Notas iniciais
No primeiro capítulo eu avisei que não atualizaria todos os dias. Porém, sempre que for possível e eu consiga terminar o capítulo como aconteceu hoje, postarei sem problema. Boa leitura e obrigada pelos comentários, favoritos e acompanhamentos.

— Filha da mãe… — Emma murmurou, sacando rapidamente sua pistola e sem pensar duas vezes, atirou contra os pneus traseiros do veículo, acertando-os em cheio.

Quando o carro parou desastrosamente no meio da pista, Emma correu em sua direção. Algumas das poucas pessoas que por ali passavam, correram para longe assustadas com os ruídos dos disparos, e felizmente, o fluxo de veículos naquela hora e naquela avenida era quase nenhum.

— Você está louca? — indagou Regina, tão logo desceu do carro. — Você poderia ter me acertado ou provocado um grave acidente! — acrescentou, seu tom de voz estava totalmente exaltado.

— Sim…eu poderia ter provocado tudo isso, mas a única culpada seria você! — exclamou Emma. — A senhorita não tem vergonha?

— Como? — questionou Regina, num misto de incredulidade e confusão.

— Na sua idade…se comportando como uma adolescente mimada e rebelde!

— Como se atreve a me falar assim? Quando o meu pai ficar sabendo o que você fez…

— Ele irá me agradecer! — Emma a interrompeu. — Além de tal comportamento, ainda faz fofoquinhas ao papaizinho e a mamãezinha…que patético, senhorita Mills!

— Considere-se uma idiota demitida! — disse Regina, e em resposta, Emma a puxou pelo braço conduzindo-a de volta ao ateliê. — Para onde está me levando?

— Para a sua casinha onde você passa a manhã inteira brincando de pintar e desenhar, boneca! — Emma falou, suas palavras estavam carregadas de ironia.

— Alto lá! Sou uma restauradora de arte e exijo que respeite a minha profissão! — ela exclamou, claramente irritada.

— Restauradora de arte… — Emma murmurou, sorrindo ironicamente.

— É isso mesmo! Mas é claro que uma ignorante feito você não entende de arte!

— Talvez eu não entenda mesmo e nem me interessa entender! — Emma rebateu, e mediante o silêncio de Regina, ela prosseguiu. — Pedirei para que mandem um carro vir nos buscar e por favor, comporte-se como a mulher que todos imaginam que seja!

Regina tentou protestar, todavia, acabou permanecendo em silêncio, uma vez que estava ciente da sua irresponsabilidade ao dar partida e deixar Emma para trás. Poucos minutos se passaram até que um dos seguranças da mansão apareceu para busca-las.

— Filha, graças a Deus você está bem! — exclamou Cora. — O que aconteceu?

— O pneu do carro furou, mamãe…só isso — disse ela, desvencilhando-se. — Papai já chegou?

— Ainda não, querida.

— Vou para o meu quarto, com licença.

[…]

— Senhor senador…sinto muito por ter estragado os pneus do carro e já adianto que arcarei com os danos…

— De jeito nenhum! Você agiu bem e sabe de uma coisa? É a primeira vez que um segurança impede uma fuga da minha filha — ele disse. — Eis uma prova de que não me enganei em contratá-la.

— Obrigada, senhor.

— Tire o restante do dia de folga. Eu terei uma conversa séria com Regina.

— Sim, senhor. Com licença.

No decorrer dos dias, Regina sequer ousou tentar repetir a “brincadeira” de alguns dias atrás. Embora algumas vezes manifestasse seu desejo de dirigir, em momento algum ela desobedeceu as ordens e instruções de sua guarda-costas.

— Você não vai trabalhar essa manhã? — indagou Mérida, sentando-se à mesa ao lado de Emma para o desjejum.

— Só no final da tarde. A senhorita irritante passará o dia escolhendo uma roupinha para ir a uma exposição de quadros.

— Ela está te deixando de cabelos brancos, não é?

— Até que depois daquele incidente ela tem se comportado. Deve ter levado uma boa bronca do pai.

— Não imaginei que ela fosse tão…infantil.

— Não me surpreende…é filha única, filha de senador, acostumada a ter tudo quando quer e do jeito que quer.

— Isso é verdade. Bom, eu tenho que ir! Te vejo mais tarde, Emma! E boa sorte com essa “menina” grande!

— Obrigada…eu vou precisar…

Algumas horas se passaram e quando a noite chegou, Emma já se encontrava no jardim da mansão à espera de Regina. Desde que fora contratada pelo senador para cuidar da segurança de sua única filha, essa era a primeira vez que a acompanharia de noite. Minutos depois, seus olhos se banquetearam com os cabelos curtos presos numa espécie de coque extremamente elegante. O vestido preto e justo, acima dos joelhos, deixavam as belas pernas à mostra, mas o que realmente lhe chamou a atenção, fora o decote perfeito e a curvatura do pescoço que lhe entorpeceram a mente, despertando nela o desejo inegável e primitivo de possuí-la.

Mas onde eu estou com a cabeça? É a filha do senador. Uma mulher poderosa, mimada e arrogante que jamais olharia para mim com outro interesse que não seja me dar ordens ou me aborrecer… pensava Emma, enquanto seus olhos abandonavam o decote e devoravam aquelas pernas elegantes, longas e bem torneadas que se apoiavam em sapatos pretos de salto alto, e quanto mais perto Regina chegava, mais seu coração martelava.

— Boa noite, senhorita — ela disse, abrindo a porta do carro para que Regina entrasse.

— Boa noite — limitou-se a dizer, acomodando-se no banco traseiro do veículo.

Enquanto dirigia, Emma tentava se concentrar na estrada embora estivesse difícil, uma vez que o perfume de Regina começava a lhe embriagar os sentidos. Ela sabia que estava em território desconhecido e que seus pensamentos eram irracionais, considerando que Regina era a filha do senador do estado, e ela nada além do que sua subordinada. Aquela situação começava a colocar o seu corpo e a sua razão em conflito.

Assim que chegaram ao local onde seria realizado o evento, Emma procurou um lugarzinho no enorme salão onde pudesse ter uma visão nítida de cada movimento de Regina, bem como de todas as pessoas que dela se aproximavam. Embora tentasse, ela não conseguiu evitar uma pontada de inveja e ciúme cada vez que Regina era cumprimentada com beijos e abraços. Felizmente, Ruby apareceu e acabou afastando os diversos homens que sondavam Regina como se ela fosse um pedaço de carne pronto para ser degustado.

Ainda faltavam alguns minutos para que a exposição chegasse ao fim, todavia, ao notar que Regina começava a exagerar na bebida, Emma se aproximou e com a ajuda de Ruby, conseguiu convencê-la a deixar aquele lugar.

— Eu quero dirigir — ela disse, e ao fazer menção de caminhar para o outro lado do veículo, acabou se desequilibrando, contudo, seu corpo foi rapidamente amparado pelos braços de Emma.

— A senhorita não está em condições de dirigir — Emma falou, abrindo a porta do lado do carona e logo em seguida, ajudou Regina a se acomodar no banco.

— Você parece o meu pai…nunca me deixa fazer o que quero — disse Regina, aproximando seu rosto do rosto de Emma tão logo ela entrou no veículo. — Ruby tinha razão…você é muito bonita… — acrescentou, roçando a ponta dos dedos pela face dela.

Seu hálito morno, tão perto, por pouco não a fez perder a cabeça. Emma ficou paralisada ao constatar que sua respiração se tornara tão irregular quanto os batimentos do seu coração.

— Amanhã a senhorita dirige o quanto quiser… — Emma murmurou, fascinada pelo toque suave dos dedos dela em seu rosto.

— Promete? — indagou Regina, divertindo-se ao se dar conta da forma que Emma a observava, cravando os olhos nela como se tentasse desnudar todos os seus segredos e emoções. E ela gostou disso mais do que deveria.

— Prometo… — Emma murmurou, se recompondo rapidamente para dar partida em seguida.

Emma suspirou aliviada ao perceber que Regina havia adormecido no banco do carro, caso contrário, seria difícil resistir caso ela continuasse falando daquela forma tão sedutora e sensual, ainda que estivesse ciente do seu estado de embriaguez. Vez e outra, Emma desviava a atenção da estrada para contemplar as feições de Regina. Mesmo se esforçando, ela não conseguia afastar os olhos dela.

— Senhorita Mills…chegamos… — Emma sussurrou, engolindo em seco quando os olhos castanhos se abriram lentamente e se fixaram nos seus.

Regina desceu do veículo em silêncio, ignorando a mão estendida de Emma pronta para dar-lhe auxílio. Talvez ela não estivesse tão embriagada quanto aparentava, já que seus passos se mostraram firmes e largos. Emma a acompanhou com o olhar até a porta de entrada da mansão e só então se dirigiu para casa, tentando tirar da cabeça a mulher que jamais seria sua.

[…]

— Como foi a exposição, meu amor? — indagou Cora.

— Foi ótima, mamãe. Deveria ter ido — disse Regina, sentando-se à mesa ao seu lado. — Papai já saiu?

— Tem poucos minutos. E você? Não vai ao ateliê essa manhã?

— Irei no período da tarde apenas.

— E essa moça que seu pai contratou para ser sua guarda-costas?

— O que tem ela?

— Seu pai me contou o que aconteceu. Não gostei nada dela ter atirado contra o carro que você estava dirigindo.

— Mamãe, a culpa foi minha. E por favor, não vamos falar disso em pleno café da manhã, não é?

— Tem razão, e de qualquer forma, eu já estou de saída.

— Aonde vai?

— Vou às compras com Margaret. Não quer vir com a gente?

— Não, mamãe. Obrigada. Prefiro aproveitar essa manhã de sol na piscina, afinal de contas, o verão dura pouco!

— Muito bem…nos vemos mais tarde então. Comporte-se! — dito isso, Cora se retirou.

Emma caminhava pelo amplo gramado repleto de árvores exuberantes que rodeavam toda a mansão. Aproximou-se do jardim coberto de flores de diversas cores, estranhando a demora de Regina para se dirigir ao ateliê. Imaginava que a bebedeira da noite anterior fosse a responsável por aquele atraso, e com esse pensamento, o motivo de sua ansiedade e inquietação saiu pela porta da frente usando apenas um biquíni.

O coração de Emma quase parou enquanto Regina caminhava em direção à piscina. De passagem, seus olhos varreram as coxas bem torneadas e sem realmente ter a intenção, pousaram em sua bunda enquanto ela andava. Era redonda, empinada, perfeitamente encorporada no seu biquíni pequeno e escuro. O calor lhe subiu às bochechas quando sentiu uma tensão nas pernas e um desejo que ela sabia que não deveria sentir. Regina era sexy, perigosa, muito gostosa e proibida para ela. Emma tinha consciência de tudo isso, e por mais que tentasse, não conseguia evitar desejá-la. Fechando os olhos com força, ela se obrigou a pensar em outra coisa, todavia, sua tentativa falhou quando uma ruiva de olhos azuis lhe chamou, pedindo auxílio com as bagagens.

— Mas o que diabos minha prima está fazendo aqui? — indagou Regina, enquanto observava a cena ao longe.

Depois de se apresentar como sobrinha legítima de Cora Mills, Zelena Mader adentrou a mansão acompanhada por Emma e outro segurança que a ajudava com as bagagens.

— Minha tia Cora não está? — indagou a ruiva, voltando sua atenção para Emma.

— A senhora Mills saiu tem algum tempo.

— Não lembro de você na última vez em que estive aqui. Desde quando trabalha como segurança na mansão?

— Na verdade, faço a segurança apenas da senhorita Regina.

— Ah, compreendo — ela disse, esboçando um largo sorriso. — Foi um prazer, Emma.

— Com licença.

Algum tempo se passou e Ruby finalmente chegou à mansão. Não demorou muito e Zelena desceu para se juntar a elas, e ainda que seu relacionamento com Regina não fosse um dos melhores, ela não se importava com isso.

— Priminha! Não vai me dar as boas vindas? — indagou Zelena, retirando a canga que usava, revelando a minúscula calcinha do biquíni.

— Seja bem-vinda, queridinha! — exclamou Regina, claramente enfadada.

— Ruby, você continua um arraso como sempre!

— Obrigada, Zelena. Faço de suas palavras as minhas.

— O que faz aqui? Não deveria terminar os estudos em Paris? — Regina perguntou.

— Você anda muito desenformada, prima! Já terminei meus estudos e voltei pra ficar, mas não se preocupe…não pretendo dividir a mesma casa com você por muito tempo.

Nos minutos seguintes, o olhar de Emma ficou passeando entre as três mulheres tomando sol à beira da piscina, mas era em Regina que seus olhos se fixavam, admirando-a à distância.

— Prima, conheci sua guarda-costas…muito bonita e gentil — comentou Zelena.

— E…? — questionou Regina, sem esboçar qualquer interesse.

— Adoraria retribuir a gentileza e livrá-la daquelas roupas. Está um calor infernal, não acha? — ela disse, e subitamente, Regina e Ruby se entreolharam, mas nada disseram.

Durante a hora que se seguiu, Emma deixou a mansão para desfrutar de suas duas horas de descanso, e quando retornou não havia mais ninguém na piscina, o que para ela foi um alívio. Alguns minutos se passaram enquanto ela circulava pelo jardim da mansão, o céu estava límpido e uma brisa de verão soprava aumentando seus devaneios.

— Um beijo pelos seus pensamentos! — exclamou Zelena, e claramente confusa, Emma levantou as sobrancelhas e seus lábios se entreabriram expondo sua total confusão.

— Não estou pensando em nada importante… — Emma murmurou, e antes que pudesse prosseguir, Zelena se aproximou um pouco mais e sussurrou algumas palavras junto ao pé do ouvido.

Ao presenciar a cena, Regina ficou boquiaberta, mas logo se recuperou e em passos largos se aproximou. Com os braços cruzados, ela deixou escapar um suspiro e sem hesitar, pigarreou interrompendo a conversa entre elas.