A Filha do Senador
6 Capítulo 6
Notas iniciais
— Porque me chamou de “meu amor”? — indagou Emma.
— Não posso ser carinhosa com minha melhor amiga? — respondeu Mérida, mordendo o lábio enquanto oscilava de um lado para o outro.
— É claro que pode. Só que…você nunca me chamou assim antes, mas resolveu fazê-lo justamente na frente de Regina.
— Tá, eu fiz de propósito só pra vê-la com ciúmes — disse ela, não contendo o riso.
— Ela não sente ciúmes de mim. Alias, porque ela sentiria ciúmes de mim?
— É claro que sente. Enquanto você caminhava, ela te comia com os olhos…eu estava vendo tudo. Além disso, ela estava com a revista ao contrário e toda nervosinha com a sua presença.
— Eu não vi nada disso.
— E como poderia ver? Você estava tão concentrada nas pernas dela que nem notou que ela estava lendo a revista de cabeça pra baixo.
— Eu não estava concentrada, só olhei de relance…
— Não tenho dúvidas! Mas tudo bem, vamos para casa porque eu estou louca por um banho quente!
…
— Será que Emma e aquela garota ruiva são…
— Não sei e nem quero saber! — Regina a interrompeu, enquanto ajustava o cinto de segurança.
— Ah, não! Você está com ciúmes! — exclamou Ruby, explodindo numa gargalhada.
— Não enche, droga! É claro que não estou com ciúmes!
— Qual é, Regina! Porque você está escondendo as coisas de mim? Não sou mais sua melhor amiga?
— Claro que é! Eu só não estou com ciúmes. Não tenho razão alguma para sentir ciúmes… — ela disse, e embora tentasse, não conseguia evitar de pensar em Emma. Lá estava ela mais uma vez, acomodando-se em seus pensamentos. Tudo nela só fazia aumentar a confusão dos seus sentimentos, e de uma hora para outra, o coração ficou mais pesado. — Sim…eu estou com ciúmes — Regina confessou. — Eu estou morrendo de ciúmes. Estou sentindo falta dela me acompanhando todos os dias…não consigo tirá-la da cabeça.
— Meu Deus, Regina…você está apaixonada! — afirmou Ruby.
— É, talvez eu esteja.
— E não vai fazer nada em relação a isso?
— O que eu posso fazer?
— Procurá-la, ué! E claro, falar dos seus sentimentos.
— Ah, Ruby…por favor! Não é tão simples assim!
— Mas é claro que é! Você a procura, diz que está apaixonada e…
— E ela vai rir da minha cara!
— Ela vai vibrar de felicidade porque ela também está apaixonada por você! Ou já esqueceu que ela te beijou?
— Eu não sei…além disso, ela já tem alguém.
— Talvez seja apenas uma amiga.
— Não pareciam apenas amigas. Eu ouvi perfeitamente quando aquela sem graça a chamou de “meu amor”!
— Para de buscar pretexto e vai atrás dela antes que seja tarde demais.
— Ruby, liga esse carro e vamos para casa.
Com o passar da noite, Regina sentiu que a incapacidade de fazer alguma coisa a consumia. Todo os esforços que estivera fazendo para reprimir seus sentimentos por Emma, foram por água abaixo no exato momento em que seus olhos a flagraram ao lado de uma outra mulher. A raiva e o ciúme se manifestaram em seu peito, induzindo-a a procurá-la o mais rápido possível.
— Filha, o que está procurando? — Cora perguntou, ao adentrar o escritório e flagrá-la revirando as gavetas.
— Ah…eu devo ter deixado aqui uma nota fiscal de algo que comprei…
— Porque não pede para uma das empregadas procurar?
— É, tem razão…depois eu vejo isso. Tenho que ir ao ateliê essa manhã. Até mais tarde, mamãe — dito isso, Regina se retirou.
…
— O que você queria que eu fizesse? Mamãe chegou na hora já me interrogando! — exclamou Regina.
— Você parece uma adolescente com medo da sua mãe.
— Não enche, Ruby! Você sabe perfeitamente a minha situação.
— Se você se assumisse de uma vez, não precisaria passar por isso. A propósito, como está o babaca do seu namorado?
— Não sei e nem me interessa. Ele me ligou essa manhã e eu não atendi.
— Regina, você está complicando cada vez mais a sua vida.
— Eu sei, mas não quero pensar nisso agora…eu só preciso do endereço dela.
— Eu vou conseguir pra você, não se preocupe.
— Vai? Como?
— Com o assessor do seu pai. Eu o conheço e direi que uma conhecida precisa dos serviços dela.
— Obrigada, Ruby.
— Não tem que agradecer nada…amigas são pra essas coisas — ela disse, enquanto efetuava a ligação.
Em poucos minutos de conversa, Ruby conseguiu o número do telefone celular de Emma, ainda que Regina preferisse o endereço. Depois de retornar para casa, ela se trancou em seu quarto e perdeu as contas de quantas vezes digitara aquele número, e com a mesma rapidez que o digitava, ela apagava.
Algumas horas se passaram enquanto ela rolava inquieta sobre a cama, e quando pensou em ligar outra vez, as batidas à porta do seu quarto lhe impediram.
— Vim te buscar para irmos a uma festa na cobertura de Anita — Ruby falou, atirando-se sobre a cama de Regina.
— Ah, não. Você sabe que não vou com a cara dela.
— Sim, eu sei. Mas vai ser divertido e…Zelena estará lá.
— Pior ainda! Mas quem te disse que ela estará lá?
— A própria Anita.
— Não te entendo…você vive correndo atrás dela mas não se declara.
— Alto lá porque você está praticamente na mesma situação que eu! A propósito, ligou pra Emma?
— Não tive coragem.
— Está vendo? Precisamos encontrar a coragem que está nos faltando…agora vai, se arruma porque você irá comigo!
— Não tenho saída, tenho?
— É claro que não tem.
[…]
A quantidade de pessoas circulando pelo luxuoso apartamento de Anita provocaram uma pontada de arrependimento em Regina, principalmente quando Zelena se aproximou para cumprimentá-las. Embora fossem primas legítimas, Regina não a suportava.
— Preciso de uma bebida extremamente forte agora, ou juro que vou vomitar — Regina murmurou.
— Não fala assim, Regina…
— Como pode gostar de uma mulher tão vulgar como ela?
— Não sei…apenas gosto e ponto final. Vou buscar uns drinques e já volto.
Depois de duas doses de tequila, Ruby flagrou Zelena aos beijos com um desconhecido. Desolada, ela se meteu numa partida de “vira-copo” com Regina, e se não fosse por Anita que interrompeu a brincadeira, talvez as duas tivessem acabado num terrível coma alcoólico.
— Eu disse que ela era uma puta — Regina falou, com a voz arrastada.
— Ela não é uma puta — murmurou Ruby, entre soluços. — Você está bêbada e por isso está vendo putas onde não tem — acrescentou, enquanto a cabeça despencava para um dos lados.
— Não sei se estou vendo putas, mas… — Regina murmurou, mantendo os olhos fixos em uma direção. — Aquela ali não é a cara da minha ex guarda-costas? — completou, e Ruby explodiu numa sonora gargalhada.
— Não seja bobinha, amiga. Aquela é a sua ex guarda-costas — ela falou.
Com uma expressão confusa, Regina observava os passos apressados com que Emma se aproximava delas.
— O que ela está fazendo aqui? — questionou Regina, com o cenho franzido.
— Como você não teve coragem de ligar pra ela, eu acabei ligando e contei uma mentirinha para fazê-la vir até aqui — disse Ruby, franzindo a testa num gesto inocente, e antes que Regina pudesse perguntar sobre a suposta mentirinha, Emma chegou até elas com o rosto cheio de preocupação.
— Você está bem? — Emma perguntou, percorrendo o corpo de Regina com o olhar, ao mesmo tempo em que suas mãos lhe tocavam os ombros. — Onde está aquele covarde?
— Calma, Emma…ele já foi embora — Ruby falou, enquanto Regina nitidamente perdida, tentava compreender o que se passava.
— Aquele maldito machucou você? — indagou Emma, segurando-lhe o queixo enquanto analisava o seu rosto.
— Ele não a machucou…ele só tentou forçá-la a dançar com ele — disse ela.
— Ruby, você disse que o filho da puta do Robin a agrediu — Emma falou, recuando em seguida.
— Eu disse?
— Disse, Ruby. Você disse com todas as letras que ele tinha batido nela! — Emma exclamou, e ao compreender o que havia acontecido, Regina interveio em favor da amiga.
— Está tudo bem, Emma…ele já foi embora — disse Regina, esboçando um meio sorriso.
— Então… — murmurou Ruby, exibindo um sorrisinho maroto. — Vejo vocês mais tarde! — dito isso, ela despareceu cambaleando em meio a multidão.
…
— Acho que sua amiga exagerou…você parece ótima — Emma falou, e ao fazer menção de se afastar, Regina se atirou em seus braços.
— Eu já disse que adoro a cor dos seus olhos? — ela perguntou, inclinando a cabeça pra cima a fim de olhá-la.
Num misto de surpresa e incredulidade, Emma sorriu. Não esperava aquela reação e proximidade de Regina, muito menos um questionamento do tipo.
— Não, você nunca disse isso.
— Eu gosto da cor dos seus olhos…e das covinhas quando você sorri. Mas você quase nunca dá um sorriso, está sempre séria, mas eu gosto disso também… — ela dizia, enquanto seu olhar parecia estudar cada pedacinho do rosto a poucos centímetros do seu.
Emma ergueu uma das sobrancelhas ao mesmo tempo em que lutava internamente para manter o seu autocontrole. A voz de Regina, rouca como a de uma operadora de telessexo, a deixava extremamente excitada.
— Bem, obrigada pelos elogios…
— Venha tomar uma tequila comigo — disse Regina, segurando-a pela mão e caminhando em direção a um dos bares afastados da multidão.
— Não acha que já bebeu demais, senhorita Mills?
— Senti falta disso…
— De que?
— De você me chamando de senhorita Mills — ela disse, e ao parar de repente, sentiu o corpo de Emma bater contra sua bunda. Ao se virar rapidamente, Regina deu de cara com ela. — Vem, toma um drinque comigo…
— Vou dispensar a bebida e você deveria fazer o mesmo.
— Então dança comigo — ela falou, arrastando-a de volta para se juntar a multidão.
— Eu não gosto de dançar, mas pode ficar à vontade. Eu espero aqui.
— Você não bebe, não dança…só falta me dizer que não faz sexo! — ela exclamou e saiu rebolando para o meio do salão.
Os cabelos curtos e negros desgrenhados iam e vinham enquanto seu corpo se movimentava de forma sensual e provocante ao som da música. Emma precisou de todo o autocontrole para não agarrá-la e tomá-la para si ali mesmo, diante de todos.
Sorrindo de orelha a orelha, Regina passou a acariciar o próprio corpo. Sem dúvida, ela estava dando um verdeiro show para Emma. Colocando-se de pé, Emma atravessou o salão na direção de Regina quando um desconhecido se agarrou a cintura dela e roçou os quadris em sua bunda. Embora Regina parecesse satisfeita com o que estava acontecendo, Emma não permitiu que aquela dança obscena tomasse maiores proporções e movida pelos ciúmes, ela rapidamente deu um fim aquele show.
— Finalmente veio dançar comigo? — indagou Regina, enlaçando-lhe o pescoço.
Com os rostos a poucos centímetros de distância, Emma sentiu um súbito calor acompanhado de uma carga de adrenalina correndo em suas veias. Sua boca queimava de ansiedade enquanto seus olhos fitavam os lábios carnudos de Regina. Seus olhos penetravam os dela com a mais pura e verdadeira luxúria, e quando Emma se deu conta, já estava deslizando as mãos pela cintura e pela bunda dela.
— Vamos…mexa-se um pouquinho… — Regina sussurrou, colocando-se de costas. Devagar, ela puxou os braços de Emma e os posicionou ao redor de sua cintura sem se importar com o lugar em que estavam. Ambos os corpos agora se movimentavam em sincronia ao som de uma música que embora nenhuma delas conhecesse, era extremamente erótica.
Embalada com a sensação do corpo de Emma colado ao seu, Regina sentiu o coração acelerar quando os lábios dela roçaram em sua orelha. Naquele momento, ela desejou se virar e encarar aqueles olhos verdes fascinantes, mas o leve e delicioso roçar dos quadris dela em sua bunda a impediram de mudar a posição.
— Vamos embora daqui… — Emma sussurrou. Seu hálito quente batendo contra a orelha dela resultou em um gemido que Regina não conseguiu segurar.
— Sim…vamos… — ela respondeu, virando-se rapidamente enquanto lhe puxava pela mão e subia escada acima.
— Para onde está indo? — Emma perguntou, todavia, não obteve resposta. Regina continuou o percurso, segurando-lhe a mão com força enquanto o som da música e das vozes iam ficando para trás.
Quando Regina abriu a porta de um dos quartos, Emma sentiu as emoções se infiltrarem pelos olhos dela. Luxúria, desejo, tesão, vontade.
— Diga-me…o que você quer? — Emma perguntou, num tom de voz quase inaudível.
Sem proferir uma só palavra, Regina enlaçou o pescoço dela e lhe dirigiu um olhar lascivo, penetrante. Seus lábios se aproximaram, o hálito quente e doce misturado ao álcool pairava sobre o rosto de Emma, causando-lhe arrepios.
— Eu…quero você… — Regina confessou. Com a respiração ofegante, ela mal conseguia pronunciar as palavras.
Induzida por aquela confissão, Emma invadiu o quarto e depois de trancar a porta, a empurrou contra a parede, pressionando-lhe o corpo com o seu.
— Você tem certeza que me quer, senhorita Mills? — ela indagou, mantendo seu olhar fixado no dela.
— Eu te quero… — ela disse, sentindo um calor pulsar em sua barriga e percorrer todo o seu corpo. — Te quero como uma louca! Você não sai dos meus pensamentos, dos meus sonhos, da minha cabeça… — acrescentou, e antes mesmo de recuperar o fôlego, Emma tomou sua boca.
Sem qualquer vestígio de dúvidas, Emma a deixara sem fôlego na primeira vez em que se beijaram, mas naquele momento, dissimulada como um ladrão, ela tentava lhe roubar o coração.
Com desejo, tesão e álcool correndo nas veias, Regina não se importou com o lugar onde estavam e sem hesitar, agarrou o colarinho da jaqueta que Emma usava, puxando-a em direção à cama.
O beijo foi interrompido por poucos segundos, tempo suficiente para que Regina retirasse aquela peça de couro do corpo de Emma e no momento seguinte, as duas desabaram sobre a cama.
Regina deixou escapar um longo gemido quando a língua de Emma deslizou por sua orelha e posteriormente, pescoço abaixo. Sua respiração acelerou consideravelmente e o coração em disparada pareceu aumentar de tamanho quando os botões de sua blusa de seda saltaram e se espalharam pela cama mediante a forma bruta com que Emma lhe arrancou a peça. Aquele gesto impaciente e selvagem encharcou sua calcinha, mas ela mal tivera tempo para se recuperar e logo sentiu as mãos de Emma puxando seu sutiã de renda branca, e posteriormente, o toque suave e molhado da língua dela na curva dos seus seios. Envolvendo o bico enrijecido com os lábios, Emma o sugou, a princípio, delicadamente.
Emma puxou a barra da saia de Regina para cima, expondo as coxas perfeitas e o tecido sedoso da calcinha. Os beijos foram se tornando frenéticos enquanto as mãos se buscavam, se tocavam, trêmulas pelo desespero. Regina gemeu e quase perdeu o fôlego quando Emma baixou sua calcinha, e deslizou dois dedos para dentro do seu sexo. Arfante, ela arqueou as costas enlouquecida com aquela sensação, e depois de alguns segundos encarando a reação estampada nos olhos verdes fixados em si, ela ergueu os braços puxando-a de volta para mais um beijo. Ambos os corpos pulsavam de prazer e as unhas de Regina se cravavam nas costas de Emma rasgando-lhe a carne, enquanto ela rebolava os quadris e se contraía em volta dos dedos que a penetravam.
Recuando, Emma interrompeu o beijo enquanto seu olhar varria o rosto lindo de Regina. Foram tantas noites sonhando com o quase impossível momento em que Regina seria sua, e agora ela se encontrava ali, sob seu corpo, entregue, pronta para ser possuída. Mas estava bêbada. Emma não se permitiria tomá-la naquele estado de embriaguez, e para completar, na cama de um estranho. Com um nó se formando em sua garganta, Emma retirou os dedos de dentro dela e com um esforço torturante, levantou-se da cama rapidamente.
— Não posso fazer isso, senhorita Mills… — disse Emma, arfante e aflita.
Fale com o autor