A Filha do Senador
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Em choque sobre a cama, Regina olhou para Emma claramente confusa. O rubor do desejo ainda lhe queimava a face enquanto ela tentava compreender a razão daquela interrupção.
— Qual é o seu problema? — indagou Regina.
— Por favor, se vista. Eu não posso fazer isso — disse Emma, apanhando a jaqueta do chão.
— Eu…eu pensei que você me queria… — ela falou, sentindo-se humilhada enquanto se vestia. — Idiota…é isso que eu sou por pensar que…
— Eu quero você mais do que qualquer coisa nesse mundo! — Emma a interrompeu, segurando-lhe o queixo enquanto roçava o polegar pelo lábio inferior. — Mas não quero assim…não quero aqui.
— Solte-me! — exclamou Regina, afastando-lhe a mão do seu rosto com um súbito tapa.
— Não foi fácil para mim me conter quando venho desejando esse momento desde o primeiro dia em que te vi — Emma falou, segurando-lhe o rosto com ambas as mãos. — Estamos na casa de um estranho…e você está bêbada.
— Vai se foder, Emma! — ela exclamou, desvencilhando-se rapidamente, e em passos largos, ela se retirou do quarto.
No encalço de Regina, Emma atravessou a multidão e mais adiante, seus olhos cruzaram com os olhos de Ruby.
— O que houve? — ela perguntou.
— Veja se consegue acalmar a sua amiga — disse Emma, e após assentir, Ruby caminhou ao encontro de Regina.
Do lado de fora do apartamento, a julgar pelo estado em que as duas se encontravam, Emma decidiu que as levaria para casa, e apesar das recusas e xingamentos por parte de Regina, ela se manteve firme em sua decisão.
— Você é uma babaca… — Regina murmurou, deslizando pelo banco traseiro e em questão de segundos, acabou adormecendo.
— Eu não bebi tanto quanto Regina, Emma…posso dirigir perfeitamente e…
— Por favor, Ruby — ela a interrompeu. — Para o seu apartamento ou para a casa dela?
— É melhor para o meu apartamento. Se a mãe dela flagrá-la nesse estado, a coisa ficará feia — disse ela, e após alguns metros percorridos pelo veículo, Ruby quebrou o silêncio. — Aconteceu alguma coisa entre vocês?
— Não… — limitou-se a dizer, apertando o volante com força.
Quando chegaram ao prédio, Regina ainda dormia. Ao lado de Ruby, Emma conseguiu acordá-la e acompanhá-la até o quarto. Sem lhe dirigir o olhar, Regina se jogou sobre a cama e após um longo suspiro, voltou a dormir.
— Obrigada, Emma — disse Ruby.
— Porque inventou aquela história toda? Robin não tentou machucar Regina naquela festa, não é? — indagou Emma.
— Regina gosta de você mas não tem coragem de dizer — ela revelou, ignorando sua pergunta.
— Ela te disse que gosta de mim?
— Na verdade, ela está apaixonada por você.
— Ela tem namorado.
— É uma farsa.
— Farsa?
— Olha, ela te ama…acredite. Não considere Robin um obstáculo entre vocês porque ele não é.
— Bom…está tarde e eu preciso ir. Boa noite.
— Boa noite, Emma…
…
— Espere aí! Conte-me essa história direito! — exclamou Mérida. — Você quase transou com a toda poderosa? Não entendi…porque parou no meio do ato?
— Qual é, Mérida! Ela estava bêbada! Além disso, eu nem conhecia aquele lugar — disse Emma.
— Muitas pessoas fazem sexo embriagadas e em lugares desconhecidos. Qual o problema?
— O problema é que eu não faço parte desse grupo de pessoas! — ela falou, levantando-se de supetão. — Eu a amo e a quero sóbria. Na minha cama ou na dela. Não na cama de um desconhecido.
— Tem razão…mas e ela? O que ela fez quando você interrompeu?
— Ficou puta de raiva.
— Talvez ela não estivesse tão bêbada quanto você imaginava.
— Mesmo assim…não me arrependo do que fiz.
— Você está certa, amiga. E o que pretende fazer agora? Vai procurá-la?
— Eu não sei… — Emma falou. Sua resposta foi lenta e apreensiva.
[…]
Regina acordou com a sensação de ter carregado o mundo sobre a sua cabeça. As lembranças da noite anterior só faziam as têmporas latejarem, ao mesmo tempo em que provocava uma onda de calor no meio de suas pernas. A imagem de Emma sobre ela, beijando-a e acariciando-a, vieram à tona fazendo seu corpo estremecer. Nem a pior das ressacas poderia impedir sua mente de voltar àqueles momentos, tampouco impediria seu corpo de querer mais. Seus pensamentos foram interrompidos quando a porta se abriu e Ruby entrou, trazendo consigo uma bandeja com um copo d’água e alguns comprimidos.
— Bom dia! Trouxe um presentinho pra você — disse Ruby, entregando-lhe os comprimidos junto com a água.
— Obrigada — disse Regina. — Que horas são?
— Dez da manhã, mas não se preocupe. Eu avisei a dona Cora que você estava aqui.
— Preciso de um café extremamente forte — ela murmurou.
— É melhor você ir tomar um banho enquanto eu preparo o café.
Em passos lentos, Regina caminhou até o banheiro. O perfume de Emma entranhado em suas roupas lhe arrancaram um longo suspiro, e a fim de tirá-la da cabeça pelo menos por um instante, ela se jogou em baixo do chuveiro, desejando com todas as suas forças que a água fria aliviasse o calor crescente entre suas coxas.
— Ela parou. Simples assim — dizia Regina, enquanto bebericava o café. — Me arrastou para a cama, arrancou minhas roupas, me deixou louca e então parou.
— Mas ela não disse nada? Apenas parou e só?
— Disse que não poderia continuar porque eu estava bêbada, num lugar desconhecido e blá, blá, blá!
— Oh, céus! Que romântico! — exclamou Ruby.
— Poupe-me, Ruby!
— Qual é, Regina? Ela te respeitou, caramba! Isso só prova que ela está indiscutivelmente apaixonada por você.
— Isso não tem nada a ver!
— É claro que tem! Se ela quisesse apenas te levar para cama, não teria se importado com nada disso.
— Tá, eu sei! Mas acontece que…merda. Tudo isso é sua culpa!
— Minha culpa?
— Sim, sua culpa! Se não tivesse inventado aquela história, ela não teria aparecido e nada disso teria acontecido!
— Não seja boba. Graças a mim você tem cem por cento de certeza que ela te ama!
— O que eu faço agora? — Regina perguntou, suspirando pesadamente.
— Procure-a e comecem de onde pararam.
— Tudo parece tão simples pra você. A propósito, porque não usa um pouco dessa simplicidade para resolver sua situação com aquela vadia?
— Em primeiro lugar, ela não é vadia. E em segundo lugar, não tenho coragem de me declarar pra ela.
— Mas eu devo ter coragem de me declarar pra Emma, não é?
— Emma te ama, porra. É diferente!
— Desculpa…está brava?
— Não…só acho que você está perdendo tempo, e se eu estivesse no seu lugar, procuraria Emma e falaria dos meus sentimentos antes que alguém tome a vez! E fique sabendo que se não faço isso com Zelena, é porque sei perfeitamente que ela não sente nada por mim.
— Eu me revolto quando te vejo sofrendo por aquela filha da puta.
— Eu estou bem, relaxa… — ela disse, e em resposta, Regina a envolveu num abraço apertado.
Depois de esvaziar a xícara de café e se envenenar com mais dois comprimidos na tentativa de pelo menos aliviar sua dor de cabeça, Regina pegou o elevador ao lado de Ruby. Caminhando para fora do prédio, ela procurava pelo táxi que já deveria estar lá fora esperando, todavia, no lugar do taxista, seus olhos se depararam com Emma encostada no próprio carro, de braços cruzados e a mesma expressão grave que Regina tanto adorava e ao mesmo tempo detestava.
Enquanto se aproximavam, Emma manteve os olhos focados em Regina. Aquele olhar severo com pitadas de amor e luxúria possuía o poder de desarmá-la e afundá-la num mar de desejo e necessidade.
— O que está fazendo aqui? — Regina perguntou, tentando disfarçar o quanto a presença dela lhe afetava.
— Precisamos conversar — ela disse, e em seguida, dirigiu seu olhar à Ruby. — Olá, Ruby.
— Oi, Emma… — ela devolveu o cumprimento. — Ah, meu táxi chegou…preciso ir buscar meu carro que ficou no prédio de Anita. Porque não entram e conversam tranquilamente em meu apartamento?
— Se não for incômodo… — disse Emma, antes que Regina se atrevesse a recusar.
— De forma alguma! Aqui estão as chaves, Gina. Nos vemos mais tarde — dito isso, Ruby entrou no veículo e desapareceu pelas ruas de Boston.
Quando Ruby se foi, o silêncio reinou entre as duas. Emma sentiu as pupilas dilatarem quando Regina passou a língua pelos lábios, e sem dizer uma palavra, caminhou majestosamente em direção ao portão de entrada do prédio. Inevitavelmente, seus olhos se abaixaram fixando-se na bunda bem desenhada naquele vestido colado, e enquanto a seguia, não resistiu a tentação de continuar olhando para aquele ponto específico do corpo dela.
Assim que entraram no apartamento e Regina fechou a porta, Emma se virou e a encarou como se tentasse ler sua mente, fazendo com que ela se sentisse nua sob aquele olhar. Como uma adolescente rebelde, Regina cruzou os braços e esperou que ela falasse.
— Você está apaixonada por mim, Regina? Porque eu estou apaixonada por você — Emma falou, de supetão.
— Outra vez com essa história?
— Sim, outra vez com essa história! Agora responda a minha pergunta.
— Sim! Sim! — ela exclamou, num misto de raiva e impaciência. — Eu estou apaixonada por você, Emma! Eu quero transar com você, quero isso desde o dia em que te vi e quis mais ainda quando você me deu aquele maldito beijo! Você não sai da minha cabeça e até me masturbo quando penso em você! Satisfeita agora?
O rosto de Emma se enrugou num misto de choque, raiva e tesão diante daquela confissão. Ela deu um passo adiante, passando o braço em volta da cintura de Regina, colando-a ao seu quadril enquanto a encarava com seus olhos verdes pensativos e a expressão dura como uma rocha. Com o peito arfando, o coração disparado e a calcinha úmida de desejo, Regina desviou o olhar.
— Não, Regina… Eu não estou satisfeita — ela murmurou. — Só ficarei satisfeita quando você parar de fugir de mim.
— Me solta, Emma… — balbuciou Regina.
— Por que me despreza? — Emma indagou, roçando a ponta do nariz sobre o rosto dela.
— Não fui eu quem parou tudo àquela noite! — Regina rosnou, e ao fazer menção de tentar se afastar, Emma a apertou mais forte contra seu corpo.
— Eu poderia ter comido você a noite inteira…mas parei porque não quero desse jeito — ela sussurrou, aspirando o perfume dos cabelos curtos e negros.
— E de que jeito você quer, Emma?
— Quero nós duas juntas! Juntas todos os dias e não apenas uma noite numa cama qualquer… — disse ela. Dessa vez, eram os seus lábios que roçavam sobre o rosto de Regina. — Eu te amo…pare de lutar contra mim. Pare de lutar contra os seus sentimentos… — acrescentou, roçando seus dedos pelo rosto dela.
Regina se encantou com a expressão nos olhos de Emma: era a mesma de quando se beijaram a primeira vez. Um incêndio voluntário começou dentro dela e no mesmo instante, ela uniu sua boca a boca de Emma. Em algum momento, Regina se inclinou puxando-a pelo colarinho da camisa sem permitir que o beijo entre elas fosse interrompido. No meio do caminho, a camisa de Emma foi arrancada e aos tropeços, elas finalmente chegaram ao quarto de hospedes.
— Regina… — Emma murmurou, sentindo as mãos dela desafivelarem seu cinto, impaciente. — Estamos no apartamento da sua amiga… — acrescentou, e embora houvesse hesitação em suas palavras, ela não deixou de puxar o zíper do vestido que Regina usava.
— Mais uma vez o lugar será um motivo para não transar comigo? — indagou a morena, atirando o cinto de Emma em um canto qualquer. — Acho que você não me quer tanto quanto diz querer… — acrescentou, e ao fazer menção de se afastar, Emma lhe segurou pela nuca.
— Eu te quero mais que tudo nesse mundo — rosnou ela.
Um ruído se fez ouvir quando a calcinha de Regina foi rasgada. Seu vestido já se encontrava junto aos seus pés e não demorou muito para que o sutiã recebesse o mesmo destino. Não era mais possível ignorar o desejo e o sentimento de que pertenciam uma à outra.
Recuando alguns centímetros, Emma contemplou o corpo nu de Regina. Era sem qualquer vestígio de dúvida, a visão mais perfeita que tivera de alguém em toda sua vida. Foi então que ela teve certeza que nada, naquele momento, a impediria de possuir aquela mulher.
Em silêncio, Emma mergulhou seus lábios nos dela e a conduziu lentamente até a cama, e antes do seu corpo cobrir o corpo de Regina, ela se desfez do que restava de suas roupas e a empurrou para a cama, deitando-se sobre ela.
Como uma fera sondando a sua presa, Emma circundou o corpo de Regina com beijos suaves, e em resposta às carícias, ela gemeu, sentindo um prazer abrasador percorrer cada terminação nervosa do seu corpo quando a língua de Emma deslizou sobre um dos seus mamilos enrijecidos. Segurando o queixo dela entre os dedos, Emma lhe beijou a boca com furor, sugando o que podia dos seus lábios e de sua língua, enquanto uma das mãos traçava um caminho até o centro do seu prazer.
— Ah… — Regina gemeu, ao sentir o leve roçar dos dedos de Emma em seu sexo. — Preciso sentir você dentro de mim… — acrescentou, arqueando o quadril quando os dedos dela lhe invadiram fundo.
— Estou completamente louca por você — disse Emma. — Se abra mais para mim… — ordenou ela, mordiscando-lhe o lóbulo da orelha para logo em seguida, arrastar a língua pelo pescoço acima.
As palavras de Emma fizeram um arrepio subir pela espinha de Regina e só lhe restou obedecer. Seu coração acelerava cada vez que a mulher sob o seu corpo cessava as carícias, e os olhos verdes ardentes estudavam o seu corpo nu, devorando cada centímetro. Suas unhas se arrastaram pelas costas de Emma, arranhando-lhe a carne quando os dedos dela foram mais fundo, e com a ajuda do impulso do próprio corpo, ela os empurrava cada vez mais.
— Emma… — Regina sussurrou, e seus olhos castanhos cruzaram com os olhos verdes dela. Os lábios entreabertos se roçavam e as respirações ofegantes das duas se misturavam enquanto as investidas se tornavam mais fortes e precisas.
— Sim…diga o meu nome enquanto sente prazer… — disse Emma, com um sorriso pretensioso que logo se transformou numa careta de dor quando as unhas dela cravaram em suas costas, ao mesmo tempo em que uma das coxas roçava insistentemente entre as suas.
— Eu vou gozar… — murmurou Regina, aumentando a pressão de sua coxa entre as pernas de Emma, enquanto um desejo ainda maior arrepiava todos os seus pelos, anunciando a chegada do orgasmo. E em questão de segundos, ela gozou. Agarrando-se a ela com todas as suas forças, Regina sentiu o corpo de Emma estremecer logo em seguida, e enterrar o rosto na curva do seu pescoço enquanto sua respiração descompassada queimava-lhe a pele.
Quando finalmente as duas recuperaram o fôlego, Emma levantou a cabeça e a fitou nos olhos, afastou os cabelos curtos dela do rosto e quase não acreditou que era Regina debaixo do seu corpo.
— Amo você, Regina… — ela disse, enquanto aqueles dedos delicados acariciavam seu rosto esculpido.
— Eu também te amo, Emma — ela disse, beijando-lhe a boca suavemente. — Não espero que você acredite, mas eu também te amo.
Encostando a testa na dela, Emma tomou seu queixo na mão e lhe acariciou os lábios com o polegar.
— Eu acredito…é claro que eu acredito.
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