A Escolha
1 Prólogo
Encarei a janela, apreciei aquela paisagem. O céu estava azul safira, as estrelas brilhavam alto, como se quisessem se esconder, a lua cheia, que sempre fora a mais bonita, estava sem vida e pouco iluminada.
Uma nuvem negra tomou conta do céu, e começou uma tempestade.
Soube logo que havia chegado a hora, eu realmente não queira isso, não queria partir. Mas, eu não tinha escolha.
“Está na hora” Wasp, meu fiel amigo viera me chamar.
“Sim, eu sei”
Ele me olhou, como se tentasse me entender. Mas, nunca iria conseguir, ele não entenderia como era difícil para eu partir dali.
“Vou me despedir”
Subi aquelas escadas rústicas, abri devagar a porta do quarto das pessoas que eu mais amava naquele mundo: Meus filhos
Alice dormia como um anjo, era meu pequeno alter ego, ali na minha frente.
Tirei de vagar o cabelo do seu rosto. Minha filha, minha bela dama. Sentiria falta de tê-la em meus braços. De afagar seu choro, de brincar com ela.
“Eu te amo minha filha. Sempre vou estar com você” Disse isso beijando seu rosto
Fui devagar até o outro lado do quarto, meu pequeno príncipe repousava.
Felipe, meu belo cavalheiro. Só de imaginar que nunca mais poderia segurar ele em meu colo, não poderia sentir seu calor nem beijar sua bochecha, fazia meu coração apertar mais e mais.
“Adeus meu querido, eu te amo.”
Meu lindo filho, meu príncipe.
Saí do quarto com o coração partido. Meus maiores tesouros ficaram para trás, e eu saio como uma covarde.
“Vamos minha dama?” Wasp perguntou estendendo sua mão.
“Estou pronta!” Respondi segurando sua mão.
Quando sai da casa. Parei em frente aquele jardim deslumbrante, a casa vitoriana que meu marido comprou, era para ser nosso lar perfeito. Mas agora parece mais um sonho, ou um pesadelo. Deixar meus filhos, só dois anos após ele ter morrido, é desumano.
“Não quero isso” Falei olhando para o Wasp
“Você tem um dever para cumprir” Ele falou estudando meu rosto.
“Isso é errado, eu deveria ter uma escolha” Fiquei indignada, não queria aquilo, por mais que fosse um dever poderia ser de outra pessoa, não meu. “Não quero os deixar, você não entende Wasp” Lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto.
“Você nunca teve escolha Bakura” Ele me abraçou, seus fortes braços podem proteger meu corpo, mas não pode tirar a dor do meu coração. “Você já sabia que isso iria acontecer”
“Sei disso, mas agora tudo ficou diferente, eu formei uma família, eu tenho deveres com eles” Me esquivei de seu braço, me preparando para voltar para minha casa, para o meu lar.
Wasp segurou meu braço, não forte para me impedir, mas leve para me persuadir a ir com ele.
“Desculpa minha dama, mas minha missão é levá-la, é isso que irei fazer” Depois limpou as lagrimas do meu rosto, e olhou no fundo dos meus olhos “Seria mais fácil se entendesse”.
Seus olhos âmbar estavam mais amorosos que nunca, não resisti e apertei meu corpo junto ao dele. Chorei em sua camisa, abafei meu grito em seu peito.
Mas, no final ele tinha razão nunca foi uma escolha. A decisão já estava tomada.
Afastei-me, e olhei mais fundo em seus olhos, ele era a única pessoa que eu com quem eu podia contar nesse momento.
“Você esta certo, eu tenho que ir. Mas, se isso realmente é o certo, porque meu coração me manda ficar?” Não consegui conter as lagrimas, elas desciam sem vergonha e molhavam meu rosto.
“Nem sempre o que o coração quer é o certo a se fazer. Talvez eu nunca vá te entender, mas ouça com atenção o que vou te dizer” Ele chegou próximo ao meu ouvido, conseguia sentir sua respiração, seu hálito quente me fez arrepiar “Logo você voltara para a Alice e para o Felipe, eles estarão aqui esperando a mãe. Irão te entender, você não esta sendo egoísta ao partir, esta pensando em seu povo.”
Ele me puxou para os seus braços, me deitei em seus ombros, e deixei ele me guiar. Tentando não pensar em nada, fiquei ocupando meu tempo, ouvindo o batimento do seu coração.
Mas no fundo do meu peito, tinha um grito reprimido, um sentimento amarrotado, brigando para sair, para eu descer do colo daquele homem e voltar para casa.
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