A Filha de Érebo
21 Capítulo 21
Notas iniciais
– Jason? — sussurrou Katy, em quanto ela e Lis caminhavam ao seu lado, encarando Mel enrolada e imóvel em seus braços como se fosse a coisa mais frágil do mundo.
– Hm? — ele murmurou encarando o horizonte e os outros Escolhidos à frente, que seguiam Ally
– Ela morreu? — ele pensou um pouco e refletiu no que iria falar
– Não sabemos — disse simplesmente. De repente, os que estavam a sua frente, pararam
– Jason... — disse Ally, fazendo sinal para que ele fosse até ela
O lacaio andou em meio aos adolescentes e parou ao lado de Ally. Estavam numa rua sem saída, à sua frente havia somente uma parede de tijolos. A que estava ao seu lado, pegou cuidadosamente a mão mole de Mel e a pressionou contra a parede. Um brilho preto e fraco refletiu-se na parede, e em segundos, uma das rachaduras da parede cresceu, dando passagem a eles.
Do outro lado havia uma pequena e estreita escada de metal preto, que os levava para a escuridão a baixo de si. Jason começou a descer na frente e Ally deu passagem aos Escolhidos, deixando que descessem atrás do lacaio.
– Podem descer — disse Ally, apontando a escada para eles — É melhor lá embaixo que ficar aqui em cima
Um à um, os Escolhidos desceram a escada
Lá embaixo, era uma sala ampla e grande. Tudo era preto, mas parecia que havia sido abandonada à dias. Ali havia dois sofás pretos e velhos, monitores desligados (alguns quebrados) estavam espalhados pelas paredes, armários, uma mini geladeira, uma pia pequena, uma porta do lado esquerdo da sala que aparentava ser a entrada para o banheiro, e uma abertura coberta por uma cortina do lado direito da sala.
– Fiquem à vontade — disse Ally, terminado de ligar as luzes do local, mas mesmo assim, ele continuou meio escuro — À suprimentos, remédios e primeiros socorros nos armários, tem água, suco e refrigerante na geladeira. O banheiro é na porta à esquerda, e só não entrem ali — ela apontou para a cortina — Ninguém. Pode. Entrar. Entenderam? — todos assentiram — Ótimo! Lucas, cuide do Isaac e da Louise, nós cuidaremos da Mel. Mikael, teste a pérola e o anel no Isaac assim que estiver curado. — os lacaios entraram na sala separada pela cortina e a fecharam logo em seguida.
– Achei! — quase gritou Lucas, mexendo nos armários. De um deles, ele puxou uma bolsa de primeiros socorros, néctar e ambrosia — Senhor Isaac e senhorita Louise, por favor, sentar-se em um dos sofás para que sofram seus cuidados médicos. Eu, Lucas Rodrigues, agradeço. — disse ele brincando, tentando animar seus amigos
Isaac e Lis sentaram-se num sofá e Lucas pois-se a cuidar melhor de seus ferimentos. Os que não precisavam de cuidados, se sentaram no outro e no chão para conversar, tentando desviar os assuntos que levavam ao que haviam acabado de presenciar
Depois de alguns minutos, Lucas já havia cuidado de cada ferimento e enfaixado os mais graves
– Pronto — disse Lucas que se jogou no chão — E agora?
– Acho melhor testarmos — disse Mika abrindo a mão e revelando a pérola e o anel — O que acha Isaac?
– Pode ser — ele deu de ombros e se levantou. Mika se levantou logo em seguida.
Ele entregou o anel à Isaac, que colocou no seu dedo do meio: Ektoxéfseis
– Ektoxéfseis. Lança. — disse Isaac, antes de Mika
– Ekto-o que? — disse Katy
– Ektoxéfseis — repetiu. Ela fez cara de "ata..."
O filho de Nyx fechou seus olhos e pensou em uma lança, mas nada sentiu em suas mãos
– Não deu certo? — perguntou ele ainda de olhos fechados
– Já viu sua lança? — murmurou Katy
Ele abriu seus olhos e encarou sua lança que estava refletindo um brilho negro intenso e forte. Ela começou a aumentar de tamanho até alcançar por volta de 1,60m. Num dos lados achatados da lâmina apareceu em alto-relevo uma lua. Ele a pegou. Todos olhavam-na nas mãos do semideus, surpresos
–Será que ela desaparece igual as nossas? — perguntou Mika curioso. Isaac fez sinal de que não sabia, mas assim que desejou, ela desapareceu — Isso é...
– DEMAIS! — gritou Lucas
– Mas por que? Se você já tinha sua arma, por que tivemos que buscar o anel? — perguntou Katy
– Mel disse que ficamos mais fortes e dispostos com o anel, deve ser para isso — disse Mika — E ela meio que "evoluiu"
– É. Deve ser — disse Isaac estendendo a mão para pegar a pérola. Ele colocou em seu colar e colocou a mão em cima
De seu corpo cresceram placas de Ferro Estígio que deram a forma de uma armadura em seu corpo e um elmo em sua cabeça. Ele admirou um pouco sua armadura, mas logo após, recolheu-a.
– Acho melhor descansarmos, já deve ser tarde... — disse Mika
Todos concordaram e concluíram que não precisariam de vigia essa noite, estavam bem seguros ali
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Já eram cinco da manhã e nem sinal de Ally, nem de Jason, nem de Mel. Todos já haviam acordado. Depois que cada um tomou seu banho no banheiro, se reuniam na sala, comendo alguns biscoitos e tomando suco. Conversavam e riam, descontraindo um pouco, até que tudo foi interrompido quando os lacaios saíram da sala que era coberta pela cortina e a fechou logo em seguida.
– Como ela está? — perguntou Katy
– Ela... — murmurou Ally — Ela está viva
– Mas... Um viva, tipo, "eeeeeh, ela está viva!" ou um viva, tipo, "pelo menos ela ainda vive" — perguntou Lucas
– Digamos que ela está bem, mas... Está frágil — disse Ally — E confusa. Esses choques mexeram com ela, dando um choque mesmo, um choque que a faz ficar mais "delicada" por um determinado tempo. Hm, acho melhor verem ela. — ela e Jason abriram a cortina, dando passagem para eles
– Ela pode "assustar" vocês com seus atos. Vai estar mais "sensível". — disse Jason
– Mas mantenham a calma. Esse "choque" vai durar alguns dias, esperamos.
Todos assentiram e entraram um à um: Katy, Lis, Mika, Lucas, Alice e Isaac (nesta ordem).
Ficaram espantados ao verem algo se encolhendo contra a parede. Era Mel. Ela abraçava os joelhos, tinha um olhar assustado, seus cabelos estavam sebosos e caiam em seus rosto molhado, na pele, pequenas marcas de queimaduras. Ao seus olhos encontrarem os Escolhido no escuro daquele quarto sem nenhum cômodo, ela se levantou rapidamente e se jogou nos braços de Katy, abraçando-a desesperadamente.
Quando Lis se aproximou, ela enlaçou seu pescoço com apenas um braço, mantendo o outro no pescoço de Katy, e abraçou as duas de olhos fechados.
Pouco a pouco, eles fizeram uma roda em volta delas e as abraçou também.
Quando se separaram, um líquido preto descia pelas bochechas de Mel
– Mel?! Você esta chorando?! — perguntou Lucas brincando
– Eu?! — ela se virou de costas e começou a secar as lágrimas — Eu não! É culpa dos cabelos molhados das meninas, eles bateram no meu rosto tirando o rímel
– Aham! — disse Katy rindo, juntamente com Lis, Alice, Lucas e Mika
– Ta... Agora chega de brincadeira — ela se virou para eles, dessa vez com o rosto limpo e livre das lágrimas, apesar do nariz estar meio avermelhado. — Testaram o anel e a pérola do Isaac?
– Aham — disse Mika
– Estão todos bem dispostos?
– Acho que sim — disse Katy, parando de rir
– Já comeram?
– Sim — disse Lucas
– Ótimo, podemos partir
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– Para onde vamos a final? — perguntou Katy impaciente — Já conseguimos todas as armas e já estamos prontos para derrotar o mal
– Hm... Digamos que ainda tem mais uma parada — disse Mel, mandando um recado silencioso, apenas com o olhar, para Ally — Mas desta vez, sem Metaforá. Vocês pegarão uma "carona" comigo
Ela fechou os olhos e um voitice apareceu no ar
– Podem entrar, desta vez eu agüento todos. Jason, vá na frente.
Jason entrou primeiro, e logo em seguida, entrou Lucas, Alice, Katy, Mika, Lis e Isaac. Ally foi a ultima à entrar
– Quer fazer isso mesmo? — perguntou a lacaia
– Quero desvendar tudo isso logo, antes que um de nós dois vá embora — disse Mel — Pode ir, estou segura disto
Ally assentiu e entrou no voitice, a garota à seguiu, fechando-o logo em seguida
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– Onde estamos? — perguntou Lis para Jason pela décima vez
Estavam cercados de prédios, lojas, pessoas andando e carros passando na rua
– Eu já disse que não sei! — disse o lacaio — Vamos esperar as garotas que ela sabem
– Estamos em Londres — disse Ally, saindo do voitice
– Minha cidade natal — disse Mel saindo depois dela e fechando o voitice
– Você nasceu em Londres?! — perguntou Alice — Você não tem sotaque britânico — ela cruzou os braços
– Só por causa disso, não quer dizer q eu n seja britânica — Mel disse estalando os dedos de suas mãos — Mas eu morei muito tempo nos Estados Unidos e no castelo de meu pai. Ainda tenho o sotaque, mas não "uso"
– Ata... — disse Alice
– Mas por que estamos aqui? — perguntou Katy — Você também precisa do anel e da pérola?
– Não — respondeu Mel — Mas é aqui que vocês vão treinar
– Aqui?! — disse Lucas, brincando — No meio da rua?!
– Claro que não! — Mel começou a andar — Me sigam
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Andaram por horas, estavam cansados. Do centro de Londres, foram parar num bairro bem afastado e desconhecido. Haviam construções bem antigas e abandonadas. Parecia que a existência daquele bairro havia sido esquecida.
Não havia ninguém andando nas ruas, a não ser eles. Não havia uma casa com luzes acesas. Não havia uma casa com a calçada livre das folhas caídas. Não havia uma casa com sinal de ter sido limpa recentemente. Nenhum sinal de que alguém morasse lá.
– Venham — Mel disse, abrindo um portão velho e de ferro
– O que vamos fazer aí? — disse Lis
– Apenas entrem. Explico depois.
Um a um, foram passando pelo enorme portão e pisando na grama cinzenta e seca do jardim abandonado cheio de folhas abandonadas pelas árvores secas. Ao longe, no lado oposto do portão, pode-se ouvir e ver um trem cinza e triste passando por ali, anunciando-se com seu apito.
A filha de Érebo foi a ultima à entrar e empurrou o pesado portão de ferro, fechando-o
– Venham — ela começou a andar em direção ao grande prédio abandonado que havia no fim do jardim.
Ao chegarem de frente à grande porta de madeira, ela empurrou com um pouco de esforço. Um a um, entraram na construção.
Estava tudo escuro, haviam apenas um corredor à sua frente. Pelas paredes eram distribuídas pequenas luzes vermelhas que iluminavam fracamente o chão, mas não dava para ver o que se escondia na escuridão a sua frente.
Mel tomou a liderança e começou a anda pelo corredor, convidado os Escolhidos à irem atrás dela e os lacaios andavam a seu lado.
– Bem... Essa é minha antiga escola — a voz fria de Mel ecoava pelo corredor sem fim — É uma escola simples e abandonada para mortais, mas para meu pai e para quem ele concede que veja, é um centro de treinamento. — múrmuros se espalhavam — Aqui vai ser onde vou treinar vocês, mais do que já foram treinados.
Terão que se esforçar ao máximo. Dei à vocês várias chances de fugir, de abandonar isso tudo, mas vocês escolheram continuar. Mas agora, não tem mais volta, vocês iram servir Érebo até o fim, como eu.
Fez-se uma pausa
– Vocês serão divididos em dois trios. Cada trio será treinado por um: ou por Ally, ou por Jason. Meninos dormirão em um dormitório e meninas no outro. Cada dormitório tem o seu banheiro. Acordarão às quatro da manhã, todos os dias, e deveram recolher aos dormitórios às oito. O café será servido somente até as cinco. Terão pausa para o almoço. E o jantar será servido às sete. O alimento é selecionado, por termos poucos suprimentos. Deverão obedecer seu treinado
Mel limpou a garganta
– Não será permitido sair do dormitório depois das oito. Quem for pego fora dos dormitórios ou bagunçando no mesmo, sofrerá as consequências ajudando na cozinha e lavando pratos. Meninos, evitem contato com suas "namoradinhas", terão tempo para isso durante as refeições. O mesmo para as meninas. Não saiam andando por aí, é muito fácil se perder aqui.
A garota se virou de frente para eles assim que chegaram à um ponto onde o corredor se dividia em dois
– E é aqui que vocês se separam. Meninas, vocês vão com a Ally para a direita. Meninos, vocês vão com o Jason para a esquerda. Alguma dúvida? — o silêncio continuou — Ótimo. Boa noite à todos. Podem se despedir, meninos e meninas, apesar de que vai se ver amanhã de manhã
Ouve alguns múrmuros e abraços de boa noite. E logo os Escolhidos já se dividiam, meninas seguindo Ally para a direita, e meninos seguindo Jason para a esquerda.
Aquilo era novo para os semideuses, e uma nova etapa, para eles, estava começando
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