De volta à sua sala, Emma afundou na cadeira tentando ignorar o quanto aquela visita de Regina lhe havia afetado. Estava magoada e confusa, e as pequenas coisas a faziam pensar nela. Regina lhe estimulava as emoções, os nervos e todos os sentidos. A conexão e a atração que a filha do senador provocava, desde a primeira vez que seus olhos pairaram sobre ela, ainda lhe impressionava, mas viver um relacionamento extremamente limitado não fazia parte dos seus sonhos.

Regina, por outro lado, manteve o carro parado por longos minutos enquanto sua mente era torturada pela imagem de Emma. Os olhos dela continham uma tristeza que Regina sabia perfeitamente ter causado, e os ombros que antes mostravam tanta autoconfiança, estavam caídos. Seu coração se apertou ainda mais em seu peito ao se dar conta de que a expressão de dor nos olhos de Emma ficaria eternamente gravada em sua memória. As palmas das mãos suadas finalmente se fecharam no volante e ela partiu, com uma tristeza profunda muito particular.

[…]

— Oi! Emma está? — indagou Ruby.

— Oi! Emma não mora mais aqui — disse Mérida.

— Sério? Você teria como me passar o novo endereço?

— Bom…eu não sei se devo.

— Eu juro que não sou uma psicopata e nem nada do tipo — disse ela, num tom divertido, erguendo as mãos em rendição.

— E de onde você a conhece?

— Da lanchonete próxima ao departamento de polícia. Sou garçonete lá e ela me encomendou umas marmitas, então eu queria acertar os valores e…

— Ah, tudo bem — Mérida a interrompeu. — Quer entrar enquanto eu anoto o endereço?

— Obrigada — disse ela, acomodando-se no estofado.

— Você é muito bonita pra uma garçonete… — Mérida comentou. — Não que as garçonetes sejam feias…quer dizer, nem todas são…droga, eu não queria…

— Eu entendi o que você quis dizer, então obrigada pelo elogio — disse Ruby, divertindo-se com o embaraço dela.

— Aqui está o endereço. Ah, eu nem te ofereci nada, que cabeça essa minha. Não pense que sou mal-educada.

— Eu não estou pensando isso.

— Então você aceita beber alguma coisa?

— Sim, aceito. Eu gostaria de um pouco de champanhe — Ruby disse.

— Champanhe? — indagou Mérida, esboçando uma expressão confusa.

— Eu estou brincando! — Ruby exclamou, não contendo o riso. — Desculpe, piadinha bombástica! Quer dizer, não! Nada de bomba! Eu nunca brincaria sobre…isso — acrescentou, sentindo as bochechas queimarem. — Uma água, se não for muito incômodo.

[…]

— E então? Conseguiu o endereço dela? — Regina perguntou.

— Sim, e por sua culpa passei a maior vergonha da minha vida.

— Por quê?

— Esquece! Mas vem cá, você já reparou que a amiga de Emma é uma graça?

— Não, eu não reparei — disse Regina, sem muito interesse.

— Pois ela é. Uma graça em todos os sentidos.

— Porque você só se interessa por ruivas?

— E quem te disse que eu estou interessada?

— Nem precisa dizer. Mas fico feliz em saber que você finalmente olhou para outra pessoa que não seja a minha prima.

— Mudando de assunto…o que você vai fazer, Regina? Vai procurar Emma outra vez?

— É claro que sim. Pra isso te pedi o endereço dela.

— Acho que você está fazendo tudo errado.

— Talvez…mas eu não posso perder Emma. Não posso.

Após sair do apartamento de Ruby, Regina deixou o seu carro no estacionamento do ateliê e optou por pegar um táxi. Faltava poucos minutos para as dezoito horas e a essa altura, Emma já deveria estar em casa ou a caminho. O porteiro que de súbito a reconheceu como a filha do senador, sem cerimônias autorizou sua entrada e satisfeita, ela atravessou a portaria e pegou o elevador. Uma vez que as portas se abriram, ela saiu e em passos lentos, aproximou-se do apartamento dela. Com os olhos fixos na direção da porta, ela ergueu a mão com o intuito de apertar a campainha, mas antes de concluir a ação, uma voz lhe interrompeu.

— O que é que você está fazendo aqui, Regina? — Emma perguntou.

— Eu vim conversar com você — ela respondeu, num tom quase inaudível.

O rosto lindo de Regina quase lhe tirou o fôlego. O peito se contraiu de amor, mas a raiva queimava-lhe a pele.

— Não temos mais nada para conversar.

— Sei que não quer me aceitar de volta, mas eu precisava vir até aqui e dizer que sinto muito — disse ela, sem conseguir impedir que as lágrimas se acumulassem em seus olhos. — Eu precisava dizer o quanto eu te amo, Emma…e o quanto eu preciso de você na minha vida.

A tensão novamente pairou no ambiente. Os olhos de Regina buscaram os de Emma, mas o que ela encontrou foi um rosto dolorosamente impassível e cansado. O coração se apertou em seu peito com o longo silêncio entre elas.

Algo aconteceu dentro de Emma ao fitar os lábios de Regina, e com um movimento brusco, ela lhe puxou pela cintura colando o corpo dela ao seu. Sem que pudesse evitar, a respiração de Regina falhou enquanto ela fitava aqueles olhos verdes cheios de mágoa. Sem conseguir controlar o desejo, Regina espremeu seus lábios contra os dela e lhe agarrou os cabelos loiros e longos presos em um rabo de cavalo, suplicando perdão, ao mesmo tempo em que absorvia seu sabor familiar ao passear a língua em sua boca.

De forma brusca, Emma encerrou o beijo. Recuando alguns passos, ela balançou a cabeça negativamente enquanto caminhava de um lado para o outro no pequeno corredor.

— Vamos entrar e conversar, Emma… — murmurou Regina, e após um longo suspiro, Emma abriu a porta e as duas entraram.

Depois de fechar a porta atrás de si, Emma não estava bem certa se deixar Regina entrar havia sido uma boa ideia. Sua decisão em não aceitar aquele tipo de relacionamento “sugerido” por Regina continuava de pé, mas ela não sabia até quando.

— Você tem ideia do que é querer tanto uma coisa a ponto de se dispor a mudar toda sua vida? — Regina perguntou, interrompendo-lhe os pensamentos.

— Sim…porque eu me dispus a mudar a minha vida por você — disse Emma.

— Eu estou disposta a arriscar tudo, a deixar de lado esse medo absurdo que eu sinto porque eu sei que nós duas valemos a pena — Regina falou, acariciando-lhe o rosto com o dorso da mão.

Novamente incapaz de resistir à própria necessidade, Regina se aproximou e deu um beijo suave e demorado nos lábios de Emma. Seus olhos se fecharam enquanto o calor do corpo dela se espalhava pelo seu.

— Você não sabe quantas noites eu passei em claro, olhando para o teto e me perguntando por quanto tempo duraria essa tortura que é viver longe de você, dos seus beijos, do seu corpo… — Emma murmurou, roçando seus lábios pelo rosto de Regina. — Por longos minutos eu caminhava de um lado para o outro em meu quarto, imaginando mais um dia sem sentir o calor da sua pele…

— Perdão, meu amor… — Regina sussurrou, sentindo as lágrimas quentes descendo rosto abaixo. — Perdão por fazê-la sofrer…eu também sofri com sua ausência e não quero passar por isso nunca mais. Nós não vamos passar por isso nunca mais.

As pontas dos dedos de Emma percorram seu rosto com leveza, enxugaram suas lágrimas e desceram pela curva do pescoço, passaram pelos seus ombros até se deterem em sua cintura.

— Eu te amo, Regina… — disse Emma, umedecendo os lábios e fixando seus olhos verdes nos castanhos dela.

— Eu também te amo, Emma…e a ideia de perder você para sempre me deixou doente. Por isso, eu não quero passar nem mais um dia sem você — acrescentou. Seus lábios pairavam sobre os dela.

Foi então que Emma a apertou contra o seu corpo e seus lábios se apossaram dos dela, num beijo desesperado e faminto. Respirando com dificuldade, elas mergulharam uma na boca da outra, loucas para desfrutar e recuperar o tempo perdido. Sem interromper o beijo, Emma retirou a pistola presa à sua cintura largando-a em cima do sofá, enquanto aos tropeços, conduzia Regina em direção ao quarto. A cada passo dado por elas, uma peça de roupa ia ficando pelo caminho.

Com as mãos emaranhadas nos cabelos de Regina, Emma lhe puxou a cabeça para trás e foi marcando seu pescoço com beijos, e só depois de alguns minutos explorando aquela parte do corpo dela, Emma a deitou delicadamente sobre o leito. Parada próxima ao pé da cama, os olhos verdes e famintos de Emma percorreram o corpo dela, se fixando nos suculentos mamilos rijos devido à excitação. Suas mãos deslizaram pelas pernas parcialmente abertas arrancando um longo suspiro da mulher à sua espera.

— Me possua, Emma… — Regina sussurrou. — Não há uma só parte do meu corpo que não deseje sentir o seu toque.

Com os olhos verdes ardentes de posse e quase sem fôlego, Emma se ajoelhou e apoiou as pernas de Regina sobre os próprios ombros. A ponta dos seus dedos escorregaram pela parte interna das coxas dela e levemente roçaram-lhe a vulva desprovida de pilosidade.

De um ímpeto, Regina arqueou as costas, e antes que pudesse se recuperar do choque provocado por essa carícia, Emma pousou a boca em seu sexo.

— Oh, Emma… — ela murmurou, empurrando os quadris de encontro à sua boca.

As mãos de Emma se agarraram às coxas dela possessivamente, mas em poucos segundos se afastaram, escorregando corpo acima até lhe alcançar os seios. No mesmo instante, Regina cobriu as mãos dela com as suas, ditando a força com que ela os tocava.

Desnorteada e enlouquecida, a única coisa que Emma desejava era se afogar naquela intimidade, e em resposta a cada toque, a cada sucção que a boca dela fazia em seu sexo, Regina gemia, se contorcia de prazer enquanto Emma enfiava a língua para dentro e para fora.

— Emma…eu vou…oh, céus! — ela exclamou, mordendo a ponta do travesseiro na intenção de abafar os gemidos, enquanto seu corpo era sacudido pelas vibrações provocadas pelo orgasmo.

Tentando recuperar o fôlego, Regina sentiu os seus pelos se eriçarem à medida em que os lábios de Emma percorriam-lhe o corpo, cobrindo-o de beijos e pequenas mordidas. Quando os olhos finalmente se cruzaram, ambas sorriram e se beijaram sem qualquer vestígio de pressa.

— Eu te amo… — Regina disse, rolando para o lado e se posicionando sobre Emma. Ela se ergueu um pouco e roçou seus lábios nos dela, lenta e suavemente. — Eu não aguentaria mais um minuto longe de você — acrescentou, tomando-lhe as mãos e levando-as até os seus seios. Emma os segurou, massageando-os cada um separadamente.

Sentada sobre as coxas de Emma com as costas perfeitamente eretas, os movimentos ritmados dos seus quadris se tornaram mais rápidos. Suas mãos cobriram as mãos de Emma enquanto ela acariciava seus seios.

— São seus, Emma…só seus… — ela disse. Sua voz rouca e sensual causou um estremecimento no corpo de Emma.

Arqueando as costas, Regina deslizou uma das mãos pela barriga e esfregou o clitóris. Os quadris continuavam se movimentando depressa, e a respiração um pouco mais rápida. Prestes a gozar mais uma vez, ela cessou os movimentos e cobriu o corpo de Emma com o seu.

Deitada sobre ela, Regina lhe beijou o rosto, desceu pelo pescoço, colo e se demorou nos seios. Ela os lambeu, beijou, sugou, e depois lambeu de novo, a boca sugando e contornando os mamilos. O prazer de tais carícias pegaram Emma em cheio e por um momento ela ficou sem fôlego.

— Diga que me ama, Emma… — Regina pediu, enquanto seus lábios continuavam explorando o corpo dela. A língua havia abandonado os seios e agora deixavam rastros de saliva sobre o abdômen.

— Eu te amo… — Emma murmurou. — Eu sou louca por você… — completou, mordendo o lábio com força enquanto a língua de Regina fazia círculos ao redor do seu umbigo, provocando uma onda de choques em seu baixo-ventre.

Foi então que Regina pressionou seus lábios contra o sexo dela. Lenta e suavemente, ela chupou, lambeu, tocou com os dedos, com a ponta da língua. A fricção da língua dela aumentou resultando numa explosão de prazer quando o orgasmo chegou.

Regina refez o percurso sobre o corpo de Emma enquanto ela se acalmava, e quando seus olhos castanhos encontraram os olhos verdes dela, profunda e apaixonante, Regina a beijou e depois relaxou ao seu lado, abraçada ao seu corpo, com a cabeça apoiada em seu peito.

— Eu não quero que você diga ao mundo inteiro que estamos juntas — disse Emma, quebrando o silêncio entre elas. — Eu só quero que você seja somente minha…sem mentiras, sem medo, sem vergonha.

— Eu sinto muito — Regina falou. — Não consigo acreditar que quase acabei com a gente…você me perdoa?

— Já passou, Regina. E agora será diferente, não é?

— Sim, meu amor. Amanhã falarei com Robin e depois com meus pais.

— Se quiser que eu vá com você…

— Não, amor. Eu tenho que fazer isso sozinha — disse ela, e após um beijo, deitou a cabeça novamente em seu peito, rezando para que os seus pais a compreendesse.