Notas iniciais
Obrigada a Modern Love por recomendar a minha fanfiction Vampiros Também Choram. Obrigada também pelos comentários e favoritos. Boa leitura!

Depois de passar a manhã ao lado de Ruby, Regina retornou para o seu apartamento decidida a esquecer o desentendimento com Emma e tirar de sua cabeça as ideias pavorosas que lhe rondavam a mente. No entanto, poucos minutos se passaram e tudo mudou quando o som da campainha se fez presente, e Robin apareceu para desestabilizar o relacionamento dela e Emma.

— Oi, Regina…posso entrar? — hesitante, ela quase bloqueou a entrada dele ao lembrar que exigira o mesmo de Emma em relação a Zelena. Entretanto, aos olhos dela, Robin havia se mostrado um bom amigo e por esse motivo, ela o julgava diferente de sua prima.

— Entra… — disse ela, afastando-se para que ele entrasse.

— Faz tempo que não nos falamos…como você está?

— Eu estou bem, Robin. Obrigada. E você?

— Bem…eu estou bem…conversei com seus pais essa semana e eles sentem a sua falta.

— Mamãe talvez sinta. Mas papai…duvido muito.

— Eles só querem o seu bem, Regina. Eles sabem que aquela mulher não é…

— Não admito que fale mal de Emma! — ela o interrompeu.

— Você não me diria isso se soubesse o que ela fez — disse ele, levantando-se e caminhando em direção à porta.

— O que foi que ela fez, Robin?

— Pergunte a ela, Regina.

— Me fala…o que foi que ela fez? — ela questionou, segurando-o pelo braço.

— Ela está traindo você com a sua prima — rosnou ele, e em resposta, Regina explodiu numa sonora gargalhada.

— Agora eu entendo…papai te mandou aqui para tentar me colocar contra Emma. Não perca seu tempo, Robin.

— Não é nada disso, Regina…

— E eu achando que você era meu amigo…

— Eu sou seu amigo e por isso, fiquei enojado quando vi as fotografias! A própria Zelena me mostrou!

— Do que está falando?

— Disso! — ele exclamou, retirando um envelope do bolso onde continham diversas imagens de Emma e Zelena na cama.

Com o coração aos pulos, na mesma velocidade de uma britadeira, os olhos de Regina passearam pelas fotografias em suas mãos. O estômago dela se revirou de dor quando se deu conta de que era isso que Emma estava escondendo. Ela tinha ido para a cama com sua prima e por isso não havia atendido sua chamada, e cinicamente, lhe dissera não lembrar o que havia acontecido.

— Isso não é verdade — disse ela, com uma imensa vontade de chorar. — Onde conseguiu essas fotos?

— A própria Zelena tirou e pretendia vendê-las para a imprensa. Mas seu pai pagou pelas fotos porque não queria que você novamente se tornasse um alvo nas colunas de fofocas. Ele não queria que você sofresse, Regina.

— Robin, me deixa sozinha....por favor...

— Regina…

— Vá embora, Robin.

— Tudo bem, eu vou…mas se precisar de alguma coisa, não hesite em me procurar — dito isso, ele se retirou.

Regina não soube por quanto tempo ficou sentada com as fotografias em mãos, procurando um sentido para o que acabara de descobrir. As lágrimas que escorriam pelo rosto mais pareciam ácido, queimando-lhe a carne, e quando estava prestes a rasgar todas as fotos, o som de chaves tinindo na porta fez com que ela recuasse. Uma súbita raiva percorreu os seus membros e se acomodou em seu peito como aço quando os seus olhos cruzaram com os brilhantes olhos verdes de Emma.

— Acho que já chega de ignorar as minhas ligações e mensagens, não acha? — indagou Emma.

— Como ousa me dizer isso? Aliás, como ousa vir aqui depois do que fez?

Fuzilando-a com os olhos, Emma deu alguns passos à frente preocupada e confusa ao notar o estado em que Regina se encontrava. O fato dela ter recebido Zelena em seu apartamento não deveria ser motivo para tanta raiva e choro. Algo mais havia acontecido e ela precisava saber.

— Do que está falando? — Emma perguntou, com o coração quase saltando do peito.

— Disso! — exclamou Regina, atirando as fotografias em cima dela. — Como você conseguiu ser tão perversa?

Quando os olhos de Emma pousaram sobre as fotografias, Regina assistiu a expressão no rosto dela se transformar em inquietação.

Com a mente paralisada, Emma tinha consciência de que a mulher à sua frente estava arrasada e machucada, mas não conseguiu formular nenhuma palavra com rapidez suficiente, e antes mesmo que pudesse entender o que estava acontecendo, e o que significavam todas aquelas imagens, Regina ergueu a mão e lhe deu um tapa na cara, com tanta força, que ela cambaleou para trás atordoada.

— Sua filha da puta! — gritou Regina, e ao fazer menção de agredi-la outra vez, Emma a segurou pelos pulsos.

— Não é nada disso do que você está pensando, Regina…por favor, você precisa me ouvir — ela implorou, a voz firme.

Regina tentou se soltar, mas Emma a puxou para junto de si lhe agarrando a cintura, enquanto os seus ombros eram golpeados pelos punhos fechados dela.

— Não, espere! — rosnou Emma. — Eu não faço ideia do que isso significa…acredite em mim, porra!

— Isso significa que você estava trepando com ela!

— Me escuta, cacete! Ela chegou lá, chorando…dizendo que havia sido traída pelo namorado. Eu ofereci uma bebida a ela e depois…eu não sei, eu não lembro o que aconteceu depois, Regina! Mas eu não fiz isso com ela…eu não toquei nela, amor.

— Você só pode estar louca se acha que vou cair nessa! Eu nunca vou te perdoar por isso, Emma. Nunca!

Emma recuou alguns passos como se Regina a tivesse atingido outra vez. O coração parecia querer explodir em seu peito enquanto o medo de perdê-la fazia o sangue congelar nas veias.

— Meu Deus, Regina....eu amo você com tudo o que existe dentro de mim. Isso só pode ser uma armação, amor...

— Pare! — gritou ela, empurrando-a para longe do seu corpo. A voz cheia de dor. — Vá embora, Emma…

— Não. Eu só saio daqui se você disser que não acredita em mim!

— Eu não acredito em você. Agora vai embora.

— Eu não sou uma filha da puta, Regina…eu disse que não estou mentindo e você precisa acreditar em mim.

— E como você me explica essas fotos?

— É uma armação…

— Vá embora ou ligarei para a polícia.

— Você não seria capaz…

— Pela última vez…vá embora, Emma. Não insista porque eu não acredito em nada do que você disse.

Emma exibiu uma careta de dor e segurou as lágrimas que ardiam em seus olhos. Quase sem fala, ela recuou e saiu porta afora.

[…]

— Caramba, Regina. Não consigo acreditar que Emma foi capaz de te trair com Zelena — dizia Ruby, enquanto olhava as fotos.

— Sabe-se lá quantas vezes foram para cama…malditas!

— O que ela disse sobre isso?

— Nada…como ela poderia explicar algo tão claro? Ainda ousou dizer que foi uma armação.

— E você não acredita nessa possibilidade?

— Por Deus, Ruby! Ela esvaziou uma garrafa de uísque com aquela puta e depois transaram!

— Mas se Zelena as fotografou enquanto transavam, significa que pode ter sido uma armação.

— Não tenho dúvidas de que Zelena tirou as fotos com segundas intenções…mas Emma não é criança. Se ela se deixou embebedar por aquela vadia foi porque queria ir pra cama com ela.

…

De pé, observando as nuvens cinzentas através da vidraça da janela, Emma esvaziou mais uma garrafa de cerveja enquanto tentava entender o que se passara àquela noite em que Zelena a procurou. Sem vontade, ela foi até a cozinha com a intenção de abrir mais uma garrafa, porém, alguém tocou a campainha, mas só depois de pegar a bebida ela foi atender. Depois de abrir a porta, ela voltou para a sala de estar e se jogou no sofá sem dizer uma única palavra.

— Ruby me ligou dizendo o que aconteceu. Porque não me disse nada? — questionou Mérida.

— Não vi necessidade de dizer — Emma respondeu, seca.

— Dá um tempo, porra! Eu sou sua melhor amiga, sabia?

— Qual é, Mérida. Isso não tem nada a ver. Não preciso te encher o saco com meus problemas — ela murmurou, abrindo a garrafa em seguida.

— Você não enche, sabe disso. Agora me fala…o que houve? Que história é essa de você ter se deitado com a tal Zelena?

— Isso foi uma armação! Eu nunca me deitaria com ela e nem com ninguém — disse Emma, desligando a TV e atirando o controle no chão. — Zelena apareceu aqui, dizendo que o namorado a tinha traído e que só precisava de alguém pra conversar.

— E as supostas fotografias?

— Eu não sei! Nas malditas fotos eu estou com ela na cama, mas não fiz nada! Nós tomamos um drinque e depois disso, eu não lembro mais de nada. Zelena colocou alguma coisa na minha bebida, não há outra explicação — ela falou, soltando um suspiro derrotado, sentando-se no sofá com os cotovelos sobre os joelhos, a cabeça apoiada nas mãos e os dedos enterrados nos cabelos. Ela ergueu a cabeça e olhou para Mérida, imóvel.

— Mas Regina não acredita em mim.

— Ela não acredita em você nesse momento, mas ela te ama.

— Talvez ela não me ame tanto quanto diz amar.

— Regina é uma mulher insegura, Emma. Você viu como foi difícil pra ela se assumir diante dos pais, dos amigos. Essas fotografias devem ter abalado muito com os ânimos dela.

— E o que você quer que eu faça, hein?

— Vá atrás dela e mostre que ela está errada. Não dê esse gostinho a Zelena ou a quem quer que tenha armado tudo isso — disse Mérida, tomando a garrafa das mãos dela. — Faça com que ela acredite em você.

Após a saída de Mérida, Emma permaneceu no mesmo lugar, sentada, enquanto sua mente continuava abalada e confusa. Tentando se recompor, ela alcançou as chaves do carro em cima da mesa de centro e saiu porta afora.

…

Regina se preparava para ir embora e quando abriu a porta, seus olhos castanhos foram capturados por um verde gélido. Sentindo-se presa ao olhar dela, Regina não conseguiu se mover enquanto Emma se aproximava, lenta e ameaçadoramente.

— Eu posso conversar um minuto a sós com Regina, Ruby? — Emma perguntou, sem desviar o olhar do dela.

— Nós não temos nada para conversar — disse Regina, e ao fazer menção de sair, Emma lhe segurou pelo cotovelo.

— Você não vai sair daqui enquanto não falar comigo…nem que eu tenha que amarrá-la numa cadeira — rosnou Emma, e de súbito, os olhos de Regina assim como os de Ruby se arregalaram.

— Estarei em meu quarto…com licença — disse Ruby, se retirando em seguida.

De imediato, Regina sentiu o coração martelando no peito e um calor crescente surgindo no meio de suas coxas. Apesar de a mágoa provocada por aquela suposta traição, seu corpo não deixou de reagir ao toque da mão dela em seu braço, muito menos ao tom de posse exprimido em sua voz.

— Você tem dois minutos — disse Regina, cruzando os braços na tentativa de mostrar o seu aborrecimento.

— Aquilo foi uma armação…

— Não acredito — ela falou, desejando ser impenetrável ao cheiro de Emma, ao rosto, à voz, mas sabia que diante daquela proximidade era impossível.

Agarrando a cintura de Regina com força, Emma a puxou de encontro ao seu corpo. Uma das mãos permaneceu na cintura, enquanto a outra, lhe segurou a nuca e puxou o rosto dela para bem perto do seu.

— Ela colocou alguma coisa na minha bebida enquanto eu fui à cozinha buscar um pouco d’água — rosnou Emma. — Você mais do que ninguém deve conhecer a sua prima…ela armou isso com o filho da puta que se diz seu amigo.

— Me solta, Emma! — ela exclamou, tentando afastá-la.

— Não! Você está com raiva por algo que nunca aconteceu — murmurou Emma, seus lábios quase roçavam sobre os lábios dela. — Eu te amo e nunca seria infiel…porque eu abriria meu coração pra você, hein? Por uma trepada? Porque se fosse, eu já teria te largado!

— Você a deixou entrar…você passou a noite com ela, bebeu com ela e eu te odeio por isso! — disse ela, acertando-lhe um tapa no rosto.

— Você não me odeia, você me ama e eu te amo também! — Emma sussurrou por entredentes, olhando furiosamente para ela. — Me bata de novo, caralho! Mas pare de dizer que me odeia! — acrescentou, encurralando-a contra a parede. — Me dê um soco se precisar, ponha tudo pra fora…bata de novo, porra!

Regina não hesitou. Deu-lhe outro tapa, seguido de outro e mais outro. Fúria e confusão lhe queimavam por dentro enquanto lágrimas de raiva escorriam pelo rosto. Puxando-a mais uma vez pela cintura, Emma pressionou os lábios contra os dela.

— Não me afaste de você, Regina… — ela sussurrou contra sua boca. — Não faça isso com a gente — suplicou Emma.

Não mais resistindo, Regina lhe agarrou o colarinho da camisa, revirando os olhos enquanto se entregava outra vez ao sabor irresistível daquele beijo, daquele cheiro, do toque delicado e ao mesmo tempo selvagem.

— Se eu pelo menos tivesse imaginado o plano perverso dela, eu não a teria deixado entrar — Emma disse, os lábios pairando pelo rosto dela.

Regina já não conseguia pensar e antes que se desse conta, atirou os braços em volta do pescoço dela e a puxou para sua boca. Com os dedos enterrados nos cabelos longos e loiros, ela gemeu sensualmente de encontro aos lábios dela. Havia uma irritação cálida, sufocante e reprimida naquele beijo, mas também havia amor.

Com os lábios ainda colados aos dela, Emma a conduziu para o quarto de hospedes e a deitou em cima da cama, deitando-se sobre ela.

— Me prometa que não está mentindo, Emma…eu não suportaria… — balbuciou Regina.

— Não estou mentindo, amor. Eu prefiro morrer a trair você…eu não conseguiria… — disse Emma, soltando um gemido profundo quando a língua de Regina lhe invadiu a boca.

Sem se importar com a porta que ficara aberta, Emma lhe arrancou a calcinha e lhe cobriu o sexo com a mão. Dois dedos deslizaram para dentro dela se movimentando com força e rapidez. As bocas continuavam unidas, se chupando, se mordendo, trocando sabores.

Quase sem fôlego, Emma afastou os lábios dos dela. Ambas lutavam para respirar enquanto trocavam olhares lascivos.

— Duvide de qualquer coisa nesse mundo, Regina…menos da minha fidelidade e do meu amor por você — rosnou Emma, e sem esperar uma reação dela, beijou-lhe a boca mais uma vez.