A Escolha de Bulma
9 Futuro e Passado
Notas iniciais
Os olhos azuis se abriram lentamente vendo uma luz branca que os cegavam. Ela sentiu uma pontada de sensibilidade na cabeça antes de olhar ao redor. Viu que estava deitada em uma cama, ou melhor, uma maca. Se encontrava exatamente no mesmo quartinho de enfermaria que construiu para abrigar Vegeta. Kuririn estava do seu lado segurando sua mão, mas de cabeça baixa. Bulma ouviu gritos vindos do quarto ao lado onde ficava hospedada na casa do Kame. Era Piccolo o mais alterado seguido por Goku que tentava acalmá-lo de alguma forma.
– Piccolo, não sabemos de nada ainda, ele pode estar falando a verdade.
– Como consegue defendê-lo? É claro que foi ele!
– Não há qualquer sinal de agressão no corpo dela. — dizia Kame com uma voz serena. — Vegeta não mentiu quando disse que não tocou na garota.
A mente da cientista se agitou de súbito.
– O que está acontecendo? — disse numa voz fraca.
Kuririn rapidamente levantou a cabeça para olhá-la com num misto de surpresa e alívio. A alegria evidente na voz do careca fez Bulma esboçar um sorriso.
– Bulma! Ela acordou!
– Não precisa gritar pro Oriente inteiro ouvir, seu maluco! — disse ela com carinho para o amigo.
A discussão no quarto cessou e os rapazes entraram na pequena salinha com Kame. Bulma já sentava na cama e sentia-se melhor.
– Bulma, você está bem? — perguntou Goku de um jeito tão carinhoso que a enrubesceu. — O que aconteceu enquanto estivemos fora?
– Encontramos você aqui desacordada quando chegamos. — disse Piccolo ainda irritado. — E aquele pobre coitado lá fora cuspindo todo o sangue que havia em seu corpo.
– Vegeta estava com você desmaiada nos braços. — completou Kame. — Pode nos contar o que aconteceu, minha jovem?
Bulma contou toda a história, da intenção duvidosa dos cientistas da N.A.S.A até o momento de Vegeta aparecer. Ao relembrar os fatos, tentou imaginar Vegeta reagindo ao seu desmaio e a todas as coisas que ela dissera antes de desfalecer.
– Então eu desmaiei. Foi isso. Eu vi o que Vegeta fez com aquele soldado e... A língua dele... O cheiro de sangue... Foi demais pra mim. Foi um soco no estômago!
Goku e Piccolo trocaram olhares significativos e ela não pôde deixar de notar o ar pesado que aquele gesto demonstrou. Seja lá o que fosse, Kame e Kuririn não sabiam, pois mantinham seus olhos bem focados nela ao ouvir seu relato, bem mais relaxados, enquanto os outros dois não conseguiam disfarçar que tinham uma visão diferente sobre tudo aquilo que dissera.
– Viram? Essa história bate com a do Vegeta. Ele nos disse a verdade, não falei? — disse Goku triunfante sem tirar os olhos da carranca de Piccolo.
Bulma começou a achar muito estranho aquele papo entre os dois.
– Cadê o Vegeta? — perguntou quando Kuririn fez menção de ajudá-la a se levantar da cama.
– Não sabemos. Ele saiu voando pra longe. Acho que pode ter ido embora do planeta.
– Acho que ele pode não ter se recuperado direito. Não podem perder ele de vista depois que eu for embora. — disse ela ficando de pé. — E... É bom vocês me falarem logo o que está acontecendo porque meu cérebro não é trouxa. O que vocês sabem que eu não sei? O que foi? Eu sei ler pessoas melhor do que ninguém. Vocês dois têm uma linguagem corporal que demonstra medo e tensão, que certamente não é de mim, pois só ficaram assim depois que eu comecei a falar sobre Vegeta e na possibilidade de eu ir embora imediatamente. Por que eu tenho a impressão de que vocês ainda me querem aqui, hein? Desembucha logo, Goku!
Dessa vez, os quatro se surpreenderam com sua perspicácia e se olharam mutualmente, confirmando a dedução de Bulma sobre algo estranho estar rondando entre eles. As palavras desafiadoras saíram como uma faca pela boca da cientista, tão rápidas e afiadas que quase soaram ameaçadoras.
– C-como é q-que ela sabe?? — indagou Kuririn atônito.
Goku tomou partido para tentar lidar com ela, mas parecia desajeitado demais pra isso.
– Bem... Na verdade aconteceu algo particularmente inusitado quando estávamos na casa de Tenshinhan. Precisamos conversar mais calmamente sobre isso. Acho que já mexemos bastante no seu cotidiano e não queremos que enlouqueça, sabe!?
Ele deu uma risadinha de desconforto.
– Recebemos a visita de um garoto do futuro. — disse Piccolo sem rodeios. — Ele veio nos avisar sobre um perigo que está por vir. Veio direto até nós porque somos os únicos que podem salvar a Terra.
A cabeça de Bulma dava voltas de novo. Quantas vezes o planeta seria ameaçado até que pudesse voltar pra casa?
– Que tipo de perigo? — perguntou ela mostrando-se interessada.
– Dois androides serão construídos para dominar o planeta. — explicou Goku. — Eles serão criados para dominação da galáxia e aparecerão daqui três anos.
Ela respirou fundo.
– Vocês têm noção do quão bizarro é isso que estão me falando? Um garoto do futuro? Quem é ele? Como veio do futuro pra cá? Vocês não têm nem ideia de todas as implicações que envolvem viagem no tempo. — Bulma levantava todos esses questionamentos enquanto se dirigia para o quarto. — Não sabem de nada disso porque não são cientistas, mas eu sou. Posso falar com propriedade do assunto devido minha formação em astrofísica e minha experiência com robótica na empresa de meu pai. E lhes digo: Se fosse possível criar uma máquina do tempo, apenas a Corporação Cápsula seria capaz disso.
Bulma ouviu uma risada irônica vindo de trás dela. Pelo tom do humor chegou a lembrar de Vegeta, mas sabia que a voz era juvenil demais. Olhou para a entrada do quarto e viu um belo rapaz de cabelos roxos encostado no vão da porta. Aparentava ser bem jovem, ainda mais jovem que ela, mas apesar disso era bem forte e musculoso para a idade. Usava umas roupas um tanto estranhas e carregava uma grande espada numa bainha nas costas.
– Quem é você?
Goku se meteu entre os dois com o desajeito típico de quando se encontra em uma situação embaraçosa.
– Este é o Trunks! O garoto de quem estávamos falando.
O garoto se aproximou e estendeu a mão em um gesto educado. Bulma o cumprimentou se sentindo ligeiramente desconfortável. O olhar de Trunks lhe parecia um pouco zombeteiro, como se estivesse se divertindo em algum tipo de piada interna. Além disso, tinha a sensação de já ter visto aquele rosto em algum lugar.
– Então você veio do futuro. — disse ela desconfiada. — Interessante…
– É um grande prazer lhe conhecer, Srta.Briefs. Você é a maior cientista que este planeta já viu, sem dúvidas!
O ego de Bulma se sentiu massageado pelo jeito atencioso do rapazinho. Tinha uma doçura na voz aveludada que lhe fazia se sentir lisonjeada, o que era raro, já que ouvia elogios o tempo todo e não se surpreendia com a admiração alheia. Chegou a ficar um pouco sem graça.
– Obrigada! Hum... Você se importa em sentar pra conversar sobre essa história toda? Talvez em um lugar mais apropriado pra que a conversa se torne menos esquisita pra todos nós?
Kame teve a ideia de um jantar na casa de Tenshinhan, pois lhe parecia mais seguro que a cabana. O garoto sorriu mostrando se agradar com a ideia. Goku, como geralmente acontecia quando se tratava de comida, se animou mais que todos.
O teletransporte parecia divertir Trunks mais do que a qualquer um dos outros que foram levados por Goku. Ficava repetindo que era uma técnica incrível, com muita educação, mas de um jeito brando e austero. Bulma percebeu que a residência de Tenshinhan era muito mais modesta que o chalé de Kame. Parecia o lugar perfeito para um grupo de escoteiros acampar, não só por ser mais rústico. O casebre era mais escondido e adentrava-se engolia na floresta escurecida pela noite. Ela gostou do lugar, principalmente ao avistar a enorme fogueira acesa ao lado da casa. Tenshinhan e Yamcha aconchegavam-se em cadeiras distintas ao redor das chamas e acenaram para o grupo de vizinhos. Bulma se surpreendia com a atmosfera daquele lugar. Dava muita vontade de ficar ali pra sempre.
Kame e Kuririn tomaram a posse do fogão enquanto todos os outros foram se sentar ao redor da fogueira servindo-se de cerveja. Trunks insistiu tanto que não podia beber por ser menor de idade, que sua boa educação se tornou imediatamente uma piada para o grupo. Yamcha em especial, o que tinha o espírito mais jovial de todos, pareceu se entrosar bem com o menino. A pausa deixou Bulma mais aliviada, como se tivesse o controle nas mãos novamente, pois, com exceção de Vegeta, estavam todos ali sendo cuidados por seus olhos atentos.
Quando teve tempo pra parar e conversar com Uranai, ficou a par da situação do soldado mutilado que, mesmo sem língua, sobreviveu ao ataque de Vegeta. Fora isso, sua situação com o governo ocidental só teria a piorar porque era só uma questão de tempo até que os cientistas amedrontados voltassem aos seus países e dessem seus testemunhos. Como se não bastasse, teriam a prova da biopsia do homem sem língua. Era simplesmente tudo o que a N.A.S.A precisava. Isso apavorou a cientista mais do que qualquer coisa. Juntar suas duas realidades poderia ser impactante demais e trazer consequências irreversíveis para a sua vida e as de seus amigos e familiares. Sem falar no fator destrutivo, que na sua mente tinha o nome de fator Vegeta. Viu do que ele era capaz e se incomodou ao reconhecer que ele ainda representava perigo. Só de lembrar da mutilação que ele a obrigou presenciar seu estômago dava voltas. Pelo menos o soldado sobreviveu, pensou ela. Agora era só esperar a bomba de acontecimentos estourar no Ocidente.
A cerveja apaziguava todas as relações diante da fogueira, o que era necessário porque Trunks com aquela conversa sobre futuro deixava a noite especialmente digna de loucura. Mas Bulma soube que ele dizia a verdade. O rapaz explicou que graças a revelação da teoria de Bulma sobre a unificação da gravidade e da relatividade geral, tornou-se possível a construção de uma maquina do tempo. Ele não deixava de expressar o quanto a teoria de Bulma, a que lhe trouxera o Nobel, fora importante para o avanço tecnológico do planeta Terra. Não somente, ele provou ter bastante conhecimento sobre física e entendimentos avançados sobre espaço-tempo.
– Todos os jovens do futuro são inteligentes como você? — perguntou Bulma mostrando a impressão que tinha sobre o garoto.
Trunks sorriu agradecido.
– Digamos que tenho um gene privilegiado.
Neste momento, Goku começou a tossir copiosamente, desviando a atenção de todos para seu rosto vermelho. Bulma achou aquilo bem estranho, ele era cheio de esquisitices quando menos se esperava. Empurrou uma garrava de cerveja para ele beber e logo Goku parou com o acesso de tosse. Tinha gotas de suor na testa e uma expressão estranha que Bulma não soube interpretar muito bem. Estava cada vez mais certa de que seu amigo favorito tinha alguma incapacitação mental.
Depois do jantar, Bulma e Goku foram dar uma olhada na maquina do tempo que Trunks tinha viajado. Ela ficou impressionada com a tecnologia do futuro. Se tratava de uma pequena nave em formato esférico revestido de um material muito resistente. Um belo trabalho de engenharia e robótica. Ao responder as perguntas tão precisamente sobre a máquina e todo seu interior movido por nanotecnologia, Trunks conquistou a confiança da cientista e os dois estavam bem entrosados antes mesmo do Kame cair de bêbado. Pareciam se conhecer há muito tempo, como se ela já tivesse gostado do menino desde o momento em que o viu na porta de seu quarto. Empatia, pensou.
As brincadeiras da noite ficaram por conta de Yamcha e suas histórias de adolescência com Goku e Kuririn. Foi o momento em que ela pôde prestar atenção no contador de histórias, que entre uma frase e outra lhe olhava no maior dos flertes. Yamcha nunca tirou os olhos de Bulma desde que a viu pela primeira vez na cabana do Kame, na refeição que fizeram logo após a derrota dos sayajins. Ela até se sentiu um pouco desconfortável com as investidas do rapaz, mas pelas conversas de homem que era obrigada a ouvir de vez em quando, sabia que o rapaz tinha fama de mulherengo. Agia assim sobre qualquer garota, com a exceção de que Bulma não era qualquer garota e ele certamente sabia disso.
Todos riam das histórias, enquanto Bulma os acompanhava ao mesmo tempo que refletia. Seu cérebro fazia tantas coisas ao mesmo tempo, que gestos como estes eram automáticos. Ela ja tinha notado o quanto o rapaz era bonito e analisando a insistência dele em lhe cantar a qualquer oportunidade, mesmo sendo tímido, considerou em dar uma chance. Havia sempre alguma coisa que a fazia hesitar, como por exemplo, a impressão constante de que ele era pouco sincero e fazia coisas só para impressionar a cientista, sem de importar em ser autêntico. Ainda assim, era muito bonito: alto, atlético, de pele morena, traços mestiços, fora os olhos castanhos amendoados que a encaravam sempre como se quisessem devorá-la. Um par de cicatrizes no rosto completavam o conjunto exótico de sua beleza.
Tinha muita coisa a ser levada em consideração, além de um pequeno fato complicador: Bulma era virgem. Toda vez que pensava em si mesma como uma garota virgem de quase vinte anos se sentia a pessoa mais estranha do mundo. Trabalhando desde cedo nunca teve tanto tempo para namorados, mas temia que a espera tinha sido longa demais. Não era nada que a impedisse de flertar e jogar seu charme, mas sempre que pensava em literalmente ter que abrir as pernas para um homem sentia um desagradável nó se formando no estômago, tamanha era a sua ansiedade.
No entanto, o que mais gostava em Yamcha era o fato de ser um rapaz de fácil conversa. Era engraçado e sempre conseguia deixá-la mais relaxada com uma conversa sobre qualquer coisa que fosse. Aquela noite em particular foi crucial para esclarecer o que pensava sobre o rapaz.
Todos estavam fazendo planos para a chegada dos androides assassinos e pairou um clima de presságio que pesou o ambiente. Foi então que Yamcha apareceu com um par de violões mexicanos e convenceu Tenshinhan a fazer um dueto com ele. Os dois não levavam muito jeito, mas Yamcha carregava a música no improviso e arrancou gargalhadas até mesmo de Piccolo. O clima logo ficou mais leve e com a ajuda das cervejas, todo mundo resolveu mostrar suas habilidades artísticas como se fosse um karaokê ao ar livre. Trunks aceitou deixar o assunto dos andróides de lado naquele momento e mostrou também ter habilidades artísticas quando tomou um dos instrumentos em mãos.
– Ele é gente boa, não acha? — perguntou Yamcha para Bulma.
Estavam agora sentados um ao lado do outro nas cadeiras de praia dobráveis.
– É um dos nossos, né? — comentou ela. — O estranho é que ele parece nos conhecer bem. Você também não tem essa sensação?
Yamcha observou o garoto cantando do outro lado da fogueira.
– Pois é… É como se ele se sentisse muito confortável ao nosso redor.
– O nome dele é meio estranho, não concorda? Que tipo de pais botam o nome de Trunks num garoto tão bonito?
Ele deu uma risadinha.
– Deve ter uma mãe desnaturada. Ou os nomes no futuro são todos estranhos.
Ela olhou bem séria para Yamcha neste momento. Lembrou de perguntar algo que há muito lhe incomodava não saber.
– Yam, você e Tenshi sempre dividiram um lar? Eu soube que ele já morou com os pais na zona radioativa, mas de você eu nunca… Quero dizer, não quero parecer intrometida nem nada, mas--
– Sou órfão. — respondeu ele tranquilo. — Cresci em orfanatos até ter idade o bastante para cair fora.
– Sinto muito. — disse ela sem graça. — Eu não sabia…
– Não é algo que me incomoda. Na verdade, gosto de saber que pude trilhar meu próprio caminho. Passei por algumas situações, mas deu tudo certo.
– Que situações?
Bulma já não escondia a curiosidade descarada e Yamcha riu com a transparência que a fazia parecer uma criança inocente.
– Tive que roubar pra sobreviver, enganei algumas pessoas, ajudei outras… até conhecer Goku e Kuririn. Nossa amizade me deu outras perspectivas. Além de Kame, é claro, que me ofereceu um lar, me ajudou a treinar e me trouxe a sensação de estar em família.
O rosto de Yamcha iluminava-se com as chamas e emanava doçura e tranquilidade. As cicatrizes agora expressavam a Bulma o quanto a vida daquele homem já fora difícil. Eram marcas vincosas, dos dois lados do rosto, mas que de nenhum ângulo diminuíam a beleza do rapaz. Então ela chegou a conclusão de que se sentia cativada por Yamcha. Era bonito, gentil, engraçado, além de se importar com ela.
– Aquele lunático não fez nada com você, não é? — perguntou ele em um tom cauteloso.
– Quem? O Vegeta? Não! Não desarrumou um fio de cabelo meu, não se preocupe. Ele só me pressionou para saber o que estava acontecendo. Sinceramente, eu deveria ter esperado coisa pior se tratando dele.
– Pode apostar! Espero que aquele assassino tenha ido embora de uma vez por todas.
Nessa hora, Bulma olhou para o céu estrelado e se deparou com uma visão maravilhosa. Viu uma estrela cadente rasgando o céu aberto. Guardou pra si aquele momento único, só conseguindo pensar em uma coisa ao vislumbrar a imensidão infinita do céu noturno.
– Onde será que ele está? — disse ela baixinho mal percebendo que pensava em voz alta.
Yamcha pareceu não ouvir, logo foi mudando de assunto para tentar manter a moça entretida. Falaram sobre comida, viagens, música, infância, ciência e amor. Quando todos começaram a ir para seus leitos descansarem, eles resolveram permanercer ali diante da fogueira. Os outros foram para dentro com olhos sonolentos, como se fosse apenas mais uma sexta-feira de boas festas. Mas no fundo, cada um sabia que aquela história sobre androides assassinos assombraria seus dias seguintes.
Bulma tentava não pensar sobre isso, mas era impossível. Ao menos, pensava ela, Yamcha tinha uma grande capacidade de distrai-la e isso era um conforto para seu coração aflito. Ter descoberto mais sobre seu passado misterioso e repleto de aventuras a fazia esquecer sobre o caminho incerto que seria o seu futuro.
– Você deve ser a única pessoa de cabelo azul que já vi na vida. — disse Yamcha depois de um tempo a sós. — E posso dizer que esses meus olhos já viram muita coisa.
– Na verdade, eu sou a única pessoa com o cabelo turquesa que você verá na vida.
– É mesmo? Por que isso não me surpreende?
Ela sorriu.
– A mulher que inventou as pílulas transformadoras de genes nunca colocou a fórmula desse tom de azul no mercado. Meu cabelo foi seu presente de madrinha à minha mãe. É exclusivo.
– É lindo. — ele disse tocando em uma mecha. — Nesta sua pele tão branquinha… Com estes olhos tão grandes, tão azuis como se nada pudesse tirar sua doçura.
Bulma o calou com um beijo quente. Foi espontâneo e impulsivo, diferente dele que retribuiu prontamente como quem já estivesse esperando. Ela gostou do toque de sua língua molhada e ansiosa, que mostrava experiência e certa jovialidade, como um garoto que vai com sede ao pote. As sensações eram um tanto novas para Bulma. Já tinha beijado outros garotos, é claro, mas a vontade crescente dentro de si não clamava apenas por beijos.
Os dois sentiram uma gostosa emoção naquele beijo diante da fogueira. A madeira estalava com as chamas, calando o som das bocas em movimento. Se desgarraram depois de um longo tempo e Bulma o olhou com uma enorme expectativa.
– Você já esteve no Ocidente antes? — perguntou com um olhar sugestivo.
O entendimento da intenção da garota arrancou um risinho de Yamcha.
– Não, mas tenho certeza que vou adorar!
Houve um par de risadas em cumplicidade e os dois voltaram a se beijar com carinho.
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