A Distância De Um Beijo
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Mas, com esse capítulo já dá pra se ter uma ideia, então façam suas apostas. ;)
Boa Leitura...
Capítulo VII
~ No dia seguinte ~
Gil estava sentado à mesa terminando de tomar seu café da manhã quando sua mãe apareceu para se juntar a ele.
— To atrasada? — perguntou puxando a cadeira e sentando-se.
— Não, eu que acordei mais cedo hoje — disse depois de tomar um gole de café.
Marcela se serviu de um pouco de café, pegou um pão integral e o pote de geléia.
— E você e a Ju? Como estão indo as coisas? — perguntou passando geléia no pão e dando uma mordida.
— Tá tudo bem. A Ju é uma garota incrível. A gente passa bons momentos juntos.
— Ótimo. É assim mesmo que começa — sorriu feliz.
— Começa o quê, Dona Marcela? — perguntou intrigado.
— Quando estiver na hora. Você vai perceber por conta própria meu filho — falou deixando o garoto intrigado.
— Ah, lá vem a senhora com esses papos estranhos — disse se levantando e indo em direção à pia.
— Relaxa, filhote — Marcela riu.
— Mãe, cê se importa de eu ir antes pra escola? — perguntou enquanto enxugava as mãos.
— Não, por quê?
— Acho que vou esperar a Ju na frente do prédio dela pra gente ir junto.
— Tudo bem. Além do mais, eu vou pro Quadrante só mais tarde. Preciso resolver um assunto com o Lorenzo.
— Tá tudo bem entre você dois? — perguntou colocando a mochila nas costas.
— Tá. Não é nada demais.
— Se você diz — fez uma pausa — Mas, se ele aprontar algo com a senhora me avisa que eu vou ter uma conversa séria com ele.
— Awn, que filho fofo eu arranjei — disse se levantando, apertando e beijando as bochechas do garoto — Você é muito parecido com seu pai, sabia? No começo a gente não se bicava.
Gil riu e Marcela continuou a relatar a história.
— Ele era como você, teimoso, marrento… — riu — Mas, aos poucos nós viramos amigos e aí eu percebi que ele era muito mais que isso. Ele sempre me buscava quando íamos sair, conversava comigo sobre todos os assuntos, assistia filmes comigo mesmo que não gostasse…
Marcela segurou a respiração para não chorar.
— E quando eu menos esperava, descobri que estava apaixonada por ele — ela não conseguiu segurar uma solitária lágrima que escorreu pelo seu rosto.
— Eu também sinto falta dele — disse Gil enquanto consolava a mãe com um abraço.
— Desculpa, por fazer esse papel de chorona — sorriu — Mas, ontem quando eu cheguei e vi você e a Ju dormindo abraçados naquele sofá, isso me fez lembrar dele, de nós dois, de tudo o que nós vivemos.
— Por que a gente faz você se lembrar do relacionamento de vocês?
— Não sei — disse enxugando o rosto com as mãos — Talvez a saudade me faça ver nós dois em vocês. Ou pelo simples motivo de vocês fazerem os mesmos programas que nós, ou pelo bem que eu vejo que um faz ao outro, e o sentimento sincero que existe entre vocês.
Gil não sabia o que falar, simplesmente a abraçou e ficaram assim por alguns minutos.
— Vai lá buscar a Ju, filhote — Marcela beijou a bochecha do filho.
— Você vai ficar bem? — perguntou preocupado.
Marcela assentiu com a cabeça e Gil se despediu com um abraço.
Ainda faltava bastante tempo pra aula começar quando o garoto chegou a frente ao prédio da it-girl. Ficou cerca de cinco minutos com seu boné na mão esperando que Ju aparecesse por lá. Estava pensando em mandar uma mensagem para ela no momento em que a mesma apareceu.
— Gil — falou surpresa.
— Oi Ju — disse cumprimentado-a com um selinho — Vim te buscar pra gente ir junto pra escola. Tem problema?
— Claro que não — disse enquanto segurava a mão do garoto.
Estava indo em direção ao quadrante quando encontraram Lia no meio do caminho.
— Ei, vocês dois. Posso ir com vocês até a escola? — brincou.
— Claro né, Lia — Ju riu.
— Então o que vocês acham de ir ao cinema depois da aula comigo e o Dinho?
— Pode ser — Gil respondeu.
— Acho melhor não — Ju respondeu de maneira estranha — Hoje meus pais chegam de viagem pra fazer uma visita, e eu e o Bruno vamos buscar eles no aeroporto.
Gil estranhou o comportamento de Ju com Lia, mas não comentou nada.
— Então tá. A gente pode marcar outro dia — a loira completou, enquanto a morena apenas concordou com a cabeça.
Continuaram andando calados até chegarem à frente ao colégio, onde Orelha, Pilha e Fera conversavam animadamente.
— Ué galera, será que eu to ficando doido — o nerd ironizou — Ou os cornos tão andando de mãos dadas — disse sacando seu celular pra começar a gravar a cena.
Gil e Ju não gostaram da provocação, mas foi Lia que saiu em defesa dos dois.
— Qualé Orelha, não sabia que você era tão mal-amado a ponto de se incomodar com a felicidade dos outros.
—Pooooo… tirou onda com tua cara — Fera e Pilha caíram na gargalhada.
— Oh roqueirinha, só não apronto uma boa contigo por que você é namorada do meu melhor amigo — disse irritado.
— Ah, orelha. Como se você já não tivesse aprontado com seu “melhor amigo” — ela continuou —Parece que você não é amigo de ninguém, só de você mesmo.
— Olha, você não sabe de nada — disse vermelho de raiva —O Dinho é como um irmão pra mim, e se não fosse por ele você já estaria… deixa pra lá — se segurou e foi embora pra longe.
Depois de um tempo Pilha e Fera foram ao seu encalço.
— Não entendi nada — disse Gil quebrando o clima estranho que havia ficado.
—Nem eu — disse Lia confusa — Eu vou procurar o Dinho, Tchau — sorriu.
— Tchau — disseram os dois que ficaram em uníssono.
Adentraram o quadrante e ficaram abraçados esperando o sinal tocar. O garoto percebeu que Ju estava distante e resolveu perguntar o que estava acontecendo.
— Ju, aconteceu alguma coisa?
— Como assim?
— Você tá distante. Ficou diferente quando a Lia comentou sobre ir ao cinema. Sei lá…
— Ah, é por que eu ainda não to preparada para fazer programinha de casal com ela e o Dinho — falou com sinceridade — Acho que eu vou levar um tempo pra me acostumar…
— Tem certeza que é só isso mesmo?
Juliana balançou a cabeça afirmativamente e puxou Gil, calando-o com um beijo na esperança que ele deixasse o assunto de lado.
O sinal tocou.
— Vamos pra sala — disse ela ao separar dos lábios, puxando-o pela mão.
— Não vai ter problema se a gente se atrasar por cinco minutos — riu puxando-a para outro beijo.
…
Estava na hora do recreio, Ju e Gil estavam sentados numa mesa com Morgana, Rafa e Rita.
— Tô animada pra próxima ação do Crau — Rita comentou por alto com os amigos.
— O bruno também tá, mas ele tá mantendo segredo sobre isso — Ju falou — Nem comigo ele comentou algum detalhe.
— A gente tá mantendo segredo por que de certa forma não tá cem por cento certo que a ideia vai ser executada — Rita explanou.
— Eu já me ofereci pra ajudar, mas ele disse que quando for a hora eu vou saber — a it-girl disse.
— Todos vocês seriam de grande ajuda.
Gil ofereceu seu refrigerante pra Ju, que negou com a cabeça.
— Tô sem fome — sussurrou.
— Gil, você poderia fazer uns cartazes? — a filha de Mathias perguntou — Além do mais você seria de grande ajuda nessa ação.
— Se estiver ao meu alcance — Gil falou.
— Ai gente, eu não agüento. Vou comentar com vocês, mas, por favor, não contem pra mais ninguém.
— Oba — disse Ju animada.
— Bem a idéia é basicamente fazer uma espécie de sarau ao ar livre. Por isso a gente estava pensando em fazer na praça ao lado do Misturama. Nós iríamos fazer um stand com livros usados para venda com um preço mais acessível. Aulas de iniciação musical, com o Nando se ele aceitar.
— Claro que ele vai aceitar, ele vai adorar a idéia — falou Morgana.
— Eu posso tentar ensinar as pessoas à grafitar — Gil disse — Além do mais, pode ser uma forma de mostrar a diferença entre grafite e pichação para um público maior.
— Era exatamente isso que eu ia te propor — Rita sorriu — Ainda bem que você curtiu a idéia.
— Eu posso montar um stand estilo brechó, com roupas vintages e acessórios — Ju comentou — E o dinheiro arrecadado com as vendas poderiam ser revertidos à instituições de caridade.
— Ótima idéia Ju — a sueca sorriu — Eu vou passar essas ideias de vocês pro pessoal do Crau. Aí quando estiver tudo certo eu aviso a vocês.
— Eu vou até o banheiro — Ju se levantou — Te encontro lá na sala depois — disse para Gil que acenou positivamente com a cabeça.
Assim que Ju saiu eles continuaram conversando sobre a ação do Crau, dando novas ideias, sugerindo formas de execuções de determinados projetos.
Um tempo depois Gil se despediu alegando que tinha esquecido seu celular na sala de aula e iria buscá-lo. Estava andando tranquilamente quando viu Ju e Dinho conversando em local mais afastado. Avistou Juliana se aproximar do garoto e falar algo em seu ouvido, mesmo percebendo que a expressão da garota era de certa revolta e repulsa, sentiu seu sangue ferver e não agüentou ficar parado observando.
Aproximou-se dos dois e com um tom duro perguntou.
— O que tá acontecendo aqui?
O que deixou Ju e Dinho surpresos e sem nenhuma reação.
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