Notas iniciais
Obrigada a Estela pela linda recomendação! Quero me desculpar pela demora. Infelizmente não tive tempo de finalizar o capítulo antes. Enfim, boa leitura.

— Alô…

— Regina, onde você está? — Cora perguntou, na outra linha.

— Eu estou bem, mamãe. Não se preocupe — disse ela, calmamente. — E papai? Ele está bem? — ela perguntou, receosa.

Regina sabia que tinha todo o direito de fazer o que havia feito, mas isso não aliviava o peso em seu peito. E esse peso em nada estava relacionado ao fato de ter deixado Robin plantado no altar, esperando-a. Seu medo se resumia à saúde do seu pai e nada além disso.

— Seu pai está bem…apesar de triste e abalado — disse Cora, suspirando em seguida. — Diga aonde está que mandarei o motorista buscá-la.

— Eu tenho um assunto para resolver, mamãe. Mais tarde conversaremos…diga a papai que sinto muito e que estou bem, não se preocupem — dito isso, ela encerrou a ligação.

Mediante o silêncio que pairou dentro do quarto, Emma pigarrou e passou os braços em volta da cintura de Regina. Puxando-a para mais perto, ela lhe tomou o rosto entre as mãos e após um beijo suave, a encarou.

— Eu tenho que lhe contar uma coisa — disse Emma.

— Só uma coisa? Eu tenho muitas perguntas, Emma. E a primeira delas é: porque não entrou em contato comigo? Compreendo que você estava ferida, em recuperação. Mas uma ligação poderia ter…

— Não, Regina! — ela a interrompeu. — Me escuta um momento, está bem? — acrescentou, e em seguida, explicou tudo o que havia acontecido, desde o momento em que se deu conta da emboscada, até o dia em que despertou sob os cuidados de Milah.

…

— Entende agora porque eu não podia entrar em contato com você? — indagou Emma, acariciando-lhe o rosto com o dorso da mão.

— Entendo, amor…mas e agora? Você não ficará escondida para sempre, não é?

— Claro que não…mas preciso de provas para poder agir — disse ela, recuando alguns passos. — Há algo que eu ainda não te disse, Regina.

— Então diga…não me assuste, Emma.

Emma umedeceu os lábios e respirou fundo enquanto o coração batia descompassado. O risco de Regina não acreditar sobre o envolvimento do senador era grande, mas ela precisava saber. Soltando um suspiro exausto, Emma se aproximou mantendo seu olhar fixado no dela.

— A ordem partiu do seu pai — disse ela.

— Como? O que você está dizendo? — indagou Regina. Seu estômago deu um nó e a respiração ficou curta.

— Foi o seu pai, o senador quem deu a ordem para que o delegado desaparecesse comigo.

— Não pode ser…meu pai não seria capaz de uma coisa dessas.

Por um instante, Emma sentiu o pânico tomar conta do seu corpo, mas conseguiu disfarçar com um sorriso irônico. Não era assim que queria começar as coisas com Regina, não mesmo. Esconder qualquer detalhe dela pesava em sua consciência, e embora tivesse quase certeza sobre qual seria a sua reação, Emma estava disposta a fazê-la enxergar a verdade.

— Porque você nunca acredita em mim?

— É o meu pai, Emma. Porque acha que foi ele quem…

— Eu não acho, eu tenho certeza! — ela a interrompeu. — Os policiais disseram com todas as letras que a ordem havia partido dele!

— E quem garante que estão dizendo a verdade?

Emma se afastou, incrédula, a expressão tensa. Ela respirou fundo e mencionou falar, mas hesitou. Já era o bastante que Regina a tivesse aceitado de volta, entregando-lhe o coração outra vez, mas algo dentro de Emma gritava que nunca conseguiria ter cem por cento da confiança dela.

— É um direito seu não acreditar em mim — Emma finalmente quebrou o silêncio entre elas.

— Eu acredito em você, Emma. Mas neles, eu não acredito.

— Eu vou provar que o senador está por trás disso…nem que seja a última coisa que eu faça!

Regina a fitou em silêncio por um instante, mas logo desviou o olhar, incapaz de testemunhar a fúria dela por muito tempo. Seus músculos enrijeceram imediatamente enquanto a adrenalina corria sem controle por suas veias. Com o corpo todo em alerta, ela tensionou o maxilar e deu um passo à frente.

— Meu pai está a beira da morte…

— É mentira! Essa doença é mais uma mentira daquele filho da puta! — rosnou Emma, num tom exaltado.

— Emma, por favor! Você está se deixando dominar pela raiva! Ele tem pouco tempo de vida e se arrependeu de ter se mostrado contra o nosso relacionamento.

— Meu Deus, sua ingenuidade me comove!

— Ele é meu pai, caramba! O que você quer que eu faça?

— Nada. Quem vai fazer sou eu…ele passará os últimos dias na cadeia.

Querendo arrancar aquela raiva de dentro dela, Regina lhe tomou o rosto entre as mãos enquanto sua testa se apoiava na dela. Essa não era a primeira vez que ela presenciava a cólera refletida nos olhos verdes da mulher que amava. Lembrava claramente o dia em que Emma quase afundara o crânio de Robin com socos violentos, e naquele momento, ela não pôde evitar de temer pela integridade física do seu pai.

— Meu amor, esqueça tudo o que aconteceu. Você está viva e é isso que importa… — murmurou Regina, e ao fazer menção de beijá-la, Emma virou o rosto.

Pálida, Emma se afastou devagar. Lâminas de ira dilaceravam seu peito e com uma expressão feroz, seu olhar percorreu a figura de Regina por inteira.

— Não me peça para não consertar essa situação — disse ela, os olhos cheios de veneno. — Não me peça para abaixar a cabeça e aplaudir a canalhice que fizeram comigo.

— Não é isso que eu estou pedindo, Emma…

— É sim! — ela gritou, e então puxou o ar com força, lutando contra a fúria que tentava dominá-la.

— Seja lá o que você está pensando em fazer, eu não vou ficar contra o meu pai no estado em que ele se encontra nesse momento.

— Não pedi para que fique contra ele.

— Muito bem…Eu tenho que ir agora… — disse ela, enquanto terminava de vestir uma roupa de Ruby.

Em silêncio, Emma apenas assentiu e sem dizer mais nada, Regina se retirou. Depois de fechar a porta, ela respirou fundo, tentando diminuir a tensão do corpo e se livrar do turbilhão de emoções que invadira sua cabeça depois daquela conversa. Hesitando por alguns segundos antes de se virar em direção à porta, Emma recuou quando Ruby adentrou o imóvel ao lado de Mérida.

— Tudo bem, Emma? — Mérida perguntou, ao notar a tensão nas feições dela.

— Não…mas ficará — disse ela, deixando escapar um longo suspiro.

— O que aconteceu? Você contou a Regina sobre o pai dela? — indagou Ruby.

— Sim…e ela me pediu pra esquecer tudo o que aconteceu porque o seu querido pai está à beira da morte. Mas a parte melhor de tudo isso é que ela não acredita que o senador foi capaz disso — ela falou, mostrando um sorriso afetado.

— No final das contas, ele é o pai dela, Emma — disse Ruby.

— É, eu sei. Mas eu não vou desistir até vê-lo na cadeia — Emma disse. — Preciso do seu carro emprestado, Ruby.

— Claro…aqui estão as chaves.

— Para onde você vai, Emma? — questionou Mérida.

— Vou procurar uma forma de mostrar quem realmente é o senador do estado.

[…]

Tentando ignorar o escândalo provocado pela fuga de Regina no dia do casamento, Henry Mills dispensou o jornal daquela manhã e trancado no escritório de sua mansão, ele procurava encontrar uma explicação plausível para tal comportamento. De supetão, ele se levantou ao ouvir a voz de sua filha, e em passos apressados, caminhou em direção à sala.

— Filha, onde estava? O que aconteceu? — ele perguntou, aproximando-se sob o olhar atento de Regina e Cora.

— Eu não podia me casar com ele papai…eu não o amo — disse ela, apertando firmemente a mão de Cora. — Como está?

— Estou bem — ele falou, tocando-lhe a face e lhe beijando a testa. — Me perdoe por tê-la pressionado para que casasse com ele…eu apenas…

— Vamos esquecer isso, papai. Eu preciso falar em particular com o senhor.

Enquanto seguiam para o escritório, Regina continuava travando uma batalha confusa dentro de sua cabeça. Ao fechar a porta, o rosto de Emma ondulou em seus pensamentos e o coração afundou no peito mediante a ideia de que o relacionamento entre elas fosse afetado depois daquela conversa.

— Papai, eu vou direto ao ponto porque detesto rodeios — disse ela, sentindo a ânsia devorar seu estômago. — O senhor está envolvido na…morte de Emma?

Arregalando os olhos, Henry abriu a boca, mas não conseguiu formular nenhuma palavra. Em silêncio por um instante, ele respirou fundo para se fortalecer e finalmente se pronunciou.

— Eu poderia esperar uma pergunta do gênero vindo de qualquer pessoa, menos da minha própria filha.

— Papai, por favor. Apenas me responda.

— É claro que não, Regina! Porque está me perguntando isso se ela morreu em um acidente?

— Estive ligando alguns pontos e a história que o chefe do departamento contou não condiz com alguns fatos.

— E o que eu tenho a ver com isso?

— O senhor é muito amigo dele, não?

— Você está querendo dizer que…

— Estou querendo dizer que eu nunca vou perdoá-lo se o senhor estiver envolvido nisso — ela o interrompeu, e ao fazer menção de se retirar, Henry a segurou pelo braço.

— Eu nunca fui de acordo com a sua decisão de viver ao lado daquela mulher, isso não é segredo pra ninguém. Mas jamais atentaria contra a vida dela…jamais — ele falou, soltando-a em seguida.

Em silêncio, Regina abriu a porta e se retirou sem olhar para trás. Trancou-se em seu antigo quarto, sacou o telefone celular da bolsa e ligou para Ruby na tentativa de falar com Emma, mas para sua surpresa, ela havia saído. Deitando-se em sua cama, ela não deixou de se sentir feliz ao se dar conta de que seus dias não seriam mais solitários porque Emma estava de volta. Mas o medo de um mal futuro e da possibilidade de voltar a chorar outra vez lhe atingiram em cheio, e instintivamente, o pequeno sorriso desapareceu de seus lábios. Ela acreditava que Emma fora a vítima em toda essa história, mas não conseguia crer que o seu pai fizera o papel de carrasco.

Enquanto Regina se perdia em pensamentos, Henry chegava a conclusão de que havia algo mais por trás daqueles questionamentos. A mudança de comportamento, a fuga repentina poucos minutos antes de subir ao altar. Toda aquela reviravolta em tão pouco tempo, e o amontoado de ideias em sua cabeça, indicavam um único sentido: Emma Swan estava viva.

— Maldita seja… — rosnou ele. — Mil vezes maldita.

[…]

— Você não parece muito feliz em me ver — disse Regina, sentada sobre a cama.

Encostada no batente da porta do quarto cedido por Ruby, Emma tentou pensar no que dizer, já que Regina parecia bloquear seus pensamentos. Olhando para aquele rosto sensual por mais alguns segundos, ela invadiu o cômodo e fechou a porta.

— Você está feliz em me ver? — indagou Emma, cruzando os braços em seguida.

Tentando agir como se a pergunta não a tivesse afetado, Regina se levantou e com a mão trêmula, tocou-lhe o rosto.

— Você é, e sempre será a minha felicidade — ela respondeu sem se abalar. — Eu só não quero ser contra o meu pai no estado em que ele está — acrescentou, a expressão aflita em seu rosto fez o coração de Emma acelerar.

— Não precisa ficar contra ele…mas quando o momento chegar, ele pagará pelo que me fez.

— Emma…

— Não vamos mais falar sobre isso, Regina. Está bem?

— Está bem…mas eu preciso saber…como será de agora em diante? Para os outros você continua morta e…

— E continuarei morta até conseguir provar que nada do que aconteceu foi um acidente — ela interrompeu.

— Isso significa que vamos nos encontrar as escondidas?

— Sim, Regina. E espero que você seja tão compreensiva quanto eu fui no início do nosso relacionamento.

— Você pode se desarmar, Emma. Eu não sou sua inimiga — disse Regina, magoada depois de ouvir o que ela dissera. E ao fazer menção de se afastar, Emma lhe envolveu a cintura com seus braços.

— Desculpa…desculpa — ela murmurou, e em resposta, Regina pressionou os lábios contra os dela.

— Sinto muito, amor…sinto muito por tudo o que aconteceu, pelo que você passou. Assim como você, eu quero que os culpados sejam punidos. Mas agora eu só preciso que você me abrace.

Com os olhos verdes ardentes de posse e o coração em disparada, Emma a envolveu em seus braços. Puxando-a para mais perto, Emma colou a boca na dela e após um longo beijo, trancaram-se no quarto e se jogaram sobre a cama onde por algumas horas fariam amor. Foi então, naquele momento, que Emma soube que precisava remover cada partícula de raiva provocada pelo senador para que finalmente, ela e Regina desfrutassem do amor que ambas sentiam, sem medo da interferência dele. Apenas rezava para que conseguisse.