A Culpa É De Uma Estrela
11 Lágrimas
Notas iniciais
*1. How Do You Do - Roxette
**2. Fix You - Coldplay
* “I love the way you undress now, baby, begin...
Do you caress, honey, my heart's in a mess
I love your blue-eyed voice...”
Ela estava sentada no sofá, completamente à vontade. Deixava-se levar pelo momento. A namorada, por sua vez, já sem blusa, começava a retirar a saia devagarzinho. Sorridente e provocante. Aquelas duas orelhas de veludo ficavam perfeitas nela. Uma vez que a peça de roupa estava abandonada no chão, a loira continuou sua dancinha empinando o bumbum. Virou de costas e passava a mão pelo próprio corpo.
– Isso mesmo amor! Você é tão gostosa!
Ela se virou e sorriu de forma inocente para a outra, o que nada tinha a ver com o momento.
– Adoro quando você me chama assim... Você acha que eu sou mais gostosa do que marshmallow? – A voz não era nem um pouco provocante, era alegre.
– Eu acho! Acho que você é mais gostosa do que todos os marshmallows desse mundo! Eu quero comer você! – Respondeu no mesmo tom, levantando uma sobrancelha.
– Eu também... E eu quero comer você com marshmallow! – Sorriam o tempo todo, como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo. Para elas, realmente era.
– Vem aqui, vem! – Ela chamou gesticulando com as duas mãos e abriu um sorriso enorme.
Fez uma dancinha de vai e vem antes de sentar no colo da namorada, com uma perna de cada lado. Estava muito alegre. Enquanto a outra segurava delicadamente em suas coxas com as mãos, ela se inclinava para frente, sussurrando em seu ouvido:
– Quem é sua coelhinha? – Riram.
– Você é!
– Isso mesmo! E agora nós vamos brincar... Vou te mostrar a minha cenoura! – Sorriu alegremente, se aproximando para um beijo. *
– Espera! Você escondeu algum vibrador por aqui? – Perguntou curiosa.
– Não... Por que? Você quer? Posso ir buscar... – Sorriu novamente!
– Então que história é essa de cenoura? – Ergueu uma sobrancelha.
– Bem, eu estou fazendo de conta... Coelhos gostam de cenouras! Ou não?
– Gostam sim, é verdade... Desculpe, eu pensei outra coisa! Sua frase foi meio esquisita meu amor!
– Bem, eu posso pegar uma cenoura na cozinha se for mais fácil pra você imaginar...
– Não, eu não gosto de cenouras! – Foi se aproximando para um beijo. Dessa vez foi a outra que se afastou.
– Por que não? – Perguntou um pouco indignada. – Cenouras são super nutritivas e laranjas! Eu gosto muito de cenouras! – Brittany era tão inocente. Santana amava isso nela.
– E eu gosto muito de você! Eu te amo...
A outra abriu um sorriso adorável. Aproximou-se novamente para um beijo.
Ding Dong!
Brittany se afastou arregalando os olhos.
– Quem será? – Perguntou preocupada! – Será que seus pais resolveram voltar hoje? – A loira parecia um filhotinho assustado no colo da namorada.
– Não amor! – Santana disse, prendendo a outra no lugar. – Não é nada! Vamos continuar... – Se aproximou novamente para um beijo.
Ding Dong!
– De novo! Amor, deve ser importante... Vamos averiguar! – Falou baixinho, como se fosse perigoso alguém ouvir.
– Não... Deixa isso pra lá Britt Britt!
Ding Dong! Ding Dong!
A latina afastou a outra delicadamente, mas levantou bufando irritada.
– Merda! Não consigo beijar minha própria namorada!
– Sant, você tem a vida toda pra me beijar... – Comentou carinhosa.
A latina sorriu apaixonada. Ela era completamente apaixonada por aquela garota. Foi se aproximando de Brittany novamente, mas foi interrompida pela campainha ao que julgava ser a milésima vez. Não era, mas todo mundo tem seus excessos. Santana tinha vários. Estava prestes a demonstrar um deles, utilizando todo o poder de Lima Heights Adjacents no “desgraçado que ousa atrapalhar minha festa com a MINHA coelhinha! Voltará para o inferno em 3, 2, 1...”. Mas todas as ofensas morreram na ponta da língua quando ela viu quem estava ali.
** Do lado de fora, uma cena conhecida se repetia. Sua amiga, com os olhos vermelhos e inchados, possuía no rosto aquela expressão utilizada por pessoas que não conseguem mais suportar alguma coisa. Olharam-se por alguns segundos que mais pareceram uma eternidade. Nada precisava ser dito, o entendimento era fácil, fruto dos anos de convivência. Conheciam-se bem. Talvez por isso a loira jogou-se em seus braços e se agarrou à amiga como se fosse sua única salvação. Não conseguiu conter o choro. Mas estava tudo bem, Santana era um refúgio para ela.
A latina lhe abraçou com força, acariciando suas costas e tentando acalmar a amiga. Enquanto Quinn tremia em seus braços, a outra fechava os olhos com um suspiro, impedindo as próprias lágrimas de caírem. Nenhuma das duas se deu conta de Brittany, que já trocada, aparecera no hall para saber quem tinha chegado ali. Ao ver a cena, a loira se sentiu uma intrusa e não querendo atrapalhar, voltou para a sala. Com uma expressão triste e questionadora, sentou-se no sofá e uniu as mãos, repousando-as no colo. Suspirou. Alguma coisa não estava certa. Ela precisava agir. Levantou-se e voltou ao hall, ainda com a mesma expressão no rosto. Aproximou-se das outras duas e com a maior delicadeza do mundo, passou um braço ao redor de Santana e o outro ao redor de Quinn. Elas fizeram a mesma coisa com a loirinha. Quinn parecia tão frágil ali entre as duas. Exatamente o oposto daquela líder de torcida que costumava ser. Ou melhor, que parecia ser. A verdade é que tantas vezes ela precisara desabar naquele abraço. E sempre precisaria.
Afastou-se um pouco das duas, enxugando as lágrimas. Seu olhar era suplicante e triste. Suspirou. Santana pegou uma de suas mãos.
– Vem cá! – Foi puxando a amiga em direção à sala. Enquanto isso, Brittany aproveitou para pegar um copo com água e açúcar. Resolveu levar também um marshmallow.
Quando chegou ao aposento, viu que Quinn ainda não dissera nada. Santana afagava o rosto da amiga, enquanto a loira apertava a outra mão da latina com as suas.
– Toma Quinn, vai fazer bem! – Brittany estendeu o copo para a amiga.
– Obrigada Britt! – Foi a primeira coisa que ela falou naquela manhã. Em meio às lágrimas, esboçou um pequeno sorriso na direção da amiga. Era impossível não sorrir para Brittany. Tomou a água inteira, de olhos fechados. Suspirou cansada e passeou a língua pelos lábios. Estava de cabeça baixa. Um objeto macio e colorido entrou em seu campo de visão e a mesma voz doce de antes falou:
– Come isso, vai fazer bem!
Ela obedeceu. Pegou o marshmallow que a amiga lhe estendia e comeu, sorrindo em seguida. Santana também sorriu agradecida para a namorada. Porque ela era a coisa mais linda do mundo na visão da latina. Brittany sentia-se extremamente satisfeita com si mesma. A loira sentou-se no sofá também.
– Você quer conversar? – Santana quebrou o silêncio.
– Eu... – Suspirou. – Eu estou um pouco cansada. Emocionalmente, eu quero dizer...
– Tudo bem! – A latina falou. – Vamos descansar no meu quarto. Ou você prefere ficar sozinha?
– Não, eu não quero ficar sozinha! – Respondeu rapidamente.
– Que bom! – Levantou-se e estendeu a mão para a amiga. – Vamos!
As três subiram. Ao entrarem no quarto, enquanto Brittany retirava o edredom da cama, Santana comentou:
– Não se preocupe, trocamos os lençóis!
– Obrigada! – Quinn sorriu.
Brittany já estava deitada quando Quinn se sentou na cama e começou a retirar os sapatos. Santana trancava a porta do quarto e se dirigiu à janela para fechar as cortinas. O ambiente estava mais escuro e aconchegante. A latina foi a última a se deitar. As três olhavam para o teto, pensativas. O silêncio era confortável, mas Brittany não permitiu que ele durasse.
– Espero que você saiba que nós te amamos Quinn!
A loira virou a cabeça para olhar a outra nos olhos.
– Eu amo vocês também! – Virou-se para Santana. – Espero que saibam disso, apesar de tudo!
– Nós sabemos Quinn! – A latina respondeu.
– E Brittany... Você é a coelhinha mais linda que eu já vi! – Soltou uma risada. Santana sorriu enquanto a namorada olhava para cima tentando enxergar as orelhas, numa expressão engraçada. Com uma das mãos retirou o acessório e sorriu também.
– Vamos dormir!
~~*****~~
Rachel estacionou o carro na garagem. Ao se olhar no espelho, pode ver o quanto seus olhos estavam inchados, de tanto chorar. Parecia até que ela tinha levado um soco em cada um. Mas a dor que sentia vinha de outro lugar. Um lugar que ela não podia ver. Suspirou profundamente antes de sair do carro e entrar em casa.
Não havia sinal de seus pais ali. Ela agradeceu mentalmente por isso. Subiu as escadas vagarosamente, como se aquilo exigisse mais forças do que ela possuía no momento. Abriu a porta do quarto de cabeça baixa. Entrou, fechando-a com as costas. Encostada nela como se fosse sua única forma de sustentação, fechou os olhos e suspirou. Mas então escutou a porta de seu banheiro sendo aberta. Abriu os olhos e quem saia dali era a última pessoa que ela queria encontrar no momento.
– Finn?
– Oi Rach! – Ele respondeu com um sorriso triste.
“Tears stream down your face
I promise you I will learn from my mistakes...
Tears stream down your face
And I...
Lights will guide you home
And ignite your bones
And I will try... to fix you.”
###
Notas finais
Sei que demorei para postar, mas tive uma semana extremamente corrida e a faculdade está tomando todo o meu tempo! Me desculpem, ta? Sinto que tenho um compromisso e espero que saibam que vocês são muito importantes para mim! ;D Obrigada por lerem, eu fico muito feliz!
Beijos!
Fale com o autor