A Força D'um Amor (+18)
26 Capítulo XXV - A doença
A Lua esvanece-se no negro céu, os pássaros nocturnos adormecem nos ramos altos das árvores verdejantes, o orvalho escorre pelas folhas dos campos cultivados onde o milho cresce. Os moinhos trabalham para ralar as espigas e assim fazerem farinha para as padarias fazerem o pão quente e delicioso que chega a nossa casa. Os barcos, que regressam do alto mar, chegam à costa carregados de peixe, as mulheres enchem as cestas e levam para as lotas onde o peixe é vendido para abastecer os mercados da cidade.O Sol nasce no horizonte, os pássaros fazem os seus ninhos, os galos cantam, as galinhas põem os seus ovos, as ovelhas saiem para pastar, as vacas vão para os campos; as pessoas levam as suas alfaias e chamam os animas.
– Bichi, bichi mé! – Chamava uma pastora as suas ovelhas num caminho coberto por uma latada ao passo que um homem, com um boné castanho, uma camisa aos quadrados com as linhas vermelhas e umas calças de bombazina pretas, abre as grandes portas vermelhas do curral. – Embora, chote. – Brada o homem.Entretanto, na quinta, um rapaz de dezoito anos caminha dentro de uma corte. Senta-se num banquinho baixo, passa a mão em cima do dorso da vaca e, com um balde que põe por baixo da barriga desta, ordenha o leite que cai a fio. O rapaz enche o balde e põe o leite dentro de uma vasilha que fica a meio. Na estrada, um camião avança, rola com cuidado sobre o piso húmido provocado pelo orvalho matinal, as gotas que caiem das folhas das altas árvores que se erguem aos céus, faz as curvas e chega à aldeia de Coruche, na qual se situava a rua dos Campos. Entra num caminho de terra batida e anda com cuidado. Começa então a ver-se um portão construído com duas tábuas de madeira seca. O camião entra dentro de uma propriedade, na qual se via ao fundo uma grande vivenda amarelada, seguida de um grande barracão onde se situava muitas canhotas desmanchadas para o Inverno que se aproxima a passos largos. O motorista do camião desliga a chave, abre a porta e sai, movendo-se por entre as ervas daninhas que atrapalham os pés de quem as pisa. O rapaz deita os bidões às costas e sai pela porta ainda aberta. – Custódio, bom dia! Aqui tem.– Ahm! Precisamos de fazer contas – informa o motorista atirando a beata para o chão e apagando-a com a ponta da sua bota de borracha.– Ok! Quando o meu velho cá estiver.– Quando eu receber depois a gente faz contas, pode ser?O motorista entra na cabine e arranca já com o camião cheio de leite dirige-se a Lisboa ao armazém do Lidel situado em Entrecampos, grande produtor nacional de transformação de leite. O dia amanhece claro, o Sol levanta-se. os galos cantam, os pássaros chilreiam, as galinhas põem os seus ovos do dia, nas cidades o trânsito das auto-estradas aumenta, daqueles que vão trabalhar. Já se ouvem as persianas a baterem nas calhas junto à praça do Comércio, voltada para o Rio Tejo, onde se avistam os barcos que vêm de Almada para o Rossio com gentes que trazem as suas mochilas às costas para os trabalhos. Os comboios do Rossio partem em direcção a Sintra e regressam cheios de pessoas que certamente se dirigem a outros meios de transportes.O começo daquele dia já vai alto, o Sol entra nas janelas das casas do bairro de Portugal. Um enorme raio do Astro-Rei aquece as portadas de uma vivenda rosa, com as portadas amarelas. Um jovem toca à campainha e Silva Lobo abre-lhe as portas de sua casa, deixando o indivíduo entrar. – Como é que está ele hoje, tio? – Indaga Tomás.– Na mesma – murmura Sérgio triste, em simultâneo olha para o nivelado de tijoleira da sua casa Um jovem com o corpo suado dorme na cama profundamente, imóvel algemado ao catre. Pedro está na cama, dorme profundamente. Um dia de calor infernal, como aqueles dias em que nos apetece estar só na água. Num desses dias, em que ele sai do quarto, Lisa está à sua espera na piscina de sua casa. Ele desliza até à escada, descendo-a calmamente e dirige-se para a piscina de casa, trajando um roupão branco. Lisa levanta-se de um espreguiçadeira onde estaria a apanhar banhos de sol e segue-o. Ele despe o robe e salta para a piscina. Ela começa por despir as poucas roupas que ainda lhe restam e mergulha na água da piscina, nadam um para o outro, beijando-se intensamente Pedro debate-se contra a cama, em sofrimento. Com o pulso preso e vermelho devido às marcas das algemas, a barba grande e um corpo molhado de suor, ele estava mais magro do que o habitual, uma vez que não comia há vários dias.
Notas finais
Bem deixo-vos aqui este capítulo, com os votos de um feliz e santo natal. Até Janeiro, para o ano que vem.
Comentem, façam o que quiserem.
Beijinhos,
Anne.
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