Notas iniciais
Oiiiii! Depois de um tempo, aqui estou eu de volta! Confesso que estava morrendo de saudade de todos, estava realmente com muita saudade *--* Queria pedir desculpas pela demora com o capítulo, eu planeja postá-lo em Janeiro, mas meu Notebook não permitiu isso. ¬¬ Comecei a ter problemas com ele, inicialmente com a placa de vídeo, que parava de funcionar ás vezes, quando isso acontecia a tela ficava toda preta e eu tinha que forçar o desligamento dele. Consequentemente, perdendo tudo o que tivesse aberto >.< Cheguei a perder 8 vezes o capítulo até o final de Fevereiro, depois de todas essas tentativas decidi esperar até ter money pra comprar um novo xD Depois de passar muita raiva com meu notebook antigo, estou com um novo!(amém xD) Bom, com relação ao capítulo, se trata mais de uma ponte entre os acontecimentos que estão por vir, mas não deixa de ter uma importância :D Já na imagem coloquei o vendedor Kaname, para vocês terem uma ideia de como ele é. Confesso que acho ele tão lindo!

Após o incidente com Kaname, fiquei durante alguns minutos agachada no chão do provador. Do outro lado do tecido negro espesso, eu podia ouvi-lo pedindo desculpas, diversas e incontáveis vezes.
— Desculpe-me! – exclamava Kaname. – Juro que não foi proposital. – continuava ele, com um leve desespero na voz. – Surgiu um vento do nada, e.... – fez uma pausa. – Novamente me desculpe.
Ele parecia estar um tanto desesperado e surpreso com o incidente, e eu me sentia da mesma forma. Porém, o desespero que ele possuía não habitava em mim, no lugar dele havia vergonha, muita vergonha, a ponto de querer sumir dali.
Eu tinha que me acalmar, e acima de tudo fazer ele parar de pedir desculpas. Pois assim ele só estava chamando ainda mais a atenção para o que havia ocorrido, se é que eu já não tinha chamado atenção o suficiente, quanto gritei.
Ao lembrar do meu grito, senti uma vergonha e culpa inexplicáveis. E se ele fosse demitido por minha causa?

Imediatamente após eu pensar isso, uma voz feminina forte e imponente quebrou minha linha de pensamentos.
— O que está acontecendo aqui, Kaname? – indagou a voz feminina com um tom imperativo.
Nesse instante, ao ouvir a voz , meu interior foi preenchido por um frio que parecia ser o misto de medo e surpresa.
— G-gerente, aconteceu um pequeno incidente... – disse ele gaguejando. – Mas já está tudo resolvido. – concluiu Kaname tentando manter a voz firme, mas sem sucesso.
— Algumas clientes vieram reclamar do que houve, e como você sabe, não me restam muitas opções... – disse a gerente.
Em seguida, ouvi o barulho de passos que presumi serem da mulher, devido ao fato de o som ser semelhante à salto alto. Os passos da imponente mulher, se afastavam dali, mas após alguns segundos ela interrompeu o seu caminhar.
— Venha para minha sala. Precisamos conversar. – pronunciou novamente a mulher.
Após isso, ouvi novamente os saltos batendo sobre o porcelanato. Inesperadamente, ouvi uma voz familiar quebrar parcialmente minha atenção no que acontecia.
— Mais uma vez... me desculpe, senhorita. – murmurou Kaname, por de trás do tecido negro.
— Kaname, esp... – disse na tentativa impedi-lo de ir, mas antes que eu terminasse de falar, ouvi o que parecia ser os passos dele, caminhando para longe dali.

Uma culpa inexplicável substituíra, aos poucos, a vergonha que me invadira. Será que ele seria demitido? E o pior... se isso ocorresse, eu seria a culpada.
A culpa de muitas coisas pesavam sobre mim, e o arrependimento de não ter feito nada, me consumia aos poucos, de tempos em tempos. E o maior de todos os arrependimentos que eu carregava, era o de ter tentado fazer algo para salvar Misaki... porém uma tentativa não fora o suficiente, eu deveria ter conseguido! Era inadmissível a minha falha! Afinal, acabei perdendo a pessoa mais importante de toda minha amaldiçoada vida.
Lembrar de tudo aquilo, me trazia arrepios leves e gélidos acompanhados por brandas dores pelo corpo, tais sensações eram o mínimo que eu podia sentir para tentar compensar a minha falha.
E dessa vez, pelo menos em uma delas, eu não poderia deixar alguém ser prejudicado por minha causa. Eu definitivamente não poderia permitir, se fosse o caso, a demissão de Kaname.
Eu não deixaria que a frase do Dr. Idrick se tornasse realidade novamente, não dessa vez. Idrick era um médico Inglês que trabalhava naquele lugar, ele era caucasiano, esguio, possuía cabelos loiros e olhos azuis. O Dr. sempre dizia que todos ao meu redor sempre se machucariam ou seriam prejudicados de alguma forma, e que eu iria carregar a dor de machuca-los até o fim de meus dias, se é que o fim chegaria em algum momento.

Eu deveria fazer alguma coisa para ajudar Kaname, mas o que?
Várias ideias vinham em minha mente, mas todas aparentavam ser completamente inúteis, até que uma, aparentou ser útil. Eu poderia ir falar com a gerente, mas o que eu diria?
Que droga! Novamente eu me encontrava sem saber o que fazer, ou melhor, o que dizer... Porém eu tinha que fazer algo, então decidi ir até a gerente e deixar as coisas fluírem. Tinha o grande risco de dar algo errado, pois se eu possuía uma característica marcante, essa característica era o fato de eu ser desastrada. Corrigindo...Muito desastrada! Mas nesse momento eu não poderia me permitir isso, eu tinha que ser firme, definitivamente, falhar não era uma opção válida.
Depois de passar algum tempo pensando em como agir sem parecer uma intrometida ou idiota, levantei-me, segurando com a mão direita as partes soltas do biquíni, e tornei a me olhar no espelho. Laito aquele maldito possuía uma parcela de culpa em tudo isso, e não era uma parcela pequena! Pensar nisso, fez meu interior ferver em raiva, mas aquela não era a hora pra isso, então tentei me focar em ir o mais rápido possível até a gerente.
Assim, pousei a mão sobre o pano negro, com a intensão de já sair para interceder por Kaname, quando olhei novamente para o espelho.
“Antes de mais nada você precisa trocar de roupa, sua idiota!” pensei ao me olhar no espelho, notando que ainda estava com o biquíni vermelho. Eu realmente estava com pressa, saindo semi-nua por aí... pensei novamente, rindo de leve.

Dessa forma, comecei a vestir novamente meu uniforme. Enquanto o vestia, o que Laito fez começou a voltar à minha mente, junto com as lembranças vinha uma vergonha imensa, e uma pergunta... onde ele estava?
Depois do acontecido, ele simplesmente sumiu! Me faz passar vergonha, e ainda nem para me ajudar. Se bem que, era melhor não ter a ajuda dele mesmo, pois eu sabia bem o que ele iria querer em troca. Não só ele, mas todos os Sakamaki em si. Ao pensar nisso soltei um leve suspiro, terminando de me vestir em seguida.
Posteriormente, peguei as vestes que havia trago para o provador, as pousei sobre meu antebraço, arredei, com a mão desocupada, o pano preto. Quando saía levei um susto ao me deparar com uma mulher que estava parada em frente ao provador onde eu me encontrava. A jovem mulher trajava um camisa social branca, e sobre ela um blazer azul marinho, que combinava harmonicamente com uma saia e os sapatos, também sociais e da mesma cor.
Ela era muito bonita, aparentava ter por volta de 22 a 24 anos de idade, possuía cabelos curtos em tom castanho escuro e olhos profundamente roxos.
— Desculpe assustá-la dessa forma. – disse ela fechando os olhos e se curvando suavemente, voltando posteriormente a sua posição inicial. – Bom, agora quem irá atende-la sou eu. – continuou a vendedora me encarando de forma firme. – Meu nome é Keiko Okamoto! – concluiu ela apontando para o crachá no bolso esquerdo de seu blazer.

Tudo aquilo havia me pegado de surpresa, deixando-me desconcertada durante alguns segundos. Porém aos poucos, fui me recuperando e lembrando do que eu realmente tinha que fazer. Eu deveria ajudar Kaname, afinal, eu era culpada de tudo aquilo...aliás, não só eu, Laito também, mas aquele maldito não estava ali!
— D-de início, sem querer ser rude... eu gostaria de ser atendida pelo Kaname. – fiz uma pausa a fim de analisar as reações da mulher, porém ela não reagiu de nenhuma forma. – A-afinal, ele estava me atendendo antes. – disse tentando manter a voz firme, mas no fundo eu senti que não tive muito sucesso.
Droga! Tentei passar uma impressão de pessoa firme e decidida, mas falhei completamente... Aquele maldito olhar frio havia me intimidado profundamente. E diante do meu fracasso soltei um leve suspiro de decepção, eu realmente estava desapontada comigo mesma!
— Sinto muito, senhorita. Mas ele está ocupado agora. – disse ela fazendo uma breve pausa. – Por isso me enviaram para substituí-lo no atendimento.

E agora o que eu iria fazer? Todo o meu plano havia sido arruinado, pois eu pretendia ir até a gerente sozinha, e não com uma pessoa como minha sombra. Além disso, tenho quase certeza de que a vendedora iria me impedir, ou algo semelhante.
Quando tentava pensar em algo, a voz da vendedora interrompeu bruscamente meu raciocínio.
— E então, do que precisa? – indagou ela de forma seca.
O que eu realmente queria e precisava era falar com o vendedor Kaname, e não com ela. Tudo aquilo estava realmente despertando em mim uma leve raiva e indignação. Não só a situação, mas o jeito com que ela me olhava, e o tom seco com que se dirigia a mim. Acho que isso não deveria ser comum em alguém que lida com pessoas todos os dias.
Enquanto minha indignação crescia em meu interior, uma ideia brotou em minha mente.
Eu poderia ir até o caixa o mais rápido possível, me livrando assim da Keiko Okamoto e em seguida indo onde eu realmente queria.
Ao pensar na ideia genial que tive, esbocei um leve sorriso. E assim, parti para a execução da mesma.
— Bom é só isso mesmo, muito obrigada. – disse apontando com a mão livre, para as peças de roupas pousadas sobre meu antebraço.
— Tem certeza, senhorita? – indagou ela. – Não tem algo a mais que estaria procurando ou precisando? – continuou ela agarrando um vestido branco próximo a nós. – É bem bonito, não acha?! Ficaria muito bem em você...bem melhor do que esse uniforme. – concluiu ela me analisando dos pés à cabeça, olhando posteriormente para o vestido.

Agarrei o vestido sem pensar duas vezes, ela estava me atrasando e eu não poderia perder tempo.
— Muito lindo mesmo! – disse sem nem sequer olhar para o mesmo, colocando-o, em seguida, sobre as demais peças em meu antebraço.
Ela estava conseguindo fazer minha irritação aumentar, e como se isso não bastasse estava desmerecendo meu uniforme. Tudo bem que, é fora do normal usá-lo para ir a um Shopping em um final de semana, mas quem era ela para falar algo? Infelizmente, eu não tinha tantas roupas... aliás eu não tinha nenhuma!
Realmente... tentei relevar tudo aquilo, afinal Keiko não tinha conhecimento do que ocorria em minha vida, o que era ótimo. Quanto menos pessoas soubessem sobre meu passado melhor! Embora nem eu mesma tenha conhecimento dele por completo, afinal minhas lembranças eram tão...fragmentadas.
Resolvi assim, não julgá-la como uma má pessoa, embora aparentasse ser.
— Então...onde pago por tudo isso? – indaguei a encarando na espera de uma resposta rápida.
— Bom, não quer dar mais uma olhada em nada? Pode ser que a senhoria ache algo que lhe interesse, ou quem sabe um presente de Natal para seu namorado. – insistiu ela indicando com a mão direita a loja.
— Não, não... era só isso mesmo que eu precisava! E bem, aquele que estava comigo não era meu namorado. – respondi de forma firme, mas ficando levemente corada.
Apesar da surpresa e vergonha a respeito do que a vendedora disse, até que a irritação estava me ajudando. Pois, consegui respondê-la com firmeza e ignorar parcialmente o que ela dissera, diferente de antes.
— Tudo bem então... – disse ela dando-me as costas e começando a caminhar em meio a galeria de roupas. – Siga-me.

Assim, fiz como ela havia pedido. Andamos pela loja em linha reta, paralelamente ao caminho que percorríamos, podia-se ver roupas de todos os tipos, para as diversas idades e gostos.
Enquanto caminhávamos, eu me perguntava onde Laito deveria estar, pois eu não havia o visto desde aquele ocorrido. Olhei para os lados, na esperança de vê-lo, mas só via algumas pessoas estranhas para mim.
Comecei a me sentir extremamente deslocada, eu definitivamente não conhecia nada nem ninguém ali, e única pessoa que eu conhecia havia desaparecido. Laito deveria ter cansado da função de Babá, como dizia Subaru.
Novamente a voz da vendedora interrompeu meus pensamentos.
— É logo ali, o caixa. – disse ela apontando para um balcão, onde se encontrava uma mulher loira.
A loira se encontrava ocupada, abatendo os produtos de um homem. A atendente responsável pelo caixa possuía a pele branca, olhos castanhos amendoados e seus cabelos loiros se encontravam presos em forma de coque. O uniforme dela, era semelhante ao de Keiko, e ao de outras vendedoras do sexo feminino.
Já o homem de cabelos grisalhos, trajava uma calça de brim preta, sapados sociais também pretos e uma camisa de botões cinza escuro.
Além dele, que estava sendo atendido, haviam mais duas pessoas antes mim, ou seja, mais espera e mais contratempo.
A essa altura, já me encontrava extremamente desanimada, e as esperanças de conseguir fazer algo por Kaname já começavam a me abandonar. E quanto mais a esperança ia se esvaindo, mais pesar eu sentia.

Enquanto eu esperava, emersa em meus pensamentos, notei que quando restava somente uma pessoa à minha frente, Keiko se dirigiu a responsável pelo caixa, e falou algo com ela que não consegui ouvir e muito menos compreender por leitura labial. Logo em seguida, a loira olhou para mim...Será que estavam falando de mim? Se sim, o que seria?
Olhei para os lados meio desconfiada, eu estava chamando tanto a atenção?
Porém ninguém, além delas, olhavam na minha direção. Assim, uma pontada de timidez e curiosidade começaram a substituir o pesar que eu sentia. Eu estava realmente curiosa para saber do que se tratava.

Após algum tempo de espera, finalmente chegou a minha vez de ser atendida. Enquanto me aproximava do caixa a mulher foi abrindo um sorriso, e quanto mais ela sorria, mais receosa eu ficava, seria aquilo um deboche?
— Boa noite, senhorita. Você é a garota que foi atendia por Kaname, certo? – indagou ela sorrindo de forma simpática.
Ao notar que seu sorriso não se tratava de nada pejorativo, me senti aliviada, e em resposta a isso soltei um leve suspiro. Em seguida, coloquei sobre o balcão as peças de roupas que iria levar. Porém nesse instante me veio à mente...como eu pagaria por tudo aquilo?! Normalmente, Laito estava por conta disso, o que me deixava chateada, pois estavam tando gastos comigo. Mas, Laito não estava ali e em virtude disso comecei a suar frio. O que eu faria?
— S-sim, sim... porque? – perguntei gaguejando em virtude do meu nervosismo.
— Bem, devido ao ocorrido suas compras ficarão por conta da loja. Esperamos que isso compense, em partes, pelo que a senhorita passou. E nos desculpe pelo incidente. – concluiu ela pegando as peças que pousei sobre o balcão.
Ao ouvir isso um alivio inexplicável tomou conta de mim, e toda a minha apreensão foi se esvaindo aos poucos. Até que tudo o que aconteceu não fora tão ruim, afinal, depois de tudo aquilo ao menos algo positivo foi possível tirar.
— Entendo...muito obrigada – agradeci assentindo com a cabeça, e esboçando um sorriso suave.
— Além disso, o seu namorado deixou um valor aqui, para suprir seus gastos. Mas como tudo ficou por nossa conta... – disse ela pegando algo em uma gaveta no balcão. – Aqui está o dinheiro que ele havia deixado com Kaname.

Já era a segunda pessoa que fala isso, porém eu não dera muita atenção a Keiko, pelo seu jeito frio. Mas dessa vez ao ouvir “seu namorado” comecei a sentir meu rosto esquentar, sabia que me encontrava ruborizada. O pior de tudo, é que viam eu e Laito como um casal!
— A-ah bem... – fiz uma pausa desviando o olhar, devido ao meu rubor. – Na verdade não somos namorados não... – fiz outra pausa em busca da palavra certa para o que éramos, não só Laito e eu, mas o que definiria minha relação com os Sakamaki. – N-na verdade somos familiares. – disse gaguejando e raspando a garganta suavemente enquanto proferia tais palavras.
Nem de longe eles eram minha família, na verdade só sei o que é uma pelo que vi em filmes e documentários. Nunca tive pai nem mãe, pelo que me lembre. Então jamais tive laços de afeto com familiares. Se bem que, em partes, eu poderia os considerar minha família, afinal morávamos juntos, eles me alimentavam e eu a eles.
A forma com que os alimentava, ou servia de alimento, era péssima, mas não deixava de ser um indício de vínculo familiar.
Mas o que mais me incomodava naquele momento era o “namorado...” aquilo ecoava de uma forma estranha em minha mente. Será que parecíamos, mesmo, um casal? Isso estava totalmente fora de cogitação!
— Entendo, me desculpe pelo engano. – disse a atendente loira, abrindo um leve sorriso que expressava vergonha perante ao seu deslize.

Assim, ela colocou as roupas em uma sacola de papel personalizada com as siglas “KF” que se referiam ao nome da loja “Kurasu no Fuku”.
Me entregou a sacola, e em seguida o dinheiro que Laito havia deixado.
— Muito obrigada... por tudo. – disse assentindo a cabeça, abrindo um leve sorriso. – Desculpe o incomodo, mas poderia me falar onde posso encontrar o Kaname? – indaguei ansiosa com uma possível reposta positiva.
— Bem, pelo que eu sabia, ele já foi embora. – disse ela me encarando confusa.
— Entendo... mais uma vez muito obrigada. – conclui sorrindo forçadamente e caminhando em direção a saída.
Enquanto caminhava na direção da saída, tornei a olhar para os lados em busca de Laito ou Kaname. Pensei no que Keiko havia me falado, sobre comprar presentes no natal. Não me lembrava de ter visto ou ouvido falar sobre isso, mas se era o costume, seria bom eu presentear os Sakamaki. Afinal, eles fizeram por mim o que não lembro de ninguém ter feito. Porém, ao pensar em andar sozinha pelo shopping, uma sensação de desespero começou a brotar dentro de mim... para onde eu iria? Eu não conhecia aquele Shopping direito.
Ao chegar na porta da loja, vi aquele corredor imenso, cheiro de pessoas caminhando, algumas me encarando, outras rindo e conversando. Eu me sentia deslocada, e totalmente perdida.

Meu desespero começou aumentar, e conforme ele aumentava em meus olhos começavam a brotar lágrimas.
Droga! Era tudo tão lindo, mas o rosto daquelas pessoas eram tão estranhos para mim, que eu não conseguia me sentir bem ou normal naquele ambiente. E o pior, não consegui disfarçar o quão assustada eu me encontrava de estar ali.
Em reação a isso dei alguns passos para o lado, me recostei na vitrine da KF e pousei minha mão sobre meu rosto.
Meu coração batia extremamente rápido, meu corpo se encontrava levemente tremulo. Eu não queria atrair mais olhares por estar daquele jeito, então era melhor eu ficar assim durante um tempo, pelo menos até eu me acalmar. No fundo eu sabia que só chamaria mais atenção agindo dessa forma, mas se eu não visse os olhares eles também não me veriam...

De repente senti uma mão pousar sobre minha cabeça.
— O que está fazendo aqui parada? – indagou uma voz familiar, mas que eu não conseguia reconhecer com clareza.
Em resposta a isso, saltei de susto, tirando as mãos do meu rosto e olhando na direção em que a pessoa se encontrava. Assim, vi diante de mim Kaname. Ao vê-lo fiquei bem surpresa, achava que jamais o veria novamente. Ele se encontrava trajado diferente, estava sem o uniforme, vestindo uma camisa de lã preta com manga longa, uma calça jeans, e um tênis esporte-fino. Porém o que mais me chamou a atenção foi o brinco, que ele possuía na orelha direita.
Rapidamente, tratei de limpar as pequenas gotas de lágrima que brotavam em meus olhos.
— Bem... – fiz uma pausa desviando o olhar na tentativa de pensar em algo, mas nada me veio à mente.
Maldito cérebro...essa era a hora pra você funcionar, e não de me decepcionar! Ao pensar nisso soltei um suspiro de indignação.
— Estava chorando? – perguntou Kaname me encarando confuso.
— Eu? Não...claro que não. – respondi cabisbaixa.
— Tem certeza? – insistiu ele ainda me olhando fixamente com seus olhos amarelos.
— Sim, sim... – assenti abrindo um sorriso levemente forçado.

Kaname estava um pouco diferente, acho que esse era o jeito normal dele agir. Pois na loja ele devia agir tal qual um vendedor. Ao pensar nisso lembrei-me imediatamente de lhe pedir desculpas.
— Kaname... – fiz uma pausa o encarando um pouco sem graça, começando a ficar suavemente ruborizada. – Me desculpe pelo que aconteceu. – continuei olhando em seus profundos olhos. – Você foi demitido por minha causa, não é mesmo? – conclui com uma pergunta retórica.
Eu não tinha extrema certeza, mas no fundo eu sabia da resposta, pois todas as evidencias que presenciei no interior da loja demonstravam isso. Porém, eu ainda tinha uma fina e tênue linha de esperança de que eu não tivesse o prejudicado.
— Bom, fui sim! – respondeu ele de forma afirmativa, passando a mão em seus cabelos verdes e esboçando um sorriso sem graça. – Me encontrava em período de experiência, então eles jamais admitiram que continuasse no emprego depois do que aconteceu. – justificou ele.

Ao ouvir a resposta afirmativa dele, senti uma tristeza enorme e uma culpa tão grande quanto. Era como se eu tivesse sido sugada por um buraco negro de culpa, e em virtude disso abaixei minha cabeça. Eu não conseguiria encará-lo depois de ter o prejudicado tanto.
E como se isso não bastasse, a frase do Dr. Idrick havia se concretizado mais uma vez, e como dizia ele, eu carregaria essa culpa até o fim.
— N-novamente, me desculpa... – murmurei com a voz levemente tremula.
— Não se preocupe. – disse ele pousando sua mão sobre meu queixo e erguendo meu rosto, afim de que ele pudesse olhar em meus olhos. – Afinal, não foi culpa sua! – continuou ele fitando-me. – Ou você fez aquilo de propósito? – Indagou ele esboçando um leve sorriso brincalhão e provocativo.
Tanto o que ele dissera quanto as atitudes dele, me pegaram de surpresa, me fazendo ficar ruborizada novamente. Em reação a isso desviei mais uma vez o olhar, mas conseguia sentir que ele ainda me encarava. E saber disso fazia a frequência de meus batimentos cardíacos aumentarem.

Sua mão quente se encontrava erguendo meu queixo, para evitar que eu abaixasse novamente minha cabeça. Kaname possuía um toque suave, e ele era quente. Na verdade, todos os humanos normais eram. Estive tanto tempo convivendo com os Sakamaki e com suas peles gélidas feito mármore, que havia me esquecido do calor humano. Era realmente bom aquele calor, era um calor terno e acalentador.
— C-c-claro que não fiz de propósito! – exclamei gaguejando, ainda sem encará-lo.
Tudo aquilo estava me deixando desconcertada e extremamente desnorteada.
— Enfim... – disse ele retirando sua mão de meu queixo. – Não há necessidade de se sentir culpada, até porque, eu já estava de olho em outro emprego. Queria trabalhar realmente com o que me formei. – concluiu ele em um tom sincero e terno.
— Entendo... – disse assentindo com a cabeça.
Aquelas palavras sinceras haviam diminuído um pouco meu desconforto e culpa, mas não os extinguido por completo.
― E então... vai ficar aí parada? – indagou ele.
Nessa hora, me veio em mente o que eu planejava fazer, mas o pânico daqueles olhares me fez passar mal. Inicialmente iria comprar presentes para todos, mas o pavor foi mais forte.
― Bem, estava planejando comprar presentes para meus familiares. – fiz uma pausa raspando sutilmente a garganta quando pronunciei familiares. – M-mas, não conheço bem o Shopping, então não sabia para onde ir. – disse gaguejando, pois estava mentido, em partes, para ele.
Será que ele percebeu que eu mentia? Afinal eu havia gaguejado, definitivamente, eu mentir não era o meu forte.
― Se quiser posso lhe ajudar, como forma de me desculpar pelo que aconteceu. – disse ele esticando e erguendo levemente o braço, abrindo sua mão em seguida com a intenção de que eu retribuísse.

Imediatamente veio em minha mente a voz de Reiji “Seja mais educada!”. Apesar de um pouco envergonhada, retribui o gesto dele, pousando suavemente minha sua mão sobre a dele.
― Porém antes você terá que trocar esse uniforme. – disse ele me analisando dos pés à cabeça.
― M-mas eu não tenho outra roupa... – disse frustrada e um pouco envergonhada.
Mas que tipo de exigência era aquela! “Eu não estava tão mal vestida assim, estava?” pensei olhando para o que eu trajava, procurando alguma sujeira ou algo semelhante.
― Você não comprou nada além de roupas intimas ou de banho na loja? – perguntou ele aparentando indignação.
Nesse momento me lembrei do vestido que Keiko havia me mostrado, era um vestido branco, mas não havia reparado nos detalhes do mesmo. Sei que estava no inverno, porém eu não sentia frio tanto frio, e além do mais, era melhor vestir aquilo do que ficar perdida pelo Shopping.
― Agora me lembro! Comprei sim... – disse abrindo a sacola e pegando o vestido, e mostrando a ele. – Melhor agora?! – Perguntei com um leve tom de repulsa.
― Qualquer coisa é melhor do que esse uniforme. – disse ele rindo. – Bom, venha... lhe mostrarei onde é o banheiro do Shopping, para que você possa se trocar. – concluiu ele dando-me as costas e caminhando em direção ao banheiro.

Caminhamos durante alguns minutos até que ele indicou com a mão o banheiro feminino, e lá fui eu, emersa em frustração, trocar de roupa.
Entrei rapidamente no banheiro sem prestar muita atenção no ambiente, me encaminhei para um dos boxes e fechei a posta. Apressadamente, substitui o uniforme pelo vestido branco. Até que era um vestido bonito, possuía alcinhas em renda branca e detalhes por todo o vestido com as mesmas características da alça. O vestido não era extremamente longo, e nem muito curto, seu comprimento ia até um pouco acima dos joelhos.
Imediatamente após trocar de roupa, dobrei o uniforme e o coloquei na sacola de papel da loja, saindo do banheiro em seguida. Partimos, então, para a compra de presentes.

Kaname me acompanhou em várias lojas. Durante todo o trajeto me sentia receosa, pois estava usando o dinheiro que Laito havia deixado para as roupas. Mas por outro lado, era uma forma dele pagar pela vergonha que tinha me feito passar.
Enquanto comprava os presentes, eu tinha a esperança de encontrar algum dos Sakamaki, mas parecia que eles haviam desaparecido. Sei que eles tinham esse costume, mas será que tinham ido embora sem mim? Pensar nessa possibilidade fez o desespero novamente voltar a me preencher. Porém, as risadas e voz a do Kaname me tranquilizavam, pois pelo menos eu não estava sozinha.
Depois de passarmos em várias lojas, comprei por fim presentes para todos, os quais incluía:
•Um relógio de bolso antiquado para Reiji. Afinal, ele parecia gostar de tais coisas;
•Um cachecol para Laito. Pois o inverno estava chegando, acho que eles não sentiam frio, mas era um bom adorno;
•Um fone de ouvido novo para Shuu...ele realmente estava precisando de outro;
•Comprei um pingente de celular para Yui e nele estava escrito “amigas para sempre!”. Fiquei um pouco receosa ao escolher esse presente, devido ao pedido de Yui. Mas eu realmente queria ser amiga dela, então achei uma boa maneira de se tentar iniciar uma amizade. Embora achasse que eu estava forçando excessivamente essa situação;
•Para Subaru comprei um coelho de pelúcia albino como ele... se bem que eu também era, mas não levaria isso em consideração, visto que o presente era dele. Juro que o imaginava rasgando o bicho ao meio ou o picando em pedacinhos, mas preferia não pensar nessa opção, pois quem sabe algo fofo não amenizaria seu jeito violento;
•Já para Kanato comprei um jogo de xadrez. Um dos presentes mais difíceis de se comprar, por não sei se ele irá ou não gostar. E comprei para Teddy um terninho, muito fofo, mas novamente não sei se ele ou Kanato irão gostar;
•E para Ayato comprei um colar de ouro branco com uma frase em alemão “Nichts ist, was sie denken, alles ist ein endloser kreislauf.”, ou seja, “Nada é o que se imagina, tudo é um ciclo interminável.” Achei a frase bonita, e bem abrangente, dava para imaginar vários significados possíveis;
•Como forma de tentar me redimir pelo que causei a Kaname comprei um colar de couro, com um anel de prata, que continha alguns escritos em Inglês "All will end in dust.", ou seja, "Tudo irá acabar em poeira". Havia gostado da frase, pois no fim, realmente tudo acabava virando pó, tando as memórias, quanto nossos corpos.

Após o fim das compras, me perguntava onde eu poderia achar os Sakamaki, se não todos, ao menos um. Ao pensar nisso, tive a ideia de perguntar a Kaname qual lugar, normalmente, as pessoas mais frequentavam ali .
― Kaname, qual o lugar que as pessoas mais frequentam aqui? – perguntei olhando para os lados, na tentativa de os achar antes mesmo que ele respondesse.
― Bem... acredito que na praça de alimentação. – respondeu ele aparentando não ter muito certeza do que dizia.
― E onde fica? – indaguei curiosa, com um pouco de esperança de encontrá-los.
― É logo ali! Venha, eu lhe mostrarei. – disse ele acelerando seu caminhar.
Acelerei meus passos juntamente com Kaname. Eu estava esperançosa de que conseguiria encontrar pelo menos algum deles, e assim, finalmente poder ir embora. Eu estava um pouco cansada de tudo aquilo, ali era realmente bonito e mais encantador do que jamais vi. Porém, de alguma forma eu me sentia cansada, e com uma leve dor de cabeça se iniciando.

Caminhamos durante pouquíssimos minutos, e conforme nos aproximávamos do nosso destino, eu ia ouvindo o zumbir de milhares de vozes. Pareciam haver muitas pessoas naquele local, o que me dava certo receio, mas a expectativa de me deparar com um dos Sakamakialiviava esse receio.
Aos poucos o zumbido foi aumentando, até que chegamos à praça de alimentação. Porém quando cheguei em frente a mesma, pude ver bem no centro da minha linha de visão, o Ayato.
No entendo ele não estava sozinho, junto dele pude ver Yui, ela ria bastante, e os dois pareciam bem próximos.
Ao vê-los daquela forma, meu corpo se enrijeceu de uma forma inexplicável, eu não conseguia me mover, me encontrava completamente sem reação. E por isso deixei as sacolas de presentes cairem no chão. Em meu peito surgiu uma queimação avassaladora, que ardia como se fosse me consumir por inteiro. E junto com aquela sensação vinha uma dor indescritível, ambas, do mesmo local.
Era semelhante a dor que eu já sentira, porém milhares de vezes mais forte. Fiquei atônita observando-os, e quanto mais tempo eu ali ficava a dor em minha cabeça e peito cresciam.
Eles pareciam conversar sobre algo, até que Ayato, tirou uma pequena caixa do bolso, e dela retirou o que parecia ser um cordão.
Yui olhou para o adorno de forma espantada e levemente maravilhada, e quando eu via aquelas expressões meus olhos começaram a lacrimejar.

No fundo de minha mente, eu podia ouvir uma voz fraca, falando algo, que não consegui entender no início, porém conforme a dor de cabeça e do peito ampliavam, mais forte ela ficava. Até que em um momento eu pude ouvi-la com clareza... ela dizia “Mate-os...Mate-os... Só assim isso vai acabar!”
Isso ecoou diversas vezes em minha mente, até que vi Kaname virar para mim.
― O que houve? – indagou ele preocupado. – Porque está chorando?
Eu não conseguia desviar meu olhar dos dois, para poder encarar Kaname. Abri a boca para poder falar, mas a intensidade e frequência da voz só aumentavam, e em virtude disso minha voz não saiu.
Ele parecia confuso, mas eu não conseguia pensar, nem agir direito. A única coisa que vinha a minha mente era a voz me mandando matar.
Eu podia sentir minha lágrimas quentes escorrer pelo meu rosto. Infelizmente eu não conseguia as controlar, e as fazer parar.

Após várias repetições a voz parou, e nesse instante me senti mais calma. Porém quando achei que aquela tortura tinha acabado, ouvi um sussurro “Oooh...o que está esperando? Não é isso que você sempre faz? ...Vamos...Mate-os logo... Banhe-se no sangue deles!”
Em reação a aquelas palavras encolhi meu corpo e pressionei minha cabeça, eu queria que aquilo parasse, não só todas as dores, mas a voz. Aquelas palavras eram macabras.
― Por favor...para...não aguento mais... – murmurei várias vezes, pressionando forte minha cabeça.
Repentinamente, senti uma mão pousar sobre o topo da minha cabeça, encostando suavemente em minha mão. Saltei de susto, pois estava tão focada na voz, que tinha perdido todos os meus sentidos, e repentinamente eles haviam voltado quando senti tal toque.
Olhei rapidamente para ver quem me tocava, quando vi Kaname.
“Dor... inflija dor a tudo e a todos!” soou novamente a voz.
Imediatamente, sai correndo completamente desnorteada, trombando com todos a minha volta. A voz feminina incessante ecoava em minha mente de forma intensa e frenética.
Mais uma vez perdi meus sentidos, eu ouvia somente aquela maldita voz horrenda, não conseguia perceber nada ao meu redor. Eu só sentia o vento batendo em minhas pernas enquanto corria, e o impacto de meus pés no chão.
Porém em determinado momento, a voz parou e quanto recobrei meus sentidos, vi uma luz intensa vindo na minha direção, em seguida, senti um impacto agressivamente forte contra meu corpo.
Uma dor descomunal me preencheu, não consegui ver nada claramente, apenas ouvia o murmúrio de pessoas, quando perdi a consciência.

Notas finais
Bom, novamente ficou um pouco grande, e esse capítulo mais o próximo iam ser um só, que seria o de natal...mas como podem ver ia ficar gigantesco kkkk Espero que tenham gostado, e que não fiquem chateados devido a demora. Gostaria de saber o que estão achando da Fanfic, e o que acharam do Kaname... Acharam ele bonito? :O Além disso, vou deixar o link de alguns dos presentes que Shiro comprou, pra ajudar vocês a imaginarem :D Cordão do Ayato : http://4.bp.blogspot.com/-tsKAJAHAtpg/TuMefXDjIbI/AAAAAAAAAeA/rlc-C5rLQO4/s1600/colar+masculino+com+pingente+pai+nosso+corrente+fina.jpg Cordão do Kaname : http://www.semprejoias.com.br/imagens/semprejoias.com.br/produtos/Produtos/joias_artesanais/1075_2.png Relógio do Reiji : http://i01.i.aliimg.com/wsphoto/v1/1900923905_5/Pacifistor-Men-s-Skeleton-Mechanical-Wind-up-Steel-Chain-Pocket-Watch-Luxury-Classic-Watches-Roman-Num.jpg Coelho do Subaru : http://cdns2.freepik.com/fotos-gratis/_19-116512.jpg Enfim, espero que tenham gostado do capítulo, e novamente desculpem pelo atraso! Desculpem mesmo Y----Y Obrigada a todos pelos comentários, pelos favoritos e por acompanharem a fic