A Distância De Um Beijo
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Capítulo dedicado à Fraan, Pryscila,
nathioliveira e Team Pauleria e LiTor, que comentaram o ultimo capítulo..
Mistério revelado...
Agora é a hora do "fight" o/
Boa Leitura...
Capítulo VIII
~ Minutos antes ~
Juliana estava indo em direção ao banheiro quando avistou Dinho junto com Orelha e Fatinha num local mais afastado. Sabia que o colégio não era o melhor local pra se ter aquela conversa com o garoto, mas não podia esperar, aquela história estava lhe deixando nervosa e sabia que não poderia guardá-la por muito tempo.
Aproximou-se deles cautelosamente e se dirigiu ao namorado de Lia.
— Dinho, a gente pode ter uma conversa? — perguntou séria.
— Claro, fala aí — disse surpreso.
— É … precisa ser em particular.
— Sério Ju? — Fatinha se intrometeu — Ele tá namorando a Lia. Esquece, parte pra outra. Deixa eles serem felizes garota.
— Fatinha, me erra, por favor. Eu já to em outra — disse irritada — E Dinho, eu precisa mesmo conversar com você a sós.
— Claro, Ju. Fatinha, Orelha será que vocês podem nós deixar sozinhos.
— Tem certeza? — perguntou Orelha.
Dinho assentiu com a cabeça e os dois se afastaram. Assim, que os dois saíram do campo de visão de Ju, ela se virou séria para o garoto e resolveu abrir o jogo.
— Eu vi Dinho — a it-girl falou.
— O quê?
— Ontem, quando eu tava saindo da casa do Gil, eu vi você e a Valentina se beijando.
— Ela me beijou, Ju — disse desesperado — Você não vai contar pra Lia, né?
— Eu não vou — ele ficou aliviado por um instante — Mas, você vai.
— Ju, eu não tenho nada com ela. Eu amo a Lia. E se eu contar, ela vai terminar comigo. Eu não quero perder a Lia — falou um pouco alto.
— Se você não contar, eu conto. Minha amiga não merece ser enganada — Juliana parecia determinada.
— Me dá um tempo então — suplicou — Ju, eu faço qualquer coisa pra não perder a Lia — quase gritou de desespero.
— Fala baixo Dinho — disse se aproximando dele — Só não demora muito pra contar, a minha amiga não merece sofrer.
Nesse momento foram interrompidos por Gil, que parecia estar furioso.
— O que tá acontecendo aqui?
Ju e Dinho ficaram estáticos, torcendo para que Gil não estivesse escutado a conversa e não tivesse pensando mal deles.
— Então — o grafiteiro disse irritado — Por que vocês tão aí de segredinho?
— A gente não tá de segredinho — Dinho mentiu.
— Ah, por que motivo vocês estariam cochichando ao pé do ouvido então? — falou num tom agressivo — Eu vi.
O garoto esperou uma resposta de um dos lados, mas quando ninguém se pronunciou fez menção de ir embora.
— Gil.. não é nada do que você tá pensando — Ju falou.
— É o que então? — virou-se e voltou a encarar os dois.
— É … que … É — a garota tentava decidir a maneira certa de contar.
— Ju você não vai contar pra ele, né? — Dinho parecia bastante alarmado.
A garota ficou um tempo parada e pensando no que devia fazer, não tinha noção do que era certo ou errado de se fazer naquela situação, não sabia nem se havia certo ou errado numa ocasião como essa.
— É. Pelo jeito, você não vai me contar — disse Gil, saindo triste e magoado em direção à sala.
— Gil … Gil — falou Ju em vão, já que o mesmo se dirigia á sala.
A garota estava indo atrás de Gil para tentar se explicar, quando Dinho a parou.
— Ju ,você não vai contar pro Gil, né?
— Não sei Dinho, acho que ele tem o direito de saber o que a gente tava conversando — a garota disse — Mas, como o Gil é esquentado, não sei qual seria a reação dele quando souber.
— Ele iria contar pra Lia — Dinho disse amargurado.
— Essa briguinha de vocês dois é ridícula — disse saindo de lá.
…
Gil chegou emburrado na sala de aula, estranhou a presença de Fatinha, Orelha, Pilha e Fera, mas não questionou nada, afinal não tinha nada a ver com isso.
Preferiu ficar ali sentando, esfriando a cabeça até o sinal tocar. Sabia que não iria acontecer nada de bom se encontrasse Dinho fora da sala de aula. E não podia ser suspenso novamente, senão isso resultaria numa expulsão.
— Que cara é essa, lindinho? — Fatinha chegou perto de Gil — Sabia que você fica mais bonito com raiva?
— Que foi Fatinha? — o garoto perguntou — O que você quer?
— Qualé garoto, por que você acha que eu quero alguma coisa?
— Por que você é a Fatinha!
— Tá bom… — fez uma pausa — Então Gil, eu tava pensando que a gente podia se encontrar na praça lá pelas duas horas, pra conversar, se conhecer… — disse com segundas intenções.
— Ah, bem no horário que o irmão da Ju sai pro estágio. Coincidência não?
— Como cê sabe que eu quero provocar ciúmes no Bruno.
— A Juliana me contou que você gosta dele.
— Ah….
Fatinha estava se afastando, no mesmo momento em que Ju entrava na sala. Gil olhou pra Ju e se sentiu no direito de provocar a garota.
— Vem cá Fatinha — chamou-a — Que horas mesmo você quer me encontrar na praça?
Olhou sério pra Ju.
— Sério mesmo, gatinho — a loira disse — Pode ser às duas.
Juliana se aproximou dos dois com uma cara de reprovação.
— Gil, essa situação tá ficando chata — disse — Será que a gente pode conversar sobre o que aconteceu?
— Oi… eu to aqui… Dá pra alguém me explicar o que tá rolando? — Fatinha perguntou confusa.
— O Gil só aceitou se encontrar com você pra me provocar. Ele tá com raiva de mim.
— Peraí, vocês dois tão juntos? — ela parecia chocada — Quer dizer que você de certa forma me usou pra provocar ciúmes nela?
O garoto apenas confirmou com a cabeça e com um tom de desculpas se pronunciou.
— Foi mal…
— O feitiço virando contra a feiticeira — Ju sussurou.
O sinal tocou e Fatinha saiu de perto dos dois indignada.
— Então a gente pode conversar?
— Fala
— Sobre o Dinho… Não é nada disso que você tá pensando.
Os alunos começavam a entrar na sala de aula.
— E o que eu estaria pensando?
— Ah… sei lá… que eu to correndo atrás dele, não sei. Gil, eu já esqueci o Dinho. — fitou os olhos do garoto — Você acredita em mim, não é?
— Acredito — fez uma pausa — Mas, o que você e ele estavam conversando?
— Eu não posso contar… É algo muito…. — Ju baixou a cabeça.
— Ótimo. Eu confio em você, mas você não confia em mim.
— Não é isso. É que essa história envolve outras pessoas… E vai ser melhor você saber depois, quando tudo estiver resolvido.
— Ou seja, eu não sou de confiança — disse mordaz.
— Para com isso Gil. Não é nada disso, é que o Dinho… — Ju foi interrompida por Jorge que adentrou o local.
— Todos indo para os seus lugares.
Ju se sentou ao lado de Gil e olhou de relance pra ele, que por sua vez continuou olhando pra frente sem esboçar nenhuma reação. Ele ainda estava chateado.
Jorge estava dando sua aula, mas Ju não conseguia prestar atenção, estava pensando em Gil, escreveu um bilhetinho onde estava escrito:
“Ainda tá chateado? =\\ Desculpa, deixa eu me explicar? ♥”
E no mesmo momento repassou para o garoto. Gil teve apenas a chance de ler, não teve oportunidade de responder, pois Jorge repreendeu os dois.
— Nada de bilhetinhos na hora da aula, senão eu vou ter que expulsar os dois de sala.
— Desculpa professor — disse Gil.
Mesmo lendo o bilhetinho da it-girl, o garoto mantinha a sua postura de mágoa perante à situação.
Não demorou muito pra o sinal da saída tocar e Gil ser o primeiro a sair de sala. Ju arrumou suas coisas e foi atrás dele, Lia estranhando a situação foi ao seu encalço.
— Gil… Gil — disse alto, enquanto o mesmo se afastava em direção ao Misturama.
Ju bufou com raiva.
— Mas, que merda — disse.
Lia que se aproximava, encarou Ju com olhos arregalados de espanto.
— Amiga, tá tudo bem? Essa é a palavra mais perto de um palavrão que eu ouvi você falar — Lia não estava sendo irônica — Vocês brigaram?
— Mais ou menos.
— Ué, por que você não vai atrás dele pra vocês conversarem?
— Eu tenho que buscar meus pais no aeroporto, agora — falou ajeitando o cabelo — É até melhor eu conversar com o Gil depois, ele é teimoso, então é bom ele ter um tempo pra esfriar a cabeça.
— Você que sabe. Mas se precisar conversa, eu to aqui tá.
— Tá — disse Ju rindo e abraçando amiga.
Logo em seguida se despediram e a it-girl foi ao encontro de Bruno, para que ambos fossem buscar seus pais.
…
Olavo e Marta adentraram a sua casa pela primeira vez em muito tempo, seguidos por Bruno e Ju.
— Bem vindos de volta — Bruno brincou.
— Ai, que saudades da minha casinha, de vocês meus filhos — Marta abraçou Ju, que por sua vez estava um pouco cabisbaixa.
— Que foi minha filha? — Olavo perguntou — Não está feliz com a nossa volta?
— Não Pai. Não é isso, to muito feliz com a visita de vocês — disse com sinceridade —Só to chateada com algo que aconteceu hoje na escola.
— O que aconteceu? — a mãe dela perguntou.
— Nada demais. Foi um mal entendido que aconteceu, e acabou que eu e o Gil discutimos.
— Quem é Gil? — perguntou Olavo um pouco preocupado — Seu namorado?
— Não — a garota mentiu, temendo a reação do pai — É meu melhor amigo.
Ju não se sentiu mal, pois de certa forma não estava mentindo, Gil era seu meu melhor amigo. Só estava omitindo o fato de que os dois estavam “namorando”.
— Por que você não vai à casa dele pra vocês conversarem? — sugeriu Martha.
— Mas, eu tenho que ajudar vocês a desfazer as malas.
— A gente se vira — Martha beijou o rosto de Ju — Vai lá conversar com seu amigo.
— Obrigada — disse Ju saindo de casa.
Olavo olhou para Bruno e questionou o filho.
— Esse Gil, é só amigo dela mesmo?
— Pra falar a verdade eu não sei. Eles são bem próximos, ele passa bastante tempo aqui e ela na casa dele. E também ajudou muito ela no tempo em que ela estava brigada com a Lia. Ele é um garoto meio fechado, mas é gente boa.
— Vocês “garotos” são muito lerdos — Martha riu —Uma coisa é certa: ela gosta dele, se eles tão namorando ou não a gente só vai descobrir com o tempo.
— Como você percebeu isso nesse pouco tempo? — o pai de Bruno questionou.
— Pelo jeito que ela falou dele — disse ela — Os olhos dela brilharam. Acho que alguém está apaixonada — riu.
…
Juliana estava em frente a porta da casa de Marcela quando Gil a recebeu.
— Oi, a gente pode conversar? — Ju perguntou.
— Entra.
Ju se sentou no sofá e Gil fez o mesmo se sentando a sua frente.
— Desculpa, eu queria falar contigo antes, mas eu tive que buscar meus pais no aeroporto.
— Tudo bem.
— Então, Gil. Eu e o Dinho não temos nada. A gente tava conversando porque… — foi interrompida por Gil que lhe roubou um beijo.
Quando se afastaram Ju deu um sorriso pra ele.
— Por que você fez isso?
— Por que eu confio em você. Se você diz que é melhor eu saber toda essa história quando estiver tudo resolvido, eu acredito.
— Você não existe — ela lhe deu um selinho — Mas, eu quero te contar. Lembra da época que a gente brigou por que você não confiou em mim na história do Lupe. Eu lembrei dessa época e percebi como você devia estar se sentindo agora. É ruim achar que alguém tão próximo não confia em você.
— Você que sabe, Ju.
— Então, ontem quando eu saí daqui depois do filme, vi o Dinho e aquela gringa se beijando em frente ao hostel. Então hoje fui falar com ele, dizer que tinha visto e falar que ele devia contar pra Lia. Que a minha amiga não merece ser enganada. E que se ele não for contar eu conto.
— Não acredito que o babaca do Dinho fez isso com a Lia — disse com um pouco de raiva — Eu te falei Ju que os dois tinham mais intimidade do que a gente pensava.
— Pois é. Não sei nem como a Lia vai reagir quando souber. Minha amiga, tá passando por tanta barra que não merecia mais um problema.
— Você é incrível sabia? — Gil sorriu.
— Por quê? — Ju perguntou confusa.
— Por que qualquer pessoa no seu lugar poderia considerar isso como uma vingança. A Lia vai sofrer o mesmo que você sofreu. Você poderia ser a primeira a contar, mas não, você está preocupado com os sentimentos dela. Isso só mostra o bom coração que você tem.
Ju sorriu e naquele momento nada mais precisava ser dito.
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