Bella acordou sobressaltada com o barulho de risadas ecoando corredor afora e seus olhos acostumados com a escuridão do quarto, logo viram pela fresta debaixo da porta, que os candeeiros do corredor estavam acesos.

Levantou-se e na ponta dos pés, foi até a porta e abriu-a silenciosamente –Humm –a voz de uma garota soou pastosa -... Vamos para o meu quarto... Mylorde Clearwather.

Bella abriu a porta mais um pouco para ver quem era e nesse momento o homem suspendeu a garota e esta enlaçou as pernas desnudas em sua cintura roliça –Acho que aquela erva que usamos me deixou maluco. –ele gemeu, enquanto desabotoava as calças –Quero vos possuir aqui mesmo, minha pequena.

-Ain, mylorde... Madame não vai gostar.

O homem soltou uma pequena gargalhada e pegou a garota pelos cabelos, mantendo-a cativa –Não se preocupes... Carmem receberá um belo presente amanhã. –então com o pênis ereto e úmido fora da ceroula, levantou a camisola branca até os quadris da moça e arremeteu fundo, arrancando-lhe um gemido alto.

“Santo Deus!... O que é aquilo?”-Bella se perguntou, fechando os olhos com força. Recuou e fechando a porta, sentou-se encolhida no chão atrás da mesma –“O q-que é a-aquilo?” –tampando os ouvidos com as mãos, Bella correu e jogou-se em sua cama, colocando um dos travesseiros sobre a cabeça e então apertou os olhos mais ainda.

-Bom dia, milayde! –Angela cumprimentou Rosalie enquanto abria as cortinas.

-Humm!!! –Rose espreguiçou-se, mas continuou com os olhos fechados. Mesmo dormindo a noite inteira, sentia-se ainda muito sonolenta –Quantas horas?

-São onze e meia.

-Onze e meia?! –Rose sentou-se na cama e logo depois se deitou novamente, sentindo uma leve tontura –Ahh!... O que está acontecendo comigo? –colocou a mão na testa –Eu nunca dormi até esse horário... E ainda estou tonta de sono.

Angela olhou para a bandeja de comida vazia em cima da pequena mesa e deu sorriso tímido –Madame Louvèr deseja falar-lhe dentro de meia hora, milayde. –caminhou em direção a porta do quarto –Com licença.

-Espere!... E minha irmã?

-Irei ter com ela agora.

Rosalie sentou-se na cama e calçou as chinelas –Diga a ela para vir ao meu quarto, sim?

Com a expressão séria, Angela fez um breve movimento com a cabeça –Com licença, milayde.

Bella sentou-se assustada na cama e olhou para a porta da sacada. A parca claridade indicava que ainda era muito cedo e então voltou a se deitar, porém sem conseguir dormir.

Ficou deitada por um bom tempo, relembrando as imagens que presenciara durante a madrugada.

-Preciso contar a Rose. -levantou-se e começou a se vestir, decidida a procurar a irmã.

-Contar o que, Isabella?

Bella deu um pequeno grito e virou-se em direção a porta do quarto –Que susto, Madame!

Carmem, que estava ainda com trajes de dormir, olhou para a bandeja intacta em cima da mesa -O que tu precisas contar a vossa irmã, Isabella?

-N-Nada, senhora.

Carmem olhou para a bandeja novamente e depois a fitou de cima em baixo, avaliando seu corpo por cima do espartilho e das várias anáguas –Vejo que não tocastes em sua ceia... Dormistes bem, Isabella?

-Dormi muito bem... A noite inteira.

De repente a fisionomia de Carmem se suavizou e ela terminou de adentrar o quarto, trancando a porta atrás de si –Isabella –fez uma pausa, enquanto caminhava em direção a menina -... Tu és uma menina muito bonita! –parou em frente a ela e colocou as mãos em sua cintura -... Tens um corpo vistoso!

-Obrigada! –murmurou um tanto constrangida.

-Vossa regra já veio?

As faces de Bella tingiram-se de um vermelho quase escarlate –S-Sim, madame. –respondeu de cabeça baixa.

Carmem que era conhecedora da beleza feminina há várias décadas, reconheceu imediatamente os atributos de Bella. Sabia que por baixo daquelas anáguas, havia um belo par de pernas bem torneadas. –Isso é bom. –“-Muito bom.” –Venha... Sente-se aqui comigo. –disse, puxando-a pela mão –Talvez seja uma boa hora de vos apresentar a sociedade –fez uma pausa para ver a reação da menina -... Eu... Hã... Conheço alguns homens solteiros da alta sociedade que se interessariam em... Conhecê-la.

-Perdão Madame, mas acho que minha irmã deveria ser apresentada primeiramente. –olhou para as próprias mãos que estavam repousadas no colo –Eu ainda sou muito nova e... Não tenho muitos atributos.

Carmem não conteve uma risada –Não tens muitos atributos?! –levantou-se em um salto e puxou Bella pelo braço até o banheiro, onde havia um enorme espelho que tomava conta de toda uma parede –Tire toda essas roupas e se olhe bem, Isabella. –ordenou –E digas novamente que não tens atributos.

Mesmo sentindo-se envergonhada, Bella obedeceu-a e então apenas com uma curta camisola transparente se auto avaliou. Quando criança sempre fora um tanto magrela, mas depois dos seus doze anos, seu corpo tomou outra proporção. Hoje, aos quinze e com um metro e sessenta e oito de altura, tinha criado formas e volumes de dar inveja a qualquer mulher.

-O que é isso?

Bella olhou para a pequena marca semelhante a uma estrela de cinco pontas no colo de seus seios –É uma marca de nascença.

Sem dar muita importância à resposta, Carmem fitou-a através do espelho –Tu és linda, Isabella! –fez uma pausa e olhou-a nos olhos –Muito mais linda que vossa irmã Rosalie. –virou-a de frente para si e colocou a mão no queixo –Tive uma ideia... Marcarei uma festa com os melhores partidos da região e vos apresentarei a eles. O que tu achas?

-E-Eu... Eu não sei, Madame. Preciso perguntar a minha irmã.

Carmem fez uma cara de desagrado –Conversarei com vossa irmã –desviou os olhos dos de Bella -... Assim que ela chegar.

-Onde ela está?

-Ela foi... Hã... Ver um emprego.

-Emprego?!

-Sim, emprego. –Carmem apressou-se em pegar uma escova e virando-a de costas, começou a escovar-lhe os cabelos –Eu não queria, mas Rosalie insistiu em pagar as vossas estadias –fez uma breve pausa, ocupada em fazer-lhe um coque -... Então... Indiquei-vos a família de um amigo para trabalhar de... Governanta.

-Ela demorará muito?

-Humm, talvez uns dois dias... É um pouco longe daqui. –terminou o penteado e olharam-se através do espelho –Agora, coloques o vosso melhor vestido –disse sorrindo -... Que iremos dar um passeio logo após nosso desjejum.

-Bom dia, Mylorde MacCarthy! –Sam, o dono da pequena cafeteria, cumprimentou o rapaz assim que ele sentou-se em uma mesa junto aos seus amigos. –O que desejas hoje?

-Bom dia! –o rapaz olhou para Sam e franziu a testa –Uma xícara de café, sim?

-Sim... Com licença, mylorde.

-Tu perdeste mais uma bela noitada na casa de Madame Louvèr, Emmet. –disse Paul, um de seus amigos –Podes dizer onde estavas? –lançou um olhar cheio de malícia para o outro.

Emmet fitou os amigos por um tempo com expressão séria para logo depois sorrir, formando em seu belo rosto duas covinhas –Em casa, meu caro amigo... Em casa.

-Em casa?! –o outro replicou, caindo na gargalhada –Imagino muito bem o que estavas fazendo em casa. –virou-se para o dono da cafeteria, que se aproximava com uma bandeja na mão. –Não é mesmo, Sam?

-Conheço-o há muitos anos... Acredito realmente que estavas em casa. –colocou a xícara fumegante em cima da mesa -Vosso café, Mylorde!

-Obrigado, Sam!

A conversa entre os jovens amigos durou ainda alguns minutos –Bom... Sinto muito, mas terei que deixá-los –Emmet fez um breve sinal com a cabeça e levantou-se -... O trabalho me aguarda. –completou, colocando o chapéu e se dirigindo ao balcão para pagar sua conta. –Tenham um bom dia!

-Vos tenha também um bom dia! –George levantou-se e, seguido por Paul, caminhou até a porta da cafeteria –Bom... Trabalho! –disse e gargalhou, assim que Emmet passou por eles. –Oh! Muito bom dia, Madame Louvèr! –cumprimentou, assim que viu Carmem se aproximar e então se apressou em beijar sua mão enluvada –Bom dia, Lady...?!

-Swan... Lady Isabella Marie Swan, minha mais nova afilhada. –o nome de Bella proferido por Carmem em voz alta chamou a atenção de todos.

-Muito prazer, milayde! –George tomou-lhe a pequena mão entre as suas e então a beijou –George Winchester –levantou o rosto e encarou-a, ainda com a mão entre as suas -... Totalmente ao vosso dispor.

-P-Prazer... Mylorde. –Bella desviou o olhar dos famintos olhos negros de George.

-Mylorde Johnson! –Carmem exclamou, abanando seu lenço branco –Que prazer vê-lo a essa hora da manhã! –agarrou o braço de Bella e a puxou –Querida.... Quero vos apresentar um amigo meu. –virou-se para Paul e deu uma piscadela –Mylorde Paul Jonhson.

-Muito encantado, milayde! –beijou-lhe delicadamente a mão.

Isabella corou até a raiz dos cabelos –Prazer, Myl...

Paul olhou novamente para Carmem e piscou –Ahin!! Está muito frio!–queixou-se e adentrou a cafeteria –Por favor... Uma xícara de chá, sim? –segurou o braço de Sam, toda sorridente –Bem quentinho.

-Então milayde –George aproximou-se bem mais do que Bella gostaria -... Há quanto tempo chegastes a Sighisoara?

Bella arqueou as sobrancelhas –Err...

-Aposto que tem pouco tempo –Paul respondeu por ela e também se aproximou suficientemente o bastante para fazê-la recuar um passo -... Porque se um primor como milayde estivesse aqui há muito tempo, com certeza já saberíamos. –cutucou o braço do amigo –Não é mesmo?

-Muito bom dia, cavalheiros! –uma voz masculina soou próxima à nuca de Bella –Quem é vossa amiga, Paul? -Bella virou-se assustada para o homem ao seu lado. Ele tinha cabelos negros e compridos, impecavelmente presos em um rabo de cavalo –Desculpe-me, milayde...?

-Lady Isabella Marie Swan, a mais nova afilhada de Madame Louvèr.

Afilhada de Madame? –seus olhos castanhos esverdeados percorreram o corpo de Bella –Muito prazer -um sorriso maldoso brotou em seus lábios. -... James Stwart. -diante de sua mudez, o rapaz deu uma pequena risada –Tu és muda, milayde?

-P-Prazer –disse apenas e recuou até encostar na parede. Algo no olhar daquele homem lhe dizia para gritar por socorro –M-Madame. –sua tentativa de grito não passou de um mero sussurro, podia sentir a adrenalina disparar em suas veias.

Então ao vê-lo aproximar-se ainda mais, não pensou duas vezes. Virou-se e saiu em disparada pelas ruelas de chão batido, ignorando o chamado de um dos rapazes.

Emmet fazia o seu habitual trajeto, quando ao aproximar-se da esquina, alguém colidiu com ele.

Para ele, a força do impacto apenas o fez recuar alguns passos. Mas para a outra pessoa, esse mesmo impacto fê-la cair redondamente ao chão.

-Oh! –ajoelhou-se para acudir a mulher que estava caída de bruços –Perdoe-me, milayde. –disse, virando-a um pouco –Eu... –sua voz morreu ao ver que não era uma mulher e sim, uma menina. –Céus! –exclamou ao constatar que essa mesma menina além de desacordada, estava com um enorme corte na testa de um escorria um filete abundante de sangue. –“-O que poderia uma criança estar fazendo neste lado da cidade?” –Emmet se perguntou, fitando seu rosto angelical. –Perdoe-me, milayde... Não sei quem és tu, nem onde moras. Então –disse e virou-a totalmente -... Só me resta levar-lhe a um lugar. –colocou-a em seus braços fortes e ao levantar-se, o braço direito da menina pendeu para o lado soltando assim, alguns botões de seu sobretudo. –“Não pode ser” –franziu a testa ao mesmo tempo em que arregalava os olhos ao ver em seu colo alvo e desnudo, a pequena marca que lembrava uma estrela de cinco pontas. –“-... Será?!”