A Escolha de Bulma
10 Lar Doce Lar
Notas iniciais
Sua última semana no Novo Oriente passou mais rápido do que Bulma gostaria. Já estava tudo bem ajeitado para sua chegada no Ocidente. Maron, sua assistente, já havia marcado duas reuniões, na Corp.Cápsula e na sede da N.A.S.A respectivamente. Seus pais já se animavam com muita expectativa por terem sua única filha de volta ao lar, a Sra.Briefs tinha se exaltado um pouco mais em sua empolgação quando soube que conheceria seu futuro genro e falava disso toda vez que ligava para Bulma. Sua alegria foi tanta, que preparou uma festa de recepção para a adorada filha e seus amigos.
O garoto Trunks não pôde ficar muito e logo voltou para o lugar de onde veio com sua máquina do tempo. Sua ida deixou a moça um tanto melancólica sem que soubesse exatamente o porquê, mas depois de ter partido, as coisas foram se ajeitando para a transição de acontecimentos que se seguiria: Piccolo e Goku não paravam de treinar, até durante a madrugada ela podia ouvir os sons e estalidos de energia vindos da floresta; Na casa de Tenshinhan o clima era o mesmo e Kame e Kuririn treinavam juntos aos dois alienígenas; Yamcha e Bulma começaram a namorar, foi um vínculo que evoluiu tão rapidamente que em apenas uma semana já tinham dado passos bem decisivos na relação que apenas tinha começado. Os dois não se desgrudavam desde a noite da fogueira, ficavam horas conversando antes de dormir, não paravam de se agarrar pelos cantos quando se viam, o que incomodava um pouco a Tenshinhan que insistia que o rapaz precisava se preparar como os outros o quanto antes e que no lugar disso, só perdia tempo com a garota.
Quando Bulma pôde iniciar sua sexualidade, nunca imaginou que seria tão fácil. Tinha ficado preocupada por nada, pensava. Yamcha era paciente e romântico exatamente como ela gostaria que ele fosse. Era tão estranho para ela ter um namorado de repente, e ainda por cima alguém que correspondia a todas as suas expectativas amorosas. Não conseguia encontrar nenhum defeito nele, seu cuidado com ela era impecável, tão dedicado que desmontava todas as defesas da cientista. Seu coração, no entanto, sentia alguma coisa diferente diante daquela mudança tão repentina, mas não era um sentimento muito agradável.
Estava combinado que todos voltariam com Bulma até sua casa para despedirem-se uns dos outros antes de cada um seguir com seus treinamentos distintos. Em sua última noite no Oriente, Bulma sentiu que não conseguia dormir de ansiedade. Olhou para Yamcha dormindo como uma pedra ao seu lado e uma solidão assolou seu coração quando um vento frio soprou pela janela entreaberta. Ela se levantou e vestiu um moletom da Corporação Cápsula que lhe servia como um vestido curto. Colocou um par de pantufas felpudas e foi até o pátio que separava a edícula do chalé. Estava mais frio do que o primeiro dia que chegara ali e não podia deixar de pensar no que estava esperando por ela no outro lado do planeta.
Teve a ideia de ir até a cozinha já que estavam todos dormindo, teria um tempo sozinha diante da geladeira. A ansiedade a tomava pelo estômago toda vez que enfrentava situações conflitantes. Caminhou em passos cautelosos pelo corredor de madeira, chegando até a cozinha da cabana de Kame sem fazer nenhum ruído. Para a sua surpresa, encontrou companhia.
– Os mais inteligentes comem quando ninguém tá vendo. — disse Goku quando a viu de pé sob a luz mais fraca da cozinha.
Ele estava só com a parte de baixo das vestes usuais, era a primeira vez que ela o via de azul. O sayajin devorava os restos de um sorvete feito por Kuririn naquela noite. Era exatamente aquilo que Bulma planejava comer. Quando sentou do outro lado da mesa, apoiando os cotovelos na madeira, ele lhe ofereceu uma colher. A sobremesa parecia ainda mais deliciosa do que estava no jantar.
– Não conseguiu dormir? — ele perguntou de boca cheia.
– É difícil com tanta coisa na cabeça.
– Isso é por causa da sua volta amanhã?
– Sim, além das outras coisas que me esperam por lá… Você sabe, os próximos anos vão ser exaustivos pra todo mundo, mas tenho uma intuição de que vai ser particularmente difícil pra mim.
Ele soltou um suspiro pesaroso, ficando pensativo.
– Com relação a sua festa amanhã… Vou levar vocês até lá como havíamos combinado e depois terei que fazer umas coisas, mas vou voltar pra ficar um pouco mais.
– Como assim? Você tem que ir em algum lugar?
Goku demorou pra responder só deixando Bulma mais desconfiada. Estavam frente à frente sentados à mesa.
– Não sei porque você insiste em tentar esconder coisas de mim. — ela disse séria num tom de voz baixo, mas confiante, sem se importar se ele ouviria ou não.
Ele a olhou imediatamente, sorrindo com ternura ao vê-la diante de si reclamando seu direito de saber das coisas. Sempre queria saber tudo, pensava, não bastava ter todo o conhecimento do universo, tinha que saber também o que se passava na cabeça das pessoas ao seu redor.
– Fico feliz em ter te conhecido. — disse ele desviando o assunto.
Os grandes olhos de Bulma se encontraram com os dele e ela sentiu sua face ruborizar de leve. Às vezes era frustante tentar entender Goku, pois parecia sempre ter as reações mais esquisitas e inesperadas.
– Também foi bom te conhecer! — ela sorriu com doçura. — Mas não fale como se estivesse se despedindo porque ainda vai ter que me aguentar por muito tempo!
Os dois riram tentando não fazer muito barulho. Goku soltou mais um suspiro e empurrou o pote de sorvete caseiro que dividiam em direção a Bulma, deixando os últimos pedaços pra ela.
– Então… — disse ele cruzando os braços e recostando na cadeira. — Você e Yamcha, não é mesmo?
Ela sentiu a face corar novamente, mas fingiu não perceber.
– É, ele vai passar um tempo comigo lá em casa. Eu sei que é bem cedo pra fazer algo assim, mas acho que a gente vai dar certo.
– Bem, o que eu tenho a dizer é que desejo muitas felicidades a vocês… dando certo ou não.
Bulma sabia que aquelas eram palavras com boas intenções, mas o tom de voz do amigo a fez pensar que havia certa descrença no que Goku dizia.
– Obrigada. — ela limitou-se a dizer.
– Eu soube que ele gostou de você desde o primeiro momento em que te viu. Não dá pra julgar, não é?
Ela riu com a provocação.
– Você é meu alienígena favorito, sabia? — ela disse levantando-se da cadeira vendo-o acompanhar o gesto. — Vou sentir saudades quando estiver lá do outro lado.
Ele foi ao encontro de seu corpo e a abraçou delicadamente dando-lhe um beijo na testa.
– Eu também vou!
Na manhã seguinte, as malas já estavam prontas e Bulma precisou pegar algumas coisas emprestadas do Mestre Kame para levar o que tinha ganhado de presente. Era estranho, pensava ela, tinha chegado ali com apenas uma mochila e algumas mudas de roupa dentro. Agora estava voltando com algumas malas a mais na bagagem. Sentia que com seu coração havia ocorrido o mesmo.
Uranai, que também estava prestes a ir embora, mas para a Cidade Leste do continente, lhe dera vestidos, colares e anéis com pedras preciosas da região. Piccolo lhe confiou a posse das sete esferas do dragão, agora petrificadas, para que tomasse conta delas em um enorme gesto de confiança que deixou Bulma de queixo caído. Não sabia que havia de fato conquistado o respeito do alien nameku até seu último dia de convivência com ele. Tenshinhan se negou a ir até a casa de Bulma para a recepção que a Sra.Briefs os faria, tinha uma implicância com a cientista e com qualquer coisa que vinha do Ocidente para atormentá-lo. Bulma acabou respeitando sua decisão e não insistiu, o rapaz ainda tinha sido educado o bastante para cumprimentá-la e dá-la como presente um dos violões excêntricos que tinham utilizado no dia da fogueira. Kame e Kuririn fizeram a gentileza de lhe dar o livro de receita que compartilhavam, com algumas anotações pessoais. A garota achou o máximo que tivessem pensado em algo tão atencioso. Ficou um tanto encantada com o costume dos orientais de dar um presente a suas visitas como gesto de apreço pela sua estadia.
Yamcha, num momento de inspiração, teve a ideia de dar a Bulma um vaso de flores jurássicas de uma espécime rara que só brotava naquela região do oriente, o que a cientista achou a coisa mais romântica do mundo. O mais estranho para ela, entretanto, foi que Goku estava tão introspectivo em suas preocupações secretas que foi o único que não lembrou de presentear Bulma na despedida. Não queria ser egoísta, estava mais que satisfeita em ter sido bem tratada, principalmente pelo sayajin, mas pensou que talvez na cultura deles aquilo poderia significar algum tipo de rejeição. Preferiu não refletir profundamente sobre isso, pois sabia que o rapaz era muito desligado de vários fatores do mundo real e se mostrava a criatura mais desajeitada do mundo diante de situações que para muita gente pareceriam simples.
Quando já estavam todos preparados para o teletransporte, Bulma lembrou-se de algo importante e voltou correndo da sala para o seu antigo aposento, indo direto para a antiga sala de enfermaria, agora com os equipamentos todos desmontados. Ela percorreu os olhos pela salinha, procurando por algo específico, até encontrar a pasta preta jogada por baixo de um dos lençóis higiênicos. Ali continha sua pesquisa sobre os sayajins. Não tinha mais exames para fazer desde que Vegeta fora embora, mas toda a sua pesquisa tinha um embasamento teórico bem sólido e poderia fazer o mapeamento genético dos dois sayajins cujo sangue coletara. Colocou todas as cápsulas na mochila que carregava e voltou correndo para a frente do chalé.
– Tinha esquecido de umas cápsulas importantes. — justificou-se ao olhar o rosto curioso de Yamcha. — Podemos ir agora.
– Estão todos prontos? — perguntou Goku levando dois dedos à testa. — Então segurem-se a mim.
Bulma acostumou-se a fechar os olhos ao acompanhar Goku em sua técnica de teletransporte. Era menos confuso e assim que os abria novamente já estava em um lugar diferente sem nem ter notado alguma mudança estranha na locomoção.
Viu então o grupo de amigos formado na mesma posição, mas desta vez encontravam-se na área externa do jardim de sua casa. Mestre Kame e Yamcha, que viam a casa pela primeira vez, estavam com uma expressão de horror por nunca ter imaginado a casa dos Briefs como um lugar tão sofisticado. Estavam nos fundos da imponente residência, na área da piscina, cuja extensão gigantesca lhes dava a visão plena da mansão à frente. Tudo era impecavelmente branco, desde a casa cor de gelo até o piso que rondava a piscina retangular de tom marfim. Além da área plana, havia um belo jardim ao redor, com plantas e flores cuidadosamente podadas, circundadas por uma grama tão verde que Yamcha chegou a pensar que poderia ter sido tingida artificialmente.
A casa deveria ter uns três andares amplos, sem contar com o cômodo revelado por duas janelinhas proeminentes no telhado, que se tratava de um sótão. O andar de baixo, que levava até a piscina aonde estavam, era sustentado por pares de colunas gregas revestidas de gesso. As portas de vidro eram largas e altas, cercadas por dois vasos grandes de flores exóticas de cada lado. Acima do teto alto, o formato côncavo da balaustrada revelava um terraço que circundava todo o segundo andar da casa. Mesmo de longe viam a entrada deste andar cujo teto arqueado moldava a silhueta do salão principal que levava ao terraço.
– Sejam bem-vindos! — gritou a voz estridente de mulher em uma empolgação que fez todos tomarem um susto. — Mas que viagem rápida que fizeram!
Só então que puderam ver a cabeleira loira da Sra.Briefs descendo as escadas do terraço até o jardim. Vestia um conjunto branco de calça curta com uma blusa sem mangas. Veio até eles em passos curtinhos e apressados, marcados pelo barulho do salto agulha no piso marfim. Ela era acompanhada por uma moça alta de corpo escultural que imediatamente chamou a atenção de Kame. Seus cabelos eram azuis, mas um tom escuro de azul que pouco se assemelhava aos fios brilhantes turquesa de Bulma. Era Maron, assistente da cientista, com um de seus típicos vestidos colados no corpo que faziam os olhos de qualquer homem se atraírem como um ímã. Seu rosto era mais angular e a pele mais bronzeada que a de Bulma, mas esquecendo estes e outros detalhes como a altura, poderia facilmente se passar por sua irmã mais velha.
– Ora, mas se não são os amigos esquisitos da minha filhinha! Que bom que já chegaram, vão poder descansar antes da festa começar!
A Sra.Briefs fazia um emaranhado de frases enquanto abraçava a todos alegremente. Kuririn achava engraçado que toda vez que via a mãe de sua amiga poderia jurar que estava embriagada. Quando ela parou diante de Yamcha e Bulma de mãos dadas, levou uma das mãos ao rosto e sorriu de orelha a orelha.
– Você deve ser o Yamchazinho! Mas como ele é lindo, Bulma! Olha só que corpo maravilhoso esse garoto tem!
Bulma sentia sua face queimar de vergonha enquanto via a mãe abraçar e analisar o seu namorado como se ele fosse algum tipo de mercadoria.
– Mãe, já chega, vai assustar todo mundo desse jeito!
Mestre Kame ainda não tinha tirado os olhos de cima de Maron desde que a moça apareceu, mas diferente da cientista ela não dava a mínima.
– Sejam bem-vindos a residência dos Briefs! — ela disse numa voz quase robótica. — Se vocês puderem me acompanhar, vou leva-los aos seus aposentos. Devem estar cansados.
Os rapazes a seguiram de imediato, ainda um pouco atordoados com a personalidade excêntrica da Sra.Briefs que logo saiu de cena para chamar por seu marido.
O laboratório do seu pai ficava atrás de onde estavam, ao sul da residência. Era uma construção menos luxuosa e não tinha plantas e flores em sua decoração. O local acabou se estendendo a medida que Bulma foi se tornando uma cientista mais produtiva e hoje o lugar possuía uma extensão quase tão grande quanto a própria mansão em que moravam.
Goku foi o único que permaneceu ali ao lado da cientista enquanto os outros sumiam pelos arredores da casa. Os rapazes acompanhados por Maron e sua mãe indo ao laboratório do lado oposto.
– Seu pai trabalha sozinho nesse lugar enorme? — o sayajin quis saber.
– Não. Eu tenho meu laboratório ali dentro e alguns funcionários da Corporação vêm trabalhar com a gente de vez em quando. Não é tão grande quanto parece. Tá vendo aquela parte ali de teto bem arredondado? — disse Bulma apontando para a parte mais alta do laboratório que parecia uma concha. — Então, ali é um simulador de gravidade, é o que ocupa mais espaço. Fiz um protótipo para a n.a.s.a na minha época de estágio, é usado pra treinamento espacial.
– Pra que ter uma coisa dessas em casa se só ocupa espaço e você não usa?
– Você não faz ideia das coisas que eu e meu pai guardamos nessa casa só pelo simples fato de que a gente pode. – ela riu com o comentário mesmo sabendo que era verdade. – Eu aperfeiçoei a câmara de gravidade depois que o protótipo da n.a.s.a ficou pronto. Eles precisavam para gravidade zero, mas nessa aqui eu modifiquei pra poder aumentar até duzentas vezes.
Goku ficou estupefato e quase se engasgou. Era muito estranho ser próximo de alguém como Bulma. Ela demonstrava não ter a mínima ideia do quanto aqueles feitos eram coisas incríveis aos ouvidos de pessoas normais. Para ela, parecia ser só mais um brinquedinho dos milhares que fabricava. Aquela conversa fez Goku se lembrar de outra coisa tão importante quanto saber que a amiga tinha uma enorme cápsula de gravidade na própria casa.
– Você sabe que preciso ir agora.
– Não vai me dizer onde vai, né? Tudo bem, não tenho o direito de cobrar isso de você.
– Prometo que volto para a festa e comemoraremos nosso encontro com os outros em uma despedida apropriada.
Ele sorriu e ela retribuiu de volta. Goku pousou os dois dedos na testa e deu uma piscadela para Bulma antes de se teletransportar. Ficou imaginando por um momento que o amigo poderia ter ido buscar seu presente para agradecer por sua estadia, assim como os outros fizeram na casa de Kame. Era muito infantil da parte dela ficar pensando que ganharia um presente especial naquela noite? Pensou que poderia ser alguma coisa valiosa, algo importante para ele ou para a sua pesquisa sobre os sayajins. Que tipo de presente alguém como Goku poderia dar a alguém como ela?
Teve de interromper sua curiosidade acerca do que Goku fazia com seu tempo livre. Seu pai apareceu pouco depois com o jaleco da corporação e encheu sua cabeça de perguntas sobre seus novos amigos. Ficou feliz por saber que o tempo fora de casa não mudara nada a relação com seus pais. Ainda eram bem próximos como se nunca tivesse ido embora.
– Não poderia estar mais orgulhoso de você, querida! Duas descobertas científicas inacreditáveis e vindas da mesma pessoa. Do cérebro de uma Briefs!
Ele dizia todas essas coisas calmamente enquanto se dirigiam para dentro da casa. Bulma mal percebeu que o sol já estava na posição poente quando entraram no enorme salão de jogos a beira da piscina. Ela foi até o bar e serviu uma bebida a si mesma.
– Duas descobertas? A teoria de tudo foi uma só, pai. Esse era o meu propósito: Uma única teoria que explicasse tudo.
– Ora, esqueceu dos seus amigos? É a primeira vez que vemos vida alienígena inteligente como a nossa! Não deixa de ser uma descoberta fantástica!
Ela bebericou o uísque pensativa.
– Não dá pra acreditar, né...
– A raça dos sayajins... como se assemelha a nossa! É tão fascinante! E o que dizer de Piccolo? Que povo incrível deve ser os namekuseijins!
A conversa se estendeu até que chegassem a cozinha onde um banquete estava posto com todos a mesa. A enorme cozinha ao estilo americano parecia pequena com aquele monte de guerreiros fortes preenchendo o espaço entre pias e balcões. Quando a viu, foi a vez de Maron a pegar pelo braço levando-a sorrateiramente até a dispensa de alimentos.
– Meu senhor! Por onde eu começo? — disse a bela mulher passando a mão nos cabelos. — O que está acontecendo? De onde saiu essa gente?
– Maron, ainda que eu te contasse só a metade dessa história você não iria acreditar. São meus amigos, não precisa se preocupar, são todos confiáveis.
– Você sempre me contou tudo. Credo, Bulma, olhe só pra você! Precisa urgentemente de um salão de beleza.
As duas riram. Era verdade que Bulma estava acostumada a ser tratada como uma princesa, mas era um exagero todos os cuidados que a assistente tinha com ela.
– Maron, você está trabalhando para esta família há anos! Só quero que trate essas pessoas como se fossem os Briefs e ignore o que lhe parecer mais estranho. É pedir muito?
– Nunca é muito, Srta.Briefs! Meu trabalho é o que você precisar que seja. Estou aqui pra isso. Se você diz que não preciso saber de nada e apenas servi-los, então assim será.
– Obrigada! Tenho sorte de ter você por perto, Maron! – disse numa voz sentimental e abraçou a assistente. – Desculpe ter ficado esse tempo longe!
Quando saíram da dispensa uma das empregadas apareceu com o telefone na mão direcionando-o a Maron.
– Devem ser os caras da empresa de decoração. Acho que já estão chegando e querem saber exatamente o...
– Do que você está falando? – perguntou Bulma com os olhos arregalados. – Por que uma empresa de decoração está vindo pra cá?
– Sua mãe preparou uma recepção para você e seus amigos.
– Ela me disse que seria uma simples formalidade para reunir os amigos!
– Você conhece a sua mãe... Uma simples formalidade quer dizer que ela convidou umas oitenta pessoas.
Bulma estava enfurecida. Olhou ao redor procurando pelo rosto de sua mãe, mas só encontrou os olhos curiosos de seus amigos diante da mesa bem servida. O Sr.Briefs, com a calma que lhe era característica, simplificou os fatos para a filha enquanto Maron saía pela casa falando no telefone.
– São algumas pessoas da corporação, querida, seus colegas, amigos do trabalho e talvez alguns vizinhos também. Apenas uma formalidade.
Ela soltou um suspiro não acreditando na falta de bom senso dos pais.
– Ah, Bulma, não vai ser nada mal curtir uma festinha antes do pessoal voltar pra casa do Kame. – disse Yamcha tendo a aprovação dos outros.
– Vão ter mais garotas como você e Maron? – questionou Kame como se aquela dúvida fosse normal, quando na verdade reafirmava mais uma vez o quanto era tarado.
– Mestre Kame, você não tem jeito! – Kuririn falou com cara de repugnância. – Vê se não vai fazer nada idiota nessa festa, tá bem?
– Ah, vocês são jovens tolos! – reclamou o velhote.
Bulma não via a hora de poder descansar. Terminou de lanchar com os rapazes e foi para o último dos andares a caminho de um bom banho. Yamcha foi atrás dela sem parar de comentar a respeito da surpresa em saber que sua namorada era filha de milionários. Entraram no quarto da garota ao fim do corredor e o espaço estava arrumado e limpo como sempre. Bem mais ajeitado so que o dia em que deixara ele. Ela sorriu ao lembrar da cena em que Tenshinhan e Kuririn revistavam o quarto da cientista a procura das esferas. Sua vida tinha mudado tanto que nem podia acreditar.
A cama de casal larga e elevada ocupava o espaço principal do quarto. Uma penteadeira de estilo vitoriano encostava-se a uma das paredes revestidas de papel decorativo. O desenho do papel de parede era uma estampa floral de tons pastéis bem suaves que combinava bem com a seda da roupa de cama. Havia mais dois cômodos inseridos dentro do quarto, o banheiro de azulejos e pedrarias rosadas e o enorme closet de roupas de grife.
Ela foi logo tirando a roupa assim que fechou a porta do quarto. Não viu o rosto de Yamcha alegrar-se ao ver a pele de porcelana despida diante dele. Estava de costas para o namorado e surpreendeu-se quando sentiu o corpo do rapaz abraçando o seu por trás. Ela sorriu com o carinho e tomou-o pela mão. Levando os dois até o banheiro. Deu uma olhada nela antes de beijar seus lábios. Tinha um corpo tão perfeito e delicado que até dava dó de tocar na sua pele. Fizeram amor na banheira durante um tempo. Pelo menos era assim que ela pensava, no termo "fazer amor", mas sempre lhe parecia engraçado demais pra dizer em voz alta. Que coisa mais brega era aquilo pra ela! O termo da ação, é claro, porque a ação em si era muito bem executada por Yamcha. Estava com as bochechas rosadas após o banho. Olhou o rosto no espelho acima da pia e teve certeza que aquelas próximas semanas de volta ao seu lar seriam ótimas.
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