Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos. Boa leitura.

— Precisamos conversar, Regina — disse Henry, antes mesmo que ela pudesse se recuperar do choque ao encontrá-lo.

— Pode falar — ela disse, entrelaçando seus dedos nos dedos de Emma.

— Em particular.

— O que quer que tenha para me dizer, diga na frente de Emma.

— Muito bem…eu estou disposto a esquecer e perdoar todo esse escândalo que você provocou ao se envolver com essa desavergonhada. Sei que está confusa, que foi influenciada pela sua amiguinha Ruby e por isso…

— Chega, Henry! — Regina exclamou. — Não admito que ofenda a minha amiga, muito menos a minha namorada!

— Namorada? — ele repetiu num tom inquisitivo, enquanto a expressão em seu rosto se mostrava cada vez mais enojada. — Isso não existe…isso é contra as leis de…

— Não sou obrigada a ouvir essas besteiras. Vamos, Emma — disse Regina, puxando-a pela mão, e ao fazer menção de abrir a porta, Henry a segurou pelo braço.

— Filha…

— Solte-a! — Emma interveio, se colocando na frente de Regina. — Deixe-a em paz.

— Tenha cuidado, mocinha. Você não sabe com quem está se metendo — disse ele, e sem esperar uma reação de Emma, Regina abriu a porta e a puxou para dentro do imóvel.

Tão logo Regina trancou a porta, Emma retirou o casaco jogando em cima do sofá e em seguida, atravessou a sala em direção à janela. Através da vidraça, seus olhos fitaram Henry com desprezo enquanto ele entrava no veículo e desaparecia pelas ruas escuras de Boston.

— Não quero que você o enfrente — disse Regina, envolvendo-lhe a cintura com seus braços.

— Por quê? Porque ele é o senador do estado? — ela indagou, desvencilhando-se do abraço dela.

— Sim, Emma! Porque ele é o senador do estado e tem muita influência! — Regina exclamou, num tom exaltado. — Não quero que ele use disso para prejudicar você — acrescentou, o tom de sua voz se mostrava mais calmo.

— Eu não tenho medo dele…

— Emma, por favor!

— Está bem, Regina! Eu não pretendo procurá-lo, mas se ele se meter comigo…

O som do telefone celular de Regina interrompeu a pequena discussão entre elas. Ao retirar o aparelho da bolsa, ela se surpreendeu quando viu o nome de Robin no visor.

— Não vai atender? — Emma perguntou.

— É Robin… — disse ela.

— Atenda…estarei no quarto te esperando.

[…]

— Falou com ele? O que ele queria? — Emma perguntou, enquanto Regina se aproximava da cama.

— Sim. Disse que ficou sabendo que sai de casa e que se precisasse de alguma coisa, poderia contar com ele.

— Não confio nesse sujeito.

— Ele é meu amigo…e só está querendo ajudar.

— Vem aqui… — pediu Emma, estendendo-lhe a mão.

Aninhando-se entre os braços de Emma, Regina descansou a cabeça em seu peito. Embora a preocupação lhe rondasse o pensamento depois da visita inesperada do seu pai, o calor daquele abraço e o batimento forte e constante do coração de Emma a acalmaram e levaram sua mente até um lugar onde ela se sentia segura.

— O que gostaria de fazer amanhã? — questionou Emma.

— Acho que estou mais interessada em fazer alguma coisa agora — disse Regina.

— É mesmo? E o que quer fazer agora?

Com o corpo grudado no dela, Regina levantou a cabeça e olhou fundo nos olhos verdes fixados nos seus.

— Quero fazer amor com você.

Olhando a pequena cicatriz no lábio superior de Regina, Emma deslizou o polegar por ela enquanto aproximava seu rosto do dela. Seus lábios roçaram suavemente pela cicatriz antes de puxá-la para um beijo. Regina deixou escapar um suave gemido quando as línguas se encontraram, quentes e molhadas, movendo-se com desespero. Apesar da demonstração de posse tê-la pegado de surpresa, Regina sabia que Emma estava demarcando território e não se importou com isso porque era exatamente o que ela queria.

— Eu te amo, Regina…e farei de você a mulher mais feliz desse mundo — Emma sussurrou, agarrando-a pela nuca com mais força, tornando o beijo ainda mais profundo.

Com o coração acelerado e a respiração ofegante, Regina inclinou o corpo e retirou o próprio vestido pela cabeça, jogando-o em um canto qualquer do quarto. As mãos de Emma deslizaram pelas coxas dela, subiram pela barriga e se fecharam em seus seios. Ela arfou ao sentir os mamilos endurecidos feito pérolas pressionarem suas palmas.

A cada toque, fosse ele leve ou forte, Regina sentia o seu estômago se contrair, latejar, implorando para ter qualquer parte de Emma dentro dela.

— Eu também te amo…cada minuto ao seu lado me deixa ainda mais apaixonada — murmurou Regina, soltando um gritinho de susto e prazer quando Emma a empurrou para o lado e se deitou sobre ela.

Seus olhos estudaram o rosto dela, e Emma não pôde deixar de sentir prazer com os gemidos de Regina antes mesmo de tocá-la. Com todo cuidado, Emma lhe beijou a boca enquanto enfiava um dedo dentro dela, seguido de outro e outro. De súbito, seus quadris se arquearam e se movimentaram em sincronia com as investidas dela.

Percorrendo o ombro de Regina com a língua, Emma deslizou a mão livre pelas costelas dela até alcançar um dos seios. Sem hesitar, investiu ainda mais fundo no calor íntimo que a ela pertencia, arrancando gemidos impudentes da boca mais doce e saborosa que havia provado em toda sua vida.

— Mais forte, Emma…mais forte… — Regina pediu. A voz tão carnal, tão cheia de tesão, fez o corpo de Emma estremecer e sem pensar duas vezes, ela acatou o pedido.

— Porra, Regina… — rosnou Emma, ao sentir o ardor em suas costas provocado pelas unhas dela.

— Goze comigo, amor… — ela murmurou, tão ofegante quanto Emma. — Goze comigo agora… — acrescentou, enquanto uma de suas mãos tateava-lhe o corpo até esbarrar em seu sexo.

A tensão do corpo de Emma aumentou, crescendo ferozmente entre suas pernas onde os dedos de Regina se encontravam, retribuindo às carícias que também recebia entre as suas. Os espasmos avançaram por ambos os corpos, levando-as às alturas. Naquele instante, nenhuma delas conseguiu suportar um segundo a mais e juntas, chegaram ao limite do prazer.

Ofegante, Emma puxou o lençol e cobriu seus corpos ainda trêmulos de desejo.

— Não sei o que você fez comigo…mas eu te amo tanto, Regina. As vezes chega a ser sufocante que temo não caber mais em meu peito — Emma falou. Seus olhos continham tanta paixão e devotamento que o coração de Regina palpitou.

Com uma intensidade caminhando à beira da obsessão, Regina cobriu os lábios dela com os seus, agradecida por seus caminhos terem se cruzado. Emma lhe dera forças que ela jamais imaginou possuir, a ajudara a se libertar da prisão em que vivera por todos esses anos sob as regras impostas pelos seus pais, e arrancara o medo que lhe atormentava até mesmo nos sonhos. Emma era o combustível para a chama que havia dentro dela, e que por tanto tempo esperou para se ascender.

— Eu também te amo, Emma. Mais do que você possa imaginar — disse ela, enroscando-se no calor do seu corpo.

[…]

Os traços dos raios solares que se infiltravam pelas persianas despertaram Regina de mais uma noite agradável de sono. Erguendo a cabeça, ela olhou para o lindo rosto de Emma e sentiu-se muito mais do que grata a ela. Devagar, Regina levantou da cama evitando fazer o mínimo de barulho possível para não acorda-la. Ainda era cedo, e depois que tomasse um banho e se vestisse, a acordaria para acompanhá-la às compras.

— Amor… — ela sussurrou, roçando os lábios pela orelha dela.

— Hum… — Emma murmurou, no entanto, seus olhos continuaram fechados.

— Acorda, amor.

— Que horas são?

— Nove da manhã.

— Porque você está acordada as nove da manhã em pleno sábado?

— Porque preciso ir ao shopping comprar umas coisas e você vai me acompanhar.

— Porque você não chama Ruby?

— Porque a minha namorada é você, não ela. Mas pelo visto, minha companhia só é bem-vinda na hora do sexo! — ela exclamou, afastando-se rapidamente.

— Não, Regina. Claro que não — disse Emma, sobressaltando-se da cama. — Eu te acompanho aonde você quiser, só te peço dez minutos para me arrumar — acrescentou, correndo em direção ao banheiro.

Dez minutos se passaram e Regina não pôde deixar de sorrir ao se dar conta de que nunca, nunca na história desse planeta, alguém se arrumou tão rápido quanto Emma.

…

— Sinto muito, senhora. Seu cartão de crédito não foi aprovado — disse a vendedora.

— Como assim, não foi aprovado? — indagou Regina, claramente confusa.

— A transação não foi aceita — ela explicou.

— Talvez eu tenha digitado a senha errada. Passe novamente, por favor — pediu Regina, e mais uma vez a transação não foi aceita.

Embora suspeitasse a razão daquele problema, Regina tentou efetuar sua compra com outros cartões, entretanto, nenhum deles fora aceito.

— Por favor, senhorita. Passe o meu cartão — disse Emma, entregando-o a vendedora.

— Não, Emma — Regina a interrompeu. — Eu não vou levar nada…depois eu faço um saque e volto aqui para…

— Regina, por favor! — ela exclamou, repreendendo-a com o olhar. — Passe o cartão, senhorita — acrescentou, voltando seu olhar à vendedora.

Com um pesado suspiro, Regina pegou as sacolas, agradeceu a vendedora e saiu apressadamente da loja. Emma acompanhava os passos dela em silêncio, mas resolveu rompê-lo quando entraram no carro.

— Meu amor…

— Foi ele, Emma. Tenho certeza que foi meu pai — disse ela, interrompendo-lhe a fala.

— Não dê importância a isso, amor. Não vale a pena — Emma falou, cheia de carinho e preocupação.

— Podemos passar numa agência bancária?

— Nós vamos almoçar no seu restaurante favorito, depois quero te levar a um lugar que adoro e depois iremos para casa fazer amor.

— Emma, eu tô falando sério. Não quero que gaste o seu dinheiro comigo.

Atenta ao trânsito, Emma revirou os olhos tentando ignorar o que ela acabara de dizer. Não era segredo pra ninguém que o salário que recebia como policial era pouca coisa comparado ao dinheiro que Regina certamente ganhava do pai, levando em conta que naquela manhã, ela havia gastado dois mil dólares com poucas peças de roupas. No entanto, isso não significava que o seu dinheiro era extremamente limitado como aparentemente Regina pensava.

— Sou sua namorada. Não posso pagar algo pra você?

— Claro que pode, amor. Mas…sinceramente, não acho que o seu salário como policial permita que você gaste dois mil dólares de uma só vez.

— Obrigada pelo elogio.

— Não foi isso que eu quis dizer, amor. Desculpa…eu só… — ela tentou se justificar, todavia, se calou quando Emma estacionou no acostamento.

— Regina, está tudo bem. Se eu não pudesse efetuar aquele pagamento, eu teria dito. Eu não vou mentir pra você dizendo que tenho milhões na minha conta bancária porque não é verdade e você sabe disso — ela falou, tocando-lhe o rosto gentilmente. — Não sou tão morta de fome como imagina — acrescentou, esboçando um meio sorriso.

— Desculpa por ter te chamado de morta de fome àquele dia…eu falei sem pensar — disse ela, claramente envergonhada.

— Está tudo bem, certo? Esqueça isso, esqueça tudo. Eu vou cuidar de você e jamais permitirei que te falte alguma coisa.

Um sorriso singelo surgiu nos lábios de Regina enquanto ela se perguntava se Emma era real. Apesar da forma dura e humilhante que a tratara no período em que ela fora sua guarda-costas, Emma não guardava qualquer vestígio de mágoa, muito pelo contrário. Ela a amava como nunca ninguém a amou. Estava estampado nos olhos verdes dela, e as emoções que emanavam deles, a atordoavam.

— Você me dá a sensação de estar num sonho… — confessou Regina, acariciando-lhe o rosto com os nós dos dedos. — Não posso imaginar os meus dias sem você ao meu lado.

— Eu sempre estarei ao seu lado, Regina. Sempre.

[…]

— Você não parece ter gostado muito da comida — dizia Emma, enquanto deixava o restaurante ao lado de Regina.

— Eu gostei de tudo, amor. Não se preocupe — disse ela, esboçando um sorriso.

— Agora vem…quero que conheça meu lugar favorito nessa cidade — Emma falou, segurando-lhe a mão.

— Para onde estamos indo? O carro está do outro lado, Emma.

— Vamos de metrô, amor.

— Ah…eu pensei que íamos de carro.

— Nem pensar! Hoje faremos tudo diferente!

Apesar de a surpresa por pegar, pela primeira vez em sua vida, um transporte público, Regina ficou mais que satisfeita quando chegaram ao Public Garden, o jardim de Boston.

Sem uma única nuvem no céu, Regina contemplou as belezas naturais que até então, ela desconhecia.

— É lindo, amor! — ela disse, enquanto seu olhar percorria o lugar.

— É a primeira vez que vem aqui, não é? — indagou Emma.

— Sim, é a primeira vez. E fico muito feliz que seja com você.

Depois de um longo passeio, algumas fotos e muita troca de carinhos ao ar livre, elas pegaram o metrô de volta e em pouco tempo, já estavam no carro. Alguns minutos depois, Emma estacionou em frente ao prédio onde se encontrava o apartamento de Regina, e tão logo desceram, foram surpreendidas pelo advogado de Henry Mills.

— Senhorita Mills, como tem passado? — indagou Gold.

— O que faz aqui, Dr. Gold? — Regina questionou, ignorando o cumprimento dele.

— Bom, estou aqui para levar o carro que está com a senhorita.

— O que? O que está dizendo? — ela perguntou, estreitando os olhos em total confusão.

— Estou dizendo que o veículo que está em sua posse, na verdade, pertence ao senhor senador. Caso persista alguma dúvida, basta olhar os documentos do automóvel — Gold explicou, e antes que Regina pudesse argumentar, ele continuou: — Ah, senhorita Mills…o imóvel onde se encontra o seu ateliê deve ser desocupado até o meio dia de amanhã. Caso contrário, será desocupado mediante uma ordem judicial.

Em choque, Regina se perguntava se uma máquina havia substituído o coração do seu pai em algum lugar ao longo do caminho, e ela soube, naquele exato momento, que ele estava disposto a tudo para feri-la, e que ela nunca se livraria do caos imposto por ele.