A Filha do Senador
23 Capítulo 23
Notas iniciais
O coração de Emma ficou apertado diante da ideia de que Regina em tão pouco tempo, aceitara se casar com Robin. Confusão, mágoa, dor, e um medo horrível de perdê-la navegavam em meio à tempestade que se formava em sua cabeça.
— Seis meses foram o suficiente para ela me esquecer… — Emma murmurou.
— Não é bem assim, Emma — Ruby interveio.
— Dá um tempo, porra! Ela vai se casar amanhã e com aquele filho da puta!
— Dá um tempo você, cacete! — exclamou Ruby. — Você não faz ideia do quanto a Regina sofreu! Você não imagina quantas vezes ela chorou diante da porra do seu túmulo!
— Dá pra vocês duas se acalmarem? — pediu Mérida, suspirando em seguida. — O pai de Regina está à beira da morte, Emma. E ela só vai se casar com Robin pra atender o último desejo dele — ela explicou.
— Tenho certeza que essa doença é mais uma armação desse filho da mãe! Mas eu não vou permitir que Regina se case… — disse ela, fechando os punhos com força. — Por favor, Ruby…ligue pra ela. Peça para ela vir aqui.
— Está bem, eu vou ligar…
Ainda tentando se orientar, Emma encarou o chão por alguns segundos enquanto Ruby tentava entrar em contato com Regina. Com a respiração presa na garganta, Emma rezava para que ela atendesse, mas sua prece não fora atendida.
— O celular dela está desligado. Vou ligar para a casa dos pais dela…com certeza ela deve estar lá.
Ofegante, Emma engoliu em seco e continuou olhando pra Ruby. Um breve diálogo e a ligação fora encerrada.
— Regina não está em casa — disse ela.
— Eu vou procurá-la!
— Você está louca? Você não pode aparecer assim do nada! — Mérida falou.
— É verdade, Emma. Se o senador souber que você está viva, certamente tentará algo contra você.
Assim que o nevoeiro da euforia e do choque deu uma trégua, Emma suspirou e sentou-se em uma das cadeiras. Com os cotovelos apoiados nas coxas, ela tapou o rosto com as mãos enquanto o desespero tentava se apoderar de sua razão. O peso daquela situação lhe dava a sensação de que seus nervos se desfiavam como uma corda, uma fibra de cada vez. Essa noite, ela precisava se concentrar e buscar uma forma de impedir aquele casamento.
[…]
Olhando para o relógio, uma série frenética de emoções invadiram os pensamentos de Emma, pois ela sabia que em breve estaria frente a frente com Regina. A peruca com seus fios castanhos cobriam os reais cabelos loiros, e o verde dos seus olhos tentava se esconder por trás das lentes dos óculos de armação espessa e escura. Naquele momento, ela era apenas um membro da equipe que serviria champanhe para a corja de hipócritas convidados pelo senador.
— Onde está Regina? — Emma perguntou discretamente, enquanto fingia arrumar as taças numa bandeja.
— Está terminando de se arrumar, mas Cora está com ela — disse Ruby.
— Tire Cora de lá. Eu preciso falar com ela antes que ela desça e diga sim àquele filho da puta.
— Está bem, eu vou tirar Cora de lá, mas por favor…seja rápida e discreta — dito isso, Ruby se afastou.
Depois de inventar uma pequena mentira sobre o bolo do casamento, Ruby esperou que Cora desaparecesse e em seguida, sob o olhar confuso de Regina, ela pediu para que a equipe que finalizava os últimos detalhes da maquiagem da noiva se retirassem.
— O que está acontecendo, Ruby? — indagou Regina, e sem dizer uma só palavra, Ruby abriu a porta e se retirou.
Um segundo depois, o quarto foi invadido por outra pessoa que a princípio, Regina não conseguiu identificar.
— Quem é você e o que está fazendo no meu quart…
Sem conseguir continuar a frase, Regina sentiu o mundo parar quando em silêncio, Emma retirou a peruca e os óculos. Era ela: inabalável e implacável. A respiração falhou enquanto um maremoto esmagador de emoções tomava conta dela e a correnteza a arrastava, golpeando e rugindo com uma força suprema. Seus olhos a percorreram por inteira.
— Não pode ser… — Regina murmurou, enquanto um nó se formava em sua garganta e as lágrimas começavam a inundar os seus olhos.
— Regina…
— Isso não pode ser um outro sonho, meu Deus…
— Não é um sonho, amor. Sou eu, Emma — disse ela, sentindo as pupilas dilatarem e as lágrimas chegando com força.
Regina tinha a sensação de que aqueles poços profundos do verde mais sedutor que já vira nos olhos de alguém, lhe perfuravam a alma. Em choque, ela sentiu o coração parando antes de começar a martelar outra vez e sem que pudesse evitar, acabou desabando em um pranto compulsivo.
O choro e a vulnerabilidade que sondava Regina, dilacerou o peito de Emma. Arrasada, ela deu um passo adiante e a envolveu em seus braços, mas o contato rapidamente foi rompido quando num ataque de fúria, Regina a empurrou para longe de si.
— Você não está morta…eu sofri e chorei todo esse tempo e você estava viva…como conseguiu ser tão perversa?
— Sofreu e chorou…mas pelo visto já me esqueceu, não foi? — o sussurro áspero saiu com a mais clássica dominância.
— Não se atreva a falar do que você não sabe, Emma!
— Então não me julgue sem saber o que aconteceu, Regina! — disse ela, num tom de voz exaltado.
Aproximando-se um pouco mais, Emma a fitou como se tentasse ler sua mente. Era possível notar que o rosto dela estava enrugado num misto de choque, raiva, dor, mágoa.
Furiosa consigo mesma, Emma a agarrou pela cintura e a encarou com seus olhos verdes entristecidos, e a expressão dura como granito.
— Foi tudo uma armação — disse ela, com os lábios a poucos centímetros dos lábios de Regina. — Não havia transferência nenhuma, era uma armadilha para nos separar…
— O que está dizendo? — indagou Regina. O peito arfando e o coração acelerado.
— Me algemaram e me trancaram na mala da viatura. Depois empurraram o carro num barranco e eu só não morri porque alguém me encontrou e cuidou dos meus ferimentos — ela explicou, e os olhos castanhos de Regina incendiaram os dela. — Se não te procurei antes, foi porque estava impossibilitada de fazê-lo.
Aquela revelação quase deixou Regina sem fôlego. À beira das lágrimas, ela fez menção de dizer alguma coisa, mas a porta se abriu e Ruby apareceu.
— Por favor, se apressem…seu pai já estava procurando por você, Regina…e bom, Robin já está aí.
— Fique na porta e não deixe ninguém entrar, Ruby — disse Emma, mantendo os braços possessivamente em volta da cintura de Regina.
Depois que Ruby assentiu e se retirou, Emma voltou a olhar para Regina. O coração extremamente acelerado, e a revolta luzindo com ousadia em seus olhos.
— Um telefonema…você poderia ter me poupado de tanto sofrimento com apenas um telefonema…
— Eu não podia, Regina, eu não podia, amor… — disse ela, fechando os olhos com força por alguns segundos. — Eu vou te explicar tudo, vou responder todas as suas dúvidas com a verdade, mas por favor, venha embora comigo, agora…não faça isso, não se case com ele — suplicou Emma, os lábios roçando sobre os dela. — Cada dia longe de você despedaçou a minha alma, mas eu não perdi a esperança porque eu te amo e você também me ama. Nós nos amamos, Regina…não case com ele.
O corpo de Regina tremia e por um momento ela se perguntou se aquilo realmente era real. Ainda em choque, ela sentiu o coração palpitar e um lampejo de esperança crescendo bem no fundo da sua essência. Um lampejo daquilo que tornava Emma e ela uma só pessoa, daquilo que as solidificava como duas almas complementares destinadas uma à outra, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu e Ruby entrou rapidamente.
— Sua mãe está vindo te buscar, Regina… — disse ela, claramente preocupada.
Tentando se acalmar, Regina se afastou, respirou fundo e saiu com Ruby. Chocada com o silêncio dela, a confusão e a raiva nublaram os olhos de Emma. Atordoada, ela colocou novamente a peruca e os óculos, esperou alguns segundos e depois deixou aquele quarto sem saber exatamente o que fazer.
— Emma, você precisa ir embora — disse Mérida, puxando-a discretamente pelo braço.
— Não vou embora daqui sem Regina — disse ela, desvencilhando-se.
— Ela já sabe que você está viva! Por favor, não arrisque sua liberdade ou sua segurança. Se ela te ama, não casará com ele. Agora por favor, vai embora antes que alguém te descubra.
— Já disse que não vou a lugar nenhum!
— Emma, você tem que ir! — dessa vez foi Ruby quem interveio. — Não sei o que aconteceu mas os seguranças da mansão receberam ordens pra revistar todos os empregados. Eu te acompanho até a saída dos fundos e você irá para o meu apartamento, certo?
Deixando escapar um suspiro pesado, Emma se virou devagar, enfiou as mãos nos bolsos da calça e ao lado de Ruby caminhou apressadamente em direção à porta dos fundos. Engolindo a necessidade de atravessar o jardim e acabar de uma vez por todas com a cerimônia, ela entrou no carro de Ruby e desapareceu pelas ruas Boston.
…
No momento em que os pés de Regina tocaram a grama que revestia todo o espaço que compunha o jardim, uma salva de palmas substituiu a melodia que a orquestra tocava. Com uma expressão desconfiada e nervosa, Regina correu os olhos pela multidão de convidados e parou por alguns segundos em Robin, esperando-a sorridente no pequeno altar. Com a respiração trêmula e o coração trovejando dentro do peito, ela desviou o olhar e quase sufocou ao se dar conta de que seu pai se aproximava. Sentindo-se quase tonta, ela engoliu em seco quando Henry lhe ofereceu o braço. Regina não soube dizer por quanto tempo ficou daquele jeito, encarando seu pai enquanto tentava evitar que as lágrimas que faziam seus olhos arderem transbordassem.
— Filha? Está tudo bem? — Henry perguntou, claramente preocupado.
— Eu sinto muito, papai…eu sinto muito — disse ela, e em meio aos aplausos vibrantes e unânimes, Regina se virou e correu para o lado oposto, rumo ao que esperava ser um novo começo com o amor de sua vida.
[…]
Os olhos de Emma pousaram sobre o relógio de parede e constataram que quase uma hora havia se passado e ela não tivera qualquer sinal por parte de Regina. Uma tristeza implacável a golpeou ao imaginar que a mulher que tanto amava não mais pertencia a ela, pertencia a outro. Olhou outra vez para o relógio antes de cobrir o próprio rosto com as mãos. As lágrimas amparadas pelas palmas pareciam ácido, queimando-lhe a pele. A ideia de voltar para a mansão, sequestrá-la e torná-la prisioneira em seus braços, em sua cama, se tornava mais atraente a cada segundo. Mas ela sabia que não podia fazer isso. Não podia fazer mais nada além de fechar os olhos e pensar nela. A incapacidade de fazer alguma coisa a consumia. Foi então que o barulho da porta se abrindo expulsou os seus demônios, e ao levantar a cabeça, seus olhos verdes cruzaram com os olhos castanhos de Regina.
Emma tentou engolir, mas a garganta estava seca e apertada demais. Levantando-se lentamente, ela respirou, trêmula, esperando-a se aproximar. O coração pareceu tropeçar, parou e começou a bater outra vez no momento em que Regina ficou a centímetros dela. Seu perfume doce, estonteante, a envolveu.
— Por incontáveis noites eu me vi acordada, olhando para o teto enquanto as lágrimas molhavam os travesseiros — disse Regina, a voz suave. — A cada cinco minutos eu me perguntava por quanto tempo teria que suportar a dor de não ter você ao meu lado — acrescentou, tocando-lhe o rosto gentilmente. — Eu queria te odiar e te fazer pagar cada mísero segundo que sofri pela sua ausência.
Em silêncio, Emma a enlaçou, puxando-a com força contra o seu peito. O calor abrasador do corpo dela fez as emoções de Regina transbordarem.
— O que está pensando? Que eu não sofri longe de você? Eu sofri tanto quanto você e sei perfeitamente que esse sofrimento está longe de acabar porque querem te roubar de mim…mas eu não vou permitir porque você é minha. No momento em que se entregou a mim, você selou seu destino, e o seu destino é ficar comigo até o seu último respiro — disse Emma, os lábios pairando sobre os dela.
Antes que Regina pudesse contestar, os lábios de Emma roubaram os seus, num beijo desesperado e faminto.
— Eu te amo — Emma sussurrou de encontro aos lábios dela. — E foi esse amor que me manteve viva porque você é a razão da minha existência.
Regina não conseguia pensar, respirar ou se mexer enquanto as mãos de Emma arrancavam o vestido de noiva do seu corpo. Em segundos, seu corpo quente se encontrava quase nu, coberto por uma cinta liga e um corselete tomara que caia. Não demorou e o corselete foi aberto, liberando os seios do confinamento. A lingerie se juntou ao vestido jogado no chão, e agora, coberta apenas com a calcinha, ela quase sufocou com o beijo apaixonado que recebeu a caminho do quarto.
De pé ao lado da cama, Emma tomou um dos seios de Regina com sua boca enquanto uma das mãos se enfiou na calcinha dela, massageando o clitóris em círculos suaves e lentos. Tomada pelo desejo, Regina se agarrou aos cabelos dela com um certo desespero. Sua respiração rápida e arquejante ecoava pelo quarto quase vazio enquanto Emma a penetrava com os dedos até ela sentir que perderia o juízo. Em meio aos gemidos, o corpo dela quase se derreteu e o calor se intensificou em seu sexo em resposta a cada movimento que os dedos de Emma faziam.
De repente, Emma parou e a empurrou na cama, mas nem deixou que ela protestasse e com um movimento único e torturante, se ajoelhou à frente dela, puxou a calcinha, a cinta liga e as meias três-quartos até os tornozelos.
Encarando-a, Regina deslizou pela cama, tremendo de expectativa enquanto Emma engatinhava para se colocar entre suas pernas. Depois de estudar aqueles lábios macios e esculpidos, Emma a beijou, possuiu seus lábios saboreando-os com lambidas lentas e profundas.
— Diga que me ama, Regina — rosnou Emma, as palavras pronunciadas de encontro a sua boca enquanto a mão continuava mergulhando entre as coxas dela.
— Eu te amo, Emma…eu te amo mais do que a mim mesma — ela sussurrou, arfando ao mesmo tempo em que se abria mais para ela.
— Porra, como senti sua falta…
— Me beije, Emma…por favor, me beije…
O silêncio preencheu o quarto após as horas em que passaram fazendo amor. Aconchegada em seu peito, Regina acariciava-lhe o ombro com a ponta dos dedos, e embora o toque dela a levasse ao paraíso, os próprios pensamentos lhe atiravam ao inferno. Regina precisava saber que o próprio pai era o mentor daquela tentativa de assassinato, e Emma apenas rezava para que ela acreditasse.
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