— Posso entrar? Todo mundo está usando roupas ou tem alguém pelado? — indagou Ruby, na outra linha.

— Engraçadinha! — exclamou Regina. — É claro que você pode entrar — ela disse, e no mesmo instante, a porta de entrada se abriu.

— Onde está Emma?

— Foi embora tem alguns minutos.

— E então? Conversaram?

— Mais que isso…

— Se beijaram?

— E transamos.

— Mentira! — ela falou, largando as chaves do carro no chão. — Você está falando sério?

— Nunca falei tão sério em toda a minha vida.

— O que está esperando pra me falar tudo nos mínimos detalhes?

— Eu não vou detalhar as minhas intimidades pra você. Contente-se em saber que foi a melhor transa de toda a minha vida — disse ela, sentindo-se nas alturas, dando-se conta de que nem todo o dinheiro do mundo seria capaz de lhe proporcionar aquela felicidade.

— E você perdendo tempo, sua besta! Mas me fala…o que aconteceu depois?

— Como assim depois? — questionou Regina, claramente confusa.

— Ué…vocês transaram e depois ela se vestiu e foi embora? Só isso?

— É claro que não. Combinamos de nos encontrar amanhã…aqui, no seu apartamento.

— Só quero deixar claro que meu apartamento não vai se transformar num motel para vocês duas.

— Não seja chata. Será apenas por enquanto.

— Eu tô brincando! Você e Emma podem se encontrar aqui sempre que quiserem!

— Obrigada. Agora eu preciso ir…mamãe está uma fera porque desapareci desde ontem.

— Eu te dou uma carona até a mansão…

— Não precisa, Ruby. Eu pego um táxi.

— Eu quero ir…assim sua mãe não pegará tanto no seu pé com a minha presença lá.

— Tem razão. Vamos então.

Enquanto Ruby dirigia, Regina repassava em sua mente cada segundo que passara nos braços de Emma. Seu corpo estava relaxado, em completo êxtase. Mas seus pensamentos estavam longe disso, uma vez que ela estava ciente de que teria que enfrentar muita coisa caso sua família e a mídia descobrissem sobre sua orientação sexual, e isso a deixava apavorada. Ninguém precisa saber, ela pensou, suspirando pesadamente quando o carro de sua melhor amiga ultrapassou os limites impostos pelo enorme portão.

— Boa noite, mamãe — disse ela, assim que deu de cara com Cora descendo as escadas.

— Pensei que não fosse mais voltar para casa — Cora falou, cumprimentando-a com um beijo. — Ruby, você não está levando a minha filha para o mau caminho, está? — acrescentou, num tom brincalhão, aproximando-se para cumprimentá-la.

— Pelo contrário, senhora Mills. Eu ando tentando manter essa moça na linha! — disse Ruby, esboçando um largo sorriso que subitamente murchou quando Zelena apareceu acompanhada de Robin e outro desconhecido que na verdade, se tratava do mesmo homem com quem ela se encontrava aos beijos no apartamento de Anita.

— Nossa, prima! Não sabia que você levava tanto tempo para curar uma ressaca… — Zelena comentou, esboçando um sorriso malicioso. — Ah, esse aqui é Neal, meu namorado.

— Prazer, Neal — Regina o cumprimentou, e ao fazer menção de se afastar com Ruby, Robin a deteve.

— Não vai cumprimentar o seu namorado? — ele perguntou, segurando-lhe a mão com delicadeza.

— Claro, querido. Eu só ia acompanhar Ruby até o carro.

— Ruby ficará para jantar conosco — Henry falou, aproximando-se em passos largos. — Não é, Ruby? Como vai, querida?

— Vou bem, senhor Mills. Obrigada.

— Vamos…o jantar já será servido — Cora interrompeu a conversa, e a pedido de Henry, Ruby aceitou o convite para jantar.

Depois que todos se sentaram à mesa e o jantar foi servido, Henry acompanhado de Robin conduziu praticamente todos os assuntos abordados nas conversas, exceto no momento em que Zelena, sem qualquer razão aparente, resolveu se pronunciar.

— Olha só, Ruby…você é a única solteira entre nós — ela disse, exibindo seu belo e perverso sorriso. — Está na hora de largar essa vida de farras e encontrar um bom partido, não é tia? — acrescentou, direcionando seu olhar a Cora.

— Bom, o filho da minha amiga Margaret está solteiro e é um ótimo partido! — Cora falou, num tom divertido.

— O problema é que Ruby não gosta de homem, tia. Ela prefere as mulheres, não é Ruby? — disse Zelena, e subitamente o sorriso de Cora se desfez.

O silêncio misturado ao constrangimento pairou no ambiente por longos segundos, e só fora quebrado quando uma das empregadas apareceu pedindo autorização para servir a sobremesa. Ruby recusou o Tiramisù alegando que havia retirado os doces de seu cardápio. Além disso, não poderia se demorar tanto, uma vez que precisaria terminar um projeto para apresentá-lo no dia seguinte. Embora fosse filha única e tivesse herdado todos os bens dos seus falecidos pais, Ruby que se formara em arquitetura, continuava exercendo a profissão.

— Ruby, eu sinto muito que…

— Está tudo bem, Regina — ela a interrompeu. — Eu nunca escondi de ninguém a minha orientação sexual e até pensei que os seus pais sabiam, visto que somos amigas há tanto tempo. Mas pelo olhar perplexo que direcionaram a mim, percebi que você conseguiu esconder isso deles também — disse ela, abrindo a porta do carro.

— Eu não escondi nada deles. Eu só não falei sobre isso porque não…

— Porque tem vergonha do que eu sou e do que você é também!

— É claro que não! Você é minha melhor amiga!

— Tá, desculpa! Eu preciso ir…nos falamos amanhã — dito isso, ela acelerou e deixou a mansão.

Prostrada e confusa, Regina permaneceu algum tempo parada, perdida em pensamento, até que Zelena apareceu ao lado do suposto namorado informando que passaria a noite com ele, ainda que para Regina isso pouco importasse. Ao retornar para dentro de casa, Robin a esperava em companhia de Cora e Henry.

— Vamos deixá-los a sós — disse o senador, despedindo-se de ambos e se retirando ao lado da esposa.

…

— Passei quase duas semanas me recuperando, esperando uma visita sua ou até mesmo uma ligação e não veio nada… — ele falou calmamente, enquanto saboreava um café.

— Eu estive muito ocupada, Robin — ela disse.

— Que engraçado! Não tem tempo para mim mas tem tempo para sua amiguinha…como posso dizer…

— Você não vai dizer nada porque se você se atrever a ofender Ruby, juro que nunca mais te dirijo a palavra!

— Calma! Eu jamais a ofenderia, meu amor.

— Olha, Robin…eu estou exausta. Então amanhã eu te ligo, está bem?

— Tudo bem. Eu vou esperar sua ligação — ele falou, e ao fazer menção de beijá-la na boca, Regina virou o rosto.

— Boa noite, Robin — dito isso, ela caminhou em direção às escadas sem esperar uma resposta.

[…]

— Bom dia, mamãe. Bom dia, papai — disse Regina, sentando-se à mesa onde o café da manhã já estava sendo servido.

— Bom dia, querida — os dois responderam ao mesmo tempo.

Por alguns instantes, apenas os ruídos dos talheres preencheram o ambiente. Henry parecia agitado, mas se manteve em silêncio. Cora, no entanto, não esperou muito tempo para questionar o que estava atravessado em sua garganta desde a noite anterior.

— Porque nunca nos falou sobre esse…“desvio sexual” da sua amiga? — ela perguntou, e embora já esperasse por isso, Regina não conseguiu evitar a sensação incômoda mediante aquele questionamento.

— A vida privada de Ruby só diz respeito a ela, mamãe.

— Não é bem assim, filha — disse ela. — Esse tipo de…comportamento não é bem-visto pelos olhos da sociedade, e se eu fosse você, me afastaria um pouco dessa moça.

— O que? Ruby é minha amiga desde que ingressamos na universidade e eu não vou me afastar dela por causa disso!

— Sua mãe tem razão, Regina — Henry interveio. — Você passa muito tempo com ela e as pessoas começarão a falar e pensar que você é igual.

— Não me importo com o que as pessoas falam e pensam!

— Mas eu sim! — ele exclamou. — Não vou admitir que o sobrenome da minha filha corra solto na boca do povo por causa de uma desavergonhada!

— Desavergonhada? — indagou Regina. O choque estava estampado em seu rosto.

— É isso o que ela é! E se eu tivesse tomado conhecimento antes, nunca teria permitido essa aproximação entre vocês duas!

— Já chega, papai — ela disse, levantando-se em seguida. — Não vou ficar aqui escutando isso… — acrescentou, caminhando rapidamente em direção à porta.

— Regina, volte aqui! Regina!

— Henry, por favor… — disse Cora, impedindo-o de segui-la.

[…]

— Você não está pronta ainda? Ao meio dia vou me encontrar com Regina e se quiser sua aula de surf, é melhor se apressar — dizia Emma, parada diante do portal da porta.

— Ainda não acredito que está rolando algo entre vocês… — Mérida falou.

— E por quê?

— Porque ela tem namorado. E disse que não estava interessada em você. E graças a ela você perdeu seu emprego, e…

— Tá, Mérida. Eu já entendi — ela a interrompeu. — E eu já te expliquei que ela estava confusa e que não quis admitir seus sentimentos por mim, mas agora as coisas mudaram.

— Vocês estão namorando então?

— Estamos nos conhecendo…

— Olha, amiga…eu fico feliz por você e desejo de todo o meu coração que vocês duas sejam felizes.

— Obrigada.

Enquanto Emma dirigia rumo à praia para mais uma aula de surf ao lado de sua melhor amiga, Regina estacionava em frente ao prédio onde Ruby residia. Sua mente disparava pensamentos conflitantes em todas as direções, e as palavras carregadas de desprezo do seu próprio pai continuavam martelando em sua cabeça. Enquanto a mente tentava absorver aquela reação deles, a porta do apartamento de Ruby se abriu retirando-a temporariamente da confusão criada pela atitude de Cora e Henry.

— Oi… — ela disse, cumprimentando a amiga com um beijo. — Ainda está brava comigo?

— Oi… — ela respondeu, retribuindo o beijo. — Em momento algum estive brava com você.

— Ontem você parecia brava.

— Talvez eu estivesse brava sim, mas não com você — ela falou, fechando a porta em seguida. — Não entendi porque Zelena falou daquela forma na frente de todo mundo. Como eu já disse, nunca escondi de ninguém minha orientação sexual, mas a forma como ela falou, não sei…

— Ela falou daquela forma para me atingir.

— Te atingir? Por quê?

— De alguma forma ela sabe ou suspeita de mim e fez aquele comentário com a intenção de provocar desconfiança em meus pais.

— Desconfiança? Por um acaso os seus pais estão pensando que eu e você…

— Não, Ruby. Quer dizer, acho que não e quer saber, não quero mais falar sobre isso.

— Está bem…que horas Emma vem te encontrar?

— Ao meio dia. Marquei uma hora na imobiliária amanhã. Você me acompanha?

— Claro que sim — ela disse, olhando seu relógio de pulso. — Vou para o meu quarto…trate de não fazer tanto barulho — acrescentou, esboçando um sorriso malicioso enquanto se afastava.

Alguns minutos depois, o som da campainha invadiu o imóvel e ao abrir a porta, Regina sorriu ao dar de cara com Emma. Os olhos verdes, indiscutivelmente apaixonados, fixaram-se nos castanhos à sua frente, encarando-os com atenção. E naquele olhar, Regina contemplou a mesma expressão que ela lhe oferecera na noite passada: posse, interesse, fome, paixão. Com o coração martelando loucamente, e com o impulso da adrenalina no sangue, Regina se atirou em seus braços e lhe beijou a boca com doçura e sofreguidão. Embora não fosse a primeira vez que seu corpo era tocado por Emma, Regina não conseguia evitar se sentir trêmula por dentro, desesperada com a sobrecarga de sensações que as carícias dela lhe causavam.

— Para o quarto, Emma…para o quarto… — ela sussurrou, mantendo os lábios colados nos dela.

— E Ruby? — Emma murmurou, enquanto sua boca buscava o pescoço dela.

— Esquece Ruby…ela não está — murmurou Regina, tombando a cabeça para trás a fim de sentir o calor dos lábios de Emma naquela parte sensível de seu corpo. Seus olhos se fecharam e os sentidos se intensificaram quando as mãos de Emma deslizaram pelas suas costas e lhe alcançaram a bunda.

— Estava louca de saudades… — Emma sussurrou, e antes que Regina pudesse responder, sua boca foi preenchida pela língua dela.

A poucos centímetros da cama, Regina encerrou o beijo e em silêncio, ela passou a desabotoar a camisa que Emma usava.

— Quero tocar e provar cada pedacinho do seu corpo… — disse Regina, atirando a camisa sobre o chão para logo em seguida, arrastar suas unhas pelo abdômen dela. — Quero beijar seu corpo inteiro… — acrescentou, tocando-lhe os ombros com os lábios, o pescoço, o colo, e em seguida os seios ainda cobertos pelo sutiã.

Sua boca continuou seu caminho, passeando pelas curvas definidas, e de joelhos, ela se demorou no ventre enquanto as mãos ansiosas desafivelavam o cinto.

— Regina… — Emma murmurou, reunindo gentilmente os cabelos curtos em sua mão, e então torceu os fios e os fechou no punho, trazendo-a de volta para se encontrarem face a face mais uma vez. — Tire o vestido — ela ordenou, e recuando dois passos, Regina obedeceu.

Lenta e provocante, Regina se colocou de costas. Sua cabeça virou pra o lado e sorrindo de forma maliciosa, ela arqueou as sobrancelhas e sutilmente, indicou o zíper do vestido em suas costas.

Envolvendo-lhe a cintura por trás, Emma lhe afastou os cabelos e beijou-lhe a nuca enquanto seus dedos puxavam o zíper. Sem qualquer esforço, a peça escorregou pelo corpo esguio e Emma não conteve o impulso de colar o seu corpo ao dela.

— Hum… — Regina gemeu ao sentir o contato, e sem qualquer pudor, ela passou a movimentar os quadris sensualmente, roçando sua bunda contra as coxas de Emma.

— Senhorita Mills… — Emma balbuciou, sentindo aquela sensação urgente e fogosa aumentar em seu peito. — Você me faz perder o controle quando me provoca… — ela disse, rasgando-lhe a calcinha com selvageria.

— Oh, Emma! — exclamou Regina, excitada com o tom de voz ao pé do seu ouvido, e enlouquecida pela forma bruta com que sua ex segurança se desfez da peça íntima.

Segurando-a pela cintura, Emma lhe girou o corpo e seus olhos percorreram cada centímetro da figura despida à sua frente por longos minutos. Os lábios sensuais de Regina se abriram levemente, e sem hesitar, Emma deslizou a ponta do dedo entre eles, sentindo o calor de sua boca e a umidade de sua língua.

— Não me canso de dizer…você me enlouquece… — Emma murmurou, retirando seu dedo da boca dela para logo em seguida, acomodá-lo em sua própria boca. Depois de sorver a saliva de Regina presente no seu dedo, Emma lhe segurou os cabelos puxando-lhe o rosto de encontro ao seu. O beijo que deveria ter começado lento, começou como um incêndio florestal.

Depois de deitá-la confortavelmente sobre a cama, Emma se afastou e só então começou a se desfazer de suas próprias roupas. De joelhos, Emma lhe acariciou as pernas pressionando os lábios contra sua pele enquanto a língua deixava marcas molhadas pela trilha que fazia desde o tornozelo, até a parte interna das coxas. Arfando de desejo, Regina tentou abafar os gemidos mordendo o lábio inferior cada vez que as mãos de Emma apertavam suas coxas, tornando as carícias ardentes e dolorosas. Abrindo-lhe as pernas, Emma se acomodou entre elas inclinando-se até que sua boca pudesse alcançar-lhe os seios, o pescoço e depois os seios de novo. Seus dedos se arrastaram pela panturrilha e subiram pela coxa, em seguida, deslizou para dentro dela, movendo-se para dentro e para fora, e em resposta, Regina levantou o quadril para ajudá-la.

Os lábios de Emma tocaram-lhe os seios e roçaram-lhe a barriga antes de acariciá-la intimamente com a língua.

— Emma… — murmurou Regina, arqueando as costas enquanto os lábios em parceria com a língua, passaram a lambê-la e chupá-la com volúpia, até fazê-la sentir a tensão familiar de um orgasmo crescendo dentro de si.

Ensandecida, ela moveu o quadril enquanto os dedos de Emma lhe penetravam com força, e sua língua seguia deslizando sobre a carne molhada com mais pressão. Quase sem fôlego, Regina lhe agarrou os cabelos mantendo-a entre suas pernas à medida em que sentia as ondas calorosas se aproximar. Ela soltou um grito quando as mãos de Emma seguraram firmemente seus quadris para lhe manter parada enquanto seu corpo convulsionava, e a boca faminta dela lhe devorava inteira.

— Emma…por favor… — ela suplicou quase desfalecida. Cada parte do seu corpo latejava, e seu peito arfava em busca de ar. No entanto, antes mesmo de recuperar o fôlego, a língua de Emma penetrou sua boca dando início a mais um beijo devastador.

— Eu te amo, Regina… — disse Emma, tão logo o ar se fez necessário. — Eu te amo…te amo como uma louca… — acrescentou, distribuindo beijos por todo o seu rosto.

— Eu também te amo, Emma… — ela respondeu, ainda ofegante. — Eu também te amo…nunca duvide disso. Nunca.