A Filha do Senador
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Não sei o que ele pretende com tudo isso…primeiro, meus cartões de crédito, depois o carro, e agora o meu ateliê… — dizia Regina, virando o copo de uísque de uma só vez.
— O que ele pretende é dificultar sua vida — disse Ruby. — Mas você já é uma mulher, tem sua profissão e não precisa do dinheiro do seu pai.
— Você tem razão…além disso, com Emma ao meu lado, não preciso de mais nada.
— Emma é realmente uma mulher incrível e te ama de verdade.
— Sim…tenho passado momentos maravilhosos com ela. Acredita que ela me fez andar de metrô?
— Quem diria, hein!
— Eu amo essa simplicidade dela. Mas e você? Quando vai convidar Mérida pra sair?
— Não tenho coragem. Além disso, eu nem sei se ela gostou de mim, e pior ainda, eu não sei se ela gosta do que eu gosto e…do que você está rindo?
— Se eu fosse você, buscaria coragem em algum lugar porque essa noite, você terá um encontro com ela — disse Regina, mordendo o lábio inferior insinuando uma falsa inocência.
— Como assim eu terei um encontro com ela? — indagou Ruby, levantando as sobrancelhas em sinal de confusão.
— Mandei uma mensagem de texto para ela me passando por você — ela disse, lutando contra um sorriso. — Fiz um convite para jantar essa noite e ela aceitou.
— Você está louca? Por que fez isso?
— Porque você não teve coragem pra fazer.
— Regina…você não devia ter feito isso. Eu…eu nem sei se realmente gosto dela!
— Me fala…qual é a cor dos olhos dela? — Regina perguntou.
— Ué, são verdes.
— O que ela estava vestindo àquela noite no jantar?
— Um vestido azul que chegava até o joelho, uma delicada corrente de ouro no pescoço, um anel no dedo anelar direito e sapatos com saltos altíssimos.
— Você não notaria essas coisas se não tivesse interessada.
— Isso não justifica você marcar um encontro pra mim.
— Bom, você pode simplesmente não aparecer.
— E deixar a coitada lá me esperando? Droga…
[…]
— Mesa para dois — disse Ruby. — Reserva em nome de Lucas — acrescentou, tentando ignorar a batida mais forte do coração quando seus olhos azuis cruzaram com os olhos verdes de Mérida.
Depois que se cumprimentaram, ambas foram acompanhadas pelo garçom até uma mesa do canto mais afastada do salão.
— Esse lugar é lindo… — disse Mérida, percorrendo o ambiente à sua volta.
Antes que Ruby pudesse responder, o garçom apareceu perguntando se elas gostariam de pedir alguma bebida antes do jantar.
— Talvez um pouco de vinho? — Ruby sugeriu discretamente, buscando a aprovação de Mérida enquanto ruborizava ao recordar o dia em que se falaram pela primeira vez no apartamento dela.
Depois de anotar os pedidos, o garçom foi embora e os olhares delas voltaram a se cruzar. O silêncio pairou sobre elas e nesse mesmo silêncio, Ruby aproveitou para “estudar” Mérida. A boca macia, os olhos verdes escuros tão brilhantes quanto uma estrela, as mãos gesticulando enquanto enfatizava suas ideias. Sorrindo, Ruby ficou maravilhada com o quanto tudo aquilo parecia natural nela.
— Você quer sobremesa? — Ruby perguntou.
— Sim, acho que sim — disse Mérida, e no segundo seguinte, acrescentou: — A não ser que…
— Eu não…
— Se você…
— Oh, desculpa. Eu te interrompi… — Ruby murmurou, com o rosto corado.
— Não, por favor…continue — Mérida falou, piscando compreensivelmente confusa.
Uma pequena fração de segundos se passou até que finalmente conseguiram se decidir pela sobremesa. Mérida havia se dirigido ao toilete enquanto Ruby a esperava ao lado da porta. Minutos depois, ela retornou, e ao passar por Ruby, notou que os olhos dela de súbito se arregalaram. Alguma coisa estava errada. Apesar disso, ela continuou andando, mas logo parou quando uma desconhecida sussurrou ao seu lado.
— Sua saia está presa na calcinha.
— Minha o que? — Mérida indagou, sentindo o sangue sumir do seu rosto.
— Sua saia está presa na calcinha — ela repetiu. — E acho que a moça atrás de você gostou do que viu — acrescentou, abafando um sorrisinho.
Rapidamente ela levou uma das mãos para trás e não encontrou nada além da própria pele. Constrangida, ela puxou freneticamente a saia para soltá-la da posição em que estava, expondo sua bunda inteira.
— Ela viu minha bunda — resmungou Mérida, rezando para o chão se abrir e engoli-la, ao mesmo tempo em que apressava os passos em direção a saída.
Do lado de fora do restaurante, elas finalmente ficaram uma de frente para outra, e honestamente, nenhuma delas tinha certeza de quem estava mais horrorizada. Mérida sabia que ela tinha visto. E Ruby sabia que Mérida sabia que ela tinha visto.
— Obrigada! — as duas disseram ao mesmo tempo.
— Fala você primeiro — Ruby sugeriu, sentindo o coração subir pela garganta quando ela olhou rapidamente para sua boca.
— Bom…eu queria agradecer pelo jantar. Foi uma noite muito agradável.
— Eu quem agradeço pela companhia…eu queria que…quer dizer, eu gostaria, se você quiser, claro…jantar outra vez? Ou almoçar? Ou um café… — disse Ruby, fechando os olhos com força sem saber exatamente o que falar.
Assustada, Mérida deu um passo para trás, quase batendo na porta do próprio carro. Embora tivesse sido ela a protagonista de uma cena extremamente constrangedora, Ruby parecia bem mais afetada.
— Um café, ou até mesmo um sorvete — disse ela, corando um pouco enquanto um pequeno sorriso se formava no canto dos lábios.
— Então tá…combinamos alguma coisa.
— Sim, combinamos.
— Boa noite, Mérida.
— Boa noite, Ruby.
[…]
— Um desastre! Quer dizer, no início foi razoável, mas depois…meu Deus! Nunca passei tanta vergonha em toda minha vida! — Mérida exclamou, enquanto tomava uma xícara de café ao lado de Emma.
— Mas o que foi que aconteceu? — Emma perguntou, ao mesmo tempo em que fazia um sinal para a garçonete se aproximar. — Um chocolate quente, por favor — disse ela, e em seguida, voltou sua atenção para Mérida.
— Ela viu a minha bunda — disse ela, tão logo a garçonete se retirou.
— Como assim? — questionou Emma, num misto de espanto e confusão.
Após uma breve explicação sobre o ocorrido na noite passada, Emma se despediu de sua amiga e deixou a lanchonete aos risos. O mesmo sucedia a Regina enquanto Ruby relatava o momento tão constrangedor para Mérida, quanto para ela.
Alguns dias se passaram e apesar das inúmeras tentativas de Henry Mills em fazê-la desistir da vida ao lado de Emma e voltar para casa, Regina se manteve firme em sua decisão, embora toda aquela situação lhe afetasse.
Seu ateliê havia sido instalado no apartamento, e o carro usado por ela era um dos carros de Ruby, ainda que Emma tenha oferecido seu próprio carro, uma vez que além desse veículo, ela possuía uma motocicleta.
Enquanto arrumava seus quadros numa sala vazia, Regina se dava conta de que sozinha jamais teria condições de enfrentar o que vinha enfrentando. E sorrindo consigo mesma, ela agradeceu por ter Emma e Ruby em sua vida.
Passava das vinte e três horas quando Regina finalmente terminou de organizar a sala onde a partir daquele momento, seria seu ambiente de trabalho. Após um longo banho quente, com uma taça de vinho em mãos, ela resolveu ligar pra Emma, já que aquela noite, a pedido do chefe do departamento, ela ficaria de plantão na delegacia.
— Alô, Regina? Aconteceu alguma coisa? — Emma perguntou, sobressaltando-se da cadeira.
— Calma, meu amor. Só liguei pra te desejar boa noite — ela disse, não contendo o sorrisinho.
— Ah…é que já é quase meia-noite…por que ainda está acordada?
— Estava arrumando meus quadros — ela disse sorvendo um gole da bebida. — Acabei de sair da banheira, bebi um pouquinho e quando olhei para a cama e não encontrei você, fiquei com saudade.
No mesmo instante, o cérebro de Emma viajou na imagem de Regina na banheira, nua, já um pouco alta por causa da bebida. A pele macia e quente, os músculos relaxados e o perfume de rosas que certamente emanaria do corpo dela, quase a deixaram sem fôlego.
— Eu também estou com saudade… — disse Emma, engolindo em seco.
— Emma… — sussurrou Regina, deixando escapar um pequeno gemido.
Seu coração batia tão forte no peito que quase lhe causavam tonturas. Isso não daria certo misturado com álcool, mas ela não queria que a sensação acabasse.
— Regina…o que você está fazendo? — Emma perguntou, embora imaginasse a resposta.
— Estou deitada na cama, imaginando você aqui, agora, me tocando — ela disse, esvaziando a taça de vinho. — Se você estivesse aqui comigo, como me tocaria? — ela perguntou, abrindo o roupão por completo.
— Desesperadamente — disse Emma. — Eu te tocaria desesperadamente.
— Bruscamente… — murmurou Regina. — Imagino as suas mãos tremendo, precisando me tocar e você tão impaciente…
— Eu já estou impaciente — ela respondeu, mal conseguindo respirar.
— Então você arrancaria as minhas roupas antes mesmo de chegarmos na cama — murmurou Regina, descendo uma das mãos sobre os seios.
Emma sentiu o coração parar por alguns instantes, e quando voltou a bater, parecia dez vezes mais rápido. Engolindo em seco, ela lutava contra o ritmo selvagem da sua pulsação.
— Regina…eu estou no trabalho…
— Você tocaria os meus seios como se fosse a primeira vez — ela disse, ignorando seus protestos. — Você os chuparia como se estivesse faminta — acrescentou, colocando o telefone no viva voz para que suas mãos pudessem explorar o próprio corpo.
— Eu estou faminta — Emma murmurou, sentindo a boca se encher de saliva.
— Você amaria os meus seios e faria o que quisesse com eles.
— É mesmo?
— Sim…mas agora, o que você quer é sentir o meu sabor, não é? — Regina perguntou, a voz dengosa enquanto passava os dedos sobre as pernas, do joelho até a coxa.
— Sim, eu quero.
— Como você faria isso, Emma? Diz pra mim…
— Eu beijaria suas coxas…e depois lamberia onde você está molhada.
— Sim, Emma…sim…e eu imploraria para você me lamber — sussurrou Regina, escorregando as mãos pelo corpo até seus dedos alcançarem o sexo. Devagar, ela circulou o clitóris. — Sabe o que eu estou fazendo agora? Esfregando meus dedos onde você lamberia — acrescentou, soltando um gemido de satisfação.
— Isso é tortura… — rosnou Emma, o coração martelava contra o peito e a vontade de se juntar a ela na cama a estava enlouquecendo.
Com um gemido abafado, Regina passou os dedos sobre o clitóris e logo em seguida, eles desapareceram dentro dela. Em meio a gemidos, ela descrevia para a Emma a forma como seus dedos se movimentavam para dentro e para fora.
— Eu quero tocar você — disse Emma, por entredentes. Mal conseguindo se segurar. Sua calcinha já estava encharcada, e ela precisou de todo o autocontrole para não se tocar ali mesmo. Ainda que estivesse sozinha na sala, os vidros transparentes lhe tiravam a privacidade. Louca de tesão, ela até pensou em ir ao banheiro, mas recuou mediante a possibilidade de alguém ouvi-la enquanto falava com Regina.
— Mas não pode… — murmurou Regina, deixando escapar um sorrisinho. — Estou insana por você — disse ela, com a voz apertada e desesperada.
Emma quase enfiou o próprio punho na boca a fim de se manter em silêncio quando Graham entrou na sala. Regina já havia gozado. Os gemidos e a respiração ofegante dela não deixavam dúvidas, e naquele instante, Emma soube que nunca tiraria o som do orgasmo dela da sua mente. Os pequenos sons ofegantes, o grito agudo e a risada satisfeita permaneceriam gravados para sempre em sua memória.
— Emma, você está se sentindo bem? — indagou Graham. — Você está tão vermelha e…parece tensa — acrescentou, e Emma bufou ao ouvir a gargalhada de Regina na outra linha.
— Eu estou bem — ela disse, engolindo em seco. Pigarreando, ela deu alguns passos para longe dele voltando sua atenção ao telefone celular. — Mais tarde continuaremos essa conversa.
— Claro, meu amor. Tenha uma ótima noite de…trabalho — dito isso, Regina encerrou a ligação.
[…]
Embora os noticiários não mais destacassem a orientação sexual da filha do senador como assunto de primeira página, Henry Mills permanecia insatisfeito com a vida que segundo ele, Regina fora influenciada a seguir. Com a ajuda de Robin, ele se manteve informado de todos os passos de sua filha, dando-se conta de que lhe tirar os bens materiais não havia surtido o efeito que esperava, e por essa razão, só lhe restava tirar aquilo que ela parecia amar mais que tudo na vida: Emma Swan.
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