A Escolha
5 Klamany
“Fala” exigi
Ele olhou fundo em meus olhos, podia ver refletido meu rosto com uma expressão assustada.
“Promete que vai ouvir até o final” “Prometo” Ele mudou de posição ficando agora frente a frente comigo, não tinha como eu fugir de seu olhar.
“Vai ser difícil você entender, vai achar que é uma piada, mas, por favor, fique até o fim. Não existe apenas humanos nesse mundo Alice, esquece tudo que você sabe ou julga saber, existem outras espécies mais evoluídas e algumas nem tanto convivendo conosco. Há bruxos, semideuses e muitas criaturas que você jura existir apenas em livros” E existe essa raça os Klamanys. Eles evoluíram a partir da raça humana. Tinham uma grande ligação com a natureza, e passaram a fazer parte dela, não tomando forma de flores ou algo assim, mas começaram a domina-la. Não a destruíram, mas começaram a conviver dela e com ela. E desenvolveram esses dons, assim eles podem dominar verão e a primavera, o ar e água, o dia e a luz. Eles se esqueceram dos dengos – humanos-, e entraram para o coração da ilha, e se perderam, pode se dizer que de proposito. Eles vivem aqui, nessa ilha, a única porta de entrada para o mundo deles, a única saída de lá “Você Alice, é uma Klamany”.
Olhei para ele, e comecei a rir. Que situação ridícula.
“E você quer que eu acredite nisso?” Me levantei e fui em direção à praia “Até parece” Chutei a areia.
Estava ficando com tanta raiva que dava medo, como assim? Que historia sem noção, e ele quer que eu acredite... Klamany que ridículo.
A praia parecia me chamar, começo a me despir e ando em direção à praia. A água gelada começa a me invadir, mergulho, e deixo minhas lagrimas se misturarem com o mar.
Nunca tinha me sentido tão abandonada. Por que ele morreu? Por que ela tinha que ir?
O mar parece entender minha dor, me sinto consolada por ele. E não paro mais de chorar.
O sentimento dentro de mim, de raiva, dor, abandono começa a sair pelos meus olhos como lagrimas, e não param mais.
“Alice?” Malu vem em direção à praia.
“Deixe-me só”
“Não”
“EU DISSE PARA ME DEIXAR”
Gritei descontando toda minha raiva, era tão grande que não conseguia controlar.
Só ouvi o grito da Malu, e não entendi nada. Ela estava lá no chão, toda molhada. Caio e Felipe corria em sua direção. Ela estava desacordada.
Saio do mar o mais rápido possível, meu irmão joga uma toalha pra cobrir meu corpo, e se afasta como se eu fosse um monstro.
“Fica longe” Ele estendeu a toalha a saiu de perto de mim como se eu fosse um monstro.
Felipe não me deixou aproximar da minha prima, fiquei de longe e atenda a cada movimento. Ainda não entendia o que havia acontecido. Caio estava tentando reanima-la.
Até que ela acordou, tossindo forte, e ficou olhando pra mim assustada.
Felipe a leva para a barraca, e Caio vem caminhando até mim.
“O que aconteceu?” Pergunto desesperada “O que eu fiz?” “Calma” Ele fala me afagando. “Você Alice, é uma Klamany, não adianta o quanto tende se enganar”.
“O que aconteceu?”
“Lembra o que acabei de te contar, os elementos que os Klamanys dominam?”
“Sim, ar e...”
“Água!” Ele completa.
“Mas como? Isso nunca havia acontecido antes!” Minha mente estava um drama, uma confusão, nada parecia fazer sentido para mim.
“Seus dons sempre existiram dentro de você, apenas esperavam uma brecha para poder sair, uma emoção forte, ou a situação certa.”
Ouvi tudo de cabeças baixa. Essa realmente não foi à situação certa.
“Como me tornei uma Klamany?”
“Sua mãe é uma Klamany”
Mãe, aquela palavra tão amorosa, podia me fazer sentir ódio, dor e amor ao mesmo tempo. Não queria falar sobre ela. EU NÃO VOU FALAR SOBRE ELA.
“Ela me abandonou”
“Não, ela não te abandonou, logo você ira entender.”
“Eu não me importo” Mentira, me importava mais que tudo, qualquer um podia perceber isso, mas realmente ela era o último assunto que queria tratar. “E o Lipe? Ele também é um Klamany, certo?”
“Sim, Felipe é um Klamany!” Ele parou e me encarou antes de falar “Não quer saber mais nada sobre sua mãe?”.
“Não” Falei indo em direção ao lugar onde Malu descansava. A areia era tão gostosa de sentir em meus pés, e o vento que vinha era gelado e gostoso, eu podia o ver dançar em minha volta.
Aproximei-me devagar, e sentei próxima a ela, acariciei seus belos cabelos sedosos. E a observei dormi, ainda não entendia o que eu havia feito. Deixei-a dormi, fui até minha mala e peguei meu pijama. Deitei no colchão inflável, e fiquei encarando o nada.
“Como fez isso?” Felipe apareceu de repente “Conta pra mim, por favor.”
Ele se aproximou e sentou do meu lado.
“Sabe que eu não queria fazer isso com ela, não sabe?” Perguntei segurando sua mão.
“Eu sei” Ele disse me abraçando “Você nunca machucaria ninguém, muito menos a Malu”.
Suspirei aliviada.
“É uma historia meio estranha, de um tal povo chamado Klamany que tem uns dons diferentes e tal”
“Eu sei” Ele disse me encarando.
“Como assim você sabe?”
“A vovó contava essas historias pra eu dormir” A vovó? Ela sabia disso? Agora as dúvidas só aumentavam, mas deixei-o continuar a falar. “E o Caio me disse que é verdade, eu e você somos Klamanys. Eu não acreditava muito, mas depois de ver você jogando uma onda enorme na Malu, não tive duvidas.”
“Eu não fiz por que eu quis, e não tenho ideia de como fiz. Só sei que estava com raiva, e queria muito ficar sozinha.”
“Não queira isso, ficar sozinha é horrível”.
“Mas às vezes é bom para pensarmos” Disse rindo, meu irmão querendo ser meu conselheiro, essa ilha é doida mesmo.
“Acho melhor você nunca mais ficar sozinha para pensar, viu no que deu hoje”.
Rimos juntos, até nossas barrigas começarem a doer. Parecia tudo normal, parecia tão familiar. Comecei a aceitar, realmente fazíamos parte dos Klamanys.
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