A Escolha

8 Matw Hill


Levantei, mas meus pés permaneciam no riacho enquanto aquele estranho se aproximava mais e mais. Ele chegou tão próximo de mim que já conseguia ouvir sua respiração.

“Qual o seu nome?” Perguntei novamente.

“Matw Hill” Ele respondeu se aproximando ainda mais, podia sentir seu hálito quente enquanto falava.

Engoli seco, estava assustada, e minhas mãos começaram a tremer. Já estava começando a ficar com mais frio, e parecia que tinha ficado ainda mais escuro.

“Está com medo?” Ele perguntou segurando minha mão, eu queria correr, mas parecia que a água me prendia ali. Pensei que seria uma boa hora para eu ativar meu dom e fazer surgir uma onda gigante, mas nada disso aconteceu. “Não tenha” Ele falou fazendo um movimento com a mão, e na palma da mão surgiu uma chama de fogo, assim do nada.

Iluminou seu rosto, ele estava sorrindo maliciosamente, sua boca tinha um leve tom de rosa, e seu cabelo louro estava desgrenhado.

“Não estou com medo” Falei tentando parecer durona.

“Sei” Ele falou rindo de mim. “Ok, senhorita sem medo, posso saber como veio parar aqui?”

“Acho melhor você me falar primeiro” “Primeiro as damas”

“Tá legal” falei vencida “Excursão”

“Sei” Ele disse meio desconfiado “Só você?”

“Acho que você tem que responder minha pergunta antes de fazer outra”

“Eu moro aqui” Será que ele é um Klamany, eremita ou um louco, será que era um maníaco, ele pode ser um assassino, vai saber.

“Como fez isso?” apontei a chama em sua mão.

“Isso” ele falou com um tom de desdém “Ah, fácil, eu sempre soube” Ok, ele tem que ser um Klamany “Acho que posso fazer outra pergunta...”

“Essa é a regra” falei com um sorriso forçado.

“Está sozinha?” “Não”.

Ele aproximou a mão em chamas ao meu rosto, o que fez meus olhos arderem. Depois ele se afastou e fez a chamas aumentarem. Elas começaram a tomar conta de toda sua mão, e iam aumentando cada vez mais, até passarem para o pulso, mas elas não paravam de crescer, só pararam quando atingiram o ombro. Fiquei assustada ao ver essa cena, totalmente insana.

“Uau” foi o que consegui dizer “Uau”

“Deve ser uma dengo...”

“Uma o que?”

“Uma humana”

“Ah...”

“Bem, acho que é....” Ele falou rindo ainda mais “Está perdida?”

“Não, mas acho melhor esperar até de manhã para voltar até onde os outros estão”

“Por que esperar se posso te levar agora” Ele estendeu a mão para mim.

“Acho que posso me virar sozinha”

“Vamos lá garota, me de sua mão” Eu seguro sua mão, quando a pele dele me toca, passa uma descarga elétrica por todo meu corpo e tiro minha mão da sua rapidamente “Que merda foi essa?” Pergunto esfregando minha mão que doía muito “Por acaso você me queimou?”.

“Não, eu nunca faria isso” Ele fala com tom de desentendido “Juro, não fiz nada, vamos de me sua mão”.

Coloco minha mão novamente sobre a dele, e ele me puxa. Mas não saio do rio, meus pés estavam literalmente colados ao rio.

“Para de brincadeira garota, saia logo”.

“Não sei o que está acontecendo” Tento tirar meus pés, mas eles continuam colados ao leito do rio. “Vai ficar ai parado ou vem me ajudar?” Falei estendendo minhas mãos a ele.

Ele pega minha mão e me puxa com força com toda força possível, mas não movo nem um centímetro.

Começo a ficar estressada, fecho os olhos e tendo me acalmar “Vamos lá água, me deixe sair” digo mentalmente. No mesmo momento que penso isso as correntezas começam a correr novamente. Tendo mover o pé para poder sair, e para minha surpresa saio da água sem o menor esforço, praticamente.

“Ok...” Matw fala me olhando desconfiado “Como fez isso?”

“Eu mentalizei.” “Como?” “Só falei mentalmente que queria sair dali”

Não teve como não rir do rosto surpreso dele, e com a luminosidade produzida pela chama que ainda brilhava em seu braço dava uma expressão muito bizarra á ele.

“Ainda vai me levar até meu acampamento?”

“Claro” Ele pegou minha mão, e novamente o choque passou pelo meu corpo “Acho que posso te seguir sozinha” falo tirando minhas mãos das suas. A mão dele mais parecia uma garra, ele era enorme daria um ótimo jogador de basquete. “Acho que não precisamos de tanto contado físico mesmo” Ele falo dando longos passos a minha frente. “Você nem sabe o caminho, me espere” Falei correndo atrás dele.

O guiei até onde estava meu acampamento, o sol nascia longe, era um belo espetáculo, as nuvens começavam a ficar laranja e amarela, era lindo de assistir. Com o sol parecia que minhas forças se renovavam, agora me sentia ainda mais forte que nunca.

“ALICE?!” Malu gritou desesperada assim que me viu aproximar, foi até mim e me abraçou com força tirando meus pés do chão, e me deixando temporariamente sem ar “Nunca mais faça isso comigo, ouviu NUNCA” Ela falou brava.

“Calma Malu, oi pra você também”.

“Por favor” Felipe apareceu abatido “Não diga isso a ela, quanto mais eu e Caio a pedimos para ficar calma, mais irritada ela parecia”

“Lipe, o que foi? Parece abatido?”

“Ah você não sabe da maior, minha irmã desaparece no meio da madrugada sem aviso prévio nem nada, e aparece como se nada tivesse acontecido”.

“Desculpa, sério. Juro que nunca mais faço algo parecido”.

Os dois me olham desconfiado, e exigem explicações. Conto a mesma historia várias vezes até eles se cansarem de ouvir, peço perdão até de joelhos para que eles me perdoem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.