A Escolha

2 Preparativos


“Eu te amo minha filha. Sempre vou estar com você”. Aquela voz, doce e gentil insistia em e ecoar nos meus sonhos.

Por mais que fosse gostoso ouvir aquilo, eu não queria mais. Relembrá-la me trazia uma alegria momentânea, mas também uma tristeza, não sabia por que ela fora embora. E se me amava, por que teve que partir? Deixando eu e meu irmão? Por quê?

Não queria mais pensar nisso. Levantei da cama, afastando aquele pensamento de mim. Por mais que queria culpá-la por ter partido, algo dentro de mim me dizia que foi o melhor.

“Droga!” Olhei para minha imagem refletida no espelho, estava embaçada. Eu não gostava de chorar por isso, não queria mais chorar.

Molhei meu rosto, meus olhos não estavam verde-jade, como costuma ser. Estavam verdes... Grama, talvez. Meu cabelo insistia em ficar fora do lugar, o sol que passava pela pequena persiana, iluminava o castanho, deixando meu cabelo ainda mais claro.

Lembrei que iria viajar daqui algumas horas, e ainda nem arrumei minha mala.

Peguei a mala em cima do guarda-roupa. Havia esquecido que ela estava ali. Quando a abri, estava com cheiro de mofo. Que logo, tomou conta do meu pequeno quarto. Fiquei sufocada por um instante, até me acostumar com aquele cheiro.

“Alice, minha filha, venha tomar o café” Minha avó gritava lá de baixo.

Desci as escadas correndo. Quando cheguei à cozinha, o aroma era bom, cheiro de pão quentinho que acabou de sair do forno, o café da hora.

“Bom dia vó!” Dei um abraço nela. Ela correspondeu meu abraço, sentia me protegida em seus braços.

Sentei-me a mesa, e comi um pão com requeijão. O pão caseiro da vovó é o melhor.

“Alice já arrumou a mala?” Felipe me perguntou, com a boca cheia de pão misturada com café “Porque você sabe, o Caio chega logo, e ele não gosta de pessoas atrasadas...”

Ainda nem tinha começado a arrumar a mala, mas se meu irmão soubesse iria me passar o maior sermão, resolvi não mentir, mas sim omitir.

“Não se preocupe, está tudo sobre controle” Falei, me levantando e sai correndo para arrumar a mala.

O quarto não estava mais fedendo a mofo. Abri meu guarda-roupa e fui jogando as roupas para dentro da mala.

“Posso entrar querida?” Minha avó estava parada na frente da porta.

Ela era a pessoa mais importante do mundo para mim. Ela era incrível.

“Claro que sim vovó”

Continuei jogando meio sem jeito, as roupas para dentro da mala.

“Deixe que eu arrume sua mala Alice, vá tomar banho” Ela pegou da minha mão, uma blusa que já seria jogada para dentro da mala. E começou a dobrar freneticamente as roupas que estavam amontoadas na mala.

Entrei no banheiro, e fui para baixo do chuveiro. Esqueci-me do mundo, até meu irmão ficar batendo na porta e gritando: “Morreu ai dentro é? Sai logo menina, eu também tenho que tomar banho!”.

Sai do banheiro com a alma mais leve, nada como tomar um banho com água bem geladinha.

Coloquei minha calça Skinny Caqui Escura. Minha blusa regata de renda bege, uma jaqueta preta de couro, com meu all star preto cano médio. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo, deixando algumas mechas cacheadas cair sobre meu rosto.

“Felipe?” Fui até o quarto do meu irmão para ver com estava o preparativo para a viagem.

Ninguém respondeu, abri a porta, e encontrei meu irmão chorando.

Fui até ele, sentei do seu lado e o abracei.

“Ela não volta mais?” Ele olhou para mim, com o rosto cheio de lagrimas.

“Não sei” Fui sincera com ele, por mais que me doía vê-lo sofrer.

Ele me abraçou mais forte, e continuou a chorar por mais algum momento.

“Vamos logo, o Caio já chega” Ele se recuperou, e voltou a ser o menino de sempre.

Fiquei impressionada com a capacidade de recuperação do meu irmão, depois de doze anos já devia ter me acostumado.

Quando chegamos à sala Caio estava sentado no sofá conversando com a minha avó. Seja lá o que estavam falando, pararam quando chegamos.

“Caio!” Meu irmão saiu correndo e deu um abraço no seu padrinho.

Fazia exatamente dois anos que não víamos o Caio, ele tinha viajado para uma ilha, para fazer uma pesquisa sobre esqueletos, ou algo assim. Caio estava mais alto do que antes, ele tem a pela negra e um porte atlético. O corpo bem musculoso e definido. Seus olhos são castanhos escuros, e tem um brilho encantador. Seu cabelo tem o corte quadrado, com costeletas médias. Estava usando um jeans escuro e um suéter de tweed.

Ele era a figura de um pai para o Felipe. Meu irmão não teve a mesma sorte que eu de conhecer nosso pai, ele era incrível. E depois o Felipe perde a mamãe, ele ficou completamente sem rumo. O Caio o conquistou, é o padrinho do Felipe, e era amigo do nosso pai.