Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos. Boa leitura.

— Como conseguiu meu endereço? — Emma perguntou, enquanto distribuía beijos pelos ombros de Regina.

— Tenho os meus meios, amorzinho — ela disse, esboçando um largo sorriso.

— E eu tenho certeza que a sua amiguinha está metida nisso.

— Talvez…agora o que me diz de um banho e depois comida? Estou faminta.

— Vai dormir aqui comigo?

— Você quer que eu durma com você?

— Nada me faria mais feliz…

Entre beijos e carícias, Regina foi conduzida até o banheiro e diferente do que imaginou, Emma dispensou o box e a colocou sentada sobre a bancada da pia. Os beijos que recebia no pescoço aqueceram seu corpo, fazendo-a ignorar o granito frio sob a bunda.

— Achei que fôssemos tomar banho… — Regina murmurou.

— E nós vamos — disse Emma, se posicionando entre as coxas dela. — Mas só depois de aliviar a fome que estou de você — completou, agarrando-lhe as pernas e colocando-as ao redor da própria cintura.

O dedo médio de Emma acompanhado do indicador, pousaram sobre os lábios dela e lhe invadiram a boca. Com destreza, Regina os chupou mantendo os olhares fixos um no outro.

— Deixe-os bem molhados — Emma avisou, e segundos depois, retirou os dedos da boca dela, deslizando-os por sua barriga.

De súbito, os olhos de Regina se fecharam e ela quase perdeu o fôlego quando os dedos de Emma deslizaram para dentro do seu sexo. Suas costas se arquearam contra o espelho e um gemido escapou de sua garganta no exato momento em que os movimentos começaram, para dentro e para fora, lento e constante.

Com os lábios entreabertos diante das múltiplas sensações, Regina lhe agarrou os cabelos e a puxou para um beijo. Todas as terminações nervosas estavam em alerta, e um desejo incontrolável por um orgasmo fizeram Regina se encostar ainda mais no espelho, soltando as pernas de sua cintura para fixar os pés na bancada.

Movida por um irrefreável desejo ao ver Regina totalmente exposta, Emma lhe agarrou os quadris, puxou sua bunda até a ponta da bancada e colou à boca em seu sexo, lambendo-a com urgência. Enlouquecida, Regina se agarrou à borda da bancada, enquanto seu corpo contraído se perdia por completo na paixão daquele ato tão íntimo. Uma de suas mãos largou a borda e se fechou nos cabelos de Emma puxando-a para si. Ela se desfez toda enquanto se deliciava com os últimos instantes do orgasmo.

— Pelos céus, Emma…você vai me matar — Regina balbuciou, ofegante e quase desfalecida.

Com um belo sorriso estampado nos lábios, Emma deu um passo atrás e encontrou os olhos castanhos e saciados de Regina. Lenta e suavemente, ela a beijou na boca e finalmente se entregaram a um banho longo e quente, depois a uma deliciosa refeição, e por fim, veio mais uma perfeita noite de sono.

[…]

Na manhã seguinte, após um breve café, Emma acompanhou Regina até o apartamento de Ruby onde ela alegou ter deixado o seu carro desde o dia anterior.

— Eu posso te esperar e te acompanhar até sua casa — disse Emma.

— Não precisa, meu amor.

— Não queria que enfrentasse seus pais sozinha.

— Eu não vou enfrentá-los. Só vou dizer a verdade sobre minha vida.

— Estarei no trabalho…mas pode me ligar se precisar de alguma coisa.

— Eu ligo sim, vai tranquila — Regina falou, beijando-lhe os lábios suavemente.

— Te amo — Emma disse, e após um segundo beijo, Regina desceu e desapareceu pelo corredor da portaria.

…

— Finalmente se acertaram! Graças a mim que consegui o endereço dela. Agora me retribua o favor e convide a amiga dela para sair com a gente — dizia Ruby, claramente entusiasmada.

— Eu sabia que você tinha se interessado por ela — disse Regina.

— Você não parece muito contente…aconteceu alguma coisa?

Regina respirou fundo e mencionou a fala, mas hesitou. Engolindo em seco, ela encarou o chão e mordiscou a unha do polegar. A ideia de finalmente se libertar daquela mentira que era sua vida, era tudo o que ela desejava. No entanto, a incerteza sobre se conseguiria ou não ser forte o suficiente para dar esse grande passo, ficava martelando a sua cabeça.

— Hoje falarei com meus pais sobre…sobre mim. Sobre Emma e eu — ela revelou, e um sorriso lento se abriu no rosto de Ruby.

— Sei que está com medo da reação dos seus pais…mas se trata da sua vida, da sua felicidade. Você não é mais uma menina, é uma mulher, forte, linda e inteligente — Ruby falou, segurando-lhe a mão. — O que eu quero dizer, é que…independente da reação deles, você não está sozinha.

— Eu sei… — ela sussurrou, não contendo a emoção.

Após a conversa com sua melhor amiga, Regina dirigiu de volta para casa. Passava das nove horas da manhã, e a essa hora, imaginou que seu pai estaria em mais uma das dezenas de reuniões com os líderes do senado norte-americano. Contudo, surpreendeu-se ao encontrá-lo na sala de estar, aparentemente em meio a uma discussão com Cora.

— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou.

— Aconteceu aquilo que eu tanto temia! — exclamou Henry, atirando um jornal em cima do sofá.

Subitamente seus batimentos cardíacos se aceleraram, ressoando em seus ouvidos, e seus olhos se arregalaram quando capturaram a imagem dela e Emma se beijando, estampada na primeira página. Atordoada, ela sabia que fora pega em flagrante e não tinha ideia do que dizer. Não conseguia formular uma palavra com rapidez suficiente.

— Papai…eu… — ela murmurou, enquanto seu olhar ia de Henry, à Cora.

— Eu gostaria que você me dissesse que isso é mentira. Que foi uma armação de alguém para conseguir dinheiro vendendo essas imagens falsas… — rosnou Henry.

Apesar da sensação de falta de ar e do nervosismo que arrepiava suas entranhas, ela foi tomada pelo desejo de não mais permanecer prisioneira daquela farsa. Embora suas pernas estivessem trêmulas, ela deu um passo à frente na direção do seu pai.

— Não é mentira — disse ela.

A intenção era que as palavras soassem firmes, mas não foi muito bem-sucedida. Ainda assim, ela continuou de cabeça erguida, e prosseguiu:

— Eu estou apaixonada por Emma.

— Sem vergonha! — ele gritou, acertando-lhe um tapa na cara que a fez cair no chão.

— Henry! Como foi capaz?! — Cora interveio, ajoelhando-se ao lado de Regina.

— Como ela foi capaz de sujar o sobrenome dessa família com essa…pouca-vergonha?! Não foi essa a educação que nós demos para ela! — ele gritou outra vez, claramente alterado.

O ardor lhe percorria o rosto e mesmo aterrorizada, ela se levantou sentindo um certo alívio que surgiu bem no fundo da sua alma. Com a pulsação acelerada, ela deu alguns passos à frente mantendo seu olhar fixo no olhar do seu pai. A adrenalina corria por suas veias e ela engoliu em seco ao reconhecer a expressão nos olhos dele: decepção, raiva, repulsa. Uma mistura de sentimentos negativos que deixavam claro o que ela já imaginava: ele nunca a aceitaria.

— O que você chama de pouca-vergonha, eu chamo de amor — disse ela, limpando as lágrimas e os respingos de sangue no canto direito da boca.

— Cale a sua boca antes que eu…

— Não se atreva, Henry! — Cora interveio, se colocando na frente de Regina enquanto ela chorava convulsivamente.

— Você precisa se tratar porque isso não é normal…você está doente e tudo isso é culpa daquela aberração que você chama de amiga! — ele exclamou, referindo-se a amizade entre ela e Ruby.

Enojada, Regina se desvencilhou do corpo de sua mãe e subiu as escadarias apressadamente. Quase sem fôlego e com o gosto de sangue ainda na língua, ela jogou parte de suas roupas de qualquer jeito dentro de uma mala.

— Filha, o que está fazendo? — Cora perguntou, claramente angustiada.

— Estou indo embora daqui — ela disse.

— Não precisa disso, filha…eu vou falar com seu pai e…

— Por favor, mamãe. Eu já…

— Se você for embora dessa casa, Regina…esqueça que tem pai e mãe — Henry interrompeu a conversa.

Com um último resquício de força, Regina fechou a mala e sem dizer uma só palavra, deixou o quarto e se foi.

[…]

Ruby se preparava para sair quando o som da campainha lhe chamou a atenção. Ao abrir a porta, ela se deparou com sua melhor amiga, abatida, arrasada, em meio às lágrimas. Em silêncio, Ruby a abraçou e a conduziu para dentro do apartamento. Sentadas sobre o macio estofado, Ruby aninhou a cabeça dela em seu ombro, acalentando-a.

— Calma, Regina…tá tudo bem… — sussurrou Ruby, abraçando-a com mais força.

Alguns minutos se passaram sem que nenhuma delas dissesse uma palavra. Imaginando o que teria acontecido, Ruby evitou questioná-la sobre a conversa com os pais, todavia, Regina levantou a cabeça e com os olhos marejados, abaixou o olhar.

— Ele me odeia…sente nojo de mim — ela murmurou. — Disse que eu estava doente e que precisava de tratamento — acrescentou, e sem que pudesse evitar, os olhos de Ruby se encheram de lágrimas.

— Já passou, amiga…e você não está sozinha, nunca estará sozinha — ela falou, envolvendo-a mais uma vez num abraço apertado. — Ele bateu em você? — Ruby perguntou, ainda que o hematoma no lado direito de sua boca respondesse claramente aquela pergunta.

— Sim…e talvez só não tenha batido mais porque mamãe não deixou — disse ela, desvencilhando-se daquele abraço quando sentiu o telefone celular vibrar dentro da bolsa.

Ao pegar o aparelho, ela sentiu o coração acelerar mediante as cinco chamadas de Emma. Sobressaltada, Regina se levantou e caminhou apressadamente em direção ao banheiro, constatando através do espelho, o hematoma claramente visível em seu lábio.

— Emma não pode me ver assim… — ela disse, deslizando o polegar sobre o pequeno machucado.

— Vai esconder dela o que aconteceu? — indagou Ruby.

— Ela não precisa saber os detalhes.

— Regina, vocês acabaram de se acertar. Não acho que seja legal esconder as coisas dela…

Ruby mal terminou a frase e o som da campainha deixou as duas em alerta. Com o coração acelerado, Regina deixou o banheiro e foi até lá. Pelo olho mágico, viu Emma no corredor.

— Droga! Ela está aqui… — Regina sussurrou.

— Ela vai saber mais cedo ou mais tarde — disse Ruby, a voz tão baixa quanto a de Regina.

— Diga que eu não estou aqui…diga que depois que eu saí essa manhã, você não teve mais notícias minha — disse ela, correndo em direção ao quarto da amiga.

Segundos depois, Ruby abriu a porta, mas não se afastou para que Emma entrasse.

— Emma, que surpresa — disse ela.

— Regina está aí com você?

— Não…ela esteve de manhã cedo quando você a deixou aqui e meia hora depois foi embora.

— Você acha que eu sou idiota, Ruby? — rosnou ela, surpreendendo-a. — Porque, se acha, está redondamente enganada.

— Já falei que ela não está aqui, Emma! O que mais você quer que eu diga?

— Quero que me diga a verdade, caralho! O carro dela está lá fora! — Emma exclamou, e sem pedir permissão, passou por ela e com poucos passos, abriu a porta do quarto de hospedes onde ela e Regina fizeram amor pela primeira vez.

— Está vendo? Eu disse que ela não estava aqui — Ruby falou, enquanto Emma observava o quarto vazio.

Sem pensar, e sentindo-se uma psicopata paranoica no qual tinha certeza estar se transformando, Emma atravessou o corredor a passos largos até o quarto de Ruby e sem hesitar, girou a maçaneta e abriu a porta.

Ela ficou paralisada quando os olhos se depararam com Regina sentada no chão, abraçada às próprias pernas. Apesar do choque, Emma se aproximou de onde a mulher que amava estava sentada. De joelhos diante dela, um sorriso amargo se formou em seus lábios enquanto a ponta dos dedos buscavam o queixo dela, erguendo-lhe a cabeça.

— O que aconteceu? Porque está se escondendo de mim? — Emma perguntou, com o coração aos saltos, ajoelhada na frente dela.Uma eletricidade carregada de raiva se irradiou por seus nervos quando seus olhos capturaram o hematoma na boca de Regina. — Filho da puta… — ela rosnou, e ao fazer menção de se levantar, Regina se jogou em seus braços.

— Não, Emma…por favor… — ela murmurou, não contendo o pranto. — Por favor, apenas me abrace…

— Eu sinto tanto, amor… — disse Emma, envolvendo-a entre seus braços. — Vem…deita um pouco aqui — acrescentou, levantando-se e conduzindo-a até a cama de Ruby.

Algum tempo se passou sem que nenhuma delas dissesse alguma coisa. Abraçada ao corpo de Emma, ela tentava afastar da cabeça as lembranças que queria esquecer.

— Ele já sabia… — ela sussurrou.

— Como? — indagou Emma.

— Alguém nos fotografou…se beijando.

— Eu sinto muito, Regina. Não queria que tivesse sido assim. Eu não deveria ter deixado você falar com seus pais sozinha…

— Emma, por favor. Com ou sem você, meu pai reagiria da mesma forma.

— Mas não teria tocado em você, porque antes dele pensar em fazer isso, eu juro que o mataria…

— Emma… — Regina a interrompeu. — Apesar de tudo, ele é meu pai. Eu já sabia que ele não aceitaria, então está tudo bem, certo?

— Certo…

…

Emma percorreu com o olhar cada linha do rosto de Regina. A exaustão por fim conseguiu vencê-la e ela finalmente adormeceu. As duas haviam se livrado de todas as camadas complexas e confusas do início, e agora, poderiam desfrutar do amor que sentiam uma pela outra sem medo ou receio do julgamento alheio.

— Como ela está? — Ruby perguntou, tão logo Emma apareceu na sala de estar.

— Está bem…acabou adormecendo.

— Desculpa ter mentido sobre ela estar aqui…ela não queria que você a visse daquele jeito.

— Minha vontade é matar aquele filho da puta.

— Não diga bobagem…você seria presa e no final das contas, a atitude de Regina teria sido em vão — disse Ruby, e antes que Emma pudesse responder, seu telefone celular vibrou no bolso. Era Mérida, alertando-a sobre os noticiários onde ela era apontada como o pivô da separação da filha do senador e seu noivo, Robin Hood.