A Escolha de Bulma

16 Fio Desencapado


Notas iniciais
O próximo capítulo talvez demore um pouquinho mais para ser postado, mas nada que chegue a uma semana de espera, eu garanto. Obrigada a quem tem acompanhado e comentado! Boa leitura! ❤

Três dias se passaram após o que Bulma nomeou na sua mente como o "incidente do banheiro". Sentia um arrependimento enorme por deixar aquela fraqueza a abater do jeito como ocorreu. O pior era que quanto mais tentava não pensar, mais seu inconsciente a castigava. Chegou até a ter sonhos picantes com o sayajin naquelas noites, a fazendo acordar toda suada sentindo a calcinha úmida. Praguejava contra aquilo, não tinha feito nada tão condenável pra merecer uma coisa dessas. O que a mais surpreendia, no entanto, era que Vegeta estava agindo como se nada tivesse acontecido. Até chegou a ignorá-la por um dia inteiro, mas depois voltou a ser normal de novo com os insultos habituais e a cara de poucos amigos, deixando o incidente pra trás na maior indiferença do mundo. Parecia ter voltado a não se importar com nada além de seus treinos e em uma noite, chegou a virar a madrugada dentro da cápsula de gravidade.

Naquele dia, Bulma recebeu uma visita marcada e outra inesperada. Esta última, a surpreendeu por ser de uma das pessoas que menos gostaria de ver na face da Terra. Era Yamcha que a encarava na entrada da casa quando Bulma abriu a porta achando que seria a visita agendada. Ela quase bateu a madeira na cara dele, mas não deu tempo, pois ficou chocada demais em vê-lo diante de si depois de tudo o que tinha feito. Ele entrou rapidamente no saguão de entrada com a cabeça baixa e Bulma pôde sentir um cheiro forte quando passou por ela. Estava embriagado.

– O que você acha que tem pra fazer aqui? Tá ficando louco, Yamcha?

– Bulma, escute, você nunca me deu nem uma chance sequer de me explicar.

– Não tem nada que você possa explicar, as fotos são bem explícitas! Agora sai da minha casa! – ela disse apontando pra rua.

– Deixa eu explicar, por favor!

– Os fatos são auto-explicativos, Yamcha! Deve achar que sou algum tipo de imbecil como você! Se não sumir daqui, juro que acabo com a sua vida, Yamcha! Você não tem ideia do que sou capaz de fazer! Só não fiz nada até agora porque temos amigos em comum e sei que de alguma forma vou ter que te aturar futuramente.

Ele começou a chorar na frente dela e então Bulma percebeu o quanto o rapaz estava bêbado. Yamcha começou a se aproximar dela com os olhos aguados e por um momento ela sentiu medo.

– Eu cometi o maior erro da minha vida! Sinto tanto a sua falta! – disse ele pegando seu pulso. – Do seu cheiro, da sua voz, dessa sua pele macia... Você não sai da minha cabeça!

A esta altura, a cientista já estava apavorada com a decadência de seu ex. Estava visivelmente perdido, talvez sofrendo mais ainda que ela, podia ver nitidamente a culpa em seus olhos marejados, mas era tarde demais.

– Você que me jogou fora, Yamcha. Não pode me exigir mais nada além de quem sabe, uma futura amizade. Daqui muito tempo! Talvez anos! Porque agora o que eu mais quero é te ver longe de mim.

Nessa hora, algo inesperado aconteceu fazendo a visão de Bulma pescar pouca coisa do modo rápido como ocorreu. Vegeta apareceu entre eles, tirou as mãos de Yamcha para longe de seu pulso, empurrou o corpo do rapaz para fora da casa em uma força desumana e começou a formar uma bola de energia amarela uma em cada mão. Tudo isso em uma fração de segundos que fez Bulma demorar a reagir. Quando percebeu que Vegeta poderia literalmente matar Yamcha novamente, ela pousou as duas mãos no alto de suas costas enrijecidas num ato instintivo.

– Vegeta... – ela disse com cuidado. – Não faça isso, não vale a pena. Por favor! Você prometeu que não faria nenhuma atrocidade aqui dentro, lembra?

– Argh! Esse verme inútil! Inseto!

Ela ignorou o rosnado raivoso e deslizou as mãos até a base de suas costas e o abraçou por trás. Sentiu a cauda enroscar em sua cintura. O clarão de luz nas mãos de Vegeta se apagou e ele pousou uma das mãos nas suas sobre o abdômen do sayajin.

– Por favor, me diz que posso confiar na sua palavra! – ela implorou sentindo o coração descompassar.

Sentiu a extremidade felpuda da cauda lhe afagar suavemente a pele da barriga sob a blusa. Ele foi se livrando do abraço, tirando os braços que o envolviam delicadamente. A cauda soltou sua cintura e Bulma viu Vegeta ir fechar a porta da casa para olhá-la em seguida. Ainda estavam próximos um do outro, o que fez a garota se afastar com medo de provocar mais um incidente daqueles.

– Você só me faz perder tempo! – ele disse antes de sair do saguão com os braços cruzados.

Não surpreendeu tanto à Bulma que lhe dissesse algo assim. Já estava começando a prever as reações de Vegeta, com exceção daquele ato quase heróico de protegê-la de homens bêbados. Quase heróico se ele não fosse capaz de matar um ser humano só por uma bobagem daquelas. Ela foi checar pelo olho mágico e viu que Yamcha estava sendo levado para fora por dois seguranças que rondavam a casa. Ele merecia castigo, mas aquela porrada poderia ter matado o rapaz. Bulma não estava preparada para se responsabilizar pela raiva de Vegeta, mas para garantir a integridade física do ex-namorado, mandou o porteiro nunca mais deixar o rapaz entrar, sob hipótese alguma.

Mal deu tempo de se recuperar da surpresa e meia hora depois a campainha já tocava novamente. Pensou que poderia ser Yamcha lhe incomodando de novo ou o próprio porteiro da mansão, mas lembrou-se do compromisso marcado quando viu pelo olho mágico a figura imponente do presidente da NASA. Ela abriu a porta para recepcioná-lo com simpatia.

– Sr.Campbell! Há quanto tempo, não? Pode entrar, por favor!

– Está cada dia mais radiante garota Briefs! – disse o homem alto lhe acompanhando pelo saguão. – A última vez que a vi ainda estava na faculdade e era apenas...

– Uma garotinha! Eu sei Sr.Campbell, todo mundo me diz isso. Espero que tenha vindo me dar boas notícias, como pode ver pela quantidade de repórteres na minha rua, as coisas não têm sido fáceis.

Estavam em uma das salas de estar da mansão, um dos cômodos mais bonitos da casa, usado especialmente para receber visitas e constantemente chamado pela sua mãe como sala de chá, pois era ali que passava a maior parte das tardes com as amigas vendo o sol descer. Era um lugar que pouco combinava com o jeito conservador de Harvey Campbell, um homem alto e largo, de queixo quadrado, sobrancelhas grisalhas muito grossas e um cabelo milimetricamente ajeitado com gel para trás da cabeça. Estava tão interessado em falar com Bulma que aceitou ir até ela em vez de recebê-la em seu escritório.

– Eu percebi que está no olho do furacão. Estão te cercando por todo o lado. É uma covardia!

– Eu sei, mas eu sabia que isso aconteceria quando fiz aquele maldito discurso.

– Sobre isso, Bulma, quero lhe parabenizar pela coragem. – ele disse brandamente. – Sentimos muito orgulho de já termos tido alguém como você trabalhando em nossa equipe de cientistas.

– Obrigada, Sr.Campbell!

Eles estavam sentados nos sofás opostos, de frente um pro outro.

– Infelizmente tenho que tocar em assuntos mais delicados também. Você deve saber do soldado que o governo teve de indenizar. O pobre rapaz foi para o Novo Oriente em uma inspeção e voltou para a casa da família sem a língua.

Bulma soltou um pesaroso suspiro.

– Então, tivemos que pagar uma quantia exorbitante para que ninguém desse um pio sobre o que aconteceu. Sabíamos que estava envolvida desde o começo. Só não pensávamos que eram hostis, você sabe... As criaturas que encontrou.

– Senhor, não pude fazer nada sobre isso e posso te garantir que a maioria deles não é hostil. Apesar de que eu tenho informações seguras sobre a existência de outras espécies de alienígenas verdadeiramente hostis e perigosos que habitam o universo.

– É bastante a ser absorvido, Bulma. Nem sei se quero saber de tudo o que tem pra me dizer, sendo bem honesto. – o senhor suspirou preocupado. – Mas é meu dever te oferecer proteção e um bom emprego. A NASA te quer de volta, garota Briefs.

– Que conveniente! Veio aqui me oferecer um emprego?

– O salário é excelente, horários flexíveis, segurança especializada para cuidar de toda a sua família. Protegeremos a privacidade de seus amigos da imprensa.

– E qual a condição?

– Uma pesquisa. Relatórios sobre a raça de seus amigos. Dos que conhece e dos que quiserem cooperar. Queremos apenas um registro de características físicas, mentais, psicológicas, você sabe o protocolo de registros de espécies.

– Campbell, a agência ainda é controlada por políticos. Não vou admitir ser comandada por essa gente que não entende porra nenhuma de ciência. Já vi colegas brilhantes terem os projetos recusados simplesmente por não serem úteis para a política do governo. Acha mesmo que eu aceitaria uma proposta dessas?

– Aceitaríamos qualquer exigência sua, Bulma. Quer ouvir que estamos implorando para tê-la de volta? Bem, estamos implorando! – disse o homem calmamente. – Às vezes me parece que você não faz ideia do quanto é poderosa, Doutora Briefs. É a única garota de vinte anos com um doutorado que eu já conheci. As pessoas têm medo da sua inteligência. Além disso... Eu vi a análise laboratorial da mutilação daquele soldado e sei que a língua dele foi completamente arrancada em um único golpe. Só queremos saber que tipo de perigo estamos correndo.

Bulma reconsiderou sua opinião ao ouvir as honestas palavras do colega de profissão, mas não poderia ser assim tão fácil como eles gostariam.

– Ele está na minha casa. O alienígena que fez aquilo, é um de nossos hóspedes neste momento.

Os olhos de Harvey assustaram-se.

– Você está de brincadeira comigo!

– Não estou. O nome dele é Vegeta e é o príncipe do planeta onde nasceu. Seu pai era o rei se sua raça, por isso que ele não é muito sociável, entende? Mas se você quiser vê-lo com os próprios olhos e me oferecer o emprego mesmo assim, eu aceito trabalhar pra vocês.

– Por quais razões ele estaria hospedado aqui?

– É uma longa história! Que eu certamente vou te contar se você passar no teste. – falou desafiadora. – Vai precisar encarar um deles com a mesma coragem que eu tive de fazer, porque caso contrário, você nunca poderá compreender minha situação. E eu nunca vou poder confiar em você!

O homem tirou o lenço do bolso do paletó e secou o suor da testa.

– Garota Briefs, você não está me convidando para uma emboscada, está?

– Não vai saber se não aceitar. Eu não tive como saber se corria risco de vida quando escolhi ir para o Oriente aquela noite. Vai ter que fazer o mesmo que eu. É pegar ou largar! Você pode fazer isso, Sr.Campbell? Ou vai ter que voltar para a sede da NASA e explicar como foi enrolado por uma garota de dezenove anos?

Ele engoliu em seco sem perceber, estava assustado com aquele encontro, encarando com medo os olhos redondos e inocentes da garota que o manipulava.

– O que me sugere?

– Um jantar! – ela sorriu. – Aqui em casa, com meus pais e meus hóspedes. Ah! E quero que traga companhia, para que se sinta mais à vontade, pode ser? Alguns colegas de trabalho, seu segurança, sua esposa...

– Eu nunca traria minha esposa para conhecer um...

– Um príncipe?

– Um monstro de outro planeta!

A garota riu.

– É, você tem razão! Pode ser um pouco traumatizante. – disse Bulma demonstrando uma cara de pavor teatral. – Sábado, às 20:30 eu vou estar te esperando aqui. Tá bom pra você?

Harvey olhou mais uma vez fundo naqueles olhos azuis.

– Está ótimo! Nos vemos no jantar.

– Que bom! Espero que o Senhor goste de salmão.

O cientista com pompa de executivo levantou do sofá com pressa de sair daquela casa. Bulma achou um tanto engraçado como um homem daquele tamanho poderia se sentir amedrontado por uma garota adorável como ela. Alongava a conversa antes de chegarem até o hall de entrada da casa, só pra ver a ansiedade do homem crescer. Ao chegarem à beira da porta, Bulma apertou a mão de Harvey e lhe lançou um olhar doce.

– Não precisa ficar com medo, Campbell! Tava só brincando, sabe? Nada vai de ruim poderá acontecer com você nesse jantar. Mas eu preciso desse voto de confiança antes de tomar uma decisão. O Senhor entende, né?

Ela agora sorria suavemente mostrando os dentes brancos bem alinhados entre os lábios rubros.

– Mas é claro, garota Briefs! Você também pode compreender minha aflição e certa ansiedade, é claro! Sou um cientista como você.

– Claro!

Os dois se despediram cordialmente e a garota fechou a porta em seguida, sentindo a maré virar naquela história toda. Sairia vitoriosa de qualquer jeito que fosse, não era à toa que era uma garota brilhante e não pensaria duas vezes antes de usar essa inteligência para fins maldosos se isso fosse o necessário para se defender. Cantaria vitória uma hora ou outra, estava confiante disso.

Conversou com a mãe sobre o jantar e ela achou o máximo, como era de se esperar. Já saiu ligando para buffet e garçons, estava ainda mais contente ao saber que além da presença ilustre de Harvey Campbell, Kuririn também estaria presente no dia. Até Bulma admitia internamente que aquele seria um jantar interessante de se estar presente. No fundo, mal podia esperar para ver a cara de Harvey ao se deparar com Vegeta e o porquinho Oolong. Enquanto lavava o cabelo, pensava na possibilidade de ser um desastre, de Vegeta estragar tudo com sua estupidez e acabar fazendo Harvey os tomar como inimigos do Ocidente. Queria trabalhar numa agência espacial de novo, não podia negar, mas teria que ser nas circunstâncias certas para que ninguém pudesse pensar que Bulma Briefs era uma garota ingênua e manipulável.

Encontrava-se olhando a própria imagem no espelho enquanto se sentia uma garota poderosa. Ficou um tempo analisando os próprios ângulos, preocupada em como ficara sua bunda naquela calça jeans nova, se importava com os mínimos detalhes de sua aparência. O jeans era escuro e bem justo, deixava seu corpo mais curvilíneo. Vestia uma camiseta de malha cinza com o logo da Corporação Cápsula. Tinha a intenção de ir ao supermercado com a mãe fazer compras para o jantar de sábado, mas lembrou que graças às visitas do dia, tinha deixado trabalho pendente no laboratório. Depois de secar os cabelos, usou aquele fim de tarde para consertar uma cápsula que seu pai havia pedido mais cedo. Quando passou pela mãe lhe esperando na cozinha, pediu para que tivesse paciência.

– Mãe, se eu ver que vou demorar muito eu largo tudo e vou com você, tá? É que eu acho que vai ser bem rápido.

– Bulminha, você só pensa em trabalho! O tempo todo!

– Quando o Kuririn chegar eu mesma vou me dar férias e fazer questão de aproveitar minha juventude como deve ser feito!

A Sra.Briefs retocava o batom vermelho com a ajuda de um espelhinho portátil.

– Ah, querida, assim você me deixa mais aliviada. E tem outra coisa, espere aí! Já sabe o que você vai querer fazer no seu aniversário de vinte aninhos?

– Uma festa para os amigos provavelmente. Nada muito extravagante, tá me ouvindo, mamãe? Não me vem com esse seu papo de simples formalidade...

– Querida, vamos fazer o que você quiser! Não se preocupe! Só me dê uma lista de convidados assim que puder.

– Sim, claro! – disse a garota saindo para o jardim traseiro da mansão. – Me espera aqui, tá?

Os funcionários do laboratório estavam terminando o expediente quando ela chegou. Cumprimentou com um aceno de cabeça todos que passaram por ela, sem deixar de pensar no jantar de sábado e na possibilidade de trabalhar para a NASA novamente. Quando entrou na sua sala viu tudo tipicamente desarrumado, em uma desorganização por onde só ela conseguia se encontrar, mas que para qualquer pessoa normal pareceria um depósito de entulho eletrônico. Nem se deu ao trabalho de vestir o macacão, pois tinha a certeza de que não levaria mais de vinte minutos terminando aquele serviço.

Estava concentrada nos minúsculos fios elétricos controlando os movimentos com duas pequenas pinças, aliviada com a função no laboratório, pois lhe era terapêutico um trabalho manual tão difícil. O Sr.Briefs sempre lhe pedia para fazer serviços daquele tipo sabendo que a filha possuía o par de mãos mais delicados de toda a Corporação. Além da palma pequena e dedos finos, conseguia manusear peças como aquela com uma leve destreza, sem arruinar a estrutura do objeto com um toque carregado e tenso.

Sua mente flutuava no raro momento de paz, até ouvir a porta do simulador de gravidade abrir. Nem se deu o trabalho de se virar pra olhar, sabia que silencioso daquele jeito só podia ser Vegeta querendo que consertasse alguma coisa pra ele. O tempo de silêncio estava durando muito e Bulma sabia que ele estava ali lhe observando.

– Fala logo. To ocupada.

Sentiu um arrepio percorrer por todo o seu corpo assim que sentiu a respiração de Vegeta nos seus cabelos. A voz grave do sayajin estava sussurrando quando ela se deu conta da presença logo atrás de si.

– Por que você me desconcentra tanto? – disse-lhe ao pé do ouvido.

Estava a agarrando por trás, lhe envolvendo lentamente com seus braços fortes. Ela estava petrificada, foi pega de surpresa, não estava nada preparada para aquilo. Sentiu a cauda envolvê-la pela cintura novamente, ora espremendo, ora afrouxando em um movimento pulsante que acompanhava o movimento de suas mãos lhe acariciando. Ele respirou forte os cabelos azuis presos no rabo de cavalo e quando o fez, apertou o abraço na cintura e forçou seu corpo contra o dela.

– Por que seu cheiro tem que ser tão doce? – suspirou.

As mãos de Bulma largaram tudo que seguravam para apoiarem-se sobre a mesa. Ele pressionou as suas mãos por cima das dela, imobilizando-a enquanto começava beijar a sua nuca. Ela fechou os olhos, se entregando facilmente, sentindo a boca dele chupar-lhe o pescoço com força e depois beijar sua orelha respirando profundamente. Mordiscava o lóbulo puxando a sua pele com os dentes, passava a língua e depois mordia de novo. Suas carícias quase soavam como uma súplica, uma confissão, o que só a envolvia mais ainda naquele momento surreal.

– Por que tudo em você parece comestível?

– Pensei que eu só te fazia perder tempo. – ela disse numa voz fraca.

– Você me faz mudar de ideia, Bulma!

Vegeta ouviu um forte suspiro sair dos lábios de Bulma quando disse aquelas palavras. Então ele deu um forte beijo no seu pescoço, fazendo-a inclinar a cabeça para o lado, sugando a pele enquanto a mão direita apertava-lhe o seio e a esquerda descia por dentro da calça jeans. Bulma sentiu o arrepio concentrar-se no seu ventre e arqueou o corpo num movimento involuntário.

Sua mente racional sabia que aquele estaria prestes a ser lembrado como o "incidente do laboratório" e que ao final, acabaria se sentindo culpada como da última vez. Porque afinal de contas, ele não merecia tê-la, era um assassino de outro planeta, um animal, um sádico, um psicopata que lhe dissera sobre matá-la com as próprias mãos. Aquelas mesmas mãos que a masturbavam deliciosamente contra a sua mesa de trabalho. Tentava se fazer lembrar de todas essas coisas enquanto catalogava as informações no cérebro com todos os detalhes que podia captar. Vegeta tinha uma mão canhota habilidosa que mostrava muita experiência, mas a mão direita não deixava a desejar apesar de um pouco mais violenta. Percebia que quanto mais se entregava, menos ele se controlava. Quanto mais rendida aos seus encantos, maior sua sede de possui-la. Notou que tinha uma ligeira sensibilidade na cauda, pois via a pelagem se arrepiar, além de sentir pequenos espasmos ao redor de sua cintura, então podia presumir que era uma zona erógena para o sayajin. Pelos seus cálculos mentais, e pelo modo que se encaixava entre as suas nádegas, podia prever que a ereção de Vegeta tinha mais centímetros que sua mente fértil havia imaginado.

Não havia nenhuma informação catalogada que a fizesse querer que ele parasse, muito pelo contrário, suas capacidades cerebrais só tornavam o corpo de Vegeta ainda mais irresistível. Sentiu-se uma condenada, morrendo do próprio veneno, mas ao lembrar do modo como ele a rejeitara na primeira vez que se beijaram, uma força feminina tomou os sentidos de Bulma fazendo seu orgulho de mulher falar mais alto. Começou a tomar consciência.

– Vegeta... Isso tem que parar! – ela implorou entre gemidos que não conseguia controlar. – Tem que parar agora!

Ela sentiu o sorriso de escárnio em sua voz ao pé do ouvido:

– Mas você gosta tanto!

Aquilo foi a gota d'água e Bulma tirou a mão do sayajin de suas calças. Não sentiu resistência por parte dele, mas ouviu um suspiro desaprovador ventar nos seus cabelos. A cauda ainda lhe apertava a cintura como uma cobra enrolada e a mão direita saiu de seu seio para pegar seu pescoço e assim, inclinou a cabeça da cientista para trás para que pudesse ver o que faria. Ele tomou os dedos canhotos na boca sugando todo o líquido transparente que os envolviam. Depois disso a abraçou com o corpo todo, encostando a boca em seu ouvido.

– Eu sabia que era comestível. – sussurrou triunfante entre seus cabelos.

Bulma começou a se debater em fúria. Com raiva de Vegeta, de si mesma, do gênero masculino, dos sayajins, de tudo que lhe vinha a mente.

– Me solta, seu depravado nojento!

Ela pisou nos seus pés, lhe arranhou os braços, deu cotoveladas, até que ele a largou aos risos.

– Como você é arisca!

Bulma foi direto com uma das mãos de encontro ao rosto de Vegeta, mas ele segurou seu pulso desta vez.

– Se você fizer isso não te deixo mais sair daqui. – ele disse ficando sério.

Ela não soube dizer se aquilo era uma ameaça ou uma oferta. Puxou o braço com raiva assim que sentiu os dedos afrouxarem ao redor do pulso. Saiu do laboratório se sentindo totalmente vencida. Agora Vegeta sabia, pensava ela, tinha a prova de que não resistia a ele. A certeza de que poderia pegá-la a qualquer momento e fazer o que bem entendesse com seu corpo. Assim como tinha acabado de demonstrar.

E o pior de tudo é que iria precisar de sua cooperação no dia do jantar. Teria que se portar civilizadamente para não assustar ninguém, mas agora a relação dos dois tinha se tornado mais complicada, deixando tudo mais difícil do que já estava. Começou a sentir-se culpada de novo. Por que tinha que corresponder daquele jeito? Estava incentivando-o dessa forma e agora já era tarde demais pra reverter essa confiança. Se lembrou do momento em que ele a defendeu de Yamcha, de quando afagou seu cabelo carinhosamente ao acordá-la na cama dele, chegando a conclusão de que talvez se importasse com ela. Só não conseguia ter certeza por conta da personalidade instável do sayajin. Quando achava que estava começando a entendê-lo, ele a surpreendia e provava o contrário.

Sua mãe já esperava a filha impaciente do lado de fora da mansão. Buzinou para a garota entrar no carro, usando os óculos de sol mais extravagantes da sua coleção. Eram grandes e redondos. Bulma entrou no carro pelo lado do passageiro e não disse nada às reclamações da mãe. Estava mergulhada em outros pensamentos, desconfortável pelo que lhe acontecera, mas precisava ficar um tempo longe daquela casa ainda que fosse só por uma ida ao supermercado.

– Querida, isso é suor na sua roupa? – a Sra.Briefs tirou os óculos para observar a camiseta da filha. – Pensei que você tinha acabado de tomar banho antes de ir praquele laboratório imundo.

– Mãe, eu só preciso que feche ao vidros ao passar pelos repórteres. Não to afim de ser fotografada agora.

Passaram pelos fotógrafos que ainda insistiam em permanecer nos portões do condomínio. Bulma abaixou a cabeça entre as pernas vendo a quantidade de flashes a serem lançados. Quando levantou, colocou o cinto e viu a mão direita da mãe lhe oferecer uma garrafinha de uísque em miniatura.

– Anda, Bulma, tome! Sei que você é uma princesinha, mas que pra algumas coisas age feito um homem. Só alguém como você pra gostar tanto de roupinhas florais quanto de uísque!

Ela pegou a garrafinha de sua bebida alcoólica favorita e deu um gole tímido.

– Não acredito que tem bebida até no carro, mãe!

– Não seja boba, sabe que guardo bebida em todo lugar! – falou a mulher com as mãos firmes no volante. – E não pense que não sei o que está acontecendo entre você e o bonitão que veio do espaço!

Bulma se surpreendeu com a ligeireza da mãe e deu outro gole no uísque.

– Não sei do que está falando.

– Ora, Bulminha! Dá pra sentir a tensão sexual entre vocês dois até quando sentam à mesa para almoçar! Não estou julgando você, está bem, querida? No seu lugar eu já teria me aproveitado daquele corpo de todos os jeitos possíveis!

– Ah, mãe! – disse Bulma fazendo cara de nojo. – Você podia me poupar desses comentários, não acha?

– O que posso fazer? Aquele macacão colado deixa pouco para a imaginação! Olha, minha filha, não vou me meter entre vocês, mas se quer um conselho, não conte para ninguém! As pessoas gostam de julgar umas as outras e te condenariam facilmente por estar se envolvendo com alguém como Vegeta.

– Não tenho nenhum envolvimento com o Vegeta! – desdenhou. – Ele é um lunático! Um alien psicótico!

– Você é que sabe, erro meu, então! – disse a mulher sentindo-se pouco convencida com a negação da filha. – Querida, você até que combina com o Vegetazinho, sabia? É um fio desencapado como ele!

Bulma bufou de raiva e deu outro trago no uísque.