A Força D'um Amor (+18)

27 Capítulo XXVI - Um Passado no Futuro


Notas iniciais
Boa Tarde! Primeiro, peço desculpas pelo atraso... :) Mas cá estou eu a postar, aqui está uma história que se repete. Boas leituras. Até um dia, Walk.

No outro lado do Bairro de Portugal estavam duas mulheres magras, uma mais baixa do que a outra, à porta de casa; a mais baixa estava vestida com uma túnica de tecido vermelha e umas calças de tecido pretas, com base que lhe tornava a pele mais clara, e batom vermelho nos lábios que os realça. Dá dois beijos à outra, e entra no seu carro, metendo a chave na ignição, introduz a primeira e arranca para o exterior da propriedade; a mais alta acena à amiga e entra dentro da moraria. Em seguida, sobe as escadas e dirige-se ao quarto de uma miúda:

– Então, como estás? – Pergunta francamente preocupada.

– Pipa! Estou bem. Só tenho algumas dores de cabeça.

Pipa entra dentro do quarto, pisa o tapete da entrada, move-se em torno da cama, e põe a mão na testa a Lisa.

– Lisa, tu estás a arder em febre.

– Ai, ai… – Lisa passa as mãos na barriga.– Oh Pipa! Dói-me a barriga.

Na verdade, Lisa estava cada vez mais pálida, com mais dores laterais na zona do ventre abdominais, mais sono, alguma incontinência urinária e corrimento e tinha cada vez mais dores de cabeça.

– O que foi Lisa? – Pipa corre para ajudá-la.

Lisa estava deitada, tremia agora de frio, uma água gelada escorria pela cara abaixo que molhava a almofada. Já não tinha forças para nada.

Este seu estado suscitava imensas dúvidas e o seu pânico pessoal. Suspeita-se que tenha comido alguma coisa estragada mas, o que era realmente estranho, era a sua própria recusa em ir a um médico para ser examinada, o que deixa Sónia bastante preocupada. Não chegava já a sua filha não comer bem e agora isto, andava a enjoar de tudo. Às vezes comia algumas coisas estranhas, e como se ainda não chegasse, agora tinha muita febre. Não eram habituais estes sintomas na rapariga, ela que até gostava de praia durante todo o verão…

Apesar de ser uma rapariga que comia pouco, não ia logo vomitar, era raro ter dores de cabeça, ou noutra parte do corpo… Mas o mais estranho de tudo era aquele estado de sonolência.

Não! A Lisa não era assim, de todo, ela que sempre foi uma rapariga muito viva via-se agora presa a uma cama.

Eram estes os pensamentos de Pipa, que se encontrava de pé, encostada à parede do quarto aos pés da cama de Lisa, e agora a via a arder em febre, deitada numa cama. Parecia-lhe impossível. A Lisa doente era uma utopia, ela estava sempre ligada à corrente eléctrica.

– Queres que te vá buscar um remédio?

– Não, Pipa! Obrigada… – Diz Lisa ao levantar-se e correr para a casa de banho.

A casa roda na mente de Lisa e esta agarra-se às paredes para não cair. Pipa vai em seu auxílio, segurando-a com força para não a deixar cair.

– Lisa, onde é que vais?

– À casa de banho. – Responde a rapariga com voz débil.

Pipa leva Lisa até ao Toailete, a rapariga vomita na sanita. À posteriori é conduzida com cuidado até à cama, que Pipa abre. Lisa senta-se e roda o corpo. Em seguida estende as pernas pela cama e puxa a roupa.

*

Sérgio sobe as escadas perseguido por Tomás. Os dois, de olhos postos nos degraus cinzentos, caminham ao longo da tijoleira do primeiro andar da moraria. Uma mão alcança uma porta branca, fechada, paralela à parede. De seguida, é introduzida uma chave e ambos entram num lugar com pouca luz e vazio onde reina a escuridão. Um indivíduo tacteia à procura de uma cadeira para se sentar junto a um leito agoniante. O cheiro a mofo, podre e a bolor é quase que insuportável. Os olhos verdes lacrimejantes de Tomás compadecem-se da doença que abarca Pedro. O melhor amigo de Silva Lobo senta-se na cadeira junto ao seu leito:

– Então, como estás? Tenho saudades de ouvir a tua voz. Se pelo menos houvesse alguma esperança, Pedro. – O peito de Pedro enche-se de ar, está longe daquele quarto, daquela cama, e até daquelas amarras.

O Sol brilha no horizonte, o mar azul banha um pedaço de terra com palmeiras. Pedro e Lisa estavam deitados sobre a areia a apanhar o Sol de fim da tarde. Ele levanta-se e pega na sua guitarra:

«Oh Pedro, toca aí algo.» Diz a sua amiga que agora se levanta e se junta a ele .

«O que queres que eu toque, Lisa?» Inquire enquanto lhe mexe no cabelo «Sabes, pela primeira vez na vida não me apetece tocar.»

«Então o que é que te apetece?»

«Não sei! Vamos embora, para casa? Podemos jogar xadrez, que dizes?»

Lisa dá a mão a Pedro e os dois andam pela areia ficando cada vez mais longe do mar. Entram numa casa construída a madeira, com janelas de vidro e portas separadas apenas por pilares de madeira envernizada e devidamente tratada para resistir ao mau tempo de Inverno. Entrava-se para um pequeno Hall, com chão construído a mosaico vermelho e cimento pintado em branco. Pedro pega em Lisa ao colo e os dois entram na sala. Ele senta-a no sofá branco e senta-se ao pé dela. «Ouve uma coisa, Lisa, eu amo-te.»

Dora, por sua vez, andava muito circunspecta. Ela própria não acredita numa palavra de Sérgio. Sabe á priori que o seu filho era incapaz de lhe faltar, não era nada dele sair sem sequer se despedir. Era-lhe totalmente inconcebível que tais factos ocorressem. Logo Pedro que sempre foi tão amigo de sua mãe, detestava vê-la a sofrer às mãos de Sérgio, lutava por ela. Neste intuito, Dora pega no seu telemóvel e marca uma sequência numérica, esperando até que do outro lado a atendam. O voice mail fala «Fala Pedro Silva Lobo, de momento não posso, atender, é favor de deixar recado que entrarei em contacto consigo…» Era mais do que óbvio que tinha acontecido alguma coisa a seu filho, mas o quê? As saudades começavam a apertar, Dora não sabia o que fazer. Por um lado, tinha medo em perder para sempre o seu filho, por outro, temia por Sérgio não o procurar, parecia que sabia o que lhe tinha acontecido que lhe tinha feito algum mal. Dora tinha terror em pensar nesta possibilidade.

Notas finais
Este capítulo é basilar para a continuação que se dispulta em breve. As desconfianças encontradas em Sérgio por banda de Dora terão fundamento muito em breve se descubrirá o fundamento disto tudo, o porquê de Sérgio querer Pedro morto. E, será que consegue? Veremos.