— Zelena, preciso que me ajude a resolver um problema.

— Quem diria que um homem poderoso como o senador do estado precisaria de mim — disse ela, esboçando um sorriso torto. — Tia Cora sabe que você está aqui?

— Ninguém sabe e espero que não seja estúpida o suficiente para dizer alguma coisa.

— Estúpida é a puta que te pariu! Messa suas palavras quando estiver dentro da minha casa!

— Casa que foi comprada com o meu dinheiro! — Henry exclamou, segurando-a pelos cabelos. — Alias, tudo o que você tem hoje é graças a mim, não esqueça disso — acrescentou, empurrando-a para longe de si.

— Muito bem…em que posso ajudá-lo, senhor senador? — ela indagou. O tom de voz carregado de ironia.

— Quero que faça com que Regina acredite que você e Emma Swan estão se envolvendo — disse ele, e em resposta, Zelena explodiu numa estrondosa gargalhada.

— Querido, a América inteira já sabe que a minha priminha saiu do armário! Então que diferença faz se ela está com a ex guarda-costas ou com outra mulher qualquer?

— Não me importa! — ele gritou, puxando-a para junto de si. — Quero minha filha longe daquela morta de fome e acho bom você não me decepcionar — acrescentou, e em seguida, a beijou na boca.

…

Com um sorriso forçado, Zelena fechou a porta após a saída do senador e finalmente permitiu que a expressão enojada transparecesse em sua face. Se tornar amante de Henry Mills lhe havia trazido muitos benefícios, entre eles, a aproximação entre ela e Regina que acabou resultando na descoberta de sua verdadeira sexualidade, e graças a isso, uma boa quantia lhe fora paga com a venda das fotografias onde sua prima aparecia se beijando com a ex guarda-costas.

— Velho asqueroso…não pense que vou fazer isso apenas porque você mandou. Eu o farei porque detesto a vadia da sua filha — ela murmurou, perdida em pensamentos.

[…]

Usando sua fina e delicada camisola de seda, Regina parou diante do batente da porta e após exibir um sorrisinho, ela fechou a porta, se aproximou de Emma e a empurrou para junto da cama.

— Não se sente — ela alertou, e sem palavras, Emma obedeceu.

Mordendo a língua rosada entre os dentes e sorrindo para Emma, ela se colocou de joelhos enquanto suas mãos desafivelavam o cinto dela.

— Tire a camisa — ela ordenou, e sem contestar, Emma obedeceu mais uma vez.

Soltando um ofego, Emma sentiu as pernas fraquejarem quando a língua de Regina deslizou sobre o seu abdômen, ao mesmo tempo em que as mãos dela puxavam a calça jeans acompanhada da calcinha.

— Maldição, Regina…vem aqui e me beija — rosnou Emma, quase explodindo de excitação.

Regina se levantou para encontrá-la, com os lábios abertos e a respiração entrecortada, ela enfiou sua língua na boca dela. Emma a agarrou pela cintura, completamente sem fôlego e sentindo o coração esmurrando o próprio peito. O beijo entre elas era tudo, menos pequeno e discreto. Os lábios de Regina deslizavam sobre os dela, puxando-lhe o lábio inferior, fazendo Emma soltar a respiração contra ela num gemido.

Ainda que não fosse a primeira vez que se beijavam, para Emma, a boca de Regina era irreal: lábios firmes com uma combinação perfeita de macio e doce, entregando e comandando. Suas mãos ansiosas mergulharam nos cabelos curtos dela e em seguida, desceram pelos ombros e abaixaram as alças da camisola, expondo os seios irresistivelmente excitados.

— Aperte-os, Emma… — Regina ordenou, guiando as mãos dela na direção dos seus seios. — Quero que os toque com força — acrescentou, deslizando a língua pela orelha dela.

Emma não conseguiu impedir o pequeno gemido que escapou de sua garganta, então lhe segurou pela nuca e afastou o rosto dela apenas o suficiente para olhar em seus olhos.

— Assim? — Emma perguntou, fechando suas mãos sobre os seios dela, apertando-os, massageando-os.

— Sim… — sussurrou Regina, fechando os olhos e tombando a cabeça para trás.

— Onde mais você quer que eu toque com força, Regina? — ela perguntou, sussurrando contra o seu pescoço.

Afastando as mãos delas dos seus seios, Regina entrelaçou seus dedos nos dela, e acompanhou suas mãos para baixo até alcançarem o tecido extremamente molhado da calcinha. Com muita facilidade, Emma passou a ponta dos dedos por baixo da renda, alisando a carne macia e molhada por sua causa.

— Aí mesmo…oh, Emma! Isso é tão bom… — murmurou Regina, enquanto os dedos dela traçavam um lento caminho ao redor da entrada e subindo até o clitóris. — Dentro…e com força — ela sussurrou quase sem voz.

— Quando você fala assim… — disse Emma, obedecendo-a e enfiando um dedo nela, depois outro e outro, bombeando profundamente. — Eu perco a cabeça… — acrescentou, aumentando o ritmo dos dedos que entravam e saíam.

Enlouquecida, Regina podia jurar que chegava mais fundo a cada entrada, alcançando algo selvagem e intocado dentro dela. E então a sensação cresceu até transbordar e ela gozou, de pé, com o corpo arqueando sobre a mão no meio das suas pernas.

— Agora volte a ficar de joelhos — disse Emma. — E me faça gozar em sua boca.

[…]

Nos dias que se seguiam, o relacionamento entre elas se mostrava cada vez mais sólido, assim como a aproximação entre Ruby e Mérida.

Olhando o corpo nu de Emma esparramado sobre a cama, Regina não conteve o sorriso ao se dar conta do quanto a sua vida havia mudado. Afastando os cabelos dela do ombro, ela lhe beijou a pele quente e novamente sorriu quando os olhos verdes se abriram e fitaram-na com aquela mesma paixão de quando se beijaram pela primeira vez.

— Porque acordou tão cedo, amor? — Emma perguntou, mantendo-se na mesma posição, de bruços.

— Quem disse que é cedo? São dez horas da manhã — disse ela, afagando-lhe os cabelos. — Além disso, eu tenho que ir à galeria de arte, esqueceu?

— Você virá para cá essa noite, não é? — indagou Emma, encostando-se na cabeceira.

— Não sei, meu amor. Depende da hora que acabar.

— Posso ir te buscar se quiser.

— Não precisa, querida. Eu te aviso caso resolva dormir com Ruby — disse Regina, beijando-lhe os lábios com ternura.

— Está bem, amor. Te amo.

— Eu também te amo. Comporte-se! — dito isso, Regina se retirou.

Com o corpo acelerado de emoção e o coração nas alturas com um amor diferente de qualquer coisa que já sentira, Regina teve que fazer um enorme esforço para não pegar o primeiro retorno na estrada e voltar correndo para os braços de Emma. Os últimos meses ao lado dela haviam sido os melhores de toda sua vida. Cada momento era repassado em sua cabeça repetidamente, como um filme vívido, uma pulsante história de amor.

[…]

Sentada na sua cama com o notebook sobre as coxas, e sorrindo como uma boba apaixonada, Emma repassava as fotografias dos momentos capturados entre ela e Regina. Foi quando a campainha tocou, e erguendo a cabeça de súbito, ela rapidamente se levantou e caminhou em direção à porta. Estendendo a mão em direção à maçaneta, ela se surpreendeu quando encontrou um par de conhecidos olhos azuis.

— Zelena?

— Emma, eu posso entrar? — ela perguntou, enxugando as lágrimas que lhe banhavam o rosto.

Engolindo em seco, Emma olhou para ela por um longo instante enquanto os pensamentos exploravam todas as formas possíveis de escapar daquela situação. Ela sabia que embora fossem primas, Regina não a suportava, e por esse motivo, ela evitou manter qualquer tipo de contato com Zelena.

— Claro… — ela disse, afastando-se para que Zelena entrasse. — O que aconteceu? Por que está chorando?

— Meu namorado me traiu…me traiu com minha melhor amiga.

— Eu sinto muito…quer beber alguma coisa?

— Uísque, por favor. Você me acompanha?

— Sim, claro — disse Emma, enquanto servia dois copos.

— Espero não incomodar… — Zelena falou, e embora estivesse extremamente incomodada, Emma lhe dirigiu um pequeno sorriso de compreensão.

Com um suspiro pesado, Emma lhe entregou a bebida e evitou sentar muito perto dela. Passava das vinte e três horas e apesar do ser tarde da noite, Regina não tinha avisado se dormiria com ela ou Ruby, e poderia aparecer a qualquer momento. Embora não estivesse fazendo nada de errado, ela rezava para que Regina só chegasse depois que Zelena fosse embora.

— Zelena…eu sinto muito sobre o seu namorado, de verdade. Mas não sei em que posso te ajudar.

— Eu só preciso de alguém com quem conversar — ela disse, esboçando uma expressão aflita. — Você poderia me trazer um pouco de água?

Assentindo, Emma se dirigiu até a cozinha e naquele momento, Zelena aproveitou para “drogar” a sua bebida.

De volta à sala, Zelena recebeu de bom grado o copo com água e precisou de todo o seu autocontrole para não sorrir quando Emma sorveu alguns goles do uísque, e não demorou muito para que os efeitos colaterais da droga começassem a se manifestar no corpo de Emma. Com as pupilas dilatadas e a garganta seca, Emma tentou se levantar do sofá, mas a tontura que sentia a impediu de dar um passo que fosse. Amparada pelos braços de Zelena, ela foi tomada por uma sensação de pânico e antes mesmo de chegar ao quarto, ela perdeu os sentidos.

— Minha nossa, como você pesa! — exclamou Zelena, depois que finalmente conseguiu deitá-la sobre a cama.

Depois de programar e posicionar a máquina fotográfica, Zelena retirou as roupas de Emma e as próprias roupas, deitou-se sobre ela e a beijou na boca enquanto aquele momento era cuidadosamente registrado.

[…]

Passava das seis horas da manhã quando sobressaltada, Emma se levantou da cama. Ofegante, ela se sentia confusa e estranha enquanto pequenos flashes da noite passada atravessavam sua mente. O corpo começou a suar frio enquanto os olhos vasculhavam o quarto vazio. Com o coração disparado, ela se sentou na beirada da cama antes de perceber que usava apenas suas roupas íntimas. Embora tentasse, ela não conseguia lembrar a que horas Zelena havia ido embora, muito menos o que exatamente conversaram.

Uma pequena luz piscando insistentemente em seu telefone celular lhe interrompeu os pensamentos. Alcançando o aparelho, ela não compreendeu o porquê, mas sentiu o coração se apertando no peito ao constatar que se tratava de uma chamada de Regina. Com as mãos trêmulas, ela pensou em ligar de volta, mas ainda era cedo e sua amada certamente dormiria.

Com a boca seca e uma ânsia jamais sentida antes, Emma tomou um pouco de água e se jogou em baixo do chuveiro ainda tentando compreender o que havia se passado.

…

Com passos apressados, Regina atravessou a portaria e se dirigiu ao elevador. O fato de Emma não ter atendido e muito menos retornado a sua ligação na noite passada lhe deixara preocupada, e se não fosse pela insistência de Ruby, certamente teria voltado para dormir com ela mesmo sendo tarde da noite. A preocupação que vinha sentindo aumentou quando, ao abrir a porta, seus olhos se fixaram em dois copos e uma garrafa de uísque quase vazia sobre a mesa de centro. Com a respiração acelerada, ela alongou seus passos até o quarto, deparando-se com Emma que acabara de sair do banho.

— Regina? Faz tempo que chegou? — Emma perguntou, aproximando-se dela.

— Cheguei agora — ela respondeu, ríspida. — Porque não atendeu minha ligação ontem?

— Não ouvi, amor. Devo ter apagado porque quando…

— Quem estava aqui com você, Emma?

— Regina…

— Não se atreva a negar porque eu vi dois copos sujos de uísque e não me diga que era Mérida porque ela não bebe!

— Você vai me deixar falar, Regina?

— Estou esperando…fala!

— Foi Zelena quem esteve aqui.

— O que? O que diabos ela estava fazendo aqui?

— Ela chegou aqui, chorando…dizendo que tinha sido traída, não sei…

— E você ofereceu seu ombro pra ela chorar!

— Eu não ofereci nada, Regina. O que você queria que eu fizesse? Que batesse a porta na cara dela?

— Sim! Era isso que eu queria que você fizesse!

— Ah, é? Então da próxima vez, quero ver você bater a porta na cara do seu amiguinho Robin!

— Idiota! — Regina exclamou, dando meia volta e se retirando do quarto.

— Para onde vai? — Emma perguntou, segurando-a pelo braço.

— Para o meu apartamento.

— Espera!

— Me solta!

— Regina, por favor…não aconteceu nada demais — disse Emma, fuzilando-a com o olhar. — Ela veio aqui, falou umas besteiras e depois…

— E depois? — indagou Regina, arqueando uma sobrancelha.

— Eu…eu não lembro… — murmurou Emma, e ela mesma se chocou mediante esse fato.

— Claro que não lembra — disse Regina, sorrindo com deboche. — Depois de beber com ela uma garrafa de uísque, como poderia se lembrar de alguma coisa, não é? Tenha um ótimo domingo!

— Regina…

— Me larga! — dito isso, ela abriu a porta e se foi.

[…]

— Qual é, Regina. O fato dela ter tomado um drinque com sua prima não significa nada — dizia Ruby, enquanto lhe afagava os cabelos.

— Elas tomaram uma garrafa inteira! Além disso, Emma estava estranha…algo aconteceu e ela está escondendo de mim.

— Eu acho que você está procurando chifres em cabeça de cavalo…

Perdida em pensamentos, Regina passou o dia todo ignorando as inúmeras mensagens de texto que Emma enviou. Ela telefonou uma vez mas Regina dispensou a chamada, e depois excluiu o recado sem nem ao menos ouvi-lo. Claramente aborrecida e enciumada, ela não fazia ideia de que o pior estava por vir.