A Escolha

7 Na floresta


Já estava me sentindo pronta para encarar minha nova realidade, segui-os determinada a recomeçar, a mudar.

Malu vinha logo ao meu lado, estava muito animada. “Isso é muito legal” Ótimo, pensei. Eu fiquei toda revoltada quando Caio me contou dos Klamanys, joguei um jato de água na garota, depois Caio conta para ela sobre a nossa realidade, ela está aqui do meu lado cantarolando e com um sorriso de ponta a ponta, mostrando seus belos dentes brancos. Eu nunca conseguiria encarar a situação assim.

“Está tudo bem?” Perguntei, pra mim a qualquer minuto ela iria surtar “Está tudo perfeito”.

“Vamos lá, pode ser sincera comigo. Olha isso, olha pra onde vamos, o que tem de perfeito, o que tem de normal?”

Ela parou de andar e me fitou meio intrigada “Sabe Alice, eu realmente não tive duvidas, aquela onda que você jogou em mim foi à prova” Ela falou rindo “E qual é? O que tem de normal nesse mundo? O que é normal para você?”

“Bem, dominar elementos não me parece muito normal” “É normal ter bombas de hidrogênio, e a qualquer momento poder explodir uma população inteira, é normal ter nação contra nação e depois dizer que somos todos irmãos?”. Olhei para ela, e tive que concordar, afinal de contas isso não é normal, eu realmente ainda tenho muito que aprender sobre o que é normal e o que é real. “Você tem um dom que é seu veio com você, não precisou manipular nada, nem matar ninguém para conseguir” Ela me fitou séria “Isso tudo” Ela abriu os braços como se fosse abraçar a ilha “É a coisa mais normal que eu já vi na minha vida toda”.

Continuei calada meditando as palavras da minha prima, ela realmente tinha razão. “Obrigada” Falei entrelaçando meus braços no dela. E caminhamos juntas, e cada vez que nos aproximávamos da floresta ela parecia mais majestosa e mais perfeita que nunca.

Quando chegamos a uma altura onde a floresta se tornava mais densa Caio parou para dar algum aviso “Bem, agora nos vamos entrar de verdade na floresta de Lijig, quero que tenham cuidado, e fiquem juntos, temos que achar a entrada”.

“Achar?” Felipe falou desanimado “Achei que tinha um caminho, ou uma placa escrita ‘Klamany por aqui’ ou algo do tipo”.

“Não é tão fácil, mas não se preocupe, vai ser legal”.

Entramos na parte mais densa da floresta, que parecia viva de tão majestosa que era, andamos alguns quilômetros até estarmos acabados, mas ninguém ousava pedir para parar, todos queriam chegar logo a Klamany.

“Estou com fome” Malu quebra o silencio, todos concordaram em parar para comer algo, achar comida não foi nenhum problema, tinha muitas arvores frutíferas por aqui.

“Nossa, aquela goiaba parece estar deliciosa” Malu aponta para a goiaba mais alta “Quer que eu pegue para você?”

“Você, Caio?” Ela o olha com um desdém fingido “Não sei se seria capaz” ela abre aquele sorriso sedutor que só ela consegue fazer, porque nunca vi ninguém com um sorriso daqueles, ou se vi não era tão bom a ponto de ser notado.

“Quer que eu te prove?” Ele se aproxima “Não precisa provar” ela fala ficando na ponta dos pés para ficar cara a cara, mas mesmo assim só chega até o seu ombro “Então não quer mais a goiaba?” ele fala com um sorriso maroto “Quero outra coisa...” Ela fala aproximando ainda mais do corpo dele, ele colocou seu rosto frente a frente com o dela quando parecia que ele ira a beijar ele diz “Desculpe, só posso te dar a goiaba, mas como a senhorita não quer mais” Ele da de ombros, vira e se senta ao lado de Felipe que parecia totalmente indiferente a cena.

“Ele é fogo hein” Malu fala pra mim piscando os olhos, aceno com a cabeça que sim, minha boca estava cheia de mamão-papaia “Sabe, acho que estou começando a gostar dele...” Eu a olho pedindo para ela me deixar comer em paz, mas como não sou boa com esse lance de olhar, ela entende como ‘Por favor, fale mais está tão divertido e nada bizarro’ “Quando o vi senti uma atração física, também quem não iria sentir, mas agora sei lá, é mais que isso” “É o que Malu?” Pergunto depois de engolir meu mamão-papaia, ela se aproxima do meu ouvido e sussurra “Acho que estou apaixonada” “Bem, então espero que não queira receber conselhos de mim, porque nunca me apaixonei” Ela me encara assustada “NUNCA?” ela levanta e grita, e faz os meninos que estavam do outro lado nos olharem assustados “COMO NUNCA?” Ok, minha cara nem estava vermelha “Senta aqui menina” puxo ela pelo braço e a faço sentar.

“Desculpa se não sou assim sabe, que nem essas menininhas que se apaixonam facilmente, talvez eu seja fria e calculista ou talvez não tenha encontrado o cara certo”

“Que Mané esperar o cara certo nada. Você não fique esperando ele chegar, vá até ele” Ela fala apontando para o Caio “Viu, aquele é meu cara certo”

Continuamos a andar por mais um tempo, até uma hora em que todos estão extremamente cansados e esgotados. Caio nos guia até uma clareira, não tínhamos levado a barraca, mas tínhamos lençóis, deitamos na grama mesmo, que era muito macia e gostosa.

“Cuidado Alice”

“Com o que?” Pergunto tentando achar a origem da voz, era a mesma voz de sempre.

“Olhe ao seu redor”

Olhei tudo era turvo, não sentia nada embaixo dos meus pés, não via nada, estava escuro.

“Não consigo enxergar” Gritei atordoada.

“Preste atenção Alice, tome cuidado!”

Abri os olhos desesperada, e logo vi a lua cheia brilhar lá no alto com esplendor. Todos a minha volta dormiam. E eu não conseguia mais voltar a dormir. Decidi dar uma caminhada pela floresta, só para ver se o sono vinha.

Andei um pouco para o sul, e começa a ficar mais escuro, as arvores eram maiores tampando a luz refletida da lua. Estava me sentido perdida, até ouvir um barulho de água correndo, fui até a origem do som. E encontrei um riacho, sentei na beira e coloquei meu pé dentro da água cristalina. Fiquei entretida com a correnteza do riacho, decidi ficar ali até amanhecer depois iria procurar por eles, afinal eles não iriam sair do lugar.

“Quem é você?” Uma voz rouca soou atrás de mim, me virei mais ainda estava muito escuro. Vi apenas uma silhueta masculina se aproximar “Qual o seu nome?” Ele fala mais alto.

“Alice” respondi me levantando “E o seu?!”