A Escrava

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Como prometido trago a vocês o novo capítulo e espero que gostem!

“Só fique lá e me veja queimar,
tudo bem porque eu gosto do jeito que dói,
Só fique lá e me ouça chorar,
tudo bem...”

Rihanna — Love the way you lie

(Terceira Pessoa)

— Bater ou não bater? — parou diante da enorme porta de madeira que a primeira vista parecia assustadora.

Mesmo receosa obrigou seus braços a conduzir suas mãos até a superfície e, num gesto mais fraco e tímido que se sentia no momento, deu uma batida quase sem som na porta.

— Acho que ele não está aqui. — sussurrou feliz se virando pra voltar à cozinha.

— Entre. — a voz masculina ordenou ao mesmo tempo em que a moça reclamava mentalmente.

— Sabe falar minha língua? — adentrou no cômodo de cores escuras que poderia muito bem se passar pelo quarto de um castelo medieval.

— Eu que faço as perguntas. — saiu de outra porta de toalha apenas.

Sem conseguir desviar o seu olhar do corpo bonito, apesar de todas as cicatrizes, Smoak corou e longos segundos olhando o corpo de Al Sah Him depois fitou o rosto do desconhecido e sorriu o mais gentil que conseguiu.

Em resposta ele arqueou uma sobrancelha e fez uma expressão confusa.

Imaginando que talvez o pobre, bonito e estranho homem nunca tivesse recebido o sorriso manteve-o no rosto até se recordar de seu plano estúpido, mas viável.

— Posso lhe ser útil em algo? — perguntou olhando para as cicatrizes o mais discreta que pôde.

Quais seriam as histórias por detrás de cada um delas?

— Sua cama é aquela. — ignorou a gentileza apontando pra um colchão velho no chão. — Suas refeições são servidas após a minha. — caminhou até um armário para pôr uma roupa. — Se tentar escapar quebrarei seu pescoço. — advertiu sério. — Caso não queira trabalhar comigo peça a senhorita Nyssa Al Ghul para mandá-la para os outros. — disse largando a sua toalha ao mesmo tempo em que Felicity se virava de costas.

Eles seriam outras pessoas para ela ser obrigada a servir?

Sinceramente preferia continuar com ele, dos males o menor. Al Sah Him só parecia não ter coração. Em algum lugar abaixo daqueles músculos e peitoral atlético deveria ter um.

— Espere no quarto até eu voltar. — anunciou pondo sua camisa. — Se souber que está de conversa com as outras a deixarei uma semana na prisão. — advertiu batendo a porta.

Com medo de contrariá-lo, a jovem caminhou por todo o quarto observando curiosa tudo que continha lá. Na segunda volta parou de frente ao aparelho de ferro com uma barra e o analisou atenta.

— Olha... — cutucou o objeto como se fosse um extraterrestre. — Ele é tipo um viciado em academia. — comentou seguindo até alguns equipamentos de treino largados pelo chão. — O que é isso? Um sabre de luz Jedi de madeira? — pegou o bastão brincando com o objeto.

Ensaiou alguns golpes e ao ouvir o barulho da maçaneta se movendo largou o objeto no chão e tentou se esconder atrás de uma cortina.

— Al Sah Him? — uma voz feminina preencheu o cômodo a deixando desconfiada.

— Oi? — saiu de trás do pano constrangida.

— Você ainda está aqui? — a mulher de cabelos negros resmungou irritada.

— Ele me disse que... — tentou se explicar.

— Al Sah Him é seu senhor. Seu mestre. Seu dono. Não é "ele". — a repreendeu rude.

— Sim senhora. — concordou encarando seus pés descalços.

— Onde Al Sah Him está? — a rodeou com sua expressão mais séria.

— Não me disse, apenas saiu senhora. — disse com sinceridade obtendo um rosnado da criatura que saiu furiosa. — Tomara que morra coisa nojenta. — acrescentou estreitando os olhos. — Onde eu estava? — resmungou indo pegar o bastão de madeira.

(Terceira Pessoa)

Ela quase foi embora.

A tal prostituta chamada Felicity Smoak quase o deixou pra se submeter aos desejos dos demais soldados. Tudo isso porque olhou nos olhos da sombra que um dia foi o famoso Oliver Queen.

Seus olhos, antes sedutores e com um brilho de vivacidade comum a jovens se perdeu completamente. Seus sorrisos capazes de deixar qualquer mulher sem roupa alguma se tornaram extintos.

Sentimentos então... Fazia alguns meses que ele só conseguia sentir raiva. Nem mesmo desejo por mulheres atraentes a sua disposição sentia. Tudo se tornou monótono. E indiferente.

No momento que viu a pequena sombra se erguer por debaixo da porta soube que se tratava de sua nova aquisição.

Seu coração, se é que ainda possuía um para fazer algo além de bombear sangue para seu corpo, por alguns segundos parou com a possibilidade da mulher o surpreender nu, mas logo se recordou do que ela fazia e desistiu de tentar se vestir pôs uma toalha sobre sua cama para cobri-lo, a mandando que entrasse.

Até então Al Sah Him concluiu que ela não estava satisfeita com ele sendo seu dono e decidiu que, para não perder tempo com alguém que não o suportava iria a tratar da pior forma possível a obrigando a partir.

Contudo ao o ver sem roupas adequadas ela não se insinuou, Smoak agiu como uma moça tímida e sorriu com genuína gentileza e bondade se oferecendo para atender as demandas de seu amo.

A menos que ela fosse uma bipolar, louca ou uma grande atriz, não havia outra explicação para o quê a levou a agir daquele jeito. Por que Felicity Smoak tentaria ser gentil? Faria ela ideia do quanto Al Sah Him era perigoso para si?

Imerso em questões e suposições, o assassino não se deu conta da aproximação de uma velha conhecida até que ela se fez presente assobiando para chamar a atenção do dito cujo:

— Muito ocupado? — Sara perguntou o analisando cautelosa.

— Vai adiantar dizer que sim? — parou de socar o saco de areia a fitando contrariado.

— Onde está sua escrava? — olhou a sua volta não encontrando sinal da moça.

— A deixei no meu quarto. — se sentou no chão pegando sua garrafa de água mais próxima.

— Uma serviçal pessoal deve o acompanhar sempre. — comentou séria.

— Desde que a mulher chegou aqui os rumores sobre a profissão dela se espalharam. — devolveu dando mais um gole na garrafa. — Não quero que ninguém chegue perto dela pra incapacitá-la a me servir. — se pôs de pé mais uma vez.

— Entendi. — olhou toda a aparelhagem de treinar antes de se voltar para saída. — Vai continuar a treinar? — o olhou de soslaio.

— Sim. — retomou a sessão de socos e chutes ao saco.

— Pode até manter ela afastada agora, entretanto não se esqueça do sorteio que teremos em quatro meses e meio. — o lembrou fechando com educação a porta da sala.

Como era a tradição, todas as criadas eram leiloadas por uma noite a qualquer um que desse algo que satisfizesse a Ras Al Ghul.

Com Felicity Smoak não seria diferente.

Al Sah Him precisava arranjar uma maneira de mantê-la longe daquilo. Não que se importasse com ela, mas o sorriso inocente que iluminava tudo a sua volta que Smoak possuía não podia desaparecer. Ao menos não por enquanto. Depois que ela desistisse de ser sua escrava poderia o deixar se perder.

O que Ras Al Ghul poderia querer mais do que tudo naquele momento?

Precisaria de muitos golpes pra concluir uma resposta, imaginou bufando contrariado por nunca se lembrar do que ele dizia.

(Terceira Pessoa)

Felicity decidiu que ficar sem fazer nada era estúpido, com isso organizou tudo jogado em qualquer lugar e depois da sua arrumação aguardou até que alguém bateu na porta:

— Smoak? — Sara fechou atrás de si a porta.

— Oi? — arqueou a sobrancelha percorrendo a curta distância entre elas. — A propósito, qual o seu nome? — estendeu um mão na direção da mulher que riu.

— Ta-er Al Sah-fer é como deve me chamar por aqui. — respondeu cumprimentando a enérgica. — Por pura experiência sugiro que guarde suas gentilezas pra pessoas confiáveis. — replicou a olhando de cima a baixo.

— Compreendo. — assentiu a seguindo até um espelho.

— Está sendo muito dócil para se acostumar à vida que lhe foi designada aqui. — comentou arrumando seus fiapos de cabelo soltos.

— Estou fazendo o que não esperam que eu faça. — deu de ombros se afastando do reflexo horrível de si mesma.

— Então, vai ser uma boa menina pra sair logo? — a assassina concluiu sorrindo para seu reflexo.

— Exato. — se sentou no colchão que chamaria de cama.

— Não acho que com ele conseguirá se manter boazinha por um grande tempo. — parou em frente à moça.

— Até lá prefiro não me expor. — insistiu em dizer cruzando seus braços.

— Se quiser posso te arranjar algumas coisas. — se sentou ao lado da moça no colchão — Pra não ficar parecendo uma mendiga. — observou recebendo gargalhadas da jovem.

— Por hora quero saber qual as vontades do meu nome chefe. — pediu divertida antes de fazer caretas.

— Certo, o lance do nome já foi, ele gosta de café da manhã reforçado e graças a ele temos comidas americanas aqui. — começou com um bico no rosto. — Al Sah Him treina muito, come bastante também, mas não toma tantos banhos quanto deveria. — reclamou tapando o nariz. — Ele é chato possessivo, grosso, irritante, intimidador, orgulhoso, sádico, cruel e bonito. — descreveu seu velho conhecido fazendo uma expressão de reflexão. — Ele costuma a assustar as pessoas... — se esforçou pra lembrar.

— Você e ele...? — sugeriu chocada.

— Não! — gritou nervosa. — Nós, temos afinidade em excesso entende? — gesticulou nervosa.

— Como assim? — olhou confusa para todos os lados.

— Eu não gosto do tipo dele. — tentou mais uma vez a olhando em expectativa.

— Ele é algum tipo de masoquista? — se preocupou por alguns segundos.

— Não! Eu gosto de mulheres! — se exaltou logo se contendo. — Entendeu? — perguntou por fim recebendo um "ok”.

— Mudando de assunto. — Felicity quebrou o silêncio. — Se importa de usar alguns dos seus cosméticos? — pediu sorrindo esperançosa.

— Só se você me prometer uma coisa. — obteve um aceno rápido. — Tenha paciência com o Oli.. Al Sah Him. — impôs sua condição

— Tem shampoo pra dar um jeito nesse cabelo horrível que eu tenho no momento? — mexeu na bagunça que se tornou seu cabelo irritada.

— Claro claro... — concordou fazendo pouco caso.

— Então, me diga tudo que puder sobre o meu adorável Al Sah Him. — se fez de apaixonada obtendo gargalhadas de Ta Er Al Sah Fer.

(Terceira Pessoa)

Nada. Não conseguia pensar em nada. Nem uma mísera idéia que fosse.

O que Al Ghul iria querer mais do que qualquer coisa?

Odiava a si mesmo por não prestar a atenção em nada que o homem dizia. Não é como se ele fosse fácil de ser agradado.

— Treinando para quebrar uma parede com socos? — Nyssa disse ao entrar no cômodo.

— Devemos treinar sempre. — voltou a socar o saco que já era manchado pelo escarlate do seu sangue.

— Já chega de treinamentos por hoje, idiota. — xingou antes de cravar sua kunai no objeto e rasgar o saco. — Suas feridas da última incursão permanecem. — observou discreta. — Vá tratar isso logo. — ordenou ríspida.

— Ou o quê? — a desafiou fechando suas mãos em punho.

— Não me faça te chutar daqui até o seu quarto. — pôs a arma próxima do pescoço dele que a chutou na barriga com muita força.

— Vê só? Consigo te derrubar com um golpe. — se virou pra um outro saco voltando a socar e chutar.

— Vá em frente. Se mate seu inútil. — ralhou tentando se colocar de pé.

— E se eu quiser? — parou de agredir o saco.

— Sua irmã vai pagar por isso. — Ras Al Ghul o lembrou sem cerimônias. — Sugiro que vá tomar um banho, cuidar desses ferimentos e nos encontre na mesa de jantar. — falou imperativo sem o olhar.

Queria matar aquele desgraçado por pensar que ele era um dos seus cães, contudo ainda não era hora certa.

Sem se opor, seguiu até seu quarto onde ao abrir a porta ouviu risadas seguidas pela voz de Felicity Smoak:

— Não minta! O Al Sah Him é lindo! Já viu aquele homem sem camisa!? — gritou histérica sendo acompanhada por Sara que deu alguns gritos em concordância.

— Por ele eu viro bi! — gargalhou sem notar que ele entrava no quarto.

— Atrapalho algo? — aumentou a voz para assustá-las.

O método funcionou com perfeição e em menos de um segundo as risadas cessaram.

— Senhor. — Smoak o saudou se pondo de pé sorrindo constrangida.

— Vou deixar os dois a sós. — fugiu mais rápida que um leopardo.

— Posso te ajudar com esse sangue todo? — brincou segurando uma das mãos com cuidado o que quase o fez se afastar.

Ela estava fingindo ou realmente de importava com seu estado?

— Sabe fazer curativos? — arqueou a sobrancelha.

— Sim. — distraída acariciou uma de suas cicatrizes. — Seus itens pra seu banho já estão prontos e assim que terminar seu banho posso dar um jeito nesse machucado. — afastou suas mãos das de Al Sah Him e a escondeu atrás das costas.

Sem se dar conta ele caminhou até o banheiro e evitou o máximo que pôde olhar nos olhos da mulher.

Não queria a assustar mais do que já fazia sendo ele mesmo.

Notas finais
Só pra constar, a fanfic não vai seguir o estilo de Fifty Shadows.Ela vai ter um estilo próprio que não envolverá nada referente a essa narrativa, ok? Obrigada por ler!