A Filha do Dono
22 O passado de Do Contra pt. ll
Notas iniciais
– Deixa eu ver se eu entendi — Disse Mônica — A Magali e o Cascão mexiam com você quando vocês eram crianças?
– É Mônica, mas não interrompe deixa eu terminar — Disse Do Contra.
– Ai desculpa.
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Voltando a história...
Fazia mais de um mês que eu estava naquela escola, e não passava um dia sequer sem que Magali e Cascão mexessem comigo, eles ficavam zoando meu cabelo, minhas roupas, meus olhos, porque eu sou tipo Luan Santana, enquanto eu olho pra um ponto fixo qualquer pensando se a mamão vai fazer peixe com batata ou bife empanado pro jantar, eu fico vesgo, meio zarolho.
Sem contar as maldades que faziam comigo, colocavam cordas na frente da porta pra eu tropeçar e cair, colocavam tachinhas na minha cadeira, escondiam os meus protetores de ouvido, e colocavam um heavy metal bem alto pra eu ficar meio tonto e atordoado, faziam um monte de capetagem e colocavam a culpa em mim, por tanto o lugar em que eu mais passava o meu tempo não era na brinquedoteca, na sala de aula ou tão pouco no refeitório, mas sim, na diretoria.
Mas teve um dia em que eles pegaram pesado pra valer.
Na nossa classe, tinha um menininho loiro de olhos castanhos, acho que o nome dele era Frances ou Frankie, ou algo do tipo.
Bom, ele era muito inteligente, tão inteligente que ele era da nossa sala, por causa da esperteza dele ele pulou do primeiro ano para o terceiro, logo de cara!! Só não pularam ele para o quinto porque acharam que ele não conseguiria se enturmar com as crianças de 10 anos por ser novo demais, nessa época as crianças estão amadurecendo então falam sobre coisas que ele não iria entender.
Mas eu não vou ficar dizendo o que o diretor falou dele, vou pular direto ao ponto, mesmo mudando de sala, ele ainda era amigo do pessoal da minha sala e brincava com nós (menos eu) no recreio.
Até aí tudo bem, mas teve um dia em que Cascão tinha comido muitos dunets no recreio, e estava com uma dor de barriga das bravas, então Magali se aproveitou disso e pediu a ajuda do cara inteligente.
Eu estava observando tudo escondido.
Magali pediu para que Frankie (Vou chamar ele assim porque eu não lembro o nome dele) inventasse (Sim, além do cara ser inteligente ele também inventada as coisas) uma bombinha, isso era fichinha pra ele porque isso já existia então ele sabia das... "Composições".
Então ele criou uma bombinha e deu pra Magali, então foram Magali, Cascão e Frankie para o banheiro, e eu atrás sem deixar que eles me vissem.
Eles entraram no banheiro e ficaram de costas então eu fiquei observando da porta, eu só vi que Magali mandou Cascão fazer cocô no chão, então Cascão abaixou as calças e cagou ali mesmo.
Eu tirei a cabeça pra fora e segurei o vômito, aquela cena era muito nojenta, mas quando ouvi um "acabei" do Cascão, voltei a observar.
Frankie então pegou a sua bombinha e colocou sobre a bosta, depois disse que precisava acender alguma coisa mas todos ali tinham muito medo de fogo, então sobrou pro coitado do Franklyn mesmo.
Ele pegou um esqueiro do bolso (Não me perguntem pra que uma criança de 6 anos tem um esqueiro no bolso), acendeu e jogou em cima da bomba.
Ele disse pra todo mundo correr, então eu virei pro lado e encostei na parede, eles passaram reto por mim e nem me viram.
Eu entrei no banheiro e vi que a bomba estava com uma corda que estava ficando cada vez menor por causa do fogo, então já sabia que aquilo iria explodir, tentei sair dali o mais rápido que pude, mas já era tarde, a bomba explodiu assim que tinha saído do banheiro.
O barulho fez um estrondo, e além disso voou coco e uns pedacinhos de lascas de cimento pra todo lado.
Por sorte não caiu nem um pouco em mim, sai dali o mais rápido possível e me escondi atrás da lixeira do pátio, ainda meio traumatizado.
Decidi que ficaria lá até o sinal tocar, mas antes que eu pudesse fazer essa façanha, uma mão com unhas grandes e cheia de veias amostra aparentando ser velhas me puxou pra cima, era a diretora da escola.
Eu fiquei com muito medo quando ela me puxou, mas ela não disse nada apenas me puxou pra sala dela em silêncio, e quando eu cheguei na sala adivinha quem estava lá? Isso mesmo, o Batman.
Zoeira, quem estava lá era só a Magali, o Cascão e o Frankie.
Opa, só não! O que eles estavam fazendo lá? Era o que eu estava pensando?
Eu sentei do lado deles e a professora pegou um Nokia daqueles de um monte de teclas, na época era o celular mais moderno que você poderia ter.
Ela abriu um vídeo que estava em muita má qualidade, mas dava pra ver perfeitamente eu entrando no banheiro, ficando lá por alguns segundos e depois saindo de lá correndo e dando risada.
Eu olhei pra aquilo boquiaberto, Magali também tinha pedido pra Frankie fazer uma montagem e fazer eu parecer o culpado.
Mesmo assim eles não iam conseguir, eu exigi que eles olhassem as câmeras da escola, a diretora achou uma boa ideia e fomos pra sala de imagens.
Chegando lá eu já esperava ver os três patetas entrarem no banheiro e se foderem, mas não, a imagem era exatamente a mesma que estava no celular, só que de um ângulo diferente.
Eu devia saber, Frankie devia ter hackeado as câmeras da escola e mudado o vídeo.
A diretora me olhou com a pior cara possível e dispensou Magali, Cascão e Frankie, antes que eles fossem embora Magali ainda me olhou com uma cara de sarcasmo, pude ver ela falando sem som "Se ferrou".
A professora ligou para os meus pais e quando eles chegaram ela disse que eu estava expulso.
Eu tive que voltar pra sala pra buscar o meu material, sabia que ia ser uma humilhação mas minha mão não quis saber de ir buscar, então eu fui até a sala e abri a porta devagarinho, os alunos nem ligaram da professora estar na sala, se levantaram das carteiras e começaram a me chamar de cagão, de fedido e também fizeram barulhos de peidos nos sovacos.
A professora tentou fazer a sala ficar quieta mas não adiantou, eu nem liguei, eu nunca mais veria aquela escola mesmo.
Guardei o meu material e rumei a porta, mas antes que eu chegasse lá, cai de cara no chão, fazendo os risos e xingamentos aumentarem ainda mais.
Me levantei e era Magali que tinha colocado o pé pra eu cair, ela ficou vesga como eu ficava, mostrou a língua e colocou uma mão de cada lado do rosto.
Eu já tinha me cansado, deixei minha bolsa cair no chão e encarei Magali com a pior cara possível, isso só fez com que ela caísse da risada.
Isso me deixou ainda mais bravo, eu serrei os punhos de raiva, fechei os olhos e senti meu corpo inteiro esquentar, eu devia estar como um pimentão.
Não consegui mais me conter e dei um soco na Magali.
Os risos e xingamentos que a sala inteira dava pararam e formaram um sonoro "ooooh".
Foi o mais forte que eu pude dar, ela caiu pra trás e colocou a mão na boca.
Quando ela tirou a mão da boca, vi que suas mãos estavam sujas de sangue, tinha um dente caído no chão e um grande hematoma do lado esquerdo de seus lábios.
Me senti mais do que satisfeito, peguei a minha mochila do chão e sai da sala, aquilo já tinha acabado.
Continua...
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