A Feiticeira
13 Convite
Notas iniciais
Clare me olhou perplexa por um instante, mas por fim deu risada e disse:
– Não! Problema algum! Acredito que você é uma feiticeira. Ah, esqueci de mencionar, sou um manticore, mas você não vê isso por conta da névoa.
– Clare, eu tenho cara de quem está de brincadeira? – falou Alex séria.
O tom de Alex assustou Clare, e esta passou a se perguntar se ela não estava realmente falando a verdade.
“Até que faz sentido”, pensou Clare, “ela aparece no acampamento falando de energia, de aura e etc., depois no meio de uma briga ela faz com que minha mão não responda ao comando do meu cerebro de agarrar uma porcaria de bandeira, ela fala com Hécate como se fossem grandes amigas, e também fala com Héstia. Ela sabe de coisas do mundo mitológico que nenhum de nós sabe! Meus deuses! Alexandra é realmente uma feiticeira!
– Você é mesmo uma feiticeira? Jura? Mas se você é filha de Hécate, por que ela ainda não te reclamou?
– Porque ela não é minha mãe Clare.
– Verdade, sua mãe morreu! – ela viu a expressão de Alex mudar e se arrependeu de ter dito isso – Desculpe!
– Tudo bem. – Elas ficaram um tempo em silêncio. Clare estava com um quê de dúvida, processando o que acabara de ouvir. Então Alex falou – Escuta, eu vim aqui para te pedir uma coisa, mas antes de qualquer coisa, acho que te devo algumas satisfações.
– Ah sim, você me deve, e muitas!
– Não é para tanto, mas é melhor a gente se sentar. – dito isso ela se recostou em uma árvore e esperou que Clare fizesse o mesmo – Eu não vou falar nada, você que pergunte o que quer saber, e eu completo com algumas informações que eu acho que você deve saber, está bem?
– Ok! Er... Desde quando você é uma feiticeira?
– Desde os meus cinco anos. Hécate viu que eu tinha uma aura poderosa e por isso começou a me treinar desde cedo.
– Para tudo! Você foi treinada pela minha mãe? Hécate? – disse ela exasperada.
– Sim. – disse ela indiferente.
– Nossa – disse em um suspiro de admiração – E você disse que tem uma aura poderosa, qual a cor dela?
– Negra.
– UAL! – Disse Clare, mas ela não parecia entender muito disso.
– Você não sabe o que significa, não é? – ela fez que não com a cabeça e depois começou a rir.
– Me desculpe Alex, mas tudo o que eu sei é o que eu li em livros e na internet. Mas acontece que eu não consegui achar nada que me desse realmente “aulas de magia”. Acordei hoje de manhã e tinha um livro ao lado da minha cama, estava escrito em uma lingua estranha, e por mais incrivel que pareça, eu entendi.
– Se o livro é este, então está escrito em celta, e você só entendeu porque você é filha de Hécate. Ela é deusa da magia, e como a maioria dos escritos mágicos são escritos em Celta, Latim ou Aramáico, é de se esperar que você, assim como seus irmãos, consiga ler.
– Jura? Incrível! E... se importa se eu perguntar da sua família?
– Na verdade, sim. Mas não vejo porquê não lhe dizer o básico. E quando eu digo o básico, é somente o básico dos básicos, Ok?
Ela respirou fundo e selecionou as memórias em sua mente. Estava pensando no que poderia contar à Clare, e no que não poderia. Clare olhava ansiosa para ela, esperando pela resposta.
– Ok. Minha mãe era uma ótima feiticeira, e quando se é feiticeiro, não tem como não se envolver com Hécate, e por ser boa, Hécate concedeu a ela um trabalho muito importante: guardar os portais para os Shadow Realm, ou seja Reino da Sombras.
– O que é isso?
– O quê? Shadow Realm? Bem, são lugares místicos que um dia fizeram parte de uma cultura, mas que hoje foram esquecidos, tome o Olimpo e o Hades por exemplo. Asgard, Avalon, Atlântida, todos eles e muitos outros.
– Todos eles existem?
– Os que eu citei? Sim. Mas tem alguns que foram tão esquecidos que todos os portais já se fecharam e as criaturas presente neles ficaram presas por lá. E esse é o motivo maior da guerra. Os Anciões Negros estão tentando voltar, mas eles estão presos nos Shadow Realm’s. Gaia é um deles, Cronos também era. Todos eles estão do mesmo lado. Acontece que Cronos se preciptou, achava que podia ganhar essa guerra sozinho, mas não deu muito certo. – disse ela soltando um riso no final da frase.
– E como assim, guardar? Se são tantos, como ela conseguia dar conta?
– Até hoje eu me pergunto isso. Os Shadow Realm’s passam de cem fácil, e ela sempre deu conta do recado. A única vez que ela deixou a coisa desandar um pouco foi quando meu pai... bem ele... nos deixou. E agora que ela morreu, está tudo virando um caos. As portas da morte, que ela também protegia, foram aberta no dia em que ela morreu. E quem é que vai ter que tomar o lugar dela? Eu! Legal não?
– Sim... – disse Clare em dúvida do que responder.
– Não! Não, não e não! Eu não tenho a minima ideia de como fazer isso! Mas esse foi desde o principio o motivo de eu ter sido treinada em feitiçaria, então eu não posso voltar atrás! – gritava Alex histérica.
Ela repirou fundo, se acalmou e continuou.
– Enfim, eu não posso fazer isso sozinha, e eu preciso de alguém pra me ajudar.
– Concordo.
– Então... eu gostaria que você fosse essa pessoa.
– O que? Jura? Você está brincando, não? – disse ela em euforia.
– Não, não estou brincando. E não é só porque eu te chamei que você tem minha confiança. Você terá que ganhá-la. E enquanto colocamos as coisas em ordem e recrutamos pessoas para o nosso lado na guerra, eu treino você.
– Me treinar? Você é boa o bastante para treinar uma pessoa?
– Não abusa da sorte Clare.
– Ok, eu aceito! Eu vou.
– Ótimo! Segure minha mão!
Assim que ela segurou a mão de Alex seus pés pareceram sair do chão, e tudo ficou embassado e bagunçado. Ela pôde ver o cenário mudando e sentiu uma dor de cabeça tremenda. Assim que ela sentiu o chão debaixo de seus pés novamente. Ela olhou em volta e percebeu que não estava mais no Acampamento Meio-Sangue. Ela olhou em volta e tudo o que viu foram árvores e arbustos. Mas uma árvore em particular chamou sua atenção. Era gigante e parecia atravessar as nuvens.
– Ai, o que diabos foi isso? – disse Clare colocando a mão na cabeça e apertando as temporas para ver se a dor de cabeça passava.
– Instantaneous Trinus – disse Alex sem nem olhar para Clare.
– Insta o quê?
– Viagem instantânea em latim. Nós chamamos isso de Salto, é mais rápido e prático. Dor de cabeça?
– Sim.
– É normal na primeira viagem. Não estamos acostumados com a velocidade em que esse feitiço nos leva.
– E quando tempo vai demorar para passar?
– Algumas horas.
– Ah, que ótimo – disse Clare em tom de ironia – Mas então... deixamos o acampamento assim sem mais nem menos, ou a gente vai voltar ainda?
– Sem volta. Mas não se preocupe, mandamos uma mensagem de Íris para Quíron depois.
– Tudo bem então. E que lugar é esse? – disse analisando o local.
– Bem vinda ao Shadow Realm de Hécate.
– De Hé... Hécate? – Gaguejou ela.
– Sim, acho que já é hora de conhecê-la pessoalmente.
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