A Escolha de Bulma
17 Partida De Poker
Notas iniciais
Os dois não se cruzaram mais desde aquele dia no laboratório. Vegeta conseguia ficar muito tempo evitando a família Briefs, a ponto de não comparecer nem nas refeições principais na sala de jantar. Os empregados lhe levavam uma bandeja farta de comida até a cápsula da gravidade e saiam correndo depois de baterem na porta. Ninguém gostava de ter que encará-lo quando se encontrava no pior de seu mal humor. A cientista teve de assinar a demissão de três funcionários do laboratório que não aguentavam mais os picos de raiva do sayajin e temiam por suas próprias vidas. Bulma tentava mostrar indiferença a Vegeta quando o rapaz ficava desse jeito, ela não entendia muito bem as alternâncias de temperamento dele, mas não estava mais tão disposta a conhecê-lo melhor como antes. Depois dos incidentes comprometedores e um tanto confusos que ocorreram, ficava cada vez mais difícil ter um contato mais diplomático com o príncipe dos sayajins.
Além disso, estava muito ocupada cuidando da recepção para os amigos do Oriente. Não sabia quantos ou quais deles viriam e estava começando a ficar ansiosa com a possibilidade de levar um bolo daqueles que mais prezava. Por consequência do distanciamento que estava tendo de Vegeta, não ia mais ao laboratório e mal vira seu pai até que a sexta-feira chegasse. Apenas o Dr.Briefs poderia ser mais obcecado pelo trabalho que ela, mas a garota tinha certo orgulho disso. Afinal, era dele que vinham os seus genes de superdotada. Estava ficando estressada por não poder trabalhar mais em paz por causa de Vegeta, mas tinha a segurança de que seu pai estava dando conta de tudo.
– Bulminha, preciso falar com você. – disse a mãe quando estavam na cozinha. – Você acha que o Vegeta vai aparecer no jantar de sábado? Porque ele tem nos evitado a semana inteira, querida! Me preocupo com aquele pobrezinho.
Bulma estava riscando os itens de uma enorme lista de ingredientes que os chefs de cozinha utilizariam no jantar. Revirou os olhos ao ver a mãe falar de Vegeta como se ele fosse uma grande vítima.
– Ainda não falei com ele sobre isso, mas vai ter que comparecer, ora, essa coisa toda é por causa dele. A NASA não estaria me enchendo o saco se ele não tivesse mutilado um de seus soldados.
A Sra.Briefs se mostrou séria de repente, usava um tom de voz preocupado que raramente era ouvido entre as paredes daquela mansão.
– Querida, você precisa falar com ele o quanto antes. Temos que ter certeza de que nada grave poderá acontecer nesse jantar.
– Eu sei disso. Vou falar com ele hoje.
A mãe tomou a caderneta das mãos da filha voltando ao habitual sorriso.
– Por que você não vai lá agora? Eu cuido do que estiver faltando e você vai falar com o Vegetazinho, pode ser?
– Por que tem que ser agora? – indagou a garota não gostando da sugestão.
– Porque seus amigos chegarão daqui a pouco e se eu bem te conheço vai ficar dando atenção a eles. Vai acabar arranjando tempo para falar com o Vegeta só amanhã e... – a Sra.Briefs suspirou e seu tom de voz mudou de novo. – Estou preocupada com aquele rapaz, Bulma! E eu sei que de alguma forma, só você pode acalmá-lo para que nada de ruim aconteça.
– Talvez a senhora esteja errada. – disse Bulma saindo da cozinha.
Desceu as escadas para o salão de jogos e foi até o bar procurar algo forte pra beber antes de encarar o sayajin. Não fazia ideia do que dizer para ele quando chegasse até sua cápsula de treinamento. Qualquer frase mal colocada poderia botar tudo a perder, tinha que ser firme e paciente para não deixar Vegeta tentar manipulá-la. Bebeu uma dose de conhaque e deu uma olhada no espelho antes de sair para o pátio. Estava linda, é claro, mas lhe preocupava essa crescente necessidade que tinha de impressionar Vegeta com seus atributos físicos. Soltou os cabelos azuis e ajeitou o vestido no corpo, puxando o tecido lilás da saia para baixo numa repreensão inconsciente.
Chegou na cápsula gravitacional pelo lado de fora, batendo delicadamente no vidro da porta de metal. Ele demorou e a moça bateu de novo com mais força, dessa vez chamando pelo nome do sayajin. Ela ouviu o painel de gravidade desligar, e logo estava frente à frente com Vegeta assim que ele abriu a porta.
– Que foi? – disse de modo grosseiro.
Ele estava só com o macacão de batalha da armadura sayajin, com os braços suados expostos pelo modelo sem mangas. A cientista até tinha esquecido o quanto aquele tecido se parecia com o couro de algum animal, com minúsculas escamas azuis aparecendo se vistas de perto, lembrava a pele de um réptil, mas era muito adaptável ao corpo. Encharcado de suor daquele jeito e dentro da roupa que se assemelhava à cartilagem de tubarão, Vegeta quase parecia um nadador olímpico. Bulma sorriu com a comparação mental e percebeu que na verdade, estava com saudades dele.
– Preciso falar com você. – disse simpática, ignorando por completo a aspereza com a qual ele lhe recebeu. – Pode vir aqui fora comigo?
Ele a encarou com desconfiança, mas fechou a porta da cápsula atrás de si, cruzando os braços de frente para a garota.
– Fala logo! – resmungou mal-humorado.
– Eu vou receber umas pessoas aqui em casa esse final de semana. Alguns amigos que você já conhece e além deles, um homem que está interessado em me dar um emprego na agência espacial que ele administra. Esse homem, o Dr.Campbell, ele quer te conhecer.
– E de que maneira isso é problema meu?
– Eu preciso que você não machuque ninguém. – disse a moça com seriedade.
Uma sombra de sorriso deixou a feição do sayajin mais sinistra.
– Ah, você precisa?
– Vegeta, eu to falando sério!
Ele começou a caminhar em sua direção.
– Do que mais você precisa, terráquea?
– Pode parar aí, macaco! – disse a moça temerosa, apontando o indicador para o rapaz. – Se você chegar um centímetro mais perto...
Vegeta segurou a mão que apontava para seu rosto.
– Vai fazer o que? – disse desafiador. – Hein, sua malcriada? Vai querer lutar comigo?
– Vegeta... Me solta! Eu só vim aqui pedir sua ajuda.
– Então pede direito!
Ela não entendeu a intenção do sayajin que lhe olhava com malícia.
– Eu já disse que preciso...
– Eu sei, você precisa que eu me comporte. – disse ele com tédio na voz. – Mas você não pediu. Quando a gente quer algo, a gente pede.
Bulma soltou um suspiro e puxou a mão que ele prendia. Estava começando a ficar nervosa com aquilo.
– O que você quer que eu diga, Vegeta?
– Só quero que você peça.
Ele a fitava com um olhar de superioridade, cruzando os braços em expectativa. Bulma pousou as mãos na cintura, indignada.
– Tá bom! Você pode me ajudar? – ela perguntou com raiva.
– Não. – respondeu calmamente. – Pede direito!
– O quê? Não! Já sabe que preciso da sua ajuda, que vim aqui pedir isso! Não vou ficar me curvando às suas brincadeirinhas!
– Bom, então não vou poder te ajudar. Que pena! – disse ele com um sorriso maldoso.
Estava prestes a lhe dar as costas quando Bulma o impediu tocando em um dos seus braços.
– Tá legal, você venceu! – ela disse irritada e suspirou tentando se acalmar. – Vegeta, por favor, você pode cooperar comigo e não machucar ninguém no jantar de amanhã?
Vegeta estava visivelmente se divertindo com aquela cena. Bulma já tinha percebido o quanto o sayajin gostava de vê-la perder a calma, mas achava que aquilo já estava se tornando um tanto humilhante para seu orgulho feminino. Ele não parava de fitar o rosto da moça com os olhos negros sombrios.
– Alteza é o termo correto. – disse ele sem tirar o meio sorriso do rosto.
Bulma começou a ficar vermelha de raiva. Sentia as bochechas quentes, os nervos subindo à cabeça, sentindo as pernas tremerem. Quase arfava de tanto nervosismo, pois sabia que ele só queria provocá-la gratuitamente, pelo bel prazer de vê-la se irritar. Ela tentou ser flexível porque sabia que era a única maneira de terminar aquele diálogo, odiava ter que ceder para uma pessoa tão arrogante e prepotente. Fechou os olhos ao responder porque não queria ver a cara de satisfação de Vegeta quando proferisse aquelas palavras.
– Sua Alteza poderia me prometer que vai se portar civilizadamente no jantar de amanhã e não machucar ninguém? – ela cuspiu as palavras em desgosto. – Por favor?
Quando abriu os olhos, ele a encarava bem de perto lhe olhando de cima. Vegeta elevou o queixo da garota com seus dedos para fazê-la olhá-lo.
– Se você quer tanto assim, tem a minha palavra. – ele disse com malícia. – E vai se acostumando a pedir direito ou vou me sentir obrigado a te fazer implorar na próxima vez.
– Pode ter certeza que esta é a última vez que peço algo pra você! – ela disse entre os dentes trincados.
– Se você diz... Então, precisa de mais alguma coisa? – ele disse enquanto roçava a cauda na coxa de Bulma.
A extremidade felpuda subia sob sua saia cautelosamente, enquanto Vegeta a olhava de forma imponente. Ela sentiu um arrepio estranho e tirou a extensão peluda do sayajin de sua barriga. Ainda tinha dificuldades de diferenciar os arrepios de temor e excitação que ele a fazia sentir.
– Tira essa coisa nojenta de mim! – ela gritou. – Escuta aqui, Vegeta, eu não sou uma qualquer, tá me ouvindo? Não vou admitir que você fique tentando me agarrar pelos cantos como um animal! Mesmo um ser abominável de outro planeta como você precisa me respeitar, entendeu?
Ele não parecia nenhum pouco irritado em ouvir aquilo, por mais que odiasse quando ela gritava com ele daquele jeito. Ainda transparecia se divertir um pouco com a situação, apesar de Bulma odiar quando o sayajin se mostrava de bom humor. Para Vegeta, bom humor implicava em ironia e sarcasmo, o que significava infernizá-la com brincadeiras e joguinhos psicológicos.
– E se você quiser? – ele perguntou em um tom mais sério. – E se você quiser que eu te agarre pelos cantos como um animal?
Ele dizia tão seriamente que mal parecia estar usando de seu sarcasmo que tanto a irritava.
– Eu nunca iria querer algo assim! – ela dizia sabendo que era mentira. – Muito menos vindo de um monstro como você!
– Estranho você dizer isso. – ele disse se aproximando cada vez mais. – Porque de todas as coisas que eu já fiz, nada foi tão fácil quanto fazer você gemer.
Por um momento ela sentiu medo, mas a raiva falou mais alto e Bulma estapeou o rosto de Vegeta com rapidez. Deixou que ela batesse, mas pareceu nem sentir o toque quando a palma se encontrou com a bochecha. A mão da cientista ardia, no entanto, fora o tapa mais forte que já havia dado em qualquer um e o tinha desperdiçado justamente com um sayajin. Ele a encarava sério, fitando seu rosto com urgência e percebendo o quanto as bochechas da moça estavam coradas pelo que disse.
– Você ainda vai me implorar! – ele sussurrou próximo de seus lábios.
Neste momento, um barulho na área da piscina os fez olhar em direção ao jardim. Os dois seguiram os ruídos caminhando até a fachada do laboratório e o rosto de Bulma iluminou-se ao ver todos os seus amigos do outro lado da piscina. Kuririn, Goku, Mestre Kame, Piccolo e até Tenshinhan estava presente. Ela rapidamente deixou Vegeta, momentaneamente esquecendo da troca de farpas com o sayajin, e foi correndo direto para os braços de seu melhor amigo.
Ela pulou no colo dele como uma criança e Goku a segurou com surpresa de ver a garota tão animada com sua presença. Beijou a bochecha de Bulma com carinho, mas sem conseguir fazê-la desgrudar de seu pescoço.
– Eu tava morrendo de saudades. – disse no ouvido do rapaz enquanto o abraçava. – Por que não me ligou esse tempo todo, seu idiota?
– Ah, você sabe! O tempo passou rápido e eu acabei me esquecendo. — respondeu naturalmente. – A gente quis te fazer uma surpresa!
Ele a tirou de seu colo e avistou Vegeta do outro lado da piscina, em frente o laboratório. Goku acenou para o sayajin com animação, mas apenas viu Vegeta responder ao seu cumprimento alegre com o dedo do meio antes de voltar para a cápsula de gravidade.
– Não acredito que vieram todos! – ela dizia animada cumprimentando os rapazes com abraços. – Até você, Tenshinhan! Faz muito tempo que não nos vemos!
– Precisava tirar um descanso dos treinos, está bem exaustivo por lá! – respondeu o capaz de três olhos.
– Olha, rapazes, eu faço questão que vocês se divirtam enquanto estiverem aqui. – disse Bulma lembrando sua mãe. – Kuririn já conhece todos os quartos, pode mostrar pra você, Tenshinhan, quero que se sinta em casa, por favor! E depois venham aqui em baixo pra gente tomar banho de piscina e tomar umas, hein, Mestre Kame, o que acha?
O velhote exibiu o sorriso parcialmente desdentado.
– Você de biquíni? Parece ótimo!
Bulma deu um cascudo na cabeça dele e os outros riram.
– Não começa, seu velho sujo!
O grupo se aconchegou na cozinha dos Briefs para lanchar a mesa posta que os empregados já tinham preparado aos convidados. Oolong apareceu para transformar a reunião em bagunça e o falatório se estendeu até que a mesa estivesse completamente esvaziada de tanto comerem. Bulma acompanhou os rapazes até seus aposentos, tagarelando quase tanto quanto Oolong tamanha sua empolgação em ver a casa cheia. Estava tão animada que mal lembrara que o jantar no sábado seria ainda mais intimidante ao presidente Campbell com todos os seus amigos esquisitos reunidos de uma vez só.
Mais tarde, depois de descansados, a cientista levou a todos para um banho de piscina noturno. Trouxe do salão de jogos um pequeno bar de rodinhas cujo tamanho e estrutura lembravam as de um bidê. Ali ela colocara copos, taças, garrafas de uísque, vinho, vodca e até licor. Serviu os amigos com gentileza e se juntou a eles depois de tomar uns goles de seu uísque favorito com o velho Kame. A água estava numa temperatura ideal para a noite quente, mas ao olhar em direção à cúpula do simulador gravitacional seu coração apertava. Vegeta ainda não tinha parado de treinar, era um teimoso mesmo, pensava a garota com vontade de ir chamá-lo.
– Kuririn, vem cá. – pediu Bulma na borda da piscina.
Seu copo estava no chão de marfim e seus cotovelos molhados apoiados para fora da água. O amigo careca chegou mais perto com curiosidade ao ouvir o tom de confidencialidade da garota.
– Que foi, Bulma?
– Lembra aquilo que me falou do Goku no telefone? – ela perguntou olhando para o amigo brincando de afogar Tenshinhan na piscina. – Você descobriu o que é? Descobriu por que ele some do nada e demora pra voltar?
– Não tenho certeza, mas... Acho que ele tem uma namorada no Novo Oriente Sul. — sussurrou o baixinho.
– O quê? Não! Isso não é possível! Eu até achei que ele fosse...
– Gay? – perguntou Kuririn segurando o riso.
– Não, mas... Não sei, talvez assexuado que nem o Piccolo. – falou a garota chocada. – Como você pode ter certeza? Como descobriu isso?
– Ouvi umas conversas dele no telefone, lá na casa do Kame. E um dia, eu fiquei curioso demais, acabei ligando de volta pro número e uma garota bonita atendeu.
– Kuririn! Seu bisbilhoteiro! Como ela era? Ela te viu?
– Eu liguei em modo confidencial, então ela não viu o número nem meu rosto. Ah, ela tem os cabelos lisos compridos e escuros. Traços pequenos. Deve ter ascendência dos antigos orientais, certamente!
Bulma estava sem acreditar na revelação. Uma garota que o melhor amigo escondia de todos, sem nenhum motivo aparente. Dava um trago na bebida amarga enquanto sentia uma pontada de ciúmes de Goku, no fundo, competitiva do jeito que era, queria saber se a garota oriental era tão bonita quanto ela. Mas nutria também uma curiosidade amigável sobre que tipo de garota seu amigo gostava. Era estranho de imaginar Goku apaixonado por alguém independente de quem fosse.
– Por que ele nunca contou pra ninguém?
– Não sei. – disse Kuririn tão intrigado quanto Bulma. – Talvez esteja protegendo ela de nossa loucura! Principalmente da sua que é contagiante.
A garota riu e empurrou a cabeça do amigo para baixo d'água. Goku apareceu de repente, agarrando o corpo da cientista e começou a brincar de carregará-la com pequenos golpes de energia que formavam ondas fortes na piscina e empurravam seu corpo pequeno para longe. Ela lhe dava tapas no rosto quando conseguia alcançá-lo, mas ele a empurrava de novo com a pressão de suas mãos embaixo d'água.
– E o Vegeta? – ele perguntou entre as risadas que via a garota dar.
– O que tem ele?
– Como ele tá indo?
– Treinando o tempo todo, você sabe. – ela apontou com o queixo para as luzes acesas da cápsula de gravidade. – E também me incomodando o tempo todo!
– Ah, é? Fale mais sobre isso! – disse Goku em um dos raros momentos em que mostrava um olhar malicioso. – Como ele tem te incomodado, amiguinha?
Bulma estranhou o tom de voz do amigo. Perguntou a si mesma como ele poderia saber de qualquer coisa entre ela e Vegeta. Na hora, ficou tão nervosa que fingiu não perceber a brincadeira que ele estava sugerindo.
– Goku, acho que ele pode ser perigoso. Não sei se é prudente confiarmos tanto nele.
– Ele me parece mais indiferente do que perigoso, se quer saber. Por que está me dizendo isso? Ele não machucou você, não é?
– Não! Claro que não. – disse Bulma com sinceridade. – Ele é meio bruto, mas acho que não seria capaz de machucar ninguém daqui. Isso não quer dizer que ele não seja perigoso e que talvez... Não sei. Goku! Talvez ele não deva ficar aqui.
Goku a olhava com surpresa e certo divertimento nos olhos.
– Você está me pedindo pra tirar o Vegeta da sua casa? É isso que está dizendo?
– Não sei quando vou ver você de novo e até lá muita coisa pode acontecer!
– Não entendo o seu medo, Bulma. Ele já provou que não te machucaria, nem sua família!
Bulma suspirou. Queria poder contar para o amigo o modo como o príncipe dos sayajins a manipulava impiedosamente, mas isso seria ter que se expor também. Tinha vergonha só de pensar na algazarra que Goku faria ao saber dos beijos clandestinos que Vegeta havia lhe roubado. O amigo não a julgaria, era o que esperava, mas do jeito que era bobo, talvez acabasse contando pra todo mundo como se fosse a notícia do ano.
– Ah, esquece! É só um sentimento ruim que ele me transmite às vezes.
– Ele precisa de um tempo pra se adaptar. Talvez ele nunca se adapte completamente, mas seu planeta não existe mais, lembra? Se ele não ficar aqui, vai acabar sumindo das nossas vistas e aí sim, ele poderia ser perigoso.
– Você tem razão! Eu sei disso. Às vezes sinto grande compaixão pelo Vegeta. – ela confessou. – Ele é tão solitário! Tão fechado em si mesmo! É uma pessoa complicada de entender, sabe, me assusta um pouco esse jeito dele.
Goku olhou o rosto ligeiramente corado da amiga e sentiu a emoção que os unia tomar sua consciência. Como gostava daquela garota esquisita e como a queria bem! Abraçou o corpo pálido em seus braços fortes e apertou a cabeça contra seu peito.
– Você sabe que eu te adoro, não sabe? – ele disse baixinho.
– Eu também te adoro, Goku! – ela disse ainda séria.
– Sabe que eu faria de tudo para protegê-la, certo? Não deixaria nada de ruim chegar perto de você!
Ela sorriu e lhe deu um beijo no rosto.
– Eu sei, confio em você mais do que qualquer outra pessoa!
Os dois desfizeram o abraço e começaram a nadar para o lado oposto da borda, onde os outros já se encontravam fora da piscina. Kuririn ajeitava uma das mesas com sombreiro para que pudessem jogar cartas. Ninguém tinha parado de beber até então, quando o baixinho resolveu convidar a todos para uma partida de poker. Tenshinhan foi um dos primeiros a sentar à mesa com ansiedade, seguido por Piccolo que, para a surpresa de Bulma, sabia jogar. Ela e Goku se juntaram aos outros. A garota pegou o roupão que deixara sobre uma das cadeiras espreguiçadeiras e vestiu a peça mesmo estando quente. Não queria atrapalhar a concentração de Kame na hora do jogo, muito menos perder a paciência com o velho tarado babando por seu corpo no biquíni.
– Mas não temos fichas, Kuririn, vamos apostar como? – perguntou Oolong.
– Eu tive uma ideia legal! – falou o baixinho. – Vamos apostar pequenos castigos, o que acham? Kame e Oolong, tenham bom senso, não vale pedir coisas absurdas só pra não aceitarem suas apostas.
– Ah, Kuririn! Eu sou a única mulher do grupo, obviamente vai sobrar mais pra mim! – Bulma reclamou servindo licor de côco no copo pequeno.
– Ninguém vai avacalhar com você, Bulma. – riu Tenshinhan pelo torpor do álcool. – Todo mundo aqui vai respeitar a anfitriã da casa, não é mesmo?
Ele dizia isso mais para o velhote e o porquinho que se olharam desanimados com a repressão severa da voz grave de Tenshinhan.
– Então vamos começar logo! – bateu Goku na mesa como uma criança ansiosa.
Kuririn começou a dar as cartas e a partida iniciou com pequenas apostas entre Piccolo e Oolong. Bulma não estava afim de sair apostando sua mão logo de início, pois queria observar como se daria aquela dinâmica de apostas. O porquinho apostou uma massagem nos pés, todos riram, mas Piccolo dobrou a aposta sugerindo vinte flexões de Oolong caso o suíno perdesse. Ele aceitou e viu que para sua infelicidade, o nameku tinha uma trinca de azes nas mãos. Bulma gargalhou ao ver o amigo metamorfo ser o primeiro a pagar a rodada de apostas, que ele cumpriu muito mal, mas para não estragar a brincadeira, todos aceitaram as flexões ridiculamente executadas.
Na segunda rodada, a Sra.Briefs apareceu empurrando uma bandeja de rodinhas, segurando uma taça de martini na mão livre. Na mesa móvel de alumínio, trazia pequenos pratos de churrasco e petiscos variados, que foram recebidos como se estivessem sendo servidos a sobreviventes de uma guerra. A mãe da cientista permaneceu entre eles por um tempo, rindo das tentativas de Kame de roubar no jogo. Até que ela voltasse para dentro da mansão, várias apostas já tinham sido pagas. Piccolo teve que abrir garrafas de cerveja com os dentes afiados em um tempo cronometrado, Kame precisou lamber a orelha de Oolong ao pagar uma aposta perdida para a cientista, Tenshinhan virou uma garrafa inteira de cerveja de uma vez só e quase vomitou no chão. Depois, ele e Kuririn perderam para Oolong e ele os fez dançarem abraçados ao som de uma música brega. Os dois rapazes já estavam tão bêbados que até encenaram um romance durante a dança, onde Tenshinhan tentava beijar Kuririn, que protagonizava a garota do casal e desviava o rosto piscando os olhos copiosamente em uma vergonha teatralizada.
Bulma dava gargalhadas com os rapazes, mas nada se comparava a quantidade de vezes em que Goku perdia uma aposta. Praticamente toda rodada era um castigo que davam ao sayajin, sendo que ele nem estava tão embriagado, apenas não dava a mínima para a dinâmica do jogo ou parecia não entender que para jogar, era preciso decorar as regras. O mais engraçado era quando Bulma percebia o amigo tentando blefar, era ridículo, pois ele simplesmente não conseguia nunca. Goku chegou a ter que beber de cabeça pra baixo enquanto flutuava no ar e fazer uma declaração de amor a um dos cozinheiros dos Briefs. Eles não conseguiam parar de rir, alfinetando a cientista de tempos em tempos, que até então não tinha perdido nenhuma aposta e estava ganhando o jogo.
– Não é justo jogar com um gênio da ciência. – dizia Kuririn. – Você provavelmente tá contando as cartas e até deve ter decorado os mínimos detalhes do baralho!
– Eu fui campeã durante três anos consecutivos no campeonato de poker da universidade. – ela disse se gabando. – Vocês não são páreo para mim!
Bulma percebeu que Goku a olhava de um jeito diferente, como se estivesse tramando alguma coisa, mas era a resistência do sayajin ao álcool que mais impressionava a garota. Não estava nem corado sequer e pela quantidade que tinha bebido, já era pra estar caindo pelos cantos.
– Vamos jogar mais uma rodada. A última! – disse Goku de um jeito quase imperativo.
Todos voltaram a se concentrar em suas cartas e Bulma estava muito confiante por não ter perdido nenhuma vez. Acabou por blefar quando não tinha absolutamente nada na mão, mas ganhou várias rodadas daquela forma, então não estava esperando que, pela primeira vez desde que sentaram-se àquela mesa, Goku resolvesse jogar de verdade. Quando a aposta ficou só entre os dois, ela se sentiu desafiada e não abriu mão do orgulho para desistir. Odiava perder, era demasiadamente competitiva para isso, um de seus piores defeitos.
– Eu aposto que... – dizia Bulma com um sorriso malicioso. – Você vai ter que ir até a sala de gravidade e admitir pro Vegeta que ele é o sayajin mais forte e se curvar diante dele. Na frente de todo mundo!
Os rapazes ao redor riram porque era uma cena difícil de imaginar, principalmente Oolong que considerava qualquer diálogo com Vegeta um verdadeiro castigo.
– Eu aceito a aposta. – retrucou Goku em desafio. – Mas se você perder, vai ter que chamar Vegeta de Alteza durante todo o tempo em que ficarmos aqui.
Kuririn soltou um assobio de provocação, dando a entender o quanto a aposta estava ficando séria para ambos. O resto dos rapazes se olharam, alguns segurando o riso para não irritarem a cientista temperamental. Ela estava sem acreditar no quanto Vegeta e Goku poderiam ser parecidos, como se fossem duas faces diferentes de uma mesma moeda. Perguntou-se se o amigo poderia ter ouvido alguma parte do diálogo entre ela e Vegeta mais cedo, mas ainda assim tinha certeza que iria ganhar aquela partida porque em nenhum momento Goku mostrou ter decorado qualquer regra do jogo.
Quando os dois botaram as cartas na mesa, Bulma ficou vermelha de raiva ao ver que Goku tinha um flush, todas as cartas do mesmo naipe. Ela não foi a única a se surpreender, Kuririn chegou a olhar bem de perto para ter certeza que o amigo tinha jogado direito e Tenshinhan pegou as cartas de Bulma para checar se ela não tinha nada mesmo. Oolong foi o primeiro a soltar a gargalhada que prendia na garganta e assim que o fez, foi seguido por Mestre Kame e Kuririn.
– Você deve tá brincando comigo... – ela disse.
– Estou brincando, assim como todo mundo brincou! Você não vai querer bancar a infantil e não cumprir com a aposta, vai?
Bulma avançou no amigo com as unhas em seu rosto. Piccolo a tirou de cima de Goku, mas ela ainda queria matar o rapaz pela provocação.
– É só uma brincadeira, Bulma. – disse o alien nameku. – Não leve para o lado pessoal.
– Ah, e antes de você tentar bancar a espertinha, lembre-se que Piccolo tem uma audição de morcego, portanto mesmo que estiver a sós com o príncipe nós saberemos se você trapacear. – disse Goku no maior divertimento. – É melhor você cumprir o castigo e provar pra gente que não é nenhuma garotinha mimada que não sabe perder.
Bulma virou o copo do licor e fez sinal para Kuririn enchê-lo de novo. Ele a serviu prontamente e ela virou o a bebida mais uma vez, sentindo o líquido doce e gelado descer queimando a garganta.
– Vocês acham que eu sou uma patricinha cheia de frescuras, né? – perguntou a garota de bochechas coradas. – Pois saibam que eu sou um gênio da astrofísica, da robótica, da cosmologia quântica...
– E da humildade! – ironizou Kuririn fazendo Oolong rir alto.
– Cala a boca! Você devia pensar no seu tamanho antes de falar assim com as pessoas! – gritou Bulma com a fala já comprometida pelo torpor do álcool. – Eu vou lá agora mesmo provar que vocês são uns frouxos por terem medo dele!
Ela deu uma batida na mesa antes de se levantar, tentando parecer durona. Os rapazes riram, em sua maioria embriagados, mas com certa expectativa de descobrir o resultado daquela provocação que Goku jogara pra cima da garota. O jovem sayajin cutucou todos da mesa fazendo sinal para formarem um brinde. Cada um ergueu sua bebida e esperou que ele dissesse algo.
– À Bulma! Pela sua coragem, pelo seu cérebro e por nos embebedar toda vez que a vemos! – disse o moreno piscando para a garota.
– À Bulma! – todos gritaram em coro como um bando de vikings.
– À cosbrologia quântica! – gritou Oolong entre o tilintar de vidros.
– Pelos seus peitos fabulosos! – brindou Mestre Kame mais atrasado.
Bulma revirou os olhos, sem acreditar no quanto Goku resolveu ser cínico de uma hora pra outra só por uma zoação daquelas. Mas o desafio já estava comprado e ela não gostava de dar o braço a torcer mesmo que fosse por um amigo. Deu as costas ao grupo e foi caminhando de pés descalços até a entrada do simulador de gravidade, pela lateral do laboratório. Sentia a grama fria sob seus pés com prazer, sem qualquer tipo de julgamento sobre o que estava fazendo ali. Que os deuses abençoem o álcool, pensou.
Bateu no vidro da porta com força e ininterruptamente, até que Vegeta desligasse os aparelhos e lhe abrisse a porta. Estava furioso quando apareceu suado na frente dela.
– Você tá querendo me infernizar, garota? – ele gritou assim que a viu. – O que quer agora?
– Eu posso entrar, Alteza? – ela perguntou em uma voz doce e insinuante.
Ele ficou sem reação, meio desconfiado. Bulma aproveitou o momento para adentrar a sala sem qualquer concessão. Observou os robôs amassados no chão enquanto ouvia ele fechar a porta.
– Como foi o seu treino hoje?
– Bem. Fala logo o que veio fazer aqui. – respondeu seco cruzando os braços.
Bulma olhou bem para o sayajin nas vestes azuis. Os braços fortes mostravam algumas veias saltadas como resultado do esforço físico de um dia inteiro. Seu rosto era sério e rígido como sempre, fuzilando-a com todo poder hipnótico de seus olhos sombrios. Por um segundo ela ficou um tanto comovida com aquela obsessão doentia que Vegeta tinha de ficar mais forte. Parecia esgotado, o que levou a garota se aproximar dele com vontade de acalentá-lo, mas lembrou que não podia ser fraca, pois já tinha decidido que ele não merecia sua compaixão.
– O que eu vim fazer aqui? – ela repetiu a pergunta enquanto desamarrava o roupão. – Vim te visitar, Alteza.
O roupão branco caiu aos pés da cientista, revelando o corpo pálido vestindo apenas um biquíni cor-de-rosa. Os cabelos azuis, ainda um pouco úmidos, caíam embaraçados para trás de seus ombros salpicados de sardas. Assim como suas madeixas, o tecido da roupa de banho ainda mostrava-se úmido, deixando cada detalhe de seu corpo visível. Bulma adorou ver o efeito que seu corpo tinha sobre Vegeta. Ele parecia não respirar direito, olhando cada centímetro da cientista como se estivesse prestes a matá-la. Quando viu que ele ainda demonstrava estar desconfiado, ela tocou em seu pulso, afagando a pele quente enquanto tentava puxar os braços para descruzá-los. Ele estava desconcertado ao ver a garota tomar aquele tipo de atitude.
– Você é uma vulgar. – ele disse com o olhar penetrante.
Ela sabia que Vegeta estava tentando arruinar com sua autoconfiança e por isso, ignorou o insulto gratuito percebendo que sua tática estava funcionando. Deslizou as mãos sobre o tórax musculoso até envolvê-las atrás de seu pescoço. Estava na ponta dos pés para chegar bem perto de seu rosto.
– Quer que eu vá embora, Príncipe?
Ele a segurou pela cintura sem desviar de seus olhos, tentando decifrá-la.
– O que deu em você?
Bulma abraçou-o sentindo seus corpos colarem. Ela beijou o seu pescoço e deu um tempo antes de responder com uma voz provocante.
– Vontade!
Ela olhou dentro de seus olhos negros, tentando lutar contra a sensação de fraqueza que eles a faziam sentir, por pouco não desistindo daquela ideia maluca, por muito pouco não sentindo medo. Neste momento, seus lábios tocaram os dele com cautela, no fundo tinha receio de sua reação ao seduzi-lo daquela forma, mas os braços do sayajin envolveram por completo a sua cintura e no lugar do medo e da tensão, ela sentiu-se surpreendentemente protegida. Seu beijo foi correspondido ternamente, com um movimento de língua lento e suave. O abraço lhe apertava a cintura espremendo-a de um jeito erótico que despertava arrepios em todo o seu corpo. Foi quase um susto, não esperava que aquele a quem chamava de animal constantemente pudesse tomá-la nos braços daquela maneira gentil. Tentava ignorar os pensamentos de que aquilo poderia ser um truque invisível, uma doce armadilha, mas ainda que assim fosse, já estava completamente perdida. Era uma condenada e sabia disso. Admitiu pra si pela primeira vez que estava gostando dele de verdade, deixando qualquer julgamento de lado para se envolver totalmente ao toque macio e carinhoso do homem mais rígido e frio que conhecia.
Aos poucos, aquele beijo provocado e iniciado por ela, foi ganhando o domínio de Vegeta. A língua começou a adentrar mais profundamente e ela dava abertura, as mãos foram descendo das suas costas e ela permitia, ele lhe puxava os cabelos úmidos da nuca e ela respondia com gemidos contidos pela sua boca. Com ajuda da cauda, a colocou no seu colo de frente pra ele. Ela abraçou suas costas com as pernas sentindo a cauda apertando-lhe a coxa. Ele encostou na parede mais próxima e começou a explorar seu pescoço com a boca, intensificando o ritmo de suas carícias. Bulma sentia-se absorvida por completo, arfava com o toque quente e umedecido da língua descendo para o seu colo. Com os dentes, ele a despiu da parte triangular biquíni e tomou um dos seios com a boca. Pressionava o corpo contra o dela enquanto o fazia, respirando sofregamente, ouvindo a voz doce gemer em seu ouvido e sentindo as unhas das mãos delicadas cravarem nas suas costas.
Bulma sabia que daquele jeito as coisas saíam de seu controle e que seria muito difícil explicar para os amigos que a esperavam o porquê de ter demorado tanto. Era torturante ter que pedir a Vegeta pra parar, doía-lhe o coração ter que adiar aquele momento, mas talvez fosse melhor para os dois que nem sequer acontecesse. Ela procurou a maneira mais carinhosa de romper com as carícias sedentas do sayajin. Ergueu seu rosto para encará-lo, afagando sua pele, olhou seus olhos escuros e o beijou com carinho. Percebeu que conseguia acalmá-lo daquele jeito, era quase instantâneo o modo como os músculos rígidos relaxavam e cediam a ela. Suas pernas foram se desvencilhando devagar do aperto da cauda e seus pés voltaram a tocar o chão, mas ele ainda a abraçava apertado e ela permanecia grudada em seus lábios enquanto ajeitava o biquíni com uma das mãos. Deu os últimos toques em seus lábios aos suspiros, selando o término daquele beijo com lamento por ter que sair dali.
– Estão me esperando lá fora. — ela disse desanimada. – Eu não posso demorar muito ou vão desconfiar de alguma coisa.
Vegeta que ainda a abraçava, a apertou com força e encostou a boca no seu ouvido.
– Por mim aqueles insetos podem ir pro inferno!
Ela sorriu ao se dar conta que até um absurdo daqueles soava como um convite erótico sob a voz grave de Vegeta sussurrando entre seus cabelos.
– É sério, eu preciso ir!
Ele a soltou quase de modo brusco, dando um suspiro impaciente e voltando a sua pose antissocial de braços cruzados.
– Você que sabe! – respondeu mal-humorado.
– A gente pode continuar isso depois, o que acha? – ela piscou enquanto tocava o abdômen rígido do sayajin.
Ele nem se mexeu, mas a garota notou que seu rosto ficou levemente ruborizado, algo que seria quase imperceptível se não estivesse tão perto para ver com seus próprios olhos.
– Tanto faz. – ele disse com frieza.
Bulma apoiou-se nos seus braços para alcançar seus lábios e dar-lhes um beijo rápido. Estava ficando louca ou até mesmo o humor rabugento de Vegeta lhe parecia adorável? Ele correspondeu a sua boca com um suspiro mal-humorado, de quem estava odiando ceder, o que só deixou a garota ainda mais feliz pela confiança de que poderia arrancar qualquer coisa dele daquele jeito.
– Então até breve, Alteza! – disse sorrindo para a cara fechada do rapaz.
Ela juntou o roupão e o vestiu enquanto caminhava para a porta. Só conseguia pensar no quanto estava surpresa com aquele pequeno encontro. Teria muito o que pensar antes de dormir.
Do lado de fora, os amigos comiam distraídos o churrasco que estava sendo preparado no salão da mansão. A Sra.Briefs estava junto deles, contando os podres da garota para o grupo de rapazes. Quando ela chegou na mesa, sua mãe contava da época em que Bulma tinha certa fascinação por fogo e cismava em queimar as coisas com o isqueiro do pai, tudo isso na maior naturalidade enquanto a loira bebericava a taça de martini.
– Aí levamos ela no psiquiatra e ele disse que poderia ser um caso de piromania, mas não era nada, né querida?
– Eu fiquei decepcionada quando percebi que o fogo fazia fumaça e estragava toda a beleza das chamas. – disse Bulma sentando em uma cadeira vaga ao lado de Goku. – Acabou com a magia da coisa!
– Você nunca pensou que poderia ter dado a luz ao anticristo, Sra.Briefs? – perguntou Kuririn para provocar a garota.
– Mas é claro que sim!
Todo mundo riu menos Piccolo, como quase sempre ocorria. Ele olhava para Bulma com um olhar misterioso e ela se lembrou que o nameku podia ouvir tudo o que quisesse a longas distâncias, mas pela conhecida discrição, ela sabia que poderia confiar nele. No olhar que trocaram rapidamente, teve certeza que passaram a compartilhar um segredo.
– Então, Piccolo? Cumpri ou não cumpri com a aposta? – perguntou Bulma se servindo de licor. – Você com seus ouvidos de elfo deve saber.
– Cumpriu. – disse sem fazer expectativas.
Houve um breve aplauso entre os rapazes bêbados da mesa e Goku a olhou com um sorriso bobo no rosto.
– Vai ter volta. – disse sorrindo só para ele ouvir.
– Vou esperar ansioso. – respondeu o moreno brindando com a garrafa de cerveja no copo dela.
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