A Escolha de Bulma
18 O Jantar
Notas iniciais
A tarde e a manhã de sábado foram introdutórias para o solene jantar que se daria à noite. Sem uma assistente, Bulma e sua mãe tiveram que providenciar tudo. Receber os chefs de cozinha e guiá-los perante o menu escolhido, chamar cabeleireiros e maquiadores, pois ainda estava impossível sair da residência dos Briefs sem atravessar um mar de fotógrafos às portas do condomínio, além de dar atenção aos hóspedes que se divertiam com a folga dos treinos. Mas apesar da correria de última hora, a cientista estava muito excitada com aquela ideia. Talvez acabasse em um verdadeiro desastre, o que importava, no entanto, era fazê-los temer e respeitar a garota de uma vez por todas. Tarefa essa um tanto difícil para os sayajins ao seu redor. Goku mostrou sua capacidade de raciocínio e cinismo ao desafiá-la na noite do poker, sem demonstrar o menor ressentimento a quem ele dizia adorar tanto. Já Vegeta, insistia em tratar Bulma com desprezo e frieza ao mesmo tempo que tomando-lhe nos braços como um animal feroz quando bem entendia, em um vai e vem de emoções que deixava a garota sempre confusa.
Ela estava procurando por seu pai para tirar algumas dúvidas sobre um projeto inacabado que ele deixara em suas mãos. Naquela agitação toda, Bulma nem lembrava direito quando havia sido a última vez que vira o pai cientista. Já estava pronta para o jantar da noite, mas como sempre tinham funcionários da corporação nos arredores do laboratório, acabava sempre sobrando para ela quando Dr. Briefs não estava presente. Caminhava pelo corredor dos quartos, tinha acabado de ver que o pai não estava naquele andar. Foi quando Piccolo apareceu, saindo de seus aposentos e indo direto interromper os passos da moça.
– Bulma, sei que pode não parecer uma boa hora. – ele disse educado. – Mas eu espero que saiba o que você está fazendo com Vegeta.
Ela parou na frente dele, lembrando da noite anterior e de como o nameku tinha uma audição privilegiada inerente de sua raça.
– E eu espero que você não use essas suas orelhas pontudas pra invadir a privacidade dos outros!
– Não se preocupe, pouco me interessa o que fazem entre quatro paredes, desde que saiba o risco que você pode estar correndo! – respondeu Piccolo sem ligar para a irritação dela. – Você sabe que ele é um assassino sádico? Já viu ele esfolando um de seus amigos? Trucidando uma das pessoas com quem você se importa? Já viu ele matar alguém? Torturar? Destruir planetas com vida?
De repente, Bulma passou a prestar atenção no alienígena, sabendo que o alto namekuseijin não perderia seu tempo dando-lhe conselhos caso não estivesse preocupado de verdade, mas ela manteve a pose defensiva.
– Por que me diz isso a agora?
– Porque foi isso que ele fez. Fora as outras atrocidades que deve ter cometido antes de aparecer por aqui, quando ele ainda era um soldado de Freeza.
Estava um tanto comovida por ter alguém como Piccolo se importando com o bem-estar dela, nunca imaginou aquele alien verde que conheceu na cabana de Kame, tão frio e calculista, se importando com um ser humano daquela forma. O breve diálogo que estavam tendo mudaria a visão de Bulma sobre a amizade dos dois, mas mesmo sabendo que poderia confiar nele, não tinha como explicar a um extraterrestre assexuado que ela estava se sentindo completamente seduzida por um psicopata de outro planeta. Como fazê-lo entender a complexidade de sentimentos envolvidos numa situação dessas?
– Você é de outra natureza, Piccolo! É difícil te explicar e eu mesma nem sei direito o que acontece entre a gente, mas eu te garanto que ele nunca me machucaria.
– Apenas acho que é bom você saber o tipo de criatura que ele é antes de ter tanta certeza disso.
– Eu sei, não sou nenhuma idiota. Obrigada, Piccolo! Por me alertar. – ela disse sinceramente.
O alien nameku não falou mais nada e lhe deu as costas com a mesma serenidade com que lhe disse todas aquelas coisas horríveis sobre Vegeta. É claro que ela sabia sobre as ambições nada nobres do príncipe sayajin, mas tampouco conhecia maiores detalhes de seu passado. Sua capacidade cerebral de ler pessoas através de seus gestos, fala e olhares não era uma habilidade facilmente executada com Vegeta. Era uma pessoa muito fechada em si mesma, com gestos rígidos, sempre na defensiva e com uma enorme dificuldade de manter um diálogo amigável com qualquer ser racional sem perder a paciência. Seu último beijo, todavia, havia lhe dito outra coisa, que o sayajin era também um homem capaz de tocá-la com gentileza, ignorando por um tempo a aparente necessidade que ele tinha de encurralá-la pelos cantos como uma presa.
Andou até a biblioteca sabendo que no meio daquela confusão, naquela casa enorme repleta de visitas, jamais encontraria seu pai a tempo de resolver o problema. Foi direto à mesa de estudos do Dr. Briefs com a intenção de encontrar algum rascunho ou relatório de seu mais recente projeto. A biblioteca dos Briefs dividia-se entre o segundo e o terceiro andar da mansão, ocupando boa parte do lado oeste da construção com suas altas e extensas estantes de mogno. Duas escadas em espiral levavam ao andar debaixo, onde a maior parte dos livros ficavam, além de um conjunto de sofás de couro próximo a um bar espelhado. Bulma lembrou da mãe quando passou por ali, ela de fato tinha bebida alcoólica espalhada por todo lugar.
Uma das mesas do andar de baixo estava coberta de livros, era o único lugar que não podia ser ajeitado naquela casa, nem Bulma nem seu pai admitiam que mexessem em seus estudos e projetos. Sobre na mesa, entre papéis e livros abertos uns sobre os outros, ela encontrou os vestígios dos estudos do pai e prestou-se a procurar alguma anotação sobre possíveis falhas motoras da máquina que estava desenvolvendo. Olhava o relógio de carrilhão de tempos em tempos, tentando prever a chegada de Harvey Campbell, pois já marcavam oito e meia nos ponteiros e ele poderia chegar a qualquer momento. Ela nem estava sentada por conta da pressa, inclinava-se sobre a mesa tentando não sujar o vestido de renda nos livros empoeirados. O tecido suave cobria seu corpo até o meio da coxa moldando-o com perfeição. A cor preta lhe dava um ar mais maduro e fatal que era exatamente a impressão que gostaria de causar naquele jantar: a de que Bulma Briefs não era mais uma garotinha.
– Olha só, a garota terráquea mostrando o quanto é sofisticada! Todos bebendo na cozinha e você aqui.
A cientista levou um susto com a voz e presença de Vegeta tão próximas de si como quem já estava ali a observando a tempos, sem que ao menos ela tivesse percebido alguém entrando na biblioteca. Ele estava encostado em uma das estantes, de braços cruzados e vestindo roupas humanas pela primeira vez em muito tempo. Bulma gostou de vê-lo assim, por mais estranho que lhe parecesse ver Vegeta em uma calça jeans, mas mesmo sem as roupas habituais ainda conseguia permanecer imponente em sua postura arrogante dentro das vestes escuras. A camiseta chumbo de gola ligeiramente angular não tinha estampas, assim como a lavagem da calça preta não tinha muitas marcas aparentes.
– O que veio fazer aqui? – ela quis saber.
– Então você perdeu pro Kakkaroto... – disse sem tirar o sorriso maldoso dos lábios.
Bulma parou de folhear os livros para olhar os olhos negros mal-intencionados. Era só uma questão de tempo até que ele descobrisse da aposta no poker, mas ela não esperava que fosse tão cedo.
– Agora eu sei como você se sente. – respondeu rápido.
Vegeta se mostrou um pouco surpreso com a provocação, sem acreditar na ousadia da garota em lhe retrucar daquele jeito sem noção do perigo que corria em apenas olhá-lo tão desafiadoramente. Mas a sombra de divertimento não saía de seu rosto. Tinha de admitir internamente que a garota possuía mais coragem que muitos soldados com os quais já lutou.
– Acha que sou um daqueles vermes que você usa como marionetes?
– Oh, Vegeta! – disse Bulma em uma voz copiosamente doce, sem deixar de ser provocativa. – Você se sentiu usado?
Ela viu a raiva subir às têmporas do sayajin, fazendo a garota rir com vontade ao ver o rosto irritado se enrubescer, mas ela foi pega de surpresa. Em pouco segundos, e de uma maneira que Bulma mal pôde compreender como aconteceu, Vegeta estava com uma das mãos em seu pescoço, pressionando o corpo pequeno da cientista contra uma das estantes de livros. Um dos pulsos estava na outra mão, apertado com tanta força que ela estava começando a sentir os dedos adormecerem. Faltava-lhe ar como nunca antes havia sentido em seus pulmões, a mão livre e enfraquecida tocava um dos braços fortes que a tomavam violentamente como uma súplica para que ele parasse.
– Uma criatura repugnante como você deve se curvar diante de mim! – ele dizia friamente e Bulma podia enxergar toda a maldade em seus olhos escuros. –Você deveria implorar! Você ainda vai me implorar, sua…
Vegeta interrompeu as ameaças quando percebeu os olhos azuis assustados encherem de lágrimas. Largou a garota bruscamente, como se de repente tivesse se dado conta da própria atitude. Ela não sentia a mão esquerda, morbidamente mais pálida do que qualquer outra parte de seu corpo branco. Tentava conter o soluço preso na garganta, mas os olhos encharcados denunciavam a dor que aquela violência lhe causara. No fundo estava arrependida, pois sabia dos riscos que corria provocando-o da maneira como ela fazia, mas a agressão mais dolorosa parecia ter sido dada em seu estômago como uma pancada, lugar esse que, ironicamente, era onde sentia os arrepios mais intensos quando estava nos braços de Vegeta por outras circunstâncias.
– Não precisava ter feito isso. – ela disse na voz levemente embargada. – Não foi só pela aposta, eu só quis me aproximar mais de você.
As palavras saíam dificultosamente numa voz baixa e sentida. Ela não quis olhá-lo. Estava de cabeça baixa, com vergonha de si mesma por ter pensado que ali morava alguém com sentimentos, capaz de tratá-la com afeto. Sentiu as mãos dele analisarem o pulso cuidadosamente e em pouco tempo o sangue voltou a pulsar sob a pele de seus dedos, fazendo Vegeta suspirar de alívio.
– Por que iria querer algo assim, sua tola? – indagou num tom de voz calmo que só usava com ela. – Você é tão frágil e insignificante! Não vê que eu poderia ter te machucado de verdade? Por que faz isso comigo, Bulma?
Os olhos azuis agora o olhavam de frente, tinham quase a mesma altura agora que ela estava de salto alto. Conseguia enxergá-lo por inteiro, pela primeira vez parecia ter conseguido decifrá-lo dentro de seus olhos negros, estes que a olhavam de volta com um forte pesar. Bulma sentiu seu coração ser invadido por uma torrente de compaixão e empatia. Por todo o sofrimento silencioso dentro daqueles olhos tão profundos e por toda a rigidez por trás dos braços frequentemente cruzados em defensiva. Pela dor incurável de ter perdido seu trono, seu lar, sua família, pelo seu orgulho ferido e principalmente, pela solidão em que se encontrava na imensidão do universo. Não havia nenhum lugar a qual Vegeta pertencia, tiraram isso dele, assim como haviam tirado parte da infância dela no internato. Sentindo o forte impulso de acalentar aquele coração atormentado, ela pousou uma das mãos em sua face e afagou a pele com carinho. Uma lágrima resistente dos olhos cheios d'água rolou por sua bochecha quente. Queria diminuir a distância entre os dois, mas não tinha certeza se ele era capaz de fazer a sua parte.
– Eu gosto de você, Vegeta. — disse secando a própria lágrima. – Você não precisa dizer nada, só estou falando isso porque quero que saiba. Não tenho nenhuma pretensão, até porque eu sei que suas capacidades sentimentais são diferentes das minhas, mas... Você perguntou porque eu insisto... Bem, agora você sabe.
Ele estava vidrado em seus olhos, os lábios semiabertos, o semblante de quem tenta entender o que está acontecendo. Bulma envolveu todo o braço pelo seu pescoço e escondeu o rosto naquele abraço mal correspondido.
– Tá tudo bem! – ela disse em seu ouvido. – Você não me machucou, ok? Não quero que se puna pelo que houve aqui hoje.
Então ele fechou os braços ao redor de sua cintura e soltou um suspiro de culpa.
– Também queria pedir desculpas se eu fiz com que você se sentisse violado de alguma forma. – ela dizia da forma mais doce e sincera que podia. – Eu não vou mais tentar qualquer proximidade se assim você prefere, mas... no fundo, eu sei que vou estar aqui esperando você mudar de ideia.
Suas mãos acarinhavam-no entre os cabelos negros espessos, enquanto ela sentia a respiração quente soprar em seus ombros nus. Passou a se confirmar na sua cabeça a constatação de que o frio e grosseiro sayajin ficava sem reação toda vez que ela o tocava com carinho. Tocou os lábios nele, com cuidado, sendo levada por um instinto irresistível. Ela beijava suavemente a pele, do pescoço às maçãs do rosto, quando a voz de sua mãe ecoou na biblioteca como um superego repressor.
– Querida? O Dr.Campbell chegou! Venha receber as visitas! Não é uma boa hora pra bancar o bichinho do mato.
A voz da Sra.Briefs vinha da outra porta de entrada e seu salto agulha já marchava em direção aonde estavam. Os dois já esperavam desabraçados, de frente um pro outro, quando a mulher loira os avistou. Estava vestindo um de seus elegantes conjuntos de saia e vestido, com os cabelos dourados presos em um coque baixo e, como sempre, segurava uma taça de bebida em mãos. Ela permaneceu um tempo sem saber como reagir ao perceber que poderia atrapalhar alguma coisa. Ficou visivelmente surpresa em encontrá-los ali àquela hora, principalmente levando em conta a distância curta em que os corpos de Bulma e Vegeta ficavam à vontade um do outro.
– Hum, estamos esperando vocês na sala de jantar. – disse a Sra.Briefs saindo da biblioteca com mais pressa do que quando entrou.
Vegeta foi o primeiro a se mexer para sair dali, mas Bulma lhe impediu a passagem com o corpo.
– A gente pode terminar essa conversa mais tarde? – ela pediu e viu que Vegeta mostrou-se desgostoso com a ideia. – No meu quarto?
Ela deu uma piscadela tentando animá-lo. O sayajin voltou ao humor típico, lhe sorrindo de uma maneira que só ele sabia como.
– Como você é oferecida!
Bulma sentiu a face corar e deu um tapa de leve nos braços dele.
– Eu to brincando, seu idiota! – ela riu.
Eles já estavam caminhando para fora da biblioteca, pegando a direção da sala de jantar por um dos corredores principais. Andavam lado a lado em passos ligeiramente apressados. Bulma começou a se irritar com a aparente indiferença de Vegeta àquilo que dissera.
– Quer saber? Você que sabe! – ela falou de um jeito esnobe. – Não precisa falar comigo nunca mais, se assim vocês homens da caverna preferem!
Ela sentiu as mãos agressivas de Vegeta lhe puxarem com rapidez. Ele a encurralou em uma das paredes do corredor e ela virou o rosto desviando de seu beijo.
– Credo, Vegeta! Como você é primitivo! É tão difícil assim tratar uma garota com cavalheirismo? Que tipo de príncipe é você, hein?
Ele achou engraçado aquelas perguntas, deu uma risada perto de seu ouvido enquanto lhe mordiscava o pescoço. Bulma ficava amedrontada com o fato de toda risada de Vegeta soar maléfica, mesmo quando não parecia ser a intenção.
– Do tipo primitivo! – ele respondeu com a voz maliciosa.
Ela tentava se desfazer do aperto, mas era mais espremida contra a parede a cada tentativa. Vegeta deslizava as mãos por todo o seu corpo e por vezes, olhava para ela querendo checar suas reações.
– Você tá amassando a minha roupa, seu animal! – dizia tentando empurrá-lo. – Você quer arruinar com o meu vestido, é isso?
– Não só o vestido. – respondeu ele conseguindo roubar um beijo.
Estava se tornando algo difícil para Bulma lidar com a maneira em que tudo entre os dois tinha que acabar num campo de batalha, inclusive os beijos. Ela constantemente tentando amaciá-lo e ele sempre procurando violá-la. Mordeu os lábios insistentes na primeira oportunidade, fincando os dentes na pele até sentir gosto de sangue, o que aconteceu bem rápido. Aproveitou o elemento surpresa que havia afetado o rapaz e o empurrou.
– Você tem um jeito muito agressivo de cortejar uma dama, Vegeta! Escuta só, eu… – ela pausou a fala sentindo a palavra trancar na garganta – gosto sim de você, mas isso não quer dizer que pode me tratar de qualquer jeito, tá bom? Não é assim que funciona!
– Você me mordeu! – ele disse pausadamente sem acreditar nas gotas de sangue que via na ponta dos dedos.
– As coisas funcionam numa dinâmica de ação e reação, Vegeta! É uma das leis de Newton! – disse a garota de um jeito pomposo com as mãos na cintura. – Se você for amargo, vou ser amarga. Se você agir com doçura, então também te tratarei com doçura. Vai ter que me conquistar pra ter qualquer coisa de mim a partir de agora!
– Cala a boca! – disse ele limpando o sangue da boca. – Você é que deveria estar de joelhos por mim, sua tonta! Acha que o príncipe dos sayajins tem tempo a perder com garotas estúpidas que nem você?
– Garota estúpida? Pois fique sabendo que meu cérebro--
– Seu cérebro é um lixo! – ele interrompeu com amargura.
Ela deu as costas ao rapaz quando percebeu que dali não sairia nada de bom. Sabia que quando Vegeta começava a falar aquelas coisas era porque não tinha mais jeito de lidar com ele. Sentiu o sayajin seguindo seus passos até chegarem a sala de jantar onde todos já se reuniam com o presidente da agência espacial.
Harvey tinha trazido um de seus secretários ou estagiários, um homem baixo na casa dos trinta anos, com uma aparência delicada e bastante reclusa. O Dr. Campbell, por outro lado, parecia mais encantado que assustado, olhava para Piccolo e depois para Tenshinhan com os olhos arregalados e o copo de uísque quase tremendo na mão. Não sabia sobre o que conversavam de pé próximos à mesa retangular, mas sabia que era algo que divertia seus amigos. Kuririn cutucava Tenshinhan com os pés, prendendo o riso enquanto Oolong tagarelava sobre o planeta dos metamorfos e deixava Harvey de queixo caído.
– Ah, finalmente! – exclamou a Sra.Briefs ao ser a primeira a notar a presença da filha. – Já podemos servir a entrada, sentem-se todos! Vamos começar a rodada de vinhos, pessoal!
Todo mundo se virou para olhar Bulma e Vegeta chegando no recinto ao mesmo tempo. Piccolo e Goku trocaram um olhar rápido. A garota foi direto cumprimentar Harvey e seu fiel escudeiro e secretário, Gus. Os dois estavam suando frio, mas conseguiam se esforçar para manter a simpatia.
A mesa do jantar era longa, feita de um mármore dourado espesso que agora era coberto por uma extensa toalha branca. As catorze cadeiras que a rondavam imitavam um estilo vitoriano clássico, com um estofamento cor de areia que mesclava perfeitamente aos tons terrosos e dourados do ambiente. Estava lindamente decorada com os pratos de porcelana postos alinhadamente entre os talheres de prata e os guardanapos de sacaria. No meio da mesa, em uma linha reta de ponta a ponta, vasos de rosas roxas decoravam a mesa acompanhadas por um candelabro de cristal em seu centro. Bulma sentou no lugar onde estava acostumada a ficar nos jantares de família, na última cadeira antes da ponta onde seu pai ou sua mãe geralmente sentavam e justamente onde a Sra.Briefs se alinhou com cuidado para nao derrubar a bebida. Na outra ponta oposta deveria estar o Sr.Briefs, na única cadeira vazia, mas deveria ter se atrasado por conta do excesso de compromisso na Corporação. Do seu lado da mesa sentaram respectivamente: Vegeta, Piccolo, Tenshinhan e Mestre Kame. Do outro, Goku, Dr.Campbell, Gus, Oolong e Kuririn.
– Espero que não tenham te assustado muito! – ela brincou quando todos se sentavam à mesa. – Esses aliens gostam de ser engraçadinhos às vezes.
Ela fuzilou Goku com os olhos azuis quando disse isso. Os dois amigos sentaram um de frente pro outro e trocaram sorrisos de provocação.
– Pra falar a verdade, seus amigos são muito educados, Bulma! – disse Harvey com polidez.
Quando o vinho branco estava sendo servido, a Sra.Briefs instigou Harvey a falar sobre degustação de vinhos e Goku aproveitou o momento de distração para sinalizar para Bulma discretamente. Ele usou as mãos para apontar para o seu pescoço e ela entendeu na hora o que o amigo estava querendo dizer. A garota levou a mão ao próprio pescoço, para onde Goku olhava com um sorriso de zoação, e sentiu as marcas vincosas dos dentes de Vegeta. Foi a primeira vez que percebeu a pele um pouco dolorida e para Goku notar, deveria estar arroxeado e bem aparente. Na mesma hora, ela ajeitou os cabelos para o lado e cobriu a marca da mordida antes que os outros percebessem.
A sua mãe usava todo o conhecimento gastronômico para manter Harvey distraído em uma conversa mais cotidiana, enquanto Kuririn e Kame e Tenshinhan comentavam alguma ou outra coisa sobre esportes do outro lado da mesa. Vegeta estava quieto e fechado como sempre, tomava seu vinho com uma cara de quem gostaria de matar todos ali presentes. Quando as torradas com caviar de berinjela foram servidas, uma outra rodada de vinho fez o refil das taças. Por intuição, Bulma soube que deveria iniciar os assuntos mais sérios antes que o prato principal chegasse.
Vegeta estava se portando muito bem, mostrando-se antissocial, mas sem agredir ninguém, o que já era grande coisa. O vinho já parecia fazer efeito na maneira em que ela o percebia. Vendo-o bebendo daquele jeito, mesmo nas roupas humanas e comuns, inclinado na cadeira de um jeito arrogante, Bulma o achou incrivelmente atraente. Admitiu a si mesma, com raiva, mas consciente de que aquela postura de príncipe tirano a atraía de uma maneira quase ridícula.
– Acho que vocês não foram apresentados devidamente, Harvey. – disse Bulma em um silêncio propício entre os diálogos. – Esse ao meu lado é Vegeta, de quem eu te falei, lembra?
O homem tentou não demonstrar ansiedade, mas seu receio ao trocar olhares com Vegeta era bem notório. Bulma sentiu um chute embaixo da mesa que a fez olhar pra Goku. Na breve troca de olhares, a garota entendeu a alfinetada do amigo e do outro lado da mesa ela pode ouvir Kuririn fingir um espirro muito mal forjado e dizer:
– FLUSH!
Oolong e Mestre Kame soltaram risinhos também se lembrando da noite de poker e o carequinha continuou a gozação:
– Ah, desculpem gente, acho que to prestes a pegar algum resfriado!
Bulma suspirou e limpou a garganta antes de falar de novo numa voz mais firme.
– Quero dizer, Príncipe Vegeta. – ela se corrigiu.
Gus, o convidado de Harvey, estava notando o clima estranho entre as pessoas da mesa, mas estava assustado demais para perceber qualquer significado do que se passava. Através de sua boa visão periférica, Bulma percebeu Vegeta olhando em sua direção quando falou dele daquela forma.
– É um imenso prazer conhecer um Príncipe pessoalmente, ainda de um reinado tão distante. – disse Harvey com educação. – Em outro planeta, não é? Aposto que sua história é muito interessante! Gostaria em nome da NASA lhe dar boas-vindas ao nosso planeta. É uma honra tê-lo como hóspede na Terra!
– Tanto faz. Não será por muito tempo mesmo. – respondeu Vegeta com frieza.
Bulma deu uma leve cotovelada no sayajin ao seu lado, mas ele pareceu nem sentir.
– Ora, mas faço questão que saiba de nosso apreço em ter sua presença e a de seus amigos em nosso planeta. – Harvey disse em sua pose diplomática.
– Ninguém aqui é meu amigo. Vou explodir todo mundo antes de ir embora. – disse Vegeta olhando para Goku e deu um gole na taça.
Os convidados estavam sem palavras. Até mesmo Goku e seus amigos mostraram-se desagradados com o comentário e um silêncio estranho se apoderou sobre a mesa até que alguém tomasse coragem de falar de novo.
– Vejo que o seu treinamento está extraindo bastante de você, Vegeta. – falou Goku apontando para a ferida nos lábios do sayajin rival. – Talvez esteja realmente se superando.
Vegeta não se mostrou abalado com o comentário, mas Bulma conhecia o amigo e sabia que aquela era uma provocação.
– Isso aqui? Foi só um inseto.
– Um inseto bem agressivo, eu diria! – sorriu Goku e depois olhou para Bulma.
A cientista não sabia de qual dos dois sayajins ela sentia mais raiva. Estava com vontade de quebrar a taça na cabeça daqueles dois, mas sabia como ninguém que algumas situações requeriam o porte de uma dama, por isso conseguiu contornar a situação desviando da agressividade de Vegeta como se nada tivesse acontecido.
– O senso de humor dos sayajins tem uma reputação fundada, não acha?
Um sorriso amarelo saiu da boca de Harvey com muito esforço.
– Na verdade, não tenho o prazer de conhecer bem a raça dos sayajins, Dra.Briefs. Talvez com a sua presença na nossa agência isso se torne possível.
Ela gostou de tê-lo ouvido ir direto ao assunto. Ouvia cochichos do outro lado da mesa, entre Kuririn e o risonho Oolong, mas deu atenção ao convidado de honra da noite.
– Bem, Harvey, como pode ver, ninguém aqui está sob o meu domínio. Somos todos livres mesmo vindo de mundos diferentes e é necessário que continue assim.
– Tem toda a razão, Bulma! Liberdade é um direito primário de qualquer ser vivo. Você bem sabe meus princípios morais, é uma humanista como eu! – ele disse sorrindo. – Nossa intenção, e eu não falo somente em nome da NASA, mas do governo, é claro, é saber quem são nossos vizinhos intergalácticos. Conhecer melhor sua cultura e história. Quem sabe traçar alianças amigáveis algum dia?
– Não sei se a parte amigável dessa história é viável, você entende que é primeiramente uma questão de logística. – disse Bulma entre uma torrada e outra. – Levaríamos gerações até chegar no planeta Vegeta com os recursos que temos hoje.
– Graças a sua brilhante contribuição à humanidade isso já está mudando, Bulma. Seu pai também deve saber disso, pois ainda é a ponta hierárquica da Corporação Cápsula. Por isso ele já sabe da minha ideia de unir as duas empresas através de você, te deixando livre para trabalhar entre as duas. Não queremos que seja uma funcionária como as outras, cumprir horário de rotina, nada disso!
Neste ponto, as conversas abertas já tinham voltado a se estender pela mesa como uma discagem de linha cruzada. Bulma prestava atenção apenas no que Harvey dizia.
– Bulminha, é uma boa oferta, se quiser, posso representar o seu pai e te dizer que ele acha uma ótima ideia. – disse a Sra.Briefs se metendo na conversa. – Ele só não disse nada para não te influenciar a tomar uma atitude indesejada.
– Um trabalho tão interessante como esse deve ter alguma condição. – disse Goku desconfiado, mas ainda simpático. – Parece bom demais pra ser verdade, pelo que estou entendendo.
– Só queremos que nos traga relatórios mensais. – Harvey respondeu tentando parecer natural. – Sobre vocês, os sayajins, a raça do Sr.Piccolo e o Sr.Oolong. Se assim permitirem, é claro!
De repente, as criaturas mencionadas por ele começaram a prestar atenção na conversa, quase trazendo o silêncio de volta. Vegeta foi o primeiro a dizer o que pensava.
– E se não permitirmos? O jantar acaba e vocês vão embora? – perguntou desafiadoramente sem mover um centímetro da pose relaxada na cadeira.
– Bem, Príncipe Vegeta… Nesse caso é claro que não insistiremos, nem temos poder para tal.
– Perdoe o mau-humor de Vegeta. – disse Piccolo com educação. – Mas se me permite, o que constaria nesses relatórios?
– O tipo de informação que sentirem vontade de compartilhar sobre suas origens. Nada mais! Serão relatórios de acesso restrito que manteremos como arquivo confidencial na agência.
– Eu acho que ninguém se importa, não é rapazes? – disse Goku querendo falar por todos. – Até porque todo mundo aqui confia muito na Bulma.
– Tá falando por você, Goku. – falou Oolong do outro lado da mesa. – Eu não confio nessa maluca.
– Ah, por favor, Oolong! – zoou Bulma com uma ligeira irritação na voz. – Você tava contando a sua vida inteira pra todos ouvirem quando eu cheguei na sala.
– O importante é termos um registro de espécies com as características principais da sua raça. – disse Harvey se animando com a receptividade de Goku. – Não precisam nos dar explicações do porquê de estarem neste planeta. Respeitaremos a privacidade de cada um.
– Ah, Bulma, você poderia usar aquela sua pesquisa que fez na casa do Kame, sobre os sayajins. Ainda tem aquelas anotações, não?
Goku sugeriu aquilo com uma voz inocente e Bulma sabia que era uma opinião bem-intencionada, mas o amigo não fazia nem ideia do furo que estava deixando. A pesquisa pessoal sobre os sayajins era pra ser um segredo. Nunca tinha especificado isso, mas pensou que fosse óbvia a necessidade de esconder as coletas biológicas que fizera sem a autorização de Vegeta quando ele estava inconsciente. Harvey estava impressionado.
– Ah, então você já iniciou uma pesquisa por conta própria? Interessante o seu instinto de cientista atuar até mesmo no improviso. Admirável, eu diria!
– Obrigada, mas não foi nada muito conclusivo, só uns rabiscos. Não sei se seriam úteis.
– Mas Bulma, tem aqueles exames que você fez em mim e no Vegeta, lembra? Acho que você guardou aquilo, não?
Ela sentia o olhar de Vegeta em seu rosto, mas tinha medo de encará-lo na frente de todo mundo, não sabia que tipo de impressão um simples gesto desse poderia causar em quem os assistisse. Deu um chute em Goku por baixo da mesa e pela reação que o rapaz teve, ela percebeu que a ingenuidade do amigo estava de volta atuando em sua mente esquisita. Tentou não transparecer nenhum nervosismo, mas já sentia o sangue correr mais rápido sob as veias.
– Não tive nenhum resultado ainda, na verdade. – ela se explicou. – Nada muito interessante, não foram exames completos e você sabe que mapeamento genético demora pra ficar pronto.
Ela sentiu algo duro e peludo lhe cutucando a coxa por debaixo da mesa. O modo como deslizava na sua pele pressionando-a como uma cobra, logo revelou que se tratava da cauda sayajin de Vegeta tocando seu corpo sob a toalha branca.
– Já que estamos falando do meu organismo, – ele falou de um jeito quase educado – posso contribuir com algumas informações que lhe interessam.
– Isso seria incrível! – disse Harvey animado. – O que mais me interessaria seria saber um pouco da cultura de sua raça, Senhor Vegeta!
– A nossa cultura é de guerra. Nós sayajins somos os guerreiros mais fortes do universo. Estamos sempre tomando planetas, fazendo novas alianças militares, praticando genocídio… Esse tipo de coisa.
Vegeta falava com a maior naturalidade que sua voz grave poderia expressar, sem deixar de insistir em introduzir a cauda por dentro do vestido de Bulma. Ela tentou empurrar para fora de seu colo, mas se deu conta que a força que ele tinha na cauda de macaco era equivalente à de um de seus braços. Os pêlos macios roçavam pela parte interna da coxa enquanto Vegeta falava friamente. Todo mundo passou a prestar atenção na conversa, sem ninguém perceber o modo discreto com que Bulma se revirava sobre seu assento tentando se livrar daquela coisa entre as pernas.
– Não é tão cruel quanto parece, é só uma questão de estratégia. – ele continuou se divertindo com a situação. – Para um planeta ser vendido por um bom preço ele precisa estar limpo para uso. Ninguém vai dar muito por um planeta infestado de insetos terráqueos, por exemplo.
– Vegeta, isso é desnecessário! – repreendeu Goku.
– Kakkaroto foi um dos sayajins mandados para a Terra para destruir a vida que havia aqui e tomar esse planeta idiota. Só não deu certo porque esse verme tem problemas mentais, como já deve ter percebido. – contou Vegeta enquanto outra rodada de vinho era servida. – Além dos negócios, é sempre muito bonito ver um planeta quando explode, poucas coisas no universo são mais belas que um planeta sendo destruído.
– Isso é porque você nunca viu uma supernova! – disse Bulma desafiadora. – Você já viu uma? É como uma aurora boreal esférica e pulsante! Tenho certeza que é de um resplendor muito mais belo que o de um planeta explodindo.
Ela agora encarava Vegeta nos olhos e viu que o rapaz estava furioso. Apenas ela conhecia aqueles olhos escuros tão bem, e por mais que não aparentasse, Bulma tinha certeza da fúria que o sayajin estava se esforçando para conter. Ela não quis parar por aí, escolheu continuar a provocação porque sabia que o planeta de Vegeta tinha sido destruído pela supernova de Freeza, escolheu alfinetá-lo mais porque não estava cumprindo com o combinado.
– A não ser, é claro, que esse planeta esteja sendo destruído por uma supernova. Nesse caso, seria um verdadeiro espetáculo! Algo que eu gostaria de assistir, você não, Alteza?
Nessa hora, quase como uma salvação para o rumo que a conversa estava tomando, os chefs apareceram na companhia dos garçons para apresentar o prato principal. Todo mundo se animou, principalmente seus amigos orientais e alienígenas, que já estavam bem acostumados com o senso de humor de Vegeta, portanto, era mais fácil para eles simplesmente ignorar o que o príncipe dos sayajins lhes dizia. Harvey e Gus, no entanto, ainda mostravam-se atordoados com o tom de ameaça com que Vegeta falara aquelas coisas sobre sua raça. Talvez o presidente da maior agência espacial do mundo estivesse um tanto amedrontado em perceber que de todos, Vegeta se destacava nitidamente como o mais perigoso daqueles seres. Goku e a Sra. Briefs tentavam distrair os dois convidados em uma conversa sobre frutos do mar enquanto eram servidos.
A cientista ainda encarava Vegeta numa tentativa de reprimi-lo, mesmo que fosse apenas com o olhar, ainda que nada estivesse funcionando com ele naquela noite. Suas pernas fecharam-se com força, tentando machucar a cauda, mas ele pareceu se sentir mais desafiado ainda e forçou o membro nela até a extremidade alcançar o que procurava. Bulma quase deu um pulo da cadeira, mas em vez disso, segurou sua taça de vinho com força e deu um gole comprido como se o álcool pudesse lhe acalmar. Desviou o rosto ruborizado para o próprio prato, se negando em encarar o sayajin quando ele percebesse que ela estava usando absolutamente nada por baixo do vestido preto de renda.
– Você é cheia de surpresas, não é mesmo? – ele disse num tom de voz baixo.
– Dá pra parar com isso, por favor? – ela cochichou se aproximando dele.
– Não! – ele lhe sorriu com maldade.
Vegeta soltou um suspiro ao tocar a parte mais úmida de seu sexo com a cauda. Estava bebendo seu vinho e a olhando a cada gole, lhe cutucando sorrateiramente por baixo da mesa e Bulma não sabia mais o que fazer. Se saía da mesa de repente, ignorando a todos bem no meio do jantar, se tentava comer enquanto seu clitóris era estimulado por uma cauda de macaco, ou se tentava matá-lo ali mesmo a qualquer custo.
O salmão grelhado foi servido junto ao molho de frutas cítricas e todos começaram a comer. A garota tremia com os talheres em mãos, estava admirada que ninguém tinha percebido ainda o quanto se comportava de um jeito estranho, mas pensou que talvez não aparentasse muita diferença a quem observava. Estavam todos finalmente conversando em uníssono de novo, dialogando sobre assuntos leves e cotidianos que mantinham a todos bem distraídos. Além da comida que estava deliciosa, mas Bulma mal pôde apreciá-la com aquela coisa felpuda entre as pernas lhe tirando a concentração. Viu que Vegeta comia normalmente, como se nada estivesse acontecendo, parecia o mais distraído de todos. Ela enfiou alguns pedaços de salmão na boca, espalhou a comida pelo prato com o garfo, pra parecer que tinha comido bastante, e deu mais um gole longo no vinho tinto. Devia ser quase a décima taça de vinho que esvaziava naquela noite, mas quando bebericava da taça, Vegeta introduziu uma parte da cauda para dentro de Bulma e ela deu um sobressalto de susto, derramando vinho na própria roupa.
– O que foi, querida? – perguntou a mãe preocupada, só então notando a expressão diferente no rosto da filha.
– Nada! – ela respondeu um pouco ofegante sem encarar ninguém nos olhos. – Acho que senti algum inseto me picar.
– Não vá se engasgar por causa de um mosquitinho, querida! Ainda bem que o seu vestido não é branco!
Ela se levantou da mesa secando a roupa com o guardanapo de pano, caminhando devagar para o banheiro da sala de estar, deixando de ouvir as vozes do jantar a medida que se afastava. Lá dentro do banheiro preenchido por um papel de parede floral vermelho, ela encontrou o líquido tira-manchas para emergências como aquela. Sentou-se na pia de mármore, sentindo as pernas bambearem em cima do salto alto, e ficou observando a decoração vermelho sangue do banheiro que ela quase nunca visitava.
Depois de tomar o ar de volta aos pulmões e ver o produto fazer efeito no vestido, ela usou um lenço especial para se livrar do desconforto entre as pernas. Quando tocou o local percebeu que ainda estava sensível e se perguntou sobre o quão depravado era considerado ser masturbada por um alienígena no meio de um jantar com os amigos. Percebeu, ao se limpar, que tinha pêlos sob a sua saia e se sentiu uma criatura bestial. Questionou-se se aquilo poderia ser considerado uma prática de zoofilia.
Bulma aproveitou para maquiar a marca roxa que a mordida de Vegeta tinha deixado no seu pescoço. Se qualquer coisa de fato acontecesse entre eles, ela pensava, teria um grande trabalho em ensiná-lo a tratá-la com mais tato, pois se um breve amasso no corredor já lhe deixava uma marca horrível como aquela no pescoço, ela nem queria imaginar o tipo de hematoma que Vegeta poderia lhe deixar após uma noite de sexo. Estava se ajeitando na frente do espelho, se preparando psicologicamente para voltar ao jantar novamente, quando ouviu um grito desesperado vindo da sala de jantar. A reação de Bulma foi como uma bomba cardíaca que lhe tomou as forças, pois ela tinha certeza que aquele grito agudo era a voz de sua mãe.
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