A Escolha de Bulma

15 Distrações


Notas iniciais
Resolvi antecipar esse capitulo porque gostaria de saber a opinião de vocês sobre como está se desenrolando a história. Espero que gostem!! Boa leitura, gente!

Estava trabalhando como uma louca naqueles dias que seguiram. Mal podia sair de casa com a quantidade de jornalistas e fotógrafos à sua porta. Todos os noticiários só falavam dela, já haviam transmitido aquele seu discurso centenas de vezes. As capas de revistas estampavam seu rosto moldado por madeixas azuis em todas as bancas. A Sra.Briefs fazia uma coleção delas e dos jornais que colocavam o belo rosto de sua filha em manchetes divulgadas pelo continente. Na internet, vendiam-se camisetas e blusões com os dizeres "Não estamos sozinhos", algumas vezes as estampas acompanhavam uma foto ou caricatura sua do momento do discurso. Virou um tipo de febre entre os mais jovens que se sentiam inspirados pela garota cientista. O mundo estava extasiado com a confirmação sobre vidas inteligentes fora do planeta, não havia um veículo de informação que falasse de outro assunto. O telefone dos Briefs tocava o dia todo sem parar, a ponto de terem colocado uma secretária só para anotar recados e transferir chamadas. Algumas vezes, Bulma chegou a atender os telefonemas de Kuririn e Mestre Kame. Estavam preocupados com a amiga e curiosos com o que iria acontecer naquele caos todo. Suas expectativas eram de que seria uma tormenta passageira, não tão rápida, mas de algum modo as pessoas seriam obrigadas a se acostumar com aquela nova realidade assim como aconteceu com ela.

A única coisa que lhe preocupava naquela história toda, era a obsessão pela sua vida pessoal que parecia só aumentar. Em uma tarde de intervalo do trabalho, estava acompanhada por Oolong, comendo em frente a televisão da sala de estar. Mudava de canal com o controle remoto sem parar quase nunca em nenhuma emissora. A maioria da programação televisiva estava sendo interrompida para falar sobre ela e os alienígenas descobertos pela Corporação Cápsula em conjunto à NASA. Era isso que pensavam ter ocorrido, uma descoberta científica programada e calculada há anos. Em um desses canais, cientistas das mais diversas áreas participavam de uma mesa redonda onde o assunto principal era ela.

– E agora a NASA vai precisar ter informações concretas sobre esses seres. A maior agência de exploração espacial do mundo vai precisar ver essa gente com os próprios olhos. – dizia um dos participantes do debate. – É necessário saber com o que estamos lidando.

– Você não faz ideia! – disse Oolong comendo pipoca.

– E você nem vai querer saber... – riu Bulma como se falasse com o homem da tv. – Estou me sacrificando por vocês, seus imbecis! Estão sempre querendo algo a mais de mim.

– Troca de canal, Bulma, vê se tá passando algum filme!

Seus dedos pararam de apertar o botão quando em um típico canal de fofoca, viu uma foto sua ao lado de Yamcha. Na legenda do programa, lia-se sobre o término de seu namoro relâmpago, com a informação adicional da traição do rapaz. Era só o que lhe faltava, bisbilhotarem sua privacidade como se fosse uma celebridade qualquer de Hollywood.

– A traição foi um escândalo na família dos Briefs, tendo o rapaz usado até mesmo o próprio quarto da cientista para pular a cerca, segundo fontes seguras. – disse a narração da notícia com uma voz quase de deboche.

As fotos mostradas pelo programa eram íntimas, do arquivo pessoal da cientista. Yamcha e Bulma se abraçando, posando com os pais, na frente do jardim, todas aquelas fotos de momentos privados só poderiam ter sido acessadas por uma pessoa além dela. A única pessoa capaz de roubar e vender aquelas informações a um tablóide de fofocas de quinta categoria.

– Maron, sua vaca desgraçada!

Até Oolong pareceu se sentir mal por ela.

– Bulma, é melhor você não ver essas coisas. Só vão te deixar mais pra baixo. A gente pode jogar cartas se você quiser.

O porquinho tinha razão no que dizia e a única solução imediata que encontrou foi desligar a televisão. Já havia perdido tempo demais diante do aparelho e nada de bom viria da mídia mercenária que faria de tudo para especular cada detalhe de sua vida. Não poderia de maneira alguma dar o gostinho a Maron de vê-la se importar. A ex assistente jogava sujo até mesmo para alguém do nível dela, mas continuava a subestimar a garota como quem não sabe com quem está lidando, pois ela tinha certeza que, mais cedo ou mais tarde, a vingança viria como uma onda impiedosa sobre Maron. Estava sentindo tanta repulsa naquele dia, que imediatamente após a notícia tv ligou para uma empresa de limpeza para cenas de crime. Precisava desinfetar toda a casa de qualquer vestígio daqueles dois. Não conseguia conter o nojo ao imaginar Yamcha levando Maron para seu quarto.

Em pouco tempo, a história sobre o par de chifres que Yamcha lhe dera ganhou maior notoriedade nos outros veículos informativos e Bulma se sentiu obrigada a evitar o contato com todos os tipos de mídia para não ter sua mente intoxicada por tanto veneno. Era quase impossível se distrair com qualquer coisa que não fosse o trabalho na Corporação e seus estudos científicos. Passava mais tempo no laboratório que dentro da mansão dos Briefs, mal conseguindo dormir esse tempo todo que ficava procurando se distrair. Alguns daqueles dias eram particularmente difíceis. Às vezes o sentimento rancoroso voltava a dominar seu coração e sentia uma enorme vontade de ficar chorando o dia inteiro.

Em contrapartida, sua produtividade no laboratório ia de vento em polpa, estava testando os robôs com Vegeta e seu trabalho de engenharia robótica tinha se mostrado um sucesso. Se tratavam de pequenas máquinas disparadoras de laser, anteriormente usadas para o corte de ferramentas da Corporação, mas que se reprogramadas para pequenos vôos se transformavam em bonecos lutadores. Era útil e estimulante para Vegeta em seus treinos dentro do simulador de gravidade, o que a deixava contente, pois era muito raro arrancar algum sorriso de satisfação daquele sayajin rabugento. O tempo que passava no laboratório acabara por inseri-la na rotina dele, este que passou a se mostrar um pouco mais aberto aos questionamentos de Bulma a respeito de seu planeta e sua raça. O que mais a agradava sobre Vegeta, era sua sinceridade, que apesar de ser constantemente ofensiva, era sempre franca, o que lhe tornava uma pessoa digna de certa confiança no julgamento dela.

Naquela tarde, Bulma consertava a última peça do novo robô enquanto Vegeta esperava. Ele estava de pé encostado na porta da cápsula de gravidade e ela, inclinada sobre a mesa usando máscara de tecido e luvas de látex. O macacão cinza da corporação, que geralmente era usado para trabalhos com soldagem, agora era seu uniforme oficial de trabalho. Era vaidosa demais para sujar suas roupas no tempo em que ficava no laboratório. Estava com os cabelos presos num coque frouxo para analisar o interior dos robôs de perto.

– Vegeta, tem algo que eu gostaria de saber já faz um tempo. – disse ela observando sua posição imponente com os braços cruzados. – Poderia me contar como que você sabe falar a nossa língua?

Ele não a olhou ao responder.

– Todos os sayajins de classe alta são submetidos a estudos territoriais na infância.

– E de que forma isso fez com que aprendesse nossa língua especificamente? Você sabe falar o idioma de outros planetas?

– O planeta Terra interessava o meu pai por ser habitável e semelhante às características naturais de Vegetasei. Achava que poderia servir como refúgio, em caso de perigo extremo. – ele fez uma pausa na fala. – Sabemos a língua de todos os planetas de domínio do Freeza, além disso, porque era inevitável frequentá-los.

– Hum, isso é interessante! Quer dizer que você deve ter uma capacidade cognitiva muito bem desenvolvida pra ter tanta facilidade em aprender novas línguas.

– Vocês terráqueos é que estão acostumados a não precisar deixar o planeta de vocês. É diferente para os guerreiros sayajins.

Bulma se concentrava na tarefa sobre a mesa ao mesmo tempo que dava olhadas para Vegeta de vez em quando. Ela ficava aliviada que o convívio dos dois tenha se tornado menos conflituoso, pois no começo, todo diálogo como aquele terminava em uma discussão tempestuosa, mas agora já conseguiam manter a paciência um com o outro. Ela bocejou antes de falar.

– Você ainda quer que eu conserte aquele negócio rastreador? Porque está totalmente arruinado.

Estava falando do scouter, uma espécie de óculos-celular que podia classificar a capacidade de luta do adversário. Era um tipo de tecnologia anos luz de distância da que existia na Terra, então Bulma não poderia fazer muita coisa se Vegeta realmente precisasse de um novo.

– Não. – ele respondeu firme. – Freeza poderia me rastrear até aqui se eu mesmo não tivesse quebrado.

– Bom, eu guardei do mesmo jeito, caso você precise de algo parecido um dia. – disse ela aos bocejos. – Talvez possamos cloná-lo. Conheço pessoas muito boas na clonagem de eletrônicos.

– Isso só seria útil se eu tivesse um exército.

– Eu acho bom guardar, nunca se sabe o que o futuro nos guarda.

Bulma não pode ver, mas neste momento Vegeta rolou os olhos nas órbitas.

– Nossa, como você é sábia! — ironizou ele.

Já tinha terminado o concerto do robô quando deu um bocejo tão longo, que a fez fechar os olhos por um bom tempo. Estava quebrada de tanto trabalhar, mas aquele laboratório era o único consolo que tinha no momento. Vegeta se aproximou dela quieto, observando suas feições sonolentas com os olhos mal humorados de sempre.

– Há quanto tempo não dorme? – ele perguntou transparecendo irritação.

– Hum, nem sei, Vegeta. Cuida da sua vida que eu cuido da minha.

Aquela resposta pareceu irritá-lo mais ainda.

– Insolente! Cala essa boca! Não vê que está quase caindo morta no chão?

– Ah, eu to sem paciência, Vegeta! – ela disse franzindo a testa.

Então, ele a pegou pelo bíceps e foi levando seu corpo pequeno para fora do laboratório. Ela ia de contragosto, tentando tirar seu braço de suas garras, mas ao fazer isso só parecia que seu aperto lhe espremia mais. Quando já estavam no quintal, Vegeta a pegou no colo e simplesmente saiu voando. Bulma levou um susto, sentindo que poderia cair a qualquer momento e envolveu seus braços no pescoço do sayajin. Eles voaram até a sacada do terceiro andar, a que cercava o quarto de Vegeta.

Colocando seu corpo no chão, ele apontou para a porta lhe indicando o caminho.

– Vai dormir!

– O que? Não posso ir dormir agora, estão desinfetando o meu quarto! Eu demorei dias pra conseguir horário com uma empresa especializada!

– Mas pra que uma frescura dessas?

– Eu que mandei. – ela disse um pouco envergonhada. – Por causa de Yamcha... Você sabe... É possível que ele e a Maron tenham usado o meu...

Ela não conseguiu terminar a frase de tanto constrangimento. Se sentia humilhada novamente toda vez que trazia o assunto à tona. O sayajin irritado compreendeu perfeitamente sem que ela precisasse se explicar muito, mas ainda assim parecia desagradado com a situação. Ele foi até a beira da cama e puxou com agressividade a colcha que cobria o colchão.

– Vai, deita aí! – disse em um forte tom imperativo. – Não me faça te obrigar! Anda, sua terráquea teimosa!

– Vegeta, eu tenho que trabalhar...

– Cala a boca! – gritou. – Deita e dorme logo! Não aguento mais te ver caindo pelos cantos! É irritante!

Daquela maneira, não teve como negar a ordem que estava recebendo. Ela ainda estava com a roupa de trabalho, e numa ideia vingativa para deixar Vegeta sem jeito, a cientista começou a tirar o uniforme na frente dele. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Por baixo do macacão, vestia um short e regata pretos, ambos colados ao corpo pelo tecido de lycra. Ela deixou o uniforme no chão, deitou na cama de bruços, de forma provocativa, e depois de um tempo silencioso, notou que ele ainda estava ali olhando.

– Boa noite. Me acorda quando chegar, tá bom?

Ela ouviu o barulho de seus passos na sacada e pelo canto do olho viu que Vegeta tinha voltado para a cápsula. Voltou a ajeitar a cabeça no travesseiro, aspirando o ar com vontade e adormeceu novamente na cama do sayajin, mas se censurando mentalmente. Tentava se fazer lembrar que era melhor que aquilo estivesse acontecendo pela última vez. Era divertido brincar com Vegeta de vez em quando, por mais que fosse uma tolice, mas não queria levar aquilo ao limite da paciência do rapaz. Não era prudente.

Quando acordou, estava sozinha na cama e ainda podia ouvir os barulhos das pessoas desinfetando o seu quarto ao lado. Usavam uma máquina um tanto ruidosa pra isso, mas Bulma dormira como um bebê. Estava precisando de um sono daqueles.

Ela bocejou de preguiça sem saber o que fazer. Não queria sair do quarto de Vegeta com as pessoas estranhas observando, precisava proteger sua imagem e decidiu que não sairia daquele quarto até que o pessoal da limpeza tivesse ido embora. Pensou que era estranha a maneira como se sentia à vontade nos aposentos do príncipe. Gostava do aconchego daquele quarto de decoração escura, da luz que o fim de tarde projetava na parede, do cheiro de Vegeta nos lençóis, e pensando nisso já censurou o próprio cérebro para que parasse. Estava se sentindo um pouco mal com aquela roupa no seu corpo desde cedo, começou a fuçar as sacolas de roupas novas que a mãe tinha comprado para Vegeta, de novo. Pegou uma camiseta branca de malha e arrancou a etiqueta.

No banheiro, ela achou sais de banho nos armários embaixo da pia. Devia ter sido outro cuidado da mãe atenciosa, eram os mesmos que comprava para a filha. Bulma deixou a banheira encher enquanto observava o armário atrás do espelho. Pílulas transformadoras para gripe, cansaço, má digestão, mas todas intocadas nos potes ainda lacrados. Viu um barbeador elétrico e tentou imaginar o príncipe dos sayajins com a barba por fazer, até que gostando da ideia. Não sabia que o banheiro dele era tão equipado, um serviço dos empregados à mando da sua hospitaleira mãe, certamente.

Tirou a roupa colada e trancou a porta do banheiro. Sabia que Vegeta só voltava do treino depois de o sol se pôr, mas queria se prevenir de maiores atritos. Deitou na banheira morna sentindo os óleos relaxarem seus músculos e amaciarem sua pele. Seus cabelos estavam soltos pra fora da porcelana, tendo sua cabeça encostada na borda da banheira confortavelmente inclinada. Ficou se perguntando quanto tempo duraria o serviço de limpeza dos quartos que já era pra ter ficado pronto. Quase cochilou naquela calmaria toda, estava preparando-se para sair quando ouviu a maçaneta do banheiro ser forçada.

– O que pensa que está fazendo aí, sua intrometida? – gritou a voz de Vegeta do quarto.

Bulma levou um susto, deixando uma quantidade de água transbordar com o espasmo que deu. Ele estava de volta mais cedo do que o esperado e a cientista já começou a sentir a paciência esgotar. Vegeta batia na porta com força.

– Sua idiota, já era pra você ter ido embora!

– Não to fazendo nada demais, seu macaco selvagem! Não é a toa que você só se comunica aos gritos!

Ela tinha acabado de se levantar para sair da banheira com cuidado, para não escorregar, enquanto ouvia o sayajin se enfurecer ao ser comparado a um animal. Bulma mal tinha esticado a mão para alcançar a toalha quando Vegeta abriu a porta com raiva, quebrando a tranca e um pedaço de madeira do vão.

Os dois ficaram petrificados, principalmente Bulma, que não tinha se lembrado que o alienígena era capaz de abrir qualquer porta de qualquer jeito usando sua força. Seu corpo nu e completamente molhado estava diante dele como nunca imaginou que pudesse acontecer, muito menos naquelas circunstâncias. Sentia-se violada e um medo crescente ao ver o rosto de Vegeta lhe explorando com os olhos negros ferozes. Ela rapidamente puxou a toalha branca e enrolou no seu corpo, fazendo um nó na altura dos seios.

– O que você está fazendo, seu doente? – ela gritou em um tom muito agudo.

Ela foi com raiva na direção do príncipe e lhe deu um tapa que para a sua surpresa, acertou o rosto do sayajin em cheio. Estava tão atônito que não segurou seu pulso como normalmente faria, mas o estalo daquele tapa pareceu despertá-lo do transe em que se encontrava.

Pegou os dois pulsos dela com força olhando-a com uma fúria silenciosa e a tomou pela boca com um beijo úmido. A língua dele entrou na sua boca com fluidez, fazendo-a ceder ao toque. A cauda de macaco envolveu a cintura da cientista, fazendo seu corpo colar no dele. Bulma agora correspondia com um desejo incontrolável, com a respiração ofegante quase lhe causando fraqueza. Tentava desenroscar os pulsos das mãos do sayajin como se fossem parafusos, sentia uma urgência em tocá-lo, mas ao perceber sua tentativa de fuga, Vegeta a empurrou com o próprio corpo em direção à parede do banheiro e ali, espremeu o corpo sobre o seu. Apertou seus pulsos contra a parede em um ato de domínio que fez Bulma não conseguir conter um gemido baixinho. Ao ouvi-la render-se completamente, ele começou a descer os lábios até o pescoço, sugando e mordiscando em beijos ardentes. Ela podia sentir o volume rijo de sua excitação através da toalha, apertando contra seu ventre deliciosamente.

As garras que a prendiam começaram a afrouxar e envolveram sua nuca enquanto ele voltava a beijar-lhe a boca. Ela deslizou as mãos livres até o pescoço dele, puxando os cabelos da nuca e arranhando suas costas, ouvindo grunhidos escapar pela garganta do sayajin. Suas respirações estavam cada vez mais descompassadas e as carícias se tornando cada vez mais íntimas. Ele a absorvia ao mesmo tempo que com ferocidade e calma, como se estivesse se controlando por dentro e Bulma tinha certeza que nunca sentira tanto desejo na vida. Sentia a umidade do seu sexo quase escorrendo por entre as coxas. Quando Vegeta estava prestes a arrancar a toalha de seu corpo, uma leve batida na porta do quarto os fez despertar como um gongo ecoando.

– Senhor Vegeta! Tem certeza que não quer desinfetar o quarto? – dizia uma das criadas do corredor. – A Sra.Briefs pediu para perguntar porque a equipe de limpeza já está indo embora.

Os dois agora se olhavam com temor nos olhos, percebendo a gravidade do que haviam feito, compartilhando a sensação de terem despertado de uma hipnose. A expressão de Vegeta foi de derrota ao largar seu corpo respirando ofegante. Abaixou a cabeça com as mãos fechadas em punho apoiadas na parede, entre as quais Bulma se encontrava encurralada. Ele suspirou forte, como se estivesse cansado ou decepcionado, e ainda de cabeça baixa, deu um soco de leve na parede que rachou o azulejo.

– Some daqui, sua vulgar! – cuspiu ele as palavras rudes em seu ouvido.

Seus olhos quase encheram de lágrimas com aquela aspereza. Sentindo-se rejeitada como nunca antes havia sido, ela recolheu suas coisas pelo quarto, vestiu a camiseta de Vegeta que tinha deixado separada e, ainda em choque, saiu o mais depressa possível do quarto com medo de encarar aqueles olhos escuros novamente. A mulher lá fora a reconheceu com os olhos arregalados e enrubesceu quando viu Bulma vestindo apenas uma camiseta branca masculina que lhe servia como um vestido curto. Pelo menos era a única pessoa no corredor daqueles quartos, mas era mais uma que a testemunhava saindo de fininho do quarto de Vegeta. Aquilo tinha que parar de acontecer definitivamente.

– Lukia, você trabalha aqui há muitos anos, não preciso dizer que você não viu nada, não é? Mesmo se for a minha mãe querendo saber.

– Não vi nada, Srta.Briefs. – disse a mulher embaraçada. – O Senhor Vegeta precisa...

– O Senhor Vegeta precisa ficar sozinho. – interrompeu Bulma com uma voz desanimada.

– Sim, Senhora. O seu quarto já está pronto, me deixe levar essas roupas pra lavanderia, com licença, Srta.

Ela tomou a muda de roupa suja e a toalha molhada dos braços de Bulma e saiu em silêncio. A garota viu a empregada sumir na esquina ao fim do corredor, sentindo uma solidão inconsolável. Entrou no seu quarto se perguntando se era solidão ou carência. Também poderia ser a rejeição, pensou ao fechar a porta atrás de si.

De repente, aquele beijo não parecia ter acontecido de verdade. Tinha sido muito bom pra ser com ela, gostoso demais pra vir de um grosseiro animalesco como o Vegeta, mas a prova estava no meio de suas pernas. Tocou o próprio corpo para examinar o líquido gosmento e transparente na ponta dos dedos. Sentia aquela coisa quente lhe escorrer pelas pernas de um jeito que nunca tinha acontecido, de um jeito até que Bulma nem achava que era possível, mas ela não tinha experiência o bastante para que sua opinião valesse algo naquele momento. Sabia que aquilo demonstrava o poder que o príncipe dos sayajins tinha sobre ela e ficou arrasada ao reconhecer tal fato. Pois ele não merecia. Sentiu-se traída pelo próprio corpo, porque de todas as pessoas para fazer seu corpo todo arrepiar daquele modo, tinha que ser logo ele? Como se as coisas já não estivessem difíceis o bastante.

Teve a necessidade de tomar outro banho para tirar aquilo do corpo. Debaixo do chuveiro, quase não resistiu à tentação de se masturbar, mas mesmo que ele não estivesse vendo, não daria o braço a torcer para aquele sayajin estúpido. Saiu do banho com a vontade de quebrar alguma coisa e ouviu o celular tocar. Pela tela, viu Kuririn lhe esperando do outro lado da chamada. Ela atendeu rapidamente, sentindo-se alegre pela distração que o amigo ia lhe proporcionar. Estava mesmo precisando de uma conversa boba para aliviar as tensões do corpo.

– Bulma! Como estamos com saudades suas! – disse o careca sorrindo. – A última vez que falamos com você sua vida tava de cabeça pra baixo. Fico sempre preocupado.

– Kuririn, se eu te contasse o que eu venho passando... – ela suspirou. – Olha, as coisas tão meio agitadas ainda. Descobri que a Maron contou pra imprensa sobre o caso dela com o Yamcha.

– É, já to sabendo. Tenho falado bastante com o Oolong. Ele é como a imprensa marrom, você sabe, fofoqueiro e tagarela. Essa Maron... Sinto muito, Bulma! Não entendo como o Yamcha pôde ter sido tão burro! Que desastre...

– Nem me fale! Nunca esperava algo assim vindo dele. Nem dela, na verdade. Talvez a burra dessa história seja eu. Pelo menos eu tenho trabalhado bastante no laboratório da Corporação. Como andam os treinos de vocês?

– Muito bem! Estamos usando aquela arena que você trouxe, lembra? Tá meio quebrada por causa dos golpes... Hehe! Mas está produtivo! Principalmente o treinamento de Piccolo e Goku. São muito disciplinados!

– Só não deixa eles se matarem antes desses andróides aparecerem na Terra, tá bom?

– Pode deixar. E o Vegeta, Bulma? Como ele está indo?

Ela tentou demonstrar indiferença ao falar do sayajin., mas acabou transparecendo mais raiva do que qualquer outra coisa.

– Aquele ali treina todo dia como um lunático!

– Mas ele está se adaptando à vocês?

– Do jeito dele, mas até que sim. Goku estava certo, não somos os inimigos dele agora. Ele está completamente concentrado em destruir os androides e se vingar de Freeza.

– Ah, nem me fale! Em pensar que ainda teremos que lidar com esse et imperador. Me dá um embrulho no estômago só de pensar!

– Kuririn, não pense tanto nisso! Vocês precisam de uma folga também, principalmente você que é um ser humano. Escuta, se você quiser, pode vir passar um final de semana aqui comigo. Poderíamos sair com o Oolong, beber um pouco, sabe, se divertir e tirar essas coisas da cabeça. O que acha?

O baixinho ficou pensativo do outro lado da tela.

– Bulma, na verdade, isso é bem tentador. Desde que chegamos aqui, eu não tenho feito outra coisa além de treinar. Seria bom dar uma pausa pra respirar um pouco.

– E viver um pouco! Ainda somos muito jovens pra jogar fora todo o nosso tempo com preocupações! Então, quando você vem?

Kuririn riu ao vê-la animada com a ideia.

– Ah, não sei... No próximo final de semana, pode ser? Não gostaria de ir sozinho. Vou tentar convencer o Kame ou Tenshinhan de ir comigo. Piccolo e Goku são um caso perdido!

– Traz os dois, se possível! Quanto mais gente pra nos acompanhar, melhor! Kuririn... O Goku ainda dá aquelas sumidas dele?

– Sim... – ele fez uma pausa em silêncio e depois falou aos sussurros. – Eu acho que tem algo estranho nessa história, andei fazendo algumas investigações, mas eu te conto melhor quando chegar aí.

Bulma ficou ainda mais curiosa.

– Ah, por que foi me dizer isso? Agora vou ficar pensando no que pode tá acontecendo! Vê se aparece logo aqui, hein? Quero saber tudo!

– Não se preocupe, vou te contar tudo, mas é que ainda não tenho certeza... Bem, deixa pra lá, eu só queria ter certeza que você estava bem.

– Obrigada, Kuririn! Vou ficar te esperando na sexta, vê se aparece ou eu mesma dou um jeito de ir te buscar!

Os dois trocaram mais algumas palavras e terminaram a ligação se sentindo melhor. Bulma era uma moça exigente, vaidosa e extremamente feminina, mas todas as suas maiores amizades eram construídas com homens, para a surpresa das pessoas que não a conheciam muito bem. No internato na infância, a maioria das outras crianças eram garotos, assim como na faculdade. Só no estágio e na Corporação Cápsula é que passou a conviver mais com o seu gênero na rotina de trabalho. O mundo da ciência recebia homens com mais frequência que mulheres, por isso Bulma já estava muito acostumada em ter tantas amizades masculinas. Kuririn era, sem dúvidas, um dos melhores frutos disso. Estava mais animada ao saber que receberia sua visita em breve. Uma distração eficiente para tirar Vegeta de perto dela. Ao menos, era o que esperava.