderia causar algum defeito no sistema interno.

–Sim, mas ela falou com alguém no banheiro!

–Venha. -Disse, gesticulando para que o seguisse

Cruzamos a área de refeições e paramos em frente ao banheiro. Pude ver que, se ficar parado na entrada do lugar, você fica de frente para o espelho:

–Keithy é uma garçonete, então ela tem que servir os clientes. Mas como evitar que ela sirva refrigerante à uma lata de lixo pensando ser uma criança, mesmo que a diferença seja nula?

–Eu não faço ideia...

–Instalando nela um censor de calor e movimento para que tudo que se encontre na temperatura corporal humana padrão e se mova seja atendido.

–E quais as chances de isso dar errado?

–Bom, como você me respondeu, "Eu não faço ideia" -E gargalhou

–He he... -Sorrio forçadamente: -Bom, até de noite.

–Até. Ah, e se ver Leonard, peça que me ligue. Não consigo falar com ele de jeito nenhum.

–Pode deixar. -E segui pelo salão