Notas iniciais
Bom, espero que essa nova história agrade tanto quanto as outras agradaram. Não disponho mais de tanto tempo como antes, portanto, não atualizarei todos os dias, mas farei o possível para não demorar tanto. Boa leitura.

— Regina, não insista! Você não vai colocar os pés fora dessa casa sozinha! Ou vai com o segurança, ou não vai! — dizia Cora, claramente irritada.

— Mamãe, pelo amor de Deus! Eu já tenho idade suficiente para cuidar de mim mesma, portanto, não me trate como se eu fosse uma criança!

— Não quero saber de idade! Pouco me importa se você tem trinta, quarenta ou cinquenta anos! Você é a filha do senador desse estado e lá fora tem um monte de delinquentes esperando um descuido para dar o bote!

— Já estão discutindo outra vez? — indagou Henry, pai de Regina e senador do estado.

— Papai, vou apenas ao shopping e não preciso de um segurança. Me sinto sufocada e não gosto da forma que…

— Já falamos sobre isso, filha — ele a interrompeu. — Você sabe que o índice de sequestros principalmente por terroristas aumentou nos últimos anos, ainda mais quando se aproximam as eleições. Então é melhor prevenir — ele falou. — Mas hoje, abrirei uma exceção e você pode ir ao shopping sem um segurança, mas só hoje, está bem?

— Obrigada, papai! Eu não demoro! — dito isso, ela se retirou.

— Essa sua mania de fazer tudo o que essa menina quer não vai dar certo! — esbravejou Cora.

— Regina não é uma menina, é uma mulher. E não se preocupe, já resolvi esse problema que ela tem com os seguranças…

[…]

Emma observava a paisagem pela janela do avião, ao mesmo tempo em que contava os minutos para se encontrar em terra firme. O voo de Storybrooke para Boston finalmente estava chegando ao fim, e depois dos poucos minutos que restavam para a aterrissagem, sua vida mudaria para sempre. Fazia pouco tempo que ela havia deixado a academia de polícia e sua primeira missão era proteger a filha do senador do estado.

— Emma! Ainda não acredito que você está aqui em Boston! — dizia Mérida, colocando as bagagens no porta-malas de seu carro.

— Nem eu acredito — disse ela, acomodando-se no banco do passageiro. — Obrigada por me “hospedar” em seu apartamento.

— Não tem que agradecer nada, na verdade, eu quem agradeço pela companhia que você me fará!

— Não quero ser estraga prazeres, mas não se anime tanto com isso. Ser babá de gente grande é um tanto complicado…

— Por falar nisso, que chique hein! Segurança particular da filha do senador!

— Não há nada de chique nisso. Eu só espero que ela não seja tão arrogante como aparenta ser.

— Arrogante eu não sei, mas que é linda…isso ela é demais! A propósito, poderia pedir uma foto dela autografada para mim?

— Eu vou fingir que não ouvi isso.

— Qual o problema? Ela é quase uma celebridade.

— Acontece que eu não estou disposta a pagar esse mico.

— Você e sua fiel seriedade…não me admiro que você tenha escolhido essa profissão.

— Espero que isso seja um elogio…

Ao chegar em seu novo lar, Emma desceu do carro e foi logo atingida pela correria da cidade grande. O som das sirenes, alarmes de carros e freadas bruscas, vozes de todos os lados, passos pesados pelas calçadas, tudo tão diferente daquilo que ela vivenciara na pacata cidade de Storybrooke.

— Logo você se acostuma — disse Mérida, como quem acabara de ler seus pensamentos. — Afinal, se você escolheu essa profissão, tinha como propósito viver na cidade grande, não? Ou pretendia ser vigilante em um mercadinho de Storybrooke?

— Nossa, como você é engraçada — disse Emma, ao mesmo tempo em que revirava os olhos.

— Obrigada! — ela exclamou, largando as bagagens da amiga em um canto qualquer. — Vem, deixe-me mostrar a casa.

O apartamento elegante e moderno possuía dois quartos e dois banheiros, uma cozinha ampla, assim como a sala, além dos móveis de muito bom gosto. Embora Mérida trabalhasse e se sustentasse, era de uma família de classe média alta, então dinheiro nunca havia sido um problema.

— Esse será o seu quarto. Gostou?

— Claro que sim, Mérida. Obrigada.

— De nada, amiga. Essa casa é sua casa, lembre-se disso. Agora vou te deixar descansar um pouco.

— Eu vou apenas tomar um banho e já te encontro para colocarmos o assunto em dia.

— Ótimo! Essa é minha amiga Emma! Enquanto isso, vou pedir uma pizza para comermos!

Nas horas que se seguiram, foi exatamente o que fizeram: colocaram o assunto em dia enquanto se entupiam de pizza e cerveja. Emma explicou que seu grande desempenho e disciplina na academia de polícia foram os principais requisitos para que o senador do estado solicitasse os seus serviços.

…

No dia seguinte, Emma se viu parada diante da enorme mansão onde residia a família Mills. Antes mesmo de começar a examinar o ambiente, dois seguranças se aproximaram e rapidamente ela se identificou. Após alguns minutos de espera, ela teve autorização para entrar. Um dos seguranças a acompanhou até a porta de entrada, em seguida, o mordomo da casa a conduziu até o escritório onde Henry Mills a esperava.

— Senhorita Swan — Henry falou, estendendo-lhe a mão.

— Senador Mills — disse ela, fazendo um rápido meneio de cabeça.

— Sente-se por favor. Aceita beber alguma coisa?

— Não, senhor. Obrigada.

— Então vamos direto ao ponto — disse ele. — Não sei se o seu instrutor chegou a comentar, mas suas notas, disciplina e agilidade me surpreenderam sinceramente. Meus parabéns.

— Obrigada, senhor.

— Acredito que a senhorita saiba que eu tenho apenas uma filha, e como todo pai, eu preciso protegê-la. Regina é uma mulher difícil e por alguma razão que ainda desconheço, ela diz não se sentir à vontade com um segurança no seu encalço. Por isso, peço-lhe um pouco de paciência com ela. Talvez ela não implique tanto pelo fato de você ser mulher, mas com Regina nunca se sabe.

— Não se preocupe, senhor Mills. Darei o melhor de mim para proteger sua filha.

— Ótimo! Preciso dos seus serviços todos os dias, exceto aos domingos que serão sua folga. Caso surja algum problema pessoal ou imprevisto, poderá resolvê-los em seus horários de descanso sem que isso coloque em risco a segurança da minha filha.

— Sim senhor.

— Meu assessor já está chegando para tratar dos últimos detalhes com você. E enquanto ele não chega, deixe-me apresentá-la à Regina — ele falou, levantando-se em seguida.

Emma o acompanhou até o jardim onde o mordomo informou que Regina estava. De costas, uma bela morena de cabelos curtos falava ao telefone. Ela usava um vestido tomara que caia preto, abraçando como uma luva suas curvas sutis. Os sapatos de saltos altíssimos se encaixavam perfeitamente em seus pés, e de alguma forma, pareciam deixar as pernas dela ainda mais bonitas.

— Filha, quero que conheça sua nova segurança — Henry falou, e rapidamente, Regina se virou em sua direção.

Os olhos de Emma subiram pela gargantilha de diamantes, mas ignoraram o brilho da joia e se fixaram naqueles lábios cobertos por um batom de cor rubi, impressionantes, fartos e convidativos. Os cílios espessos deixavam seus lindos olhos castanhos mais vivos, olhos esses que encaravam o verde brilhante dos olhos de Emma.

— Minha segurança? — indagou Regina, percorrendo-a por inteira.

Emma usava um terno preto ajustado que ocultava o corpo malhado, porém esbelto. Por baixo vestia uma camisa de colarinho branco e gravata da mesma cor do terno. Os longos cabelos loiros apesar de presos em um rabo de cavalo, estavam sensualmente despenteados, como se ela não tivesse se dado ao trabalho de arrumá-los após o banho.

— Isso mesmo — ele disse. — A senhorita Emma Swan será, a partir desse minuto, sua sombra — acrescentou, esboçando um meio sorriso.

— Com licença, senhor… — interrompeu o mordomo. — Seu assessor o espera no salão.

— Obrigado, Marco. Senhorita Swan, venha comigo…meu assessor lhe deixará a par dos últimos detalhes de sua jornada de trabalho. Com licença, filha — disse Henry.

— Com licença, senhorita — disse Emma, acompanhando-o.

[…]

— Quem te entende, Regina? Você reclamava dos seguranças masculinos, e agora que tem uma da classe feminina, reclama do mesmo jeito?! — indagou Ruby, sua melhor amiga.

— E você queria que eu ficasse toda contente enquanto comprava lingerie ao lado de um brutamonte que eu nem conhecia?

— Agora não há razão para ficar constrangida, já que a sua “guarda-costas” é uma mulher. A propósito, como ela é?

— Não reparei… — ela murmurou.

— Não faz mal! Daqui a pouco quando formos jogar tênis, matarei minha curiosidade.

Depois de se atualizar sobre o salário e a carga horária, Emma foi conduzida a uma sala na própria mansão onde recebeu sua arma e algumas instruções relacionadas a Regina. Muitas vezes, ela deveria assumir o papel de segurança e motorista, tudo dependeria da vontade da filha do senador em dirigir ou não. Por alguns instantes, Emma quase se arrependeu de ter aceitado tal responsabilidade, mas a julgar pelo salário que receberia, resolveu se arriscar naquela aventura.

— Aquela loira é a sua guarda-costas? — Ruby perguntou, claramente surpresa. — Mas o que uma beldade como essa está fazendo aqui? Ela deveria estar numa passarela desfilando!

— Que exagero, Ruby. Ela nem é tão bonita assim — murmurou Regina.

— É claro que ela é! Espera… Oh, não…está com ciúmes? Não fica com ciúmes, amiga. Você é mais bonita do que ela, está bem?

— Para de ser boba e vamos logo…não quero me atrasar.

Emma olhou ao redor do jardim e seus olhos capturaram a figura de Regina aproximando-se ao lado de outra pessoa. De súbito, ela se manteve atenta a cada passo dado por elas, uma vez que o histórico de fugas de Regina sem a devida segurança não era um dos melhores.

— Vai sair, senhorita? — Emma perguntou.

— Não. Vim apenas olhar para sua cara — disse Regina, atirando-lhe as chaves do carro e adentrando o veículo.

— Nós vamos para o clube de tênis — disse Ruby. — Se não souber onde fica, posso indicar o caminho — acrescentou, esboçando um meio sorriso. — A propósito, me chamo Ruby Lucas.

— Emma Swan, às ordens. E quanto ao caminho, eu o conheço, mas agradeço a gentileza.

Tentando se mostrar pouco afetada por aquele diálogo, Regina voltou suas atenções para o celular, embora vez e outra, instintivamente, ela levantasse a vista e acabasse se deparando com os olhos verdes refletidos no retrovisor. Emma, por sua vez, se manteve em silêncio todo o percurso, tentando ignorar a consciência excessiva da presença perturbadora de Regina Mills.

…

— Uau! Hoje você foi massacrada! — exclamou Ruby, após derrotar Regina por dois sets a zero.

— Aproveita enquanto pode. Afinal de contas, não é sempre que estou distraída a ponto de perder assim pra você.

— E o que está te distraindo? Posso saber?

— Nada importante…apenas esse cuidado excessivo de papai e mamãe que me aborrece.

— Ser filha de gente importante não é fácil! Mas eu até entendo a preocupação deles…o índice de sequestros à parentes de políticos tem aumentado bastante, Regina.

— É, eu sei. Mas ainda assim, me tratam como se eu fosse uma criança e isso me tira do sério.

No caminho de volta para casa, Emma tentou não se mostrar inquieta quando seu olhar encontrou o de Regina através do retrovisor. Aquela proximidade só fazia com que ela se desse conta de quão linda a filha do senador era de fato, e felizmente, seu primeiro dia de trabalho estava terminado bem.

— Ela é bonitona mesmo como na TV e nas revistas, ou é tudo photoshop? — indagou Mérida.

— Ela realmente é bonitona — disse Emma. — Mas o que tem de bonita, tem de insuportável.

— É sério?

— Sim, é sério. Toda de nariz empinado e arrogante. Mas enfim, vou dormir…estou cansada e preciso renovar as energias para aguentar aquela mulher amanhã.

— Boa noite, minha loira linda! E boa sorte!

— Boa noite e obrigada…eu vou precisar.

…

Conforme havia sido instruída, Emma chegou à mansão da família Mills às nove horas em ponto. Pelo que lhe fora informado sobre a rotina de Regina, por volta das nove e trinta ela costumava se dirigir ao seu ateliê onde lá permanecia até as treze horas. Com a expressão dura, Regina se aproximou e sem dizer uma só palavra, se acomodou no banco traseiro do Mercedes que já se encontrava com a porta aberta à sua espera.

— Para o meu ateliê, por favor — limitou-se a dizer.

Felizmente, ela já havia estudado todas as rotas dos lugares onde Regina costumava frequentar. Sem que pudesse evitar, Emma levantou o olhar e através do retrovisor, seus olhos cruzaram com os olhos de Regina. Era ainda mais bonita do que se lembrava, não que vinte e quatro horas pudessem apagar a imagem dela de sua mente, mas agora, sua beleza parecia ter se estendido conforme o passar do dia.

Poucos minutos depois, Emma adentrou os portões da propriedade onde se encontrava o ateliê.

— Não te autorizei a entrar aqui — disse Regina, ao se dar conta que Emma havia ultrapassado os limites da porta antes dela.

— Não preciso de autorização para fazer o meu trabalho, preciso checar se o local se encontra seguro — ela disse.

— Esse lugar é mais seguro que a casa branca!

— Bom para a senhorita. Com licença — ela respondeu sem se abalar, em seguida se retirou, permanecendo de plantão na porta até as treze horas em ponto.

O relógio de pulso que Emma usava marcava exatamente treze horas e cinco minutos.

Regina guardou os pincéis em seu devido lugar depois de horas buscando uma inspiração que não apareceu para finalizar pelo menos um dos quadros. Ao abrir a porta, ela se arriscou a olhar na direção de sua guarda-costas e sem saber o porquê, ela se sentiu absurdamente dominada quando seus olhares se cruzaram. Não sabia porque o olhar de Emma a abalava tanto, e odiava o fato de, na verdade, gostar da forma como ela a encarava.

— Eu quero dirigir — Regina falou, e sem esboçar nenhuma reação, Emma abriu a porta e lhe entregou as chaves do carro. Apressadamente, ela contornou o veículo e ao fazer menção de abrir a porta do lado do passageiro, Regina acelerou deixando-a para trás.

Notas finais
Até o próximo!