A Escolha de Bulma
20 A Garota Terráquea
Notas iniciais
Era difícil se controlar perto dela, independente do que sentia.
No começo teve que se esforçar para não matá-la, aturando a voz aguda gritando pelos cantos, pois fosse por raiva ou alegria, Bulma sempre tinha que falar no mais alto volume da voz. Era um tormento para Vegeta a voz estridente daquela mulher, o modo como se intrometia em tudo, sempre se aproximando dele enquanto falava. Ele não entendia a necessidade dos humanos em falar tão de perto, às vezes até tocavam uns nos outros enquanto o faziam, mas com Bulma era incômodo por outros motivos. A terráquea era um combo de distrações da cabeça aos pés, chegava a ser irritante o modo em que se mostrava apelativa, mas ao mesmo tempo o instigava de um jeito estranho. Ela era diferente de todas as fêmeas que já tinha visto, principalmente pelas suas cores e perfumes. Do cabelo turquesa até a sola rosada dos pés a humana era toda em tons pastéis, como aqueles doces que a mãe escandalosa da garota vivia lhe oferecendo. E a pele e o cabelo tinham um cheiro adocicado, que só faziam-no sentir fome quando ela estava por perto. Não era exatamente uma fome estomacal, era algo mais esquisito, mas quando a via de perto sentia um instinto de prová-la. Os olhos azuis enormes chegavam a ser desproporcionais para o rosto pequeno e o mais perturbador era que possuíam um ímã irresistível, como se fizessem-no um convite em segredo toda vez que o encaravam.
Não demorou muito para que Vegeta chegasse a amarga conclusão de que sentia-se atraído pela garota terráquea de um jeito irremediável. Foi difícil admitir para si mesmo, pois insistia em negar que uma fraqueza desse tipo lhe abateria num momento tão importante. Precisava treinar, ficar mais forte, superar o verme do Kakkaroto, atingir a transformação de super sayajin e vingar a morte de seus pais. Em algum momento, até arquitetou um plano pra se livrar da humana de uma vez por todas e aniquilá-la junto com a família de imbecis, mas teria problemas com os amigos dela se tomasse por essa alternativa. Além de insuportável, todos pareciam gostar daquela garota vulgar, tratava bem todo mundo como se todos fossem igualmente dignos de sua atenção, mas mesmo tentando se convencer de que aquela criatura era desprezível, Bulma só o tratava bem. Fazia robôs para aprimorar seu treino, consertava a máquina de gravidade quando falhava, raramente reclamava de sua frieza, pois o sayajin nunca a agradecia sequer, e ainda tinha a paciência para ensiná-lo pequenas coisas do cotidiano dos terráqueos. Era uma metida, achava que sabia tudo sobre qualquer coisa, queria ensinar todo mundo como se não fosse só uma pirralha malcriada.
Com o passar do tempo, foi percebendo que além de metida e malcriada a garota era agressiva, não tinha medo de nada, o que só a tornava ainda mais idiota sob os olhos do sayajin. Porque ela deveria ter medo, era humana e frágil, com um poder de luta ridiculamente fraco, mas insistia em enfrentá-lo com coragem como um gato que pensa ser um tigre. Ele sentia vontade de matá-la por isso, só o perturbava com sua insolência, constantemente se pegava pensando em uma maneira de castigá-la sem que ninguém soubesse. Conhecia vários métodos de tortura física e psicológica, e do jeito que a cientista era fraca seria muito fácil aplicá-los a ela obtendo bons resultados. A ideia amadureceu em sua mente por um longo tempo, pois além de livrar-se da voz aguda gritando em seus ouvidos teria o prazer de vê-la sob seu domínio. Sempre sentiu um mórbido prazer em ver criaturas inferiores sofrendo e agonizando de dor, gostava de matar desse jeito, vendo o desespero nos olhos da vítima. Porém, com Bulma, isso lhe parecia mais atraente ainda e levava suas ideias de sadismo ao ápice da obsessão. Queria vê-la implorando pela própria vida, ver aquele corpo pequeno e magro se dando conta do quanto era insignificante, iria mostrar o quão inútil era a sua coragem diante da força do príncipe dos sayajins.
Seus planos começaram a cair por terra no dia em que a viu nua no banheiro. Nos poucos segundos que ficou encarando o corpo pálido e molhado da garota, soube de imediato que a queria para si. Queria sentir a pele suave de humana sob suas mãos, apertar suas curvas ligeiramente sinuosas, provar de seu gosto, pois até os delicados pés daquela terráquea lhe pareciam deliciosos. Então era isso que o estava atormentando esse tempo todo, queria possuí-la. Tudo pareceu fazer sentindo quando se deu conta que o sentimento estranho pela terráquea era puramente desejo sexual e nada além. A sua maior surpresa, no entanto, veio quando agarrou Bulma à força e viu que ela não se sentiu amedrontada, não se debateu, não tentou fugir, nem gritar, pelo contrário, deu espaço para ele em sua boca e respondeu à altura. Foi quase um choque literal, pois descobrir que ela o desejava da mesma forma lhe trouxe outras sensações que aos poucos brotaram-se em dúvidas na mente turbulenta do sayajin. De repente, ter aquele corpo feminino e frágil em seus braços fazia-o querer ter cuidado porque não havia mais necessidade de machucá-la, ela o queria. Era uma imbecil por isso, mas desejava ele com seu corpo inteiro, era uma idiota, é claro, mas o aceitava. E isso era o bastante. Só se deu conta da própria fraqueza quando bateram na porta do quarto. Foi como se tivessem trazido seus pés de volta a realidade, mas a partir dali já não conseguia odiar a terráquea do mesmo jeito.
Depois desse episódio, foi tomado por uma raiva crescente, mas de si mesmo, porque havia gostado de tê-la em seus braços e soube que aquilo seria um problema. Irritava-o mais ainda em saber que ela era tão doce quanto imaginava, tão macia e rija, ainda por cima surpreendentemente lasciva. A cientista desajeitada que vivia sob o tecido grosseiro do macacão de laboratório transformava-se num diabinho quando ele estava por perto. Talvez Vegeta tivesse parcial culpa nessa parte, pois sempre despertava o pior de cada ser que passara pelo seu caminho, mas se aquele era o lado maldoso de Bulma, então ele tinha orgulho de ser responsável por isso. Por conta de toda a surpresa que foi a reação da garota, em vez de saciar a vontade, na verdade só lhe atormentou mais ainda. Queria explorá-la, descobrir o que mais poderia ter por trás daqueles olhos inocentes, provar daquilo que escondia sob suas roupas estranhas.
Após uma breve reflexão, concluiu que não haveria mal algum em se divertir com a garota terráquea enquanto estivesse por ali, talvez até fosse uma válvula de escape para os treinos incessantes. Em uma de suas práticas no simulador da gravidade, sentiu o cheiro da garota de longe entrando no laboratório. Quanto mais se aproximava, mais apelativo era o seu perfume, até que tomou a atitude de sair do simulador e ir mandar a cientista ir fazer outra coisa. Estava-o distraindo, mas se provocasse alguma discussão sabia que ela sairia dali de volta para a casa. Geralmente a terráquea vestia seu macacão de trabalho quando estava por ali, Vegeta não tinha o que reclamar quanto a isso porque era até um alívio vê-la naqueles trapos, não desviava sua atenção para besteiras. Mas naquele dia ela estava sem o tecido sujo que tirava as formas de seu corpo sinuoso, vestia uma camiseta e uma calça jeans. Ambas as peças quase colavam na pele, contornando o melhor das suas curvas de um jeito que enaltecia a beleza de seu corpo. Aquilo já estava se tornando demais para ele, vê-la naquela roupagem vulgar de terráquea, debruçada sobre a mesa, tão quieta e concentrada, exalando aquele cheiro adocicado, era apelativo, um tormento, um ímã poderoso.
Ele se aproximou devagar, como se estivesse cercando uma presa, sabia que ela não percebia nada ao redor quando estava trabalhando com suas tralhas, era uma tonta, uma vítima perfeita. Sussurrou no seu ouvido, suspirando o perfume concentrado nos cabelos azuis e percebeu os pêlos da nuca pálida se arrepiarem. Ela ficou parada como uma pedra o que o fez abraçá-la com cuidado, devagar, para que a garota soubesse que não precisava ter medo. O mais curioso era que ela não tinha mesmo, ficou toda mole sob seus braços quando começou a acariciá-la, se entregando facilmente. Se deixando levar pelo seu toque, justamente o toque das mãos de Vegeta que poderia quebrá-la ao meio antes que ela se desse conta. Era uma garota boba mesmo, largou as tralhas que segurava para se apoiar na mesa de tão idiota. Aquele seria o melhor momento para matá-la, mas por que ela tinha que mostrar-se tão vulnerável? Sua cauda apertava a cintura fina e macia e tudo o que o sayajin pensava era em tomá-la para si. Precisava senti-la por inteiro antes de se livrar da garota. Podia pensar nisso depois de provar mais um pouco da pele dela, decidiu deixar seu castigo pra mais tarde, porque agora o que o satisfazia mais era vê-la doando seu corpo daquele jeito.
A cada mordida na pele, sentia o corpo da garota dar um leve espasmo de dor, ou prazer, ele ainda não sabia muito a diferença, nem do tipo de coisa que ela poderia gostar, mas toda vez que sentia esses pequenos sobressaltos, dava-lhe um aperto forte com a cauda e forçava seu corpo contra o dela. Era inevitável, era quase um gesto automático para que pudesse se conter, não queria machucá-la, apesar de que se fizesse o que estava se controlando para não fazer, deixaria a garota coberta de hematomas. Ouviu a humana provocando-o sobre o que dissera anteriormente e lhe respondeu com a verdade: ela o fazia mudar de ideia. Bulma soltou um suspiro longo, quase um gemido, um tipo de som estimulante que fez o sangue de Vegeta correr mais rápido. Por que ela fazia esse tipo de coisa? Era de propósito só pra provocá-lo? Seria muito mais fácil se fosse uma idiota frígida, mas em vez disso mostrava-se tão receptiva que o fazia questionar sobre a sanidade da garota.
Mais uma vez não resistiu, deslizou as mãos pelo corpo da humana querendo ver até onde ela deixava-o tocar. O seio rijo enchia a mão, não conseguia parar de apertá-lo, às vezes afrouxava os dedos lembrando de se conter. A mão esquerda foi diretamente até o interior da calça jeans e ele quis senti-la por fora da lingerie antes de tocar a pele. Não entendia porque os terráqueos usavam tantas camadas de roupa, mas as peças de baixo de Bulma, quando apareciam ora ou outra, sempre lhe despertaram a atenção. Por vezes, a garota se abaixava durante uma manutenção do simulador e deixava um pedaço de renda da calcinha à mostra. Uma outra vez, quando a encontrou de madrugada na cozinha, vestia uma roupa de dormir tão vulgar que dava pra ver o formato e o relevo de sua lingerie por baixo do tecido fino. No entanto, nada fora tão excitante quanto o momento em que tocou a lingerie por dentro da calça jeans e a sentiu completamente úmida. Quando enfiou a mão por baixo da renda, sentiu o quadril da garota esfregar-se contra a sua pélvis. Os seus dedos deslizavam facilmente sobre a fenda quente e molhada, fazendo-o suspirar de impaciência. Era difícil ter que adiar algo que queria tanto, queria muito experimentá-la, não conseguia parar de pensar nisso. Queria rasgar todas aquelas roupas e prová-la com a língua, ouvir a voz irritante da cientista gemendo e cedendo ao seu domínio, mas precisava se conter.
Percebia que quanto mais devagar seus dedos deslizavam, mais urgente eram os gemidos, seu corpo chegava a se esfregar contra a mão dele. Mas o que achava mais divertido era quando Bulma parecia tentar conter os gemidos e seu coração humano acelerava mais ainda. Ela desconhecia que o sayajin conseguia ouvir batimentos cardíacos, muito menos que sabia sobre o fato de o seu acelerar em momentos em que Vegeta encontrava-se por perto. Quando ouvia aquele coração bater rápido lembrava-se de que poderia acabar com tudo rapidamente se fosse necessário, portanto não precisava se martirizar sobre gostar de molestar a garota. Se algo saísse do controle era só arrancar aquele órgão vital e a terráquea morria. Simples e sem esforço.
Ficou decepcionado quando ela disse que aquilo tinha que parar de acontecer. Qual era o problema se ela gostava? Tinha sempre que complicar as coisas. Provou os dedos contendo o gosto dela, só pra ver a reação da garota, mas confessava internamente que tê-la em sua boca era o que mais queria. A garota começou a se debater pra se livrar dos seus braços e ele quase se deixou levar pelo instinto agressivo que lhe dizia para domá-la à força. Toda vez que ele via Bulma irritada tinha vontade de calar aquela infeliz e agarrá-la contra a parede, mas ela sempre reagia de modo agressivo quando ele a provocava. Queria estapear sua cara, lhe empurrar com os braços fininhos, coisas surreais que só uma inútil como ela poderia pensar em fazer. Acabou dando as costas para ele assim que pôde, batendo o pé ao sair do laboratório. Sempre lhe dava as costas com uma insolência irritante, mas ele sempre a deixava ir.
As coisas pareceram piorar no dia que os outros vermes apareceram. Estava falando com a garota quando os amigos dela chegaram e Vegeta ficou verdadeiramente surpreso em vê-la correndo para os braços de Kakkaroto de tanta alegria. Sentiu uma fúria subir-lhe a cabeça ao ver a terráquea abraçar o maldito daquele jeito. O pior é que sabia que era uma atitude espontânea, eles compartilhavam um carinho quase palpável. Como achava aquela imbecil ridícula por ser afetuosa com todo mundo, não entendia porque perdia tempo com alguém tão vulgar e pensando nisso, voltou para o simulador, tinha mais o que fazer. Descarregou toda a raiva nos robôs naquela noite, um por um foi caindo até que ele tivesse trucidado todos. Treinou com todo o seu poder de luta na gravidade mais alta, só conseguia pensar no quanto queria destruir algo naquele momento. Não via a hora de aniquilar o exército de Freeza, explodir aquele lagarto maldito, fazê-lo sofrer em desespero. E quando pensava em matar Kakkaroto, sentia-se ainda mais enfurecido, ainda mais motivado em ficar mais forte, pois seria o melhor momento poder destruir aquele miserável. Como aquele lixo poderia ousar superar seus poderes? Era inadmissível! O mais insuportável de todos aqueles insetos. Quando chegasse a hora não teria piedade ao matá-lo, faria do jeito mais doloroso para que aquele verme pagasse por tudo.
Toda vez que ouvia a risada daqueles idiotas lá fora ficava mais enfurecido. Como gostavam de ser inúteis! Se distraíam por qualquer coisa, riam das maiores bobagens e se embriagavam com bebidas vulgares que só o tornavam mais imbecis. O último robô caiu em pedaços no chão antes que ele parasse. Sentiu o ki da humana se aproximando e colocou os pés no chão ao ouvi-la bater na porta incessantemente. Sabia que ia se arrepender por deixá-la entrar, mas estava curioso pra saber o que ela queria desta vez. Estava com um uma coisa felpuda branca lhe tapando o corpo e parecia que tinha se molhado. Tinha um olhar diferente ao encará-lo, os olhos azuis inocentes agora haviam se tornado maliciosos, uma tênue diferença entre doçura e perversão que ele teve o gosto de notar.
– Vim te visitar, Alteza. – disse na vozinha infantil.
Ele a observou desamarrar a roupa e deixá-la cair no chão. Estava praticamente nua, apenas duas peças rosas muito pequenas cobriam suas partes íntimas, mas estavam úmidas, então dava pra ver seu corpo com todos os detalhes. Vegeta não entendia que tipo de plano aquela maldita tinha na cabeça ao se aproximar daquele jeito, devia ter perdido a noção por completo. Tocava em seus braços lhe olhando com provocação, os lábios pequenos semiabertos, as bochechas rosadas por baixo das sardas. Gostou daquele atrevimento, o tipo de comportamento mais vulgar da terráquea era sempre o mais interessante.
Deixou que ela o tocasse, pois surpreendia-lhe as habilidades de sedução daquela garota, reconhecia que sabia mexer com seus nervos de todas as maneiras. Estava se sentindo exausto pelo treino, tinha se esgotado demais aquele dia, usado mais energia que o necessário, e o toque de Bulma caía sobre o seu corpo cansado como um remédio revigorante, era relaxante e confortável. Quando ela o beijou, correspondeu da mesma maneira, queria abrigá-la em seus braços e protegê-la, não se importava mais em ceder àquele feitiço perturbador, estava na hora de admitir para si mesmo que encontrava-se hipnotizado por aquela terráquea imbecil. Ela era tão doce e macia que não lhe pareceu nada errado reagir dessa forma, não parecia nada além de perfeitamente natural.
Passional do jeito que era, não conseguiu evitar a inserção completa naquele momento. Era a primeira vez que sentia-se tão vulnerável, ainda por cima nas mãos de uma criatura tão insignificante, mas ainda assim desejava sua aceitação. Queria muito mais, queria que aquela garota fosse dele, somente dele, que pudesse possuí-la de todas as formas, que ela o deixasse, que ela quisesse. Apertava-a cada vez mais forte, beijava-a com um desespero cada vez mais evidente, não conseguia se conter ao vê-la permitir ser tocada por uma criatura como ele tão abertamente, queria que ela permitisse cada vez mais, excitava-o perceber que a cada investida era uma nova resposta de concordância do seu corpo feminino.
Quando se deu conta estava com a garota no colo, entre as pernas que lhe abraçavam com força, espremia seu corpo contra a parede da mesma maneira que a cauda espremia uma de suas coxas. Nesse ponto já não conseguia pensar em mais nada, estava completamente concentrado naquele corpo, queria cada parte dela, poderia ser ali mesmo, no chão ou na parede, ele não se importava, a teria de qualquer jeito e sabia que ela queria o mesmo. Nunca pensou que reciprocidade pudesse ser tão excitante, mas ver que a garota gostava de ser tratada daquele jeito lhe despertava uma forte emoção. Ela arranhava suas costas com toda a força ridícula que tinha em suas mãos pequenas e gemia em seu ouvido como se implorasse por mais.
De repente, ela ergueu seu rosto e lhe olhou profundamente. O peito dela inflava com a respiração ofegante e ele podia ouvir seu coração descompassar em um ritmo instável. A garota tocou seu rosto com uma das mãos e afagou sua pele, tinha mãos tão macias e quebráveis. Ela o beijou com a mesma calma e doçura de antes, deslizando a língua na sua de uma forma tão carinhosa que era insuportável, ele não conseguia compreender como aquilo era tão natural para ela. Doava seu sentimento tão facilmente, era tão espontâneo seu afeto!
Não queria ter que vê-la ir embora e voltar para aqueles vermes, não queria dividi-la com ninguém. Quando ela começou a insistir para sair de seus braços, ele acabou lembrando de Kakkaroto e se pegou com raiva do infeliz de novo. Deixou que a cientista fizesse o que ela bem entendesse, aquela história já estava indo longe demais e não conseguia lidar com o sentimento de posse que tinha sobre a garota. Era melhor tentar se desapegar do que se sentir daquela forma, mas no dia seguinte, foi pego de surpresa mais uma vez pelos próprios sentimentos depois de ouvir uma conversa entre o anão e Kakkaroto na cozinha. Descobriu da ridícula aposta que a terráquea havia perdido e começou a se sentir exposto demais.
Aquela noite se transformara em uma sequência de decepções pessoais. Quando Vegeta foi prestar contas com a humana, quase a matou de raiva, fazendo-o se sentir pior ainda, pois em resposta a sua agressividade ela resolveu confessar que gostava dele e o abraçou mesmo depois dele quase ter quebrado seu pulso. O contato físico com a garota estava evoluindo muito rapidamente e não deixava de ser um tanto incômodo para o sayajin, odiava se sentir vulnerável diante de qualquer um. Gostava mais quando ele comandava a situação e a colocava no devido lugar, mas naquela noite ela resolveu mordê-lo quando fizera isso. Teria lhe dado uma boa lição se não fosse a quantidade de insetos ao redor, não entendia porque um jantar idiota daqueles tinha que ser tão importante, mas esperou o momento certo para se vingar.
Tinha dito para Bulma que não mataria suas visitas, mas aqueles vermes conseguiam ser tão ridículos! Queria poder pelo menos arrancar os olhos de um deles, porém conteve-se. O pior de tudo não foi ver aqueles insetos demonstrarem interesse pela garota, nem o imbecil do Kakkaroto a olhando, pois a maior surpresa viera quando descobriu que Bulma o usou como um experimento de laboratório e muito antes de se conhecerem melhor. As ideias de torturá-la voltaram a sua mente como uma onda tentadora, mas agora imaginá-la sentindo dor física não lhe parecia tão excitante, teria que bolar um outro plano. Enquanto provocava a garota falando sobre a verdadeira natureza de sua raça, encontrou uma maneira de constrangê-la, introduzindo sua cauda entre as pernas da garota. Ela não o merecia, era uma terráquea repugnante e ele era o príncipe dos sayajins, o grande Vegeta! Não deveria se misturar com criaturas inferiores, usaria seu corpo de qualquer jeito e depois a desprezaria até que conseguisse fazer a insolente se sentir um lixo humano, estava decidido.
Não seria tão difícil e até lhe daria bons momentos de diversão. Percebeu isso ao tocar-lhe intimamente e notar que a vulgar não vestia nada por baixo do vestido, mas ela conseguia disfarçar bem o desconforto. Sentia a cauda absorver sua umidade, mas o rosto da garota permanecia plácido como se nada estivesse acontecendo. Às vezes ele queria continuar e fazer aquilo de verdade, penetrar nela do jeito mais animalesco que poderia, acabou se perdendo em um desses pensamentos violentos e sem querer introduziu a extremidade úmida da cauda para dentro da garota. Foram só alguns centímetros, mas ela deu um pulo tão amedrontado que lhe abateu um leve arrependimento. Ficou se perguntando se havia machucado, se as partes íntimas terráqueas eram mais frágeis ou tão quebráveis quanto o resto de sua anatomia humana. Depois que Bulma saiu da mesa ele já se corrigia mentalmente e lembrava que na verdade, seria até bom que tivesse sentido alguma dor como prova do que ele era capaz.
Já estava ficando ansioso ao perceber que ela estava demorando demais, poderia ter se machucado gravemente por uma bobagem daquelas? Do jeito que era patética era bem possível. De repente, ouviu a mãe escandalosa da garota gritar no telefone e todos pareceram se afoitar para acalentá-la. Ele permaneceu ali por um tempo, bebendo o vinho jogado na cadeira, não estava nem aí que aquela mulher estivesse passando mal, por ele que a infeliz morresse de uma vez, até seria um alívio para seus ouvidos se isso acontecesse. Quando ouviu o que estava acontecendo, se levantou para ouvir mais de perto, reconhecendo a voz do inseto no telefone, acabou ficando um pouco preocupado com o sequestro do velho. Ele até que nem era nada demais, tinha certa decência para um ser da raça humana e também sabia do forte vínculo que o cientista tinha com a filha.
Quando Bulma apareceu de volta, parecia prestes a desmaiar, pensou que pudesse tê-la machucado pra valer, mas ela só estava preocupada com a mãe. Tinha fortes sentimentos fraternos quando se tratava de quem ela gostava, era capaz de quase cair no chão de tão pálida só por ouvir a mãe chorar. Vegeta sentiu que aquela noite estava prometendo que não acabaria bem, quando viu a garota tomar a atitude de ir em busca do pai ficou enfurecido. Ela era uma metida mesmo, deveria ficar ali e se proteger, mas estava sempre pronta a tomar a frente das situações mais complicadas. Ficou ainda mais irritado quando Kakkaroto se ofereceu para levá-la, jamais deixaria aqueles dois sozinhos, estava começando a ficar obcecado, sentia os nervos descontrolarem-se de novo e tudo só piorou ao ver o maldito beijar a testa de Bulma como se lhe fosse permitido.
Ao chegar na Corporação Cápsula, tentou usar seu lado mais racional e saiu a procura do velho para acabar de vez com aquela história, mas não conseguia raciocinar com o turbilhão de emoções que lhe pressionavam. Ficava pensando na idiotice de deixar aqueles dois sozinhos, da possibilidade de perdê-la de alguma forma, do fato de nem tê-la sequer, estava tudo saindo do controle. Voltou para o auditório onde havia notado uma presença porque percebeu que Kakkaroto a havia levado para lá. Seria mais fácil trancar a imbecil em qualquer lugar até que os dois tivessem terminado o serviço, pelo menos não teriam que ficar cuidando da inútil.
Permaneceu ali com ela quando Kakkaroto saiu para procurar o velho, sem se dar conta do momento exato em que ele saiu pela porta. Estava atento aos movimentos do inseto diante deles, pois reconheceu uma certa maldade no homem que se aproximava. Era um verme como qualquer outro, mas algo no olhar dele lhe era familiar, Vegeta já tinha visto olhos assim anteriormente, mas não em terráqueos. Ficou apreensivo ao ver que o verme asqueroso direcionava aquele olhar para Bulma, tão confiante com a arma patética em mãos que nem ligava para a presença do sayajin. Sentiu-se estranho não por medo, jamais sentia medo, mas pela garota. E se ele não estivesse ali? E se em algum momento ela virasse a esquina errada ao encontrar com um traste daqueles e nunca mais voltasse pra casa? Quando o homem abriu a boca para falar vulgaridades sobre a terráquea, o sentimento de posse tomou conta de Vegeta, ele só esperou que ele terminasse porque estava decidindo de que maneira o faria sofrer. Foi só o inseto se aproximar o bastante para que ele o torturasse do jeito que lhe aprazia e não teve a misericórdia de matar o infeliz. Preferiu deixar que ele agonizasse até morrer da maneira mais degradante possível.
Após o torpor da adrenalina ir embora, deu-se conta do rosto horrorizado da cientista olhando o homem desfigurado. Tinha o medo visivelmente estampado nos olhos, ele nunca tinha visto a garota amedrontada, e o susto de alguma forma estragou com o brilho de seus olhos azuis. Ele percebeu que aquele era um veredicto inevitável: tinha traumatizado ela. Fosse lá o que sentia pelo príncipe, estava arruinado para sempre a partir dali. Vegeta não se sentiu culpado, no entanto, faria aquilo de novo se pudesse, com ela olhando ou não. Estava mais intrigado consigo mesmo e com a forte possessividade que nutria pela terráquea. Sabia que não era um sentimento tão nobre quanto os que ela tinha para lhe dar, porque a humana era de uma natureza diferente, mas o que mais poderia fazer? Era o máximo que conseguiria extrair dele.
Quando voltaram para a mansão dos Briefs, sumiu da vista de todos assim que possível. Se livrou daqueles trajes ridículos de terráqueo e voltou a vestir o macacão de sayajin, como se por esse simples ato pudesse se sentir ele mesmo novamente, mas foi em vão. Ainda estava confuso, não conseguia se livrar daquela maldita por nada! Não queria se livrar dela, a ideia de perdê-la o deixava mal, e ainda por cima a inútil só atraía tipos horríveis de insetos, o que seria dela se ele não estivesse ali? Mas o que ela poderia esperar dele além de cadáveres e mutilações? Ter que enfrentar tantas dúvidas o deixava irritadiço, teve vontade de matar de novo, de machucar algo até que sentisse prazer, destruir algo bonito até virar pó. Sentiu um forte impulso de explodir aquela casa e eliminar todos aqueles insetos de uma vez por todas.
Os olhos azuis da garota vieram a sua mente como um tormento, pensar em Bulma e na sua fragilidade o desarmava. Lembrou dos pais, do quanto um era rígido e o outro amável, do modo como mostravam-se apaixonados quando achavam que ninguém estava por perto, dos cabelos negros da mãe e do modo como ele a tratava com desprezo quando a mulher tentava consolá-lo após uma bronca do rei. Levou as mãos ao rosto ao recordar do momento em que os dois foram mortos na sua frente, quando ainda era apenas um fedelho de doze anos de idade. Engoliu o sentimento antes que pudesse cair em fraquezas. Tinha perdido tudo que lhe era importante, não ia permitir que perdesse a garota, mesmo que ela o odiasse, mesmo que nunca fosse de fato dele, não poderia perdê-la. Ia dar um jeito naquela história, encontrar uma forma de encaixá-la na realidade torta de sua vida, poderia sequestrá-la ao fim de tudo, ainda não sabia ao certo, mas não admitiria perdê-la de vista.
O mais curioso era que mesmo depois das conclusões dolorosas sobre seus sentimentos, não conseguia deixar de nutrir certa raiva pela terráquea. Não só por ser a causadora de tudo aquilo, mas também por ser uma mulher tão difícil de lidar. Naquela hora a raiva surgiu porque percebeu ela falando com o verme do ex namorado perto dali, sentia o ki quase igualmente insignificante dos dois, e cedeu a própria obsessão de persegui-la. Gostou que a conversa dos dois terminou rapidamente, ela agora estava indo direto para o quarto dos pais, ficou um tempo conversando com a mãe e era inevitável que ouvisse a conversa do jeito que aquela mulher escandalosa falava alto. Teve interesse pela parte do diálogo onde era mencionado algum ocorrido da infância da garota, mas deixou a curiosidade pra depois quando a viu caminhar em sua direção.
Ela estava de volta ao normal de novo, parecia mais revigorada e seus olhos eram tão bobos quanto antes de ter trucidado o verme na frente dela. Não só parecia melhor como já voltou a lhe tratar com a insolência de sempre, uma característica que tanto o irritava quanto o atraía. O modo arrogante como ela falava que ele não mandaria nela soava como um desafio, se ela ao menos soubesse o quanto piorava a situação falando aquele tipo de coisa. Pegou ela no colo e foi rapidamente levá-la para o quarto, mas se deparou com a dificuldade em se controlar perto dela, pois tinha se esquecido que ainda estava vulnerável ao contato físico da garota.
Sentiu a pele macia por baixo do pijama curto e mudou de caminho, a levou para o próprio quarto. Aquele cheiro doce que exalava era irrecusável, a jogou na cama sentindo a fúria tomá-lo novamente, depois, se colocou em cima dela de uma maneira que impossibilitava qualquer defesa. Descobriu naquele ato o quanto excitava-o sair do controle com ela, era muito mais emocionante vê-la tentando se livrar de suas garras inutilmente, enquanto ele fazia o que bem entendia com seu corpo. Forçou a garota a abrir as pernas, sentindo a resistência dos músculos se contraindo quando a cauda a apertou. Rasgou a parte de cima das vestes delicadas e parou por um momento para ver a reação dela, prendeu seus pulsos contra o travesseiro e viu que Bulma estava de fato assustada, o coração batia forte e ela o olhava com temor.
A raiva pela garota tomou um lugar especial naquele momento, porque o sayajin se deu conta que não conseguia fazer aquilo mesmo que no fundo quisesse de fato. Já tinha obrigado outras mulheres a se entregar a ele, na verdade era uma de suas atividades favoritas quando ia tomar novos planetas para Freeza. Era prazeroso caçá-las, rastreando uma por uma pelo medo que sentiam, todas tinham o mesmo fim inevitável. Ele as encontrava, sodomizava seus corpos agressivamente para depois matá-las ou vendê-las em troca de novos soldados. Mas com a garota terráquea era particularmente difícil, não sentia vontade de machucá-la simplesmente por ser mais fraca, na verdade, a fragilidade de Bulma despertava-lhe um instinto protetor.
– Se eu te soltar você promete que vai ficar quieta e ir dormir? – ele perguntou olhando-a nos olhos.
Ela estava tão chocada que quase não se moveu ao responder.
– Sim, mas...
– O que foi? – ele suspirou impaciente.
Viu que os olhos da garota começaram a lacrimejar. A voz dela ficou um pouco embargada.
– Deixa eu te abraçar?
– Você tá maluca? É retardada por acaso?
– Por favor?
Soltou os pulsos dela e se sentou na cama. Era uma terráquea estranha mesmo, não dava pra compreender suas reações inusitadas. Sentiu os braços dela envolverem seu pescoço e a pele quente colar nas suas costas.
– Hoje foi um dos piores dias da minha vida. – ela sussurrou em seu ouvido. – Queria poder ter uma lembrança boa como último momento de um dia horrível. Queria poder resolver as pendências entre a gente, Vegeta.
– De que forma você quer resolver isso? – ele quis saber.
– Primeiro quero saber se posso confiar em você cem por cento.
– É claro que pode confiar em mim, sua idiota! – admitiu o sayajin em um suspiro pesado.
Ela ainda lhe abraçava por trás enquanto ele permanecia sentado na beira da cama. Pegou uma de suas mãos pequenas e a beijou.
– Eu sei que você não faria nada que me machucasse. – ela disse em seu ouvido. – Estou certa?
– Está maluca, isso sim!
A garota riu com a provocação e o beijou no rosto. Era definitivamente uma terráquea estranha.
– Eu posso dormir aqui hoje? – ela pediu em uma voz manhosa. – Depois de tudo o que aconteceu hoje eu queria poder dormir me sentindo inteiramente segura.
– E a sua solução é dormir na minha cama? – zombou. – Pode ficar, mas se você amanhecer morta não vai ser problema meu!
Bulma se deitou na cama e deu uma batidinha no lado vazio do colchão, chamando-o para ficar perto dela, era uma louca mesmo. Deitou-se de frente pro seu corpo magro, não conseguindo acreditar na atitude estranha dela, devia gostar mesmo dele pra ter tanta paciência, pensou. Vegeta puxou o edredom para cobri-los e desligou o abajur ao lado da cama. Ainda conseguia ver a garota com o feixe de luz lunar que vinha da janela. Ela o olhava de volta em silêncio, fitava seus olhos com um cansaço evidente. Pegou a mão dele depois de um tempo, enlaçando-a entre seus rostos sobre o colchão. De certa forma, Vegeta sentia-se testado, como se ela estivesse arriscando o que tinha para ter certeza de que poderia sim confiar nele, mesmo apesar de tudo. Ficaram um bom tempo assim, na quietude do quarto, dividindo a cama de solteiro do sayajin, até que ele percebeu as pálpebras dela cedendo e não muito mais tarde a garota dormiu. Não conseguia imaginar como ela se permitia ser tão vulnerável diante dele, estava indo além dos limites desta fez, dormindo na cama dele, segurando sua mão, tudo porque era ali onde se sentia segura. Ali na sua cama, sob sua proteção.
Começou a pensar que, na verdade, não era tão ruim assim tê-la por perto.
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