A Escolha
6 Pronta
Continuei a correr atrás dela, ela desaparecia atrás das árvores e aparecia novamente ao meu lado. Ainda não conseguia enxergar seu rosto.
“Alice” ela sussurrava em meus ouvidos, e logo flutuava para longe.
“Espere” Eu gritava, e saia correndo, quase me sentia flutuar.
De repente ela parou próxima a uma caverna
“Logo iremos nos encontrar” Ela disse, ainda não conseguia ver sua face.
“Qual é seu nome?” Perguntei me aproximando mais “Quem é você?”.
Ela ficou parada lá, de costas, apenas me ouvindo.
“Você é uma Klamany, não é mesmo?” afirmei.
“Calma, logo encontrara resposta para tudo” Ela continuou a andar até a caverna.
O sol batia diretamente na minha face, me fez despertar de mais um sonho estranho. Levanto, ainda de pijama, vou até a praia. E encontro eles reunidos em uma meia lua, enquanto aproveitam o café da manhã.
Era tão lindo ver os três reunidos, meu irmão tinha apenas doze anos, mas sua mentalidade pode dizer que é bem avançada, ele está apenas de bermuda, coloca na boca um pedaço de queijo, o vento brinca entre seus cachinhos castanhos, o sol faz sua pela radiar, dando um toque mais bronzeado a sua bela pela morena. Ao seu lado Caio faz malabarismo com as laranjas, o que faz todos caírem na gargalhada, ele também está sem camiseta, deixando seu peitoral a mostra ao seu lado está minha prima. O vento que brinca nos cabelos de Felipe parece não se entender com as madeixas lisas e negras da Malu, elas vão em direção ao seu café da manhã, o que faz ela constantemente ter que tirar o cabelo da boca, sua pela clara parece sofrer com o sol, mas ela parece mais feliz do que nunca, mesmo com o que havia acontecido na noite anterior, o que me faz lembrar que devo um pedido de desculpas.
“Malu?” Chamei.
Ela se levantou deixando varias mechas de seu longo cabelo tampar sua face, enquanto ela lutava com o vento pra não subir seu vestido florido.
Ela se aproximou e parou logo na minha frente.
“Desculpe-me” Encaro bem seus olhos cinzentos. “Eu não queria ter feito aquilo, eu nem sei como eu fiz aquilo”.
“Está tudo bem, sério, não precisa se preocupar” Ela me puxou para um abraço “Dá próxima vez que quiser que eu tome um banho, é só me pedir”.
Aproximei-me dos outros, e fechei a roda do café da manhã. Tinha muitas frutas, provavelmente tiradas da ilha mesmo. De todas lá, o Mamão-Papaia era o meu favorito.
Assim que terminamos de comer, nos reunimos envolta da praia. Eu e Felipe ficamos procurando conchinhas, e Caio saia para uma trilha com Malu.
“O que você acha?” Felipe me pergunta, apontando para a direção deles.
Eu os olhei, cada vez ficavam mais distantes, andavam lado a lado como velhos conhecidos, às vezes Caio ficava a olhando, até que em uma altura, não tão perto de onde eu estava, mas também não tão longe, pois eu conseguia ver cada movimento deles. Eles sentam na areia e Caio começa a falar algo, que deixa Malu primeiramente desconfortável.
“O que eu acho sobre o que?”
“Sobre ele contar a ela” Ele diz me olhando como se fosse burra, mas eu ainda não tinha entendido “Contar a ela o que?” “Sobre você, sobre mim, sobre essa ilha, sobre os Klamanys” Ela fala com se isso fosse o óbvio.
“Ele vai contar?”
“Ela não pode ficar sem saber ela está aqui conosco”
“Verdade” “E foi você que jogou a onda nela, então...”
Pego um pouco da água do mar nas mãos e jogo no rosto dele, que me arrasta para dentro do mar e começamos a brincar como duas criancinhas. Estava tão feliz por fazer parte de algo, mesmo que seja estranho, e pareça irreal ainda é algo importante para mim.
“Ei venham logo” Nem tínhamos percebido que eles haviam voltado da ‘caminhada reveladora’ não queria sair da água, era tão boa.
“Só mais um pouco” Felipe implora, e nos dois fazemos cara de cachorro sem dono, o que gera uma onda de riso.
“Não dá” Ele fala depois que para de rir “Ainda temos que entrar no coração da ilha hoje”
Ele, e todos nós encaramos toda aquela flora perfeita que dominava a ilha, deu um friozinho na barriga.
“Hoje conheceremos a pátria de vocês”
Uma onda de adrenalina passou por cada parte do meu corpo. Minha pátria, meu lar... Aquilo me fez sair rapidamente do mar, mas antes pego um pouco daquela água com as mãos, e quando vou jogar na Malu ela começa a ganhar vida. Começa a girar e girar, e a aumentar de quantidade, vira um redemoinho grande, que de repente se divide em três e atinge cada um.
“Ah...” Fico sem fala, só olhando para os três todos molhados, assustada por ainda não conseguir controlar isso.
“Outro banho?” Malu fala me olhando, querendo rir de mim, por que minha expressão estava realmente assustadora.
“É melhor irmos, quanto antes aprender a controlar isso melhor” Caio falou subindo de volta para a nossa barraca.
“Você tem que me ensinar” Felipe vem do meu lado, e começa a falar o quanto aquele redemoinho tinha sido animal, e como ele queria logo que seu dom se revelasse.
Fui direto para minha barraca, trocar a roupa, pois ainda estava com meu pijama, que no momento se encontra encharcado. Puxo uma blusa regata preta básica, e uma calça com estampa do exercito, pego uma jaqueta de couro, por mais que estava um clima fresco vai que dentro da floresta tem muito mosquito, pensando em proteção calcei meu par de Workman Boot – Coturno- e também levei uma garrafa térmica com água.
“Vai para guerra?”
Pulei de susto.
“Ai que susto menina!” Ela estava vestida para um passeio, eu para uma trilha e ela usava vestido cor gelo curto, e uma legging preta com um sneaker também preto, mas com alguns detalhes amarelos, e pra fechar uma jaqueta de baseball. “Acho que você não ouviu bem, mas eu repito porque te amo” Falei bem compassadamente como se estivesse explicando matemática para uma criança “Vamos entrar na floresta”.
“Acho que a única pessoa que não entendeu foi você” Ela falou me olhando de cima abaixo como se estivesse preste a vomitar na minha roupa “Porque nós vamos conhecer seu lar”
Aquilo me deixou por um momento paralisada, deu um frio na espinha e eu podia sentir borboletas no estomago. “Vamos conhecer seu povo” Ela falou rindo, enquanto me ajuda a sentar. “Não vai ficar nervosa por favor” “Já estou” rebati
“Meninas, não podemos demorar” Caio apareceu e nos olhou desentendido “O que aconteceu?”.
“Nada” Malu falou dando aquele belo sorriso sedutor “Pode ir, estaremos logo atrás” ela piscou para ele, e veio me levantar “Está pronta?”.
É agora que minha vida realmente irá mudar. Em pensar que alguns dias atrás eu era a pessoa mais cética existente na crosta terrestre, e agora estou aqui, estou indo em direção de um mundo que cientificamente não pode existir. Mas o que eu aprendi até agora, é que não existe impossível. Depois de perder meu pai e ser abandonada pela minha mãe, talvez tenha me fechado muito. Mas agora estou disposta a recomeçar.
“Estou” respondi saindo da barraca, e seguindo Felipe e Caio que já se distanciavam.
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